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Perguntinha difícil (2)

por João Pinto Bastos, em 27.03.13

Que tal o entrevistador de logo à noite perguntar a Sócrates o porquê de ter aprovado, em 2007, uma lei que permite a qualquer espião avençado pelo Estado português ter emprego para o resto da vida, ao fim de seis anos de contrato, independentemente do que faça? 

publicado às 14:52

Kit de salvação do terror do Euro!

por John Wolf, em 27.03.13

 

Torna-se quase impossível determinar quais as consequências do controlo bancário que está a ser inaugurado na Eurozona. Qualquer que seja a designação do evento e a língua que se escolha (bank run, capital flight, corrida aos bancos, fuga de capital...), amanhã haverá uma reacção instintiva de uma comunidade alargarda de depositantes que passou a temer as instituições financeiras de um modo ainda mais intenso. A confiança no sistema bancário foi quebrada. Um sistema que agora tem rachas que estão a deixar entrar água, muita água. Nessa medida, e assumindo-me como uma pessoa não totalmente esclarecida, venho por este meio partilhar convosco algumas medidas de protecção para os tempos que se avizinham ainda mais difíceis. Independentemente do grau de riqueza ou pobreza de cada um, a noção de preservação de valor faz parte da consciência de qualquer pessoa. Sabemos que alguns bens mantêm o seu valor de um modo mais eficaz do que outros. Uma viatura, que não deixa de ser um péssimo investimento, tem um prazo de validade mais longo do que um iogurte natural. E essa questão de validade bate agora à porta de cada um com muita insistência. Esse cobrador de dúvidas não se vai embora e não veste um fraque. Perguntemo-nos então, o que poderá ser feito para minimizar os efeitos da confiscação financeira que se iniciou no Chipre e que  se arrastará a outros belos destinos Europeus? Proponho que o aforrador, seja qual fôr a expressão das suas poupanças, passe a pensar em termos práticos. Se isto começar a descambar de um modo muito feio, a divisa Euro, cairá em descrédito, e naturalmente seremos obrigados a procurar outros veículos para salvar as mulheres e as crianças da nau do dinheiro. Começo por indicar que a diversificação será a pedra angular para minimizar os efeitos da volatilidade que iremos sentir. Há que espalhar o mal (o bem!) pela aldeia. Os Euros que estão depositados na sua conta podem ser retirados da mesma, mas procedendo a uma simples operação de transmutação. Uma operação de mudança de sexo - a conversão cambial. Ou seja, refiro-me à aquisição de Dólares Americanos, Francos Suiços ou Coroas Norueguesas. Falo de notas físicas que deverão ficar à guarda dos proprietários e nunca colocadas sob o controlo de gestores de conta, esses inimigos que andam aí à solta. Uma solução consiste em armazenar as notas numa caixa-forte. Existem  empresas especializadas na tutela de bens de clientes a troco de um pequeno módico pelo arrendamento do espaço. A outra "divisa" histórica a considerar será o Ouro. Nada mais que pequenas barras que podem ser adquiridas em diversos tamanhos, com diferentes expressões de onças e valor. Para se ter uma noção, é possível começar com lingotes que custam um pouco mais de 100 euros. Não desejo ser alarmista nem sensacionalista. Teria sido entendido como um perfeito louco se recomendasse estas soluções há um par de anos, por exemplo durante a festa de uma Expo 98 ou de um Euro 2004. A história parece ser mais rápida agora, porventura porque ainda somos lentos na avaliação de risco que (não) fazemos, e não percepcionamos a urgência da situação em que nos encontramos, porque estamos entretidos a ver a bola passar. Passamos a viver numa época de favas descontadas. Resta-nos agora invocar Noé e tentar evitar a desgraça de um dilúvio que já afogou uma ilha e que irá galgar as margens do continente. Incontinente.

publicado às 11:49

O Eterno Retorno

por Regina da Cruz, em 27.03.13

Em dia de *retorno*, revisito King Crimson e partilho convosco.
Curioso (ou não) como uma canção (ou antes uma reflexão tornada melodia) escrita no final dos anos 60 se mostra tão actual.
É crimson a cor do meu espanto quando pergunto:
estaremos condenados?


The wall on which the prophets wrote
Is cracking at the seams
Upon the instruments of death
The sunlight brightly gleams

When every man is torn apart
With nightmares and with dreams,
Will no one lay the laurel wreath
As silence drowns the screams

Between the iron gates of fate,
The seeds of time were sown,
And watered by the deeds of those
Who know and who are known;

Knowledge is a deadly friend
When no one sets the rules
The fate of all mankind I see
Is in the hands of fools


Confusion will be my epitaph
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back and laugh,
But I fear tomorrow I'll be crying,
Yes I fear tomorrow I'll be crying


 

publicado às 11:15

A morte da União Europeia

por Samuel de Paiva Pires, em 26.03.13

Viriato Soromenho-Marques, União Europeia morreu em Chipre


«Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos. Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains. A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.»

publicado às 23:00

Coisas realmente importantes

por Samuel de Paiva Pires, em 26.03.13

E que me apoquentam sobremaneira: o Luís vai estar amanhã na RTP a indicar a Sócrates se fica melhor assim ou assado? Se eu fosse uma das viúvas socráticas, já não dormia descansado só de pensar que o Luís pode não estar lá para assegurar que captam o melhor ângulo do querido líder.

publicado às 22:33

Almôndegas e rissóis nucleares

por Nuno Castelo-Branco, em 26.03.13

 

O  jovem e anafado Almôndega Vermelha - esposo da também gastronómica camarada Ri Sol ju - não faz a coisa por menos, tem andado a ver demasiados filmes americanos. Ameaça Pearl Harbour, Guam, o Alasca e o Japão com uma reedição de Tora! Tora! Tora!, enquanto para os seus irmãos nacionais da Coreia Sul, reserva uma prenda nuclear. Melhor faria se gastasse alguns recursos em sacas de arroz, soja, pacotes de Corn Flakes e umas centenas de milhar de galinhas poedeiras. Já agora, talvez o prolixo deputado Bernardino Soares tenha algo a dizer-nos quanto a mais este vento leste de guerra, provavelmente em modo de mera auto-defesa.

publicado às 21:00

Ainda o convite da RTP a José Sócrates

por Samuel de Paiva Pires, em 26.03.13

Um belo artigo de Esther Mucznik, que nos revela um cartaz repulsivo afixado numa escola portuguesa e termina com um parágrafo certeiro sobre o convite da RTP a José Sócrates:

 

«Exagero? Talvez, mas é com este encolher de ombros, em nome do “contraditório” (?!), do “Estado de direito e democrático” ou citando de peito cheio a famosa frase “Não concordo com o que diz, mas defenderei até à morte o seu direito de o dizer” que se defende a contratação do engenheiro Sócrates pela televisão pública portuguesa, sem se perceber que o que está em causa não é “o que ele diz”, mas a total imoralidade quer do convite, quer da sua aceitação. O ex-chefe do Governo de Portugal que durante seis anos nos conduziu de vitória em vitória até à situação actual, que fugiu para França e das responsabilidades que nunca reconheceu, e cujo único comentário que exprimiu a propósito do Memorando – que ele próprio assinou – foi que as dívidas não são para pagar, esse homem não merece um espaço de autopromoção numa televisão que é paga com o dinheiro dos contribuintes. No momento difícil que o país atravessa, esta contratação é escarnecer dos portugueses. Se não se percebe que ela nada tem a ver com a liberdade de expressão, é porque não se entende nada nem de ética, nem de princípios, e muito menos de liberdade.»

publicado às 19:23

Sócrates, cuidado, amigos!

por João Pinto Bastos, em 26.03.13

O Ricardo Arroja alertou aqui para um ponto que, curiosamente ou não, tem alguma lógica. E se Sócrates se tornar num defensor da saída de Portugal do euro? Há algumas variáveis em jogo que não deveriam ser desprezadas. Claro que isto são meros exercícios preditivos, mas, com vaidosos incorrigíveis, é melhor não ter certezas.

publicado às 17:54

Cenários cruéis

por João Pinto Bastos, em 26.03.13

Na cenarização que tem sido feita a respeito da futura inserção internacional da economia portuguesa há amiúde um ponto que invariavelmente falha: as análises esquecem a tremenda falta de qualidade das nossas elites. A ignorância campeia e não é de hoje. Indo directo ao assunto, Portugal tem, actualmente, poucas opções ao seu dispor, no rumo a dar à orientação geoestratégica futura do país. Dentro ou fora do euro, a economia portuguesa terá, pois, de organizar-se de outro modo. A questão mais premente, a meu ver, prende-se, pelo menos numa abordagem meramente superficial, com a nossa capacidade de adaptação aos novos desafios resultantes de um euro em ebulição e de um mundo em rearrumação de forças. Num Portugal acossado por uma estratégia austerista, imparável e destrutiva, mais cedo ou mais tarde terá de debater-se a pertinência da particapação do país na moeda única. Esse debate, em bom rigor, já deveria estar a ser feito, porém, as prioridades do país centram-se, neste momento, em discutir mesquinhices. É o irredimível karma de um país que não pensa em nada, nem sequer no seu futuro. Mas voltando ao fio do raciocínio, Portugal necessita de um amplo debate sobre o que quer e o que não quer. E o querer, neste caso, começa em saber se a actual estratégia virada para o seguidismo europeu serve ou não os interesses nacionais? Com a resposta a esta questão em mãos, poderemos pensar no resto. E o resto é, basicamente, saber que tipo de economia desejamos. Façamos, pois, algumas perguntas, sem querer dar respostas definitivas: queremos ou não ser uma mera fachada atlântica dos espanhóis? Como rearticular a inserção estratégica da economia nacional nas novas correntes da globalização? Qual o rumo a dar às relações com o Brasil e os PALOP, numa perspectiva de viragem da política nacional para uma visão mais atlantista? Que tipo de parcerias e alianças deve o país bosquejar? Como repensar a infra-estruturação da economia do país num cenário de realocação dos recursos? Devemos ou não estruturar a nossa economia de molde a captar talentos? Que tipo de bens e serviços desejamos atrair? Estas perguntas, insuficientes mas elucidativas, são um pequeno exemplo do debate que doravante teremos de efectuar, se quisermos, claro está, recolocar o país numa senda sustentável. Não vale a pena perder tempo com questiúnculas nem com socratices. O país precisa de saber, de vez, o que quer. É bom que estas elites acordem, porque a vida não está para grandes deambulações preguiçosas.

publicado às 17:49

Já basta o que basta...

por Cristina Ribeiro, em 26.03.13

Se o jornalista de serviço, ou o comentador oponente, lhe fizer estas perguntas, ( "  como se consegue estudar em França com um empréstimo bancário? Porque pressionava os gestores públicos a lançarem obras quando já não havia dinheiro?... " ), até que vejo o estudante-de-filosofia-que-ajudou-decisivamente-a-enterrar-Portugal, mas contando que elas sejam feitas logo no primeiro " episódio ": assistir a mais do que isso, à inevitável venda de banha de cobra, seria uma tortura que ninguém merece. 

publicado às 16:04

Chipre: vigarices internacionalistas

por Nuno Castelo-Branco, em 26.03.13

 

Existe um pequeno pormenor habilmente varrido para debaixo do capacho de entrada da crise cipriota. O Partido Progressista dos Trabalhadores (uma espécie de CDU, enfim, o PC local), tem estado no poder desde há alguns anos, mais precisamente durante os momentos fulcrais da adesão de Chipre à UE e correspondentes enxurradas monetárias vindas da nomenklatura russa. O que terão os camaradas portugueses a dizer acerca deste tipo de internacionalismo? A verdade é que este Partido AKEL*, é um dos mais velhos irmãozinhos do PC, perdão, da "CDU". Ou para estas coisas já não se reconhece a família que também se herda?

 

* O leitor zeca marreca oportunamente lembrou tratar-se de um lambda, assim  AKEA deverá ser escrito AKEL em caracteres latinos. O nosso agradecimento ao leitor do PCP. Quanto ao facto de aqui termos deixado a exótica sigla CDU - uma omnipresente recordação alemã -, tal se deve à necessária mudança de nome eleitoral do PC. Já foi FEPU, passou a APU e estamos na fase CDU. O caso cipriota mostra que o PC local transitou calmamente sobre as brasas plutocráticas que herdou devido aos "laços históricos" com os componentes da extinta URSS, aceitando os factos consumados. Neste caso, até alegremente prosseguiu na senda do progresso, como sempre. 

publicado às 13:33

Sócrates ainda não deu a entrevista

por Samuel de Paiva Pires, em 26.03.13

Mas os socretinos já andam todos nervosos a rasgar as vestes para defender a sua dama. É bonito de se ver, lá isso é. Patético também, mas enfim.

publicado às 03:06

A corrida vai começar?

por Pedro Quartin Graça, em 25.03.13

publicado às 23:43

Os dois Rastapopoulos

por Nuno Castelo-Branco, em 25.03.13

 

Apenas algumas questões.

 

1. O saque das economias

O assalto a 30% dos depósitos superiores a 100.000€, atinge muitíssima gente. Os mais penalizados serão certamente quem confiou nos bancos - e no Estado + U.E. - e decidiu neles guardar as economias de uma vida. Se os Irmãos Metralha institucionais tivessem ido às contas dos esquemáticos das armas e outras lavandarias financeiras, poderiam, digamos, ter colocado a fasquia acima do milhão de €uro. 

 

2. A "confiança" na U.E.

Que gente é esta tão distraída, permissiva e pronta a aceitar na moeda única - e na própria U.E. -, um país que nada mais é, senão uma espécie de Dona Branca com métodos e contas tão falsificadas como aquela já falecida anciã portuguesa, grande amiga e benfeitora de muita gente do nosso regime? Não sabia Bruxelas o que estava em causa? Não tinha o menor conhecimento acerca dos dirigentes Rastapopoulos do Chipre e da sua correspondente mãezinha continental, gente que era e é de pouca ou nenhuma confiança?

 

3. Rússia

Esperamos sentados a reacção dos caseiros órfãos de Lenine, previsivelmente indignados pelo saque ao povo cipriota. Talvez fosse melhor desde já separarem o Stelios e o pobre do Ioannis, esbulhados dos seus 100.000€, daqueles depositantes de nome próprio Andrei, Vladimir, Mikhail e muitos outros cujos apelidos normalmente terminam em "ine" ou "ov". Sim, esses mesmos que tendo sido educados, militantemente treinados  e aquecidos pelo "Sol da Terra", logo souberam recauchutar a vanguarda proletária, reaparecendo como flamantes batalhões cleptocráticos. Nada disto é por acaso.

publicado às 22:38

Uma máxima para os dias que correm

por João Pinto Bastos, em 25.03.13

Napoleão, sempre ele, dizia, talvez premonitoriamente, que os homens são porcos que se alimentam de ouro. Hoje, está mais do que provada essa tese. Basta olhar para as lideranças europeias. O problema é que o ouro, por vezes, esgota-se rapidamente. O ouro e a paciência dos súbditos.

publicado às 22:07

"Get your money out while you can"

por Pedro Quartin Graça, em 25.03.13

Depois de termos ouvido Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo, não há como não dar razão a Nigel Farage.

publicado às 21:50

Rússia, o que se segue?

por João Pinto Bastos, em 25.03.13

O Miguel tocou aqui num ponto importante. De facto, a reacção da cúpula do poder russa pode ser avaliada de diversas formas. Medvedev, utilizando uma máxima decalcada do bolchevismo, opôs-se com ferocidade ao acordo celebrado entre Nicósia e a troika. Já Putin, que sabe bem da poda, optou por um registo diferente, manifestando toda a disponibilidade para renegociar o empréstimo concedido ao Chipre. Estaremos, pois, perante uma tentativa, bem ao jeito de Putin, de demarcar posições face à Mafia russa? Talvez sim, talvez não. As próximas semanas desvelarão qual a posição da Rússia perante este processo. Uma coisa é certa, dada a conflitualidade que irá, certamente, seguir-se a este assalto financeiro ao povo cipriota, os russos tentarão jogar os seus interesses no inevitável palco de rivalidades que emergirá a breve trecho. Há o gás offshore para repartir, há o interesse turco, há Israel e há, também, a própria Europa. Há um mar de conflitos e interesses díspares prestes a irromper no Mediterrâneo. Entretanto, os chefes europeus dedicam-se a testar a paciência dos investidores, com afirmações exasperadas sobre a feição dos futuros resgates. O futuro do euro promete.

publicado às 18:40

Chipre, a lição da nova ditadura

por João Pinto Bastos, em 25.03.13

"Waking up in a country that will never be the same again. Sad to see it happening here, after seeing it in my own." 

Marina Stevis, Twitter


"Kremlin to "freeze assets" of German companies in Russia in retaliation to the terms of EU bailout in Cyprus.. this one definitely has legs."

Steve Hawkes, Twitter


A democracia, que, como é sabido, significa, usando uma expressão bem singela e lincolniana, o governo do povo, pelo povo e para o povo, sofreu um sério revés em terras cipriotas. O que se passou nas últimas horas em Chipre é mais do que um ataque à dignidade nacional de um estado-membro de uma União que já não esconde os seus instintos homicidas. O que se passou foi, sobretudo, um assalto organizado, tale quale uma organização mafiosa, aos fundamentos mais entranhados da jovem democracia cipriota. Há que o dizer com frontalidade e sem qualquer receio. É por isso que, ao contrário, por exemplo, de alguma blogosfera nacional, contesto veementemente o acordo alcançado na última madrugada. Analisemos o fio dos acontecimentos com alguma frieza: à última hora, e após um longo e mortífero "brinkmanship", o Governo cipriota acabou por aceitar a proposta inicial aventada pelo FMI, isto é, os depósitos acima de 100.000 euros acabarão por ser taxados a 30%. Reparem na desvergonha da coisa, primeiro, a Europa do pau e da cenoura impõe um plano assente no confisco aos aforradores, depois, o parlamento cipriota, sede matricial da democracia, rejeita esse mesmo plano, por último, após uma pressão fortíssima aos titulares do poder executivo cipriota por banda da troika europeia e alemã, o plano inicial, habilmente redesenhado, é, finalmente, aceite. O mais engraçado disto tudo é o facto de o plano em causa ter sido edulcorado com a objectivada reestruturação bancária que, não sendo um imposto, dispensará o voto do legislativo cipriota. A democracia não serve para nada em países supostamente intervencionados. Não serve agora e jamais servirá. O confisco voltou, pois, por portas travessas. Com uma agravante: o que antes era taxado a 9,9%, agora passará a ser taxado a 30%. Manobra inteligente e maquiavélica, há que dizê-lo. Qual será o resultado disto? A resposta é simples e medonha, a economia cipriota será completamente destruída. Os russos desaparecerão - o que é compreensível, note-se - e o sistema financeiro cipriota, não obstante a sua desmesura, será rebentado num abrir e fechar de olhos. É assim que se destroem países, em pleno século XXI, sem recorrer às vis armas. Ademais, resta saber como reagirão os depositantes cipriotas, sabendo que os bancos, não os dois maiores, claro está, reabrirão as suas portas na quinta-feira. É certo e sabido, e a conclusão mais saliente desta crise é justamente este facto, que a confiança, activo fundamental em qualquer economia de mercado digna desse nome, evaporou-se. Não existe mais. Além disso, numa jogada arriscada e perfeitamente tresloucada, Mr. Diesel-Boom, que, para quem não sabe, é a alcunha do actual chefezinho do Eurogrupo, já veio dizer, reparem só nisto, que a intenção das troikas que andam por aí a matar povos inteiros à agonia é a de não ajudar os bancos em dificuldades. Por outras palavras, os bancos, depositantes, accionistas e credores que se cuidem a si próprios. O princípio em si não está errado, o problema é que estamos a falar de uma moeda comum, gerida à paulada por um império de gnomos. Uma moeda que, convenhamos, não tem futuro e que não reserva nada de bom às soberanias nacionais, já de si espatifadas, dos estados-membros. Volto a repetir: Portugal deve debater a saída do euro o quanto antes. Talvez o surgimento de um partido anti-euro na Alemanha ajude nesse intento. Sempre copiámos o que se faz lá fora. E a hora para discutir um futuro decente para os nossos compatriotas chegou. Ou euro ou democracia, tão simples como isso.


publicado às 18:30

 

 

 

 

 

 

Encontrávamo-nos, mais uma vez, no riquíssimo - quer no seu natural, quer em património construído - concelho de Ponte da Barca. Desta feita o destino era a freguesia de Bravães, de que nos falara, em excursão anterior, D. Antónia, a actual moradora da Casa de Casares e filha de Tomaz de Figueiredo.

Tinha-me socorrido do velhinho Guia de Portugal da Fundação Calouste Gulbenkian, que nos marcara como primeira paragem a românica igreja, cuja construção se atribui a um rico homem portucalense do tempo de Afonso VI de Leão e Castela, o qual aí terá fundado, nos fins do século XI, mosteiro beneditino, posteriormente confiado à Ordem de Santo Agostinho, e secularizado no século XV.

 

Porque a encontrámos fechada, propusemo-nos ver apenas o exterior, e todo o envolvimento, composto por vetustas e ramalhudas oliveiras, por entre as quais surgiam, aqui e ali, lindas casas de granito, de estilo bem minhoto, algumas delas encimadas as respectivas portas de antigos escudos, testemunhas da nobreza dos que aí habitaram.

Estávamos nisto quando um cão veio ter connosco, e, atrás dos seus latidos, uma idosa senhora, que logo pensámos ser a dona do animal.

Se viéramos ver a igreja. Que sim, mas que tínhamos pena de a ter encontrado fechada. Não nos preocupássemos, que ela nos abriria a porta: aliás, preparava-se para ir levar « o azeitinho para a lamparina »; " sim, porque o sr. abade só confiava nela para desempenhar essa tarefa!... "

 

Tinha a D. Delfina - por essa altura já sabíamos o seu nome - " noventa anos já feitos " e só se queixava do reumatismo, que a obrigava a recorrer ao uso da bengala...

Aberta a porta, foi logo de nos descrever pormenorizadamente tudo o que íamos vendo, revelando-se uma cicerone de luxo.

Depois de tudo vermos, devagar, ficou a promessa de voltarmos, até porque a D. Delfina vive só - " um filho vem cá dormir todas as noites "- e gostou de nos ver por lá; sempre teria com quem falar.

 

 

 

 

   * Primeiros versos de uma cantiga que acompanhava os nossos passeios infantis, e que continuava: " Porque de Norte a Sul/ Muito há p'ra ver "

publicado às 18:08

Estado do Comentadeirismo Português

por joshua, em 25.03.13

Como já dei a entender, ter de comentar as prestações comentaristas de José Sócrates tira-me o sono e retira-me minutos de paz: o azar completo da Nação, o Anti-Toque de Midas, isto é, o Dom da Merdificação Política concentrados num só Maluco vazaram já tarde para Paris. A pouco e pouco, esperava eu, conquistaríamos o nosso sossego. De vez em quando, faz falta o vazio higiénico da estridência estéril na Política, o zero de tensão artificial no ar, umas férias à crispação pela crispação. O silêncio excessivo de Passos [um silêncio sem programa e sem mensagem que valha a pena] é o oito comparado com a sobre-exposição mediática com que Sócrates e os seus fabricavam paleio-camuflagem vinte e quatro por vinte e quatro horas, os sete dias da semana.

 

Preferia não voltar a sentir desapontamento e incómodo no confronto pessoal com essa indústria de entretenimento e prestidigitação políticas, com o olho gordo em todos os negócios e comissões que a Política comporta para bichas de rabiar e oportunistas daquela cepa. Assim, voltarei à chatice de contrariar Sócrates comentador, simbionte de magna frustração e raiva portuguesa, provocador gratuito de milhões de mansos. Somos milhares em Portugal com o gosto da postagem política através de um blogue. Não há, jamais haverá, comentadores políticos a mais: se todos os cidadãos pudessem comentar criticamente a nossa vida político-partidária, filtraríamos juntos alguma da lama que nos atola: ex-dirigentes partidários e ex-titulares de pastas e cargos na política cujo desempenho à frente dos nossos destinos redundou globalmente em largas e ocultas vantagens pessoais, a outra face da nossa fome, do nosso desalento, da nossa completa falta de perspectivas, de fé e de orgulho na Nação Valente e Imortal.

publicado às 17:00







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