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Auto-crítica em pot-pourri congresseiro

por Nuno Castelo-Branco, em 28.04.13

 

"Ter os pés bem assentes na terra" é a "primeira condição" para o PS chegar ao Governo.

1. "O rigor, os sacrifícios e a contenção orçamental não desaparecerão". 

2."Não descartarei coligações, mesmo com maioria absoluta; não desistirei de acordos de incidência parlamentar; tudo farei para procurar contributos das organizações sociais mais significativas". 

3."O Estado de emergência do país não dispensa ninguém". 

4."É necessário arredar os timoratos, os calculistas (...)  que nos conduziram a este impasse irrespirável". 

5."Enquanto não nos apresentarmos como alternativa, enquanto fingirmos que o problema não existe prestamos um péssimo serviço ao país e aos portugueses". 

6."Chega de gente que se esconde numa floresta de palavras que não diz nada; chega de gente que pensa que a política é feita de poses e de luzes. A política hoje é uma ventania ensurdecedora que não abana uma folha". 

7."Quem ambiciona, como nós ambicionamos, governar o nosso país deve começar por honrar todos os compromissos internacionais do Estado português. O PS honrará as dívidas do nosso país e respeitará as obrigações decorrentes de sermos membros da zona euro",


Assim sendo, não existe uma única razão para tirarmos os alhos e lá colocarmos os bugalhos.

8. "O Estado de emergência do país não dispensa ninguém". Precisamente. Por isso mesmo, Seguro deverá deixar-se de rodriguinhos assalta-poleiros e fazer o que lhe compete até às próximas eleições: uma oposição construtiva.

publicado às 17:17

Só um Rei pode ser chefe de estado de todos os portugueses

por Samuel de Paiva Pires, em 28.04.13

Rui A., Não há outro:

 

«Um chefe de estado eleito em sufrágio universal nunca será um «presidente de todos os portugueses». Um chefe de estado eleito em sufrágio restrito, por um colégio de raiz parlamentar e de representatividade regional, pouco ou nada mandará e será inevitavelmente um fraco produto de acordos entre oligarquias. Qualquer um deles terá sempre uma opinião política que nunca será consensual e que em momentos de crise optará necessariamente pela opinião de uns em detrimento da opinião dos outros: tem que decidir e decidir é escolher. Se a ideia é ter um chefe de estado politicamente neutro, inibido de ter opiniões políticas, e que seja um puro símbolo de unidade nacional, porque constitucionalmente impedido de agir politicamente e de tomar decisões, então, a solução é evidente: um rei constitucional. Não há outro.»

publicado às 16:35

Cano de esgoto

por Nuno Castelo-Branco, em 28.04.13

 

Então, vejamos: uma série de fuzilamentos sumários* e logo de seguida, o temor pelas aparências perante a comunidade internacional e a surda oposição interna. Habilidosamente atira-se a responsabilidade do assassinato para a Frelimo, ilibando-se qualquer complicação jurídica que pudesse afectar o "bom nome" do Estado - o tal acto jurídico" -, ou seja, a própria Frelimo que monopolizava o poder ditatorial. Como pepitas de chocolate sobre o crème glacée, os torcionários decidem então compilar um dossier, um arremedo de processo: primeiro matam e depois julgam.

 

 Belo exemplo de tratamento da oposição. Aqui está uma ordem de "acção revolucionária", bem própria dos tempos da total impunidade da ditadura instalada por graciosa mercê dos "capitões". Podemos ler nomes bem conhecidos - o Jacinto Veloso e o Sérgio Vieira - que gostosamente colaboraram nos crimes. Ao contrário dos Karadzic e de outros senhores da guerra, andam por lá à solta, provavelmente bebericando umas Laurentinas no bar do Hotel Polana. 

 

Para quando a plena publicação do texto completo dos Acordos de Lusaka? Tal acontecerá no século XXII ou XXIII?

 

* A verdade parece ser outra, pois em Moçambique garantem que foram atirados para uma vala, regados com gasolina e queimados vivos

publicado às 15:44

O "Novo Rumo" de Seguro

por Pedro Quartin Graça, em 28.04.13

Terminou o XIX Congresso Nacional do PS. Não o tendo seguido de forma detalhada ao longo dos seus três dias de duração, pude todavia acompanhar atentamente os momentos mais marcantes desta reunião partidária. Neste caso os discursos de abertura e de encerramento do Secretário-Geral do Partido Socialista. E, se de um ponto de vista de forma, António José Seguro se apresentou notoriamente bem, já no que respeita ao conteúdo da sua mensagem a mesma me suscitou, a par de alguns apontamentos positivos, perplexidades várias.

No discurso de sexta-feira foi desde logo possível descortinar duas de monta: a total ausência de referência ao papel atlântico de Portugal e à importância da lusofonia, falhas estas que Seguro teria, querendo, possibilidade de completar mais tarde. Não o fez, todavia, hoje. E propositadamente, presume-se. Seguro preferiu trocar o "Espanha, Espanha, Espanha" do seu antecessor filósofo pelo novo mote que estrategicamente encontrou: o "emprego, emprego, emprego". Sinal dos tempos e das novas prioridades políticas deste conturbado momento. Aqui esteve bem, naturalmente. Mas o mais incompreensível do discurso do Secretário-Geral do PS foi a referência a outro dos três eixos que nortearão o seu "Novo Rumo": a Europa. Aqui Seguro fez uma "fuga em frente". E, contrapondo à inexistente lusofonia no seu discurso, o líder do PS, por duas vezes, deixou claro que quer a "Europa Federal". Mais Europa, em suma. Ora neste ponto Seguro arrisca muito. E, a meu ver, arrisca mal. Não só porque os ventos e o querer actual das populações não vão no sentido que este preconiza, como também porque tal desiderato pode ser o obstáculo q.b. que impedirá Seguro de alcançar o sucesso desejado na propalada Convenção "Novo Rumo" que vai, certeiramente, convocar. Pensa Seguro conseguir convencer humanistas, progressistas e outros democratas com este seu reforçado fervor europeu? Não o cremos. E aqui chegados, das duas uma: ou Seguro rectifica e burila o discurso ou a referida Convenção "sairá furada" porque muitos dos seus potenciais apoiantes naquelas áreas torcerão o nariz a este tipo de proposta fracturante e nada consentânea com a posição tradicional de Portugal: um país europeu, é certo, mas que faz das suas relações atlânticas e com a lusofonia um dos vértices mais importantes da sua política externa mas que é hoje, também, e cada vez mais, interna.

António José Seguro e o triunvirato Assis-Seguro-Costa, que a partir de hoje dirigirão o PS -  têm agora um longo caminho a percorrer até às eleições legislativas de 2015, as tais para as quais Seguro pediu uma maioria aboluta, ainda que com possíveis alianças ou acordos parlamentares. As autárquicas de Outubro, as eleições para o Parlamento Europeu e a referida Convenção "Novo Rumo" são algumas das metas de um percurso sinuoso, tempo este durante o qual terão de convencer os Portugueses da validade das suas propostas e do mérito dos objectivos apontados. Uma tarefa ciclópica esta, que tem, porém, o inegável mérito de os Portugueses poderem desde já saber com quem e com o que não contam no caminho para alcançar tão difícil desiderato: a austeridade continuará mas os seus futuros protagonistas vêm algo mais do que isso para o futuro de Portugal. É pouco, mesmo muito pouco, mas em tempos de grave crise já não é mau para começar.

 

publicado às 14:58

Observatórios

por Samuel de Paiva Pires, em 28.04.13

Esta lista é interessante, tem origem numa lista d' O Insurgente, mas reparei agora que nesta consta um Observatório do centro de pensamento de política internacional (n.º 57). Ou muito me engano, ou tratar-se-á de um núcleo de estudantes que existiu em tempos no ISCSP - já agora, era Observatório - Centro de Pensamento de Política Internacional, não um Observatório do respectivo centro. E eu sei isto porque fui o seu último presidente, tendo tomado a iniciativa de propor a sua extinção à Assembleia Geral, no ano lectivo de 2006/2007. Posso estar enganado, mas não encontro qualquer outra referência com este nome, pelo que talvez fosse bom começarem a ter algum cuidado com a elaboração destas listas, sob pena de existirem mais casos como este.

publicado às 14:46

Os aviados da via que havia

por Nuno Castelo-Branco, em 28.04.13

No país natal do Samuel, aconteceu um imprevisto que contrariou as inevitáveis etapas da história. Depostos os camaradas, precisamente esses safardanas neo-liberais de rubras bandeiras, sempre gostava de escutar o que têm a dizer os comediantes palradores dos eixos de fim de semana. Foram eles que durante dois anos garantiram a pés bem juntos, a resplandecente hipótese de uma luso caminhada islandesa. Pchhhhhhhht!, foi um geiser que lhes deu.

 

Aqui está uma boa oportunidade para esta esquisita direita portuguesa - exímia caçadora-recolectora de taxas e impostos à socialista -,  prestar alguma intenção aos seus colegas vencedores em Reiquiavique. Embora as aflições dos dois países sejam muito diferentes, o PSD-CDS tem seguido muito daquilo que os vencidos de ontem instalaram como norma: o governo "fez o oposto do que um governo deve fazer durante uma crise financeira, aumentou os impostos, em particular sobre a criação de riqueza e de empregos, e suspendeu todos os investimentos".

publicado às 09:24

Efeméride

por Fernando Melro dos Santos, em 28.04.13

Neste dia fariam anos Saddam Hussein, António de Oliveira Salazar, Kenneth Kaunda e Ricardo Araújo Pereira. 

publicado às 08:40

Mente brilhante

por Pedro Quartin Graça, em 28.04.13

publicado às 08:14

Obrigado, Sapo!

por John Wolf, em 28.04.13

Aqui fica o nosso agradecimento à equipa dos Blogs do Sapo pelo destaque dado ao Estado Sentido!

publicado às 07:36

O Costa das demolições....

por Nuno Castelo-Branco, em 27.04.13

 

... nos intervalos do abate de árvores e da escabrosa destruição da Lisboa oitocentista, vai mostrando a fome:  "garantiu unidade e defendeu o caminho para a alternativa de governação: renegociar a divida, estabilizar a economia, negociar fundos estruturais, fazer concertação social e dialogo político."


Para isto é mesmo necessário "jorgecoelhonizar" novamente o país? A parte aborrecida e suja já se viu, resta fazer algo mais e que vai para além daquilo o Costa diz. Para isso, nem sequer precisamos mudar de governo ou convocar eleições: o PS não é alternativa alguma - está bem amarrado pela situação de protectorado a que o esquema vigente nos remeteu -  e nesta fase, se estivesse no poder, teria realizado exactamente o mesmo. Em suma, se por estes dias estivessem os socialistas no poleiro, também não precisaríamos de organizar eleições para satisfazermos uma birra do PSD.

publicado às 18:10

Parabéns

por Nuno Castelo-Branco, em 27.04.13

Faz hoje 80 anos

publicado às 09:00

Betão progressista

por Nuno Castelo-Branco, em 27.04.13

 

À direita, a branco, o colossal palácio presidencial em contrução

 

Durante sete décadas, o Palácio da Ponta Vermelha foi a residência oficial do Governador-Geral de Moçambique. Não sendo propriamente "um palácio", era uma construção digna. Foi inaugurado pelo príncipe real Luís Filipe, quando em 1907 visitou o Ultramar português. O Palácio da Ponta Vermelha era moderadamente luxuoso, amplo, com um belíssimo jardim. Pelo que agora se sabe, foi considerado como coisa imprestável e demasiadamente modesta para o altíssimo nível da chefia de Estado moçambicana. Sem contar os tostões, a nomenklatura decidiu erguer um mastodonte ali para a selecta zona da Sommerschield, num ponto alto e com uma privilegiada vista para a Baía do Espírito Santo. Onde terão ido desencantar os fundos para mais este disparate? Não fazem a coisa por menos, devem ter ficado socraticamente comovidos com a grandiosidade que o antigo camarada Ceausescu gostava de deixar testemunhada em cimento. Como se sabe, Moçambique ainda não atingiu os níveis de desenvolvimento que outrora exibira no início da década de cinquenta. Não nos referimos a pick-ups, jipões, telemóveis, VolvosMercedes e outras porcarias sem qualquer importância. Falamos de educação, serviços de saúde, manutenção de infra-estruturas. 

 

Alguns dados moçambicanos a incluir no palmarés do 25 de Abril sempre! Curioso será observarmos que os lugares cimeiros pertencem a quatro monarquias, com os EUA de permeio. Deve ser por mero acaso.

 

Seria interessante sabermos quais as empresas envolvidas naquele novo paquiderme betonado. Ou muito enganados andamos, ou a camaradaria portuguesa anda a fazer uns cobres à beira Índico. Compensações de Cabora-Bassa, quem sabe?

O hoje desprezado Palácio da Ponta Vermelha

publicado às 08:58

Bom caminho

por Nuno Castelo-Branco, em 27.04.13

Duvido muito acerca das possibilidades de uma plena difusão deste tipo de boas notícias.  Neste país mandam os do "quanto pior, melhor". Refiro-me à imprensa, porque quanto aos outros lóbis, esses devem estar a preparar uma qualquer campanha. É uma questão dias.

publicado às 00:55

" A Ti ó Pátria ".

por Cristina Ribeiro, em 26.04.13
« No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições, o mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral, é uma espécie de sacerdócio. »
                                      A. Herculano, citado por Hipólito Raposo

Na esperança de que tais viagens ao Passado acordem  o sentimento de pertença a uma entidade maior do que a uma confusa ideia de Europa invasiva.

E é no passado que encontrámos mais esta personificação do Patriotismo, que nunca deu tréguas aos traidores da Nação, mesmo quando quase todos os que se diziam monárquicos baixaram os olhos. Sem medo, um paladino do exemplo. " O Condestável da Restauração Política "!

                        " Irmão dos maiores heróis no fervor do ideal, extremendo exemplo de soldado no combate, mestre de cidadãos no amor da Pátria, esse ardente paladino, cuja espada herdara os fulgores dos montantes quinhentistas, devotamente professava o culto da honra, mas nunca soube ambicionar honrarias. 
Ao Rei e ao Reino de muito novo fez doação das suas forças de alma e do sangue do coração ( ... )
Para quantos de perto o conheceram e admiraram, a personalidade de Paiva Couceiro sempre ficará valendo mais do que a sua glória de soldado ( ... )
E em tempos de tão confusa e dolorosa provação, é consolador de esperança, e confiança, esse impulso do mais espontâneo sentimento público ( ... )
Uma lição para aprender e um exemplo para seguir. "
Hipólito Raposo, « Modos de Ver »

publicado às 19:56

Às vezes pergunto-me

por João Pinto Bastos, em 26.04.13

O porquê de Ramalho Eanes não ter uma intervenção mais activa na vida política portuguesa. 

publicado às 19:46

Cromos da bola, tv e política

por John Wolf, em 26.04.13

Portugal parece não querer aprender com os erros do passado. Continua a acreditar na imagem. Naqueles que aparecem na televisão, naqueles que decoram as entradas de revistas cor de rosa. O que fazem esses ocupantes de tablóides e horas de ponta televisiva não interessa, desde que as audiências estejam garantidas e que sejam adorados por uma massa hipnotizada de seguidores, vítimas perfeitas para cair na armadilha, para morder o mesmo isco. Num exercício de reverse engineering político (perdoem-me os mecânicos honrados!) buscam-se os candidatos para refrescar a cena política, apostando numa ideia básica, na lógica inversa que nada tem a ver com o processo de selecção natural, que elege e faz tombar lideres, ao longo de uma longa procissão de promessas e falsidades cumpridas. Se o critério é a popularidade, então esqueçam os princípios basilares de democracia, porque deste modo, estão a carimbar o passaporte a outra coisa - à demagogia pura, ao populismo, ao instinto animal que esmaga a razão, ou melhor, os resquícios de bom-senso. Para que o Jorge Gabriel e o João Pinto possam exercer, com as melhores das intenções, o mandato a que estarão obrigados enquanto Presidentes de Junta (nem sequer questiono as competências e as qualidades), terão de abandonar os estúdios para se dedicarem de alma, coração e a tempo inteiro. Isto é, se de facto desejarem servir a causa pública. Se não é o caso, não encontro razões para desejarem o posto. Existem contrapartidas? Ou será uma muleta para atingir um fim diverso? Mas não me parece que seja esse o caso - que estejam interessados em salvar o país. Nessa ordem de grandezas e miudezas, o Cristiano Ronaldo, pelas horas de voo que já leva, seria o candidato presidencial por excelência. Há qualquer coisa que está a falhar no PSD. Há qualquer coisa de grave que está a acontecer ao país. Se é esta a forma de escolher os líderes da nação, então a revolução dos cravos terá servido apenas para arrasar o conceito de liberdade. A liberdade que tantos apregoam como conquista irreversível e pertença de todos seja qual for o uso que dela fizerem. E é exactamente esse o problema. A libertação bruta que trai a sua razão de ser. Só porque se pode não significa que se deve. E é esta noção de abstinência que parece ter contaminado o espectro político. Da esquerda à direita não sabem parar. Querem sempre mais. Nesta luta de cães, a única coisa que parece interessar é estar por cima. Ponha a sua cruzinha no boletim de voto, e depois não se queixe e diga que foram os outros que escolheram o Passos Coelho ou o Seguro. É a mesma coisa. Na juntinha é que se torce o menino.

publicado às 17:51

O regresso

por Nuno Castelo-Branco, em 26.04.13

Seguro relança a União Nacional e... que sorte, podem voltar a usar os cintos da Mocidade. O S já lá está. Todos ao governo!

publicado às 17:25

O arrastão do liberticídio

por João Pinto Bastos, em 26.04.13

A Maria João Marques chamou aqui a atenção para esta brilhantíssima posta do Sérgio Lavos. Reparem só no título aterrorizador, quase dantesco, do texto: "25 de Abril ameaçado". Aqui d'El Rei que a direita quer acabar com as liberdades. Cuidado, povo português. Nós, a vanguarda intelectualeira das esquerdas bem-pensantes, temos a solução para o problema da Direita, esse monstro das bolachas que quer comer o zé povinho e rapar o tacho. Mas o melhor vem agora. Leiam e admirem o vigor democrático desta frase: "E durante trinta e nove anos, a direita que derrubámos foi aceite no seio do regime". É fantástico, não é? Ou seja, a esquerda dos arrastões, dos Vítor Dias, e, também, dos Jugulares galambianos crê que a direita só cá está porque foi aceite benevolamente pela esquerda. Conceitos como liberdade, tolerância, pluralismo de opiniões não interessam rigorosamente nada. O que importa é que o regime é da esquerda. É curioso, não é? Para quem defende um conceito de propriedade bastante lato, não deixa de ser interessante verificar que a esquerda entende o regime como uma coutada privada. A vida tem destas ironias. O Sérgio Lavos tem, de facto, muita piada. Demasiada até. Tem tanta que eu, ingénua e parvamente, estou a dar tempo de antena a estes disparates. Sem embargo, e como nem tudo é mau, tenho de fazer um pequeno elogio ao Sérgio: ao menos o arrastão foi capaz de admitir que o objectivo da esquerda de que faz parte é afastar a direita do poder, e porque não, da cena política. Quem diz coisas como esta, "esta direita é um cancro da democracia, um perigo que precisa de ser rapidamente afastado", demonstra cabalmente o que pretende e o que deseja. O que vale à esquerda reaccionária, virulenta e antidemocrática deste regime, é que os nossos talassas são muito moderados e serenos. E, acima de tudo, tolerantes. É esta a grande diferença. 

publicado às 14:43

O discurso do Presidente

por Pedro Quartin Graça, em 26.04.13

publicado às 14:35

Pacto MFA - partidos foi o quê?

por João Pinto Bastos, em 26.04.13

Sim, foi o quê? Quando se fala tanto em troika, em constrangimentos políticos e em limitações à soberania nacional - os Galambas do regime são mesmo muito chatinhos -, esquece-se, convenientemente, diga-se de passagem, que nos idos de 75 a política do país foi dolorosamente cerceada pelo trambolho que intitula esta posta. Mais: a Constituição de 1976, nas suas linhas estruturantes, foi exactamente o quê? Um modelo de abertura e flexibilidade? Tenhamos um pouco mais de vergonha na cara. O 25 de Abril, que não vou discutir agora, teve, efectivamente, alguns proveitos. Mas se há algo que a experiência abrilista nos ensina é que o constrangimento à Política, isto é, a livre deliberação acerca dos destinos da comunidade, começou justamente quando o estamento militar vitorioso no golpe de estado de Abril decidiu impor aos partidos políticos uma agenda política fortemente ideologizada. É tão bom encher a boca com tiradas grandiloquentes a respeito da democracia, da liberdade ou da iguadade. Não é? Só lamento que esses ditirambos esqueçam as verdades inconvenientes do regime. Na verdade, não esquecem, pois o olvido deliberado está no âmago da proposta política dos fundadores desta república da treta.

publicado às 13:46







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