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Parem com isso!

por Cristina Ribeiro, em 05.08.13

Cumprindo um desejo de meu Pai - que mantivéssemos e, se possível, acrescentássemos a biblioteca que nos legou -, no sábado um irmão adquiriu mais um livro, a que bastava o título para o tornar apetecível. Versa, nem mais nem menos, o excelso labor do padre inglês da congregação religiosa fundada por S. Caetano de Thiene, Rafael Bluteau, que no século XVIII coligiu a lexicografia portuguesa no monumental « Vocabulario Portuguez e Latino ».

Com efeito, na obra de João Paulo Silvestre, ora editada pela Biblioteca Nacional de Portugal, lê-se a dado passo: " Compôs o mais extenso repositório da memória da língua até ser progressivamente substituído pela obra moderna de Morais Silva ".

   Tem tudo para ser um livro daqueles que prendem a atenção de todos quantos se interessem minimamente pela Língua Portuguesa. 

Mas eis que, logo nas primeiras páginas, deparo com um senão que tenho, e felizmente nisso sei que estou muitíssimo bem acompanhada, por intransponível: aderiu ao chamado acordo ortográfico, sendo frequentes os " mamarrachos " como « expetativa ».

                       

                               Meu Deus, até a Biblioteca Nacional!...


Apenas posso desejar que a sensatez resolva visitar aquele palácio para as bandas de S. Bento, que essa monstruosidade seja reduzida a cinzas, e, consequentemente, tal Biblioteca volte a editar este livro, agora em termos decentes...

publicado às 19:13

Posts fixes (1)

por Fernando Melro dos Santos, em 05.08.13

Rodrigo Moita de Deus sobre o Mascarenhas, hoje, mas não esquecendo que até o Mascarenhas é editável. Cui bono?

 

Deve ser como as escutas, só escutam num sentido. No outro vai tudo parar ao vazio, promoções incluídas.

publicado às 14:01

Rui Rio: coerência e frontalidade

por Pedro Quartin Graça, em 05.08.13

publicado às 12:48

Angariação de fundos para financiamento de doutoramento

por Samuel de Paiva Pires, em 05.08.13

Como escrevi recentemente, foi em Janeiro deste ano que aqui denunciei o comportamento daquela que é, provavelmente, uma das menos transparentes instituições públicas nacionais, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, que financia Bolsas de Doutoramento Individuais, e que me prejudicou deliberadamente no concurso de 2012. Cheguei, inclusive, a expor a situação em sede de audiência parlamentar concedida pela Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República. Na sequência desta, um grupo de deputados questionou a tutela sobre o funcionamento da FCT, especialmente no que concerne aos júris, cujos membros pouco ou nada variam entre os vários concursos anuais - o que acabou por se tornar um elemento central de uma gigantesca rede clientelar que, desde logo, permite colocar em causa a cientificidade de grande parte do que alegadamente passa por investigação científica em Portugal. Arrisco dizer que não haverá ninguém no meio académico português que não tenha conhecimento desta rede, de boa parte das pessoas que a compõem e de como ela controla a FCT e a distribuição de dinheiros públicos que é feita por esta. A resposta veio sob a forma de legalês e sem responder às perguntas que os deputados colocaram.

 

Entretanto, acabei por submeter o pedido de recurso da avaliação, consciente não só do enviesamento que resulta do que denunciei, como do facto de a avaliação de 2 valores atribuída ao meu projecto de trabalhos ser manifestamente inválida. O pedido de recurso foi composto, essencialmente, pela exposição que fiz na Assembleia da República, pelas cartas de 3 professores, com destaque para as cartas do Professor José Adelino Maltez e da minha orientadora na Universidade de Durham, e ainda pelo meu projecto reformulado tendo em vista as críticas tecidas na primeira avaliação, o que passou, portanto, pela reformulação dos objectivos e a inclusão da bibliografia completa. Em face deste pedido de recurso, que podem consultar aqui (apenas não se incluindo as referidas cartas de 3 professores), recebi a 15 de Julho a resposta da FCT, que não respondendo a nada do que expus, informa num e-mail tipo circular que a decisão se mantém, e quando acedo à avaliação no próprio site deparo-me com esta magnífica, brilhante e densa justificação: "Não há alteração à avaliação atribuída inicialmente, uma vez que o júri identificou claramente os aspetos a aperfeiçoar no projeto de investigação."

 

Em face disto, vendo-me financeiramente impossibilitado de completar o doutoramento na Universidade de Durham, tendo inclusivamente contratado um empréstimo bancário que, complementado pelas minhas poupanças, se destinou a financiar o período em que estive em Inglaterra e os meses em que, depois de regressar a Portugal, não tive qualquer fonte de rendimento, e apesar de estar actualmente a trabalhar, persisto e não desisto na prossecução do meu desejo de realização de um doutoramento na área da Ciência Política, já não no estrangeiro, mas em Portugal, e, infelizmente, não em dedicação exclusiva, nomeadamente na minha alma mater, o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa, ou melhor, actualmente da nova Universidade de Lisboa, onde completei a Licenciatura em Relações Internacionais com 16 valores, com um relatório de estágio/tese sobre O lugar do Brasil na política externa portuguesa, e o Mestrado em Ciência Política com 17 valores, com uma dissertação sobre o pensamento de Friedrich Hayek.

 

Foi, aliás, no decorrer da elaboração da dissertação de mestrado que me surgiu a ideia do projecto de doutoramento, onde pretendo abordar os conceitos de tradição e ordem espontânea à luz do pensamento liberal, contrastando-o com outras correntes de pensamento, especialmente o conservadorismo, o comunitarismo e o relativismo, de forma a procurar inquirir se a noção de tradição utilizada pelo liberalismo clássico possui os recursos para ultrapassar as falhas morais do pensamento político moderno e pós-moderno, ou seja, para resgatar o liberalismo das suas formas mais racionalistas e abstractas, e, se sim, contribuir para a formulação de uma teoria política baseada na racionalidade do tradicionalismo, que possa servir de ponto de partida para ultrapassar aquelas falhas.

 

Acontece que, neste momento, é-me muito difícil, para não dizer impossível, suportar as propinas, no valor total de 6 mil euros, ainda que distribuídos pelos 3 anos, tendo ainda que adquirir uma parte substancial da bibliografia a que tinha fácil acesso na biblioteca da Universidade de Durham, mas que por cá é mais difícil de aceder sem adquirir.

 

Por isto mesmo decidi lançar-me no crowdfunding, apelando à sociedade civil no sentido de angariar o montante necessário para liquidar as propinas. Ao expor-me publicamente desta forma, procuro continuar também a alertar para o nefasto funcionamento da FCT e para a necessidade de que esta seja completamente reformulada, e ainda para a mais que premente escassez de fontes de financiamento de bolsas de doutoramento, especialmente por parte da sociedade civil e do sector privado, que possam minorar o monopólio viciado exercido pela FCT e a rede clientelar que a domina, que tantos tem prejudicado deliberadamente. Além dos certificados de licenciatura e mestrado, respectivas dissertações e o projecto cujas hiperligações se encontram nos parágrafos anteriores, deixo ainda à consideração o meu CV, bem como os vários trabalhos, artigos e ensaios que realizei nos últimos anos.

 

A quem queira e possa colaborar neste projecto, deixo o NIB de uma conta, no Banco Santander, de que sou titular e que servirá apenas o propósito aqui referido, cujo NIB é 001800032836899102063, e peço ainda encarecidamente que ajudem a divulgar este texto. Muito agradeço que me contactem para o e-mail samuelppires@gmail.com, desde já garantindo que figurarão nos agradecimentos da dissertação os nomes de quem me auxiliar e contactar, a não ser que tenham algo a obstar a tal, e que terão total acesso ao extracto bancário e aos recibos que comprovem a correcta aplicação dos fundos. Muito obrigado.

publicado às 08:28

As falinhas mansas de Seguro

por John Wolf, em 04.08.13

O vice-primeiro de Seguro - Carlos Zorrinho -, embora queira mostrar os dentes e defender o lider do seu partido, está efectivamente a salvar a sua pele. As falinhas mansas que refere são um modo de sacudir a água do capote. Quem é brandinho e inofensivo é Seguro. Quem tem falinhas que nem chegam a ser mansas é Seguro. E o facto de Zorrinho passar grande parte do seu tempo político na companhia do seu compincha de bancada parlamentar pode significar que sofreu efeitos de contágio. O perfil comprometedor de Seguro pode ser do tipo infeccioso que passa de parceiro para parceiro se estes não se protegerem adequadamente nas relações que estabelecem. Zorrinho, sem dar por isso, terá replicado um pouquinho de Seguro. Pode-se ter assegurado um bocadinho sem dar conta, e agora corre o risco de ser entendido pelos eleitores como um membro que se confunde com Seguro - um quase Seguro. Mesmo um chefe acarismático, como o secretário-geral, pode marcar o estilo dos seus seguidores. Sem o desejar ou sem o saber, os fiéis acabam por emular alguns tiques e figuras de estilo. Zorrinho tem consciência disso e porventura quererá demarcar-se da estrela cadente e marcar os limites da sua personalidade política. Se cai Seguro levará consigo a palette toda, os associados da empreitada e os resistentes às palavras inócuas. As frases perfeitas para um abstracto político, um esboço teórico de afirmação populista que dista das medidas concretas que o país necessita mas que estes trovadores desconhecem por não serem capazes (crescimento e emprego? Como?). As autárquicas podem rebentar com as guarnições vazias dos socialistas. Se de repente os camaradas ganham umas câmaras valentes, terão de lidar com a sua própria herança, com o regresso à ruína inacabada - o modo continuum socialista com todas as suas nuances, as fantásticas empresas municipais e os seus directores de águas e gases. Se mantiverem as câmaras que já detêm, serão obrigados a assumir por inteiro a responsabilidade dos descalabros financeiros, as contas desfalcadas de mandatos repetidos sem intromissão. De nada servirá atirar a culpa para os "dois anos de governação do governo de coligação". As catástrofes autárquicas terão apenas uma assinatura-rosa, terão apenas uma parte contratual e a batata quente não poderá ser devolvida a outros remetentes. A morada definitiva será essa e mais nenhuma. Os socialistas, num putativo regresso triunfal ao universo autárquico, retornam ao seu legado, ao seu passado, aos fantasmos e aos mortos-vivos da sua excelsa administração, a um Castelo-Branco-sujo em todo o seu esplendor. Os socialistas, toldados pela vontade de ganhar, levados na corrente da paixão, demonstram que não conseguem pensar uma para a caixa eleitoral. Não são capazes de ser racionais, metódicos e programáticos quanto baste para se organizarem a nível partidário, quanto mais para dirigir os destinos de um país. Os socialistas, que se acham capazes de congeminar um plano de salvação a solo, são politicamente narcisistas e egoístas, e reafirmam esse devaneio por não terem alinhado nas cantigas e acordes de Belém. Com este género de discurso pueril, sabemos que estamos a lidar com crianças queixinhas. A expressão "falinhas mansas" não demonstra maturidade política. É um balbuciar como tantos outros a que nos habituou Seguro. O punho rosa, hirto e firme, parece ser de outros Verões quentes, de outros protagonistas. Eu não disse que Seguro era contagioso?

publicado às 17:13

A memória é o que tenho em vez de uma vista*

por Regina da Cruz, em 04.08.13

 

Dá vontade de desaparecer do mundo, sim. Ignorar. Largar. Abrir mão. Deixá-los andar, deixá-los falar, deixá-los mentir, deixá-los roubar, deixá-los fazer todas as falcatruas e deixá-los reaparecer em frente às câmaras de televisão com a maior desfaçatez e cinismo. A realidade é o que é: intemporal, impassível, indiferente às nossas inquietações. Somos nada. Outros virão depois de nós e tudo seguirá como se nunca tivéssemos existido.

E eis que surge uma lembrança de manhãs frias e roupa desconfortável – camisolas de lã que picavam o pescoço, pés frios – cabelos compridos penteados com esticões de dor, amarrados num rabo de cavalo que impedia os movimentos da testa. Gritos e gargalhadas dos outros durante a hora de recreio e visitas surpresa de enfermeiras para dar vacinas – (a razão por que detesto surpresas?). Cheiro a pães com marmelada caseira atirados com toda a força para o terreno atrás da escola. De vez em quando a excitação de uma cabeça rachada e a interrupção da rotina: as aulas acabavam mais cedo ou o recreio durava duas horas, porque a professora tinha ido fazer de ambulância.  Às vezes havia guinchos e reguadas – para cúmulo, quem estreou a régua nova foi o filho do marceneiro que a ofereceu. Fez 20 erros no ditado! Tão burro... E aqueles pacotinhos de leite achocolatado que sempre recusei com nojo e aquele ódio transcendente aos quinze dias de praia em Junho. Praia, os miúdos, aqueles miúdos todos, aquelas cançonetas, os lábios roxos da água gelada e as malditas merendas que desta vez não podia atirar para lado nenhum... – “Não, não quero ver a minha professora em fato de banho...” (lembro-me de pensar mas jamais verbalizar).

 

Parece que foi noutra vida e no entanto, constato que nada mudou. No essencial permanecemos iguais: o mesmo tipo de postura e participação na realidade. As pessoas não mudam. Somos a mesma criança de ontem e dos dias que hão-de vir, até ao fim. Há os que constroem a realidade, os que a manipulam e que dela tiram proveito e depois há os que a observam, participando nela como forma de sobrevivência apenas. Não tenho qualquer outra perspectiva que não seja a mesma de sempre. E quanto mais vivo (ou mais me desligo), mais igual a mim mesma fico. Para saborear um resquício de felicidade, não sonho com um futuro feito de beleza, de justiça, de verdade e lealdade, não. Não generalizadamente. Talvez encontremos estes valores de forma muita viva, em algumas pessoas, pontualmente. Sonhar é iludirmo-nos; idealizar é perder tempo. Em vez disso, quando me apetece experimentar a emoção da felicidade, ainda que de forma muito breve, mergulho nas memórias desses tempos autênticos e primordiais. É quanto basta para constatar a brevidade e irrelevância de todas as coisas, e sorrir.

 

*“Memory, Agent Starling, is what I have instead of a view” – Silence of the Lambs, 1991

 

 

publicado às 12:52

Citações (VII)

por Fernando Melro dos Santos, em 04.08.13

What if I told you insane was working fifty hours a week in some office for fifty years at the end of which they tell you to piss off; ending up in some retirement village hoping to die before suffering the indignity of trying to make it to the toilet on time? Wouldn't you consider that to be insane?

- Garland Greene, the Marietta Mangler

publicado às 05:44

Major-Fiscal Valentim Loureiro

por John Wolf, em 03.08.13

Valentim Loureiro expressou, de um modo sincero e honesto, que deseja colocar-se ao serviço da nação. Caso não tenham reparado, o Major Tom, marchou lado a lado com os indignados, aliou-se às causas da sociedade civil e fundou um movimento independente. O ex-muita-coisa finalmente saiu do armário para se assumir como um indivíduo que quer a maior distância possível daqueles políticos metidos na porcaria, aqueles que prevaricam, aqueles que roubam o erário público. Estamos na presença de um homem movido pela grande causa ética. Um soldado da fortuna que já não ambiciona o poder, mas que se põe a jeito para fiscalizar as acções políticas dos outros. Um escritor que discorreu com a sua própria caligrafia os termos da sua relação com a Câmara de Gondomar - "não sou eu que vou dirigir a Câmara" -, declara Valentim - "vou fiscalizar a Câmara com os membros da Assembleia Municipal". Pela primeira vez em muitos anos assistimos a uma decisão coerente. Um auto-casting que está longe de ser um erro de condução política. O homem será provavelmente dos mais capazes para cheirar a grande distância as falcatruas e desvios de autarcas gulosos. Este homem não é o Major que conhecemos, este militar é o General da prevaricação que sabe-a toda. Ele é o fiscal certo para o job. Nas campanhas em que participou nas guerras ultramarinas, para além do coldre que berçava pólvora seca, o raso aprendeu os truques respeitantes a desvio de colunas e mantimentos. Devo confessar que fiquei um pouco surpreendido com a falta de ambição do ex-autarca. Esperava que, no exercício da mesma função de fiscalização, quisesse estar num posto mais alto, na mesa de negociações com a Troika, para aferir de um modo inequívoco que ninguém leva a melhor aos Portugueses. Mas depois pensei no seguinte; se Loureiro, vindo em paz, como poeticamente reitera, aparecesse na confraria da salvação de Portugal, provavelmente os termos do memorando teriam de ser revistos, e, sem margem para dúvida, agravar-se-iam. De repente, a equação de agravo teria de ser reescrita para ponderar negativamente a estatura de indivíduos deste calibre. Há ainda uma outra questão de hierarquias e patentes que me preocupa. Porque razão anda o Valentim a polir as botas do alferes Cavaco? Porque razão parece estar a dar guarida ao "praça" de Belém? Estará a preparar-se para o Natal, para um indulto conveniente? Não queria dar muita importância ao ex-avançado do Boavista, mas como é fim de semana e estamos na silly season, a nova patente encaixa na perfeição desta messe, this mess.

publicado às 10:33

Evasão.

por Cristina Ribeiro, em 02.08.13
 


Acostumara-se o pequenito a ver o avô sentado na velha - de anos!, dissera a mãe - cadeira de baloiço, de livro entre mãos, alheado de tudo o mais. E, fascinado com essa visão, em que muitas vezes apanhava o avô a sorrir, ficava a olhá-lo, também ele abstraído dos ruídos domésticos.

Numa dessa ocasiões perguntou ao velho porque ria ele.

Que se estava a divertir muito naquela viagem, respondeu. 

Maravilhado, o neto pedia-lhe então que da próxima vez o levasse com ele. O avô sorriu abertamente: que não demoraria muito, ele mesmo partiria por esse mundo fora, como ele, sentado naquela mesma cadeira, e nessa altura iria sozinho.

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publicado às 23:35

O voo da alma.

por Cristina Ribeiro, em 02.08.13



Meu filho, vou contigo no teu sonho

- à alma ninguém tolhe a liberdade -

segue-te a minha fé, a fé que ponho

na tua audaz e linda mocidade.


E, dentro em mim, suscito e já componho

o poema da tua heroicidade,

sobrevoando o mar da tempestade

e o deserto sáfaro e medonho.


Nas infindas e árduas solidões,

em que Deus vê melhor os  corações,

Deus vai por certo ouvir as nossas preces,


Sentindo o pátrio amor em que te abrasas

e vendo as penas que te foram asas

para fugir à dor que não mereces.


    Cândida Ayres de Magalhães, " A Voz de um Pai "


 


     Nasceu esta poetisa, « imerecidamente esquecida », nos últimos anos do século XIX ( 1875 ), e morreu em 1964. Bastante culta, destacou-se pelas suas colaborações, em prosa e poesia, em publicações várias, como o Diário de Notícias, mas também pelos seus livros, especialmente « Asas Feridas » e « Trevas Luminosas ». Maria Amália Vaz de Carvalho, de quem era muito amiga, era sua tia materna.

publicado às 20:02

Da aleivosia

por Fernando Melro dos Santos, em 02.08.13

A ver se nos entendemos de vez, porque uma pessoa não é de ferro.

 

Um aborto é um assassinato. Estando lá dentro uma pessoa, que se mata, mesmo com atenuantes, é um assassinato.

 

Um assassinato pode ter atenuantes. Não deixa de ser um assassinato, porque morre um terceiro. 

 

Num aborto morre um terceiro, de pleno direito, inocente, indefeso e de pleno direito enquanto ser humano.

 

Qualquer pessoa que contradiga isto tem forçosamente de ser, ou um aleivoso, ou um orangotango intelectual.

 

Espero que estejamos conversados acerca do tópico, e que não se fale mais disto, até porque onde não há pão fica mal debater o creme dos pastéis de nata.  

 

O rasgar de vestes em nome de "opções", "conforto" e presciência insigne e orbital de que os putativos videntes se permitem arrogar mas recusam, onerando de superstição, a quem crê em Deus, consubstancia aquilo que digo.

 

Uma pessoa não é de ferro.

publicado às 19:30

Viagens na minha Terra.

por Cristina Ribeiro, em 02.08.13
















Mais uma vez o destino era o distrito de Vila Real, Trás-os-Montes. Desta feita iríamos até Murça. 


A placa avisava que acabáramos de entrar no concelho de Vila Pouca de Aguiar; pela frente tínhamos, sítio sempre apetecido, uma serra - a da Padrela -, onde tencionávamos " perder-nos " nas aldeias que fôssemos encontrando. Pouco andámos e logo uma torre de igreja anunciava que ali havia uma povoação - chegáramos a Vreia de Jales, onde o conjunto formado por linda igreja de origem românica e não menos lindo calvário, sem esquecer as sepulturas antropomórficas, é, desde logo, um apelativo cartão de visitas.

A poucos metros do recinto, vemos assinalada uma ponte romana, e aí vamos nós em busca da mesma, que nos dizem ficar mais ou menos a uma distância de 2 quilómetros, no Lugar da Barrela.

Ao longo desses 2 quilómetros, que de coisas belas! Paisagens onde não faltavam os muros baixos - tão lindos!- de pedra escura, pequenas casas mais ou menos à sombra de frondosas árvores, cabras que vão comendo aqui e ali pequenos arbustos... 

E ali estava ela, talvez um dos exemplares mais perfeitos das pontes que os romanos nos legaram, e que terá servido para ligar às famosas minas de ouro de Jales, já por eles exploradas. Ali passa o rio Pinhão.


                                            Voltámos à estrada nacional, e uns quilómetros à frente chama-nos a atenção um pelourinho, indicativo de que aquela terra foi em tempos sede de município: estávamos em Alfarela de Jales, na serra da Falperra, integrada no conjunto montanhoso Alvão-Marão, concelho extinto em 1853, data em que passou a integrar o de Vila Pouca.











Pouco depois começava o concelho de Murça. Vilares chamava-se a freguesia onde fizemos a primeira parageem - pertencera, antes de 1853, ao concelho de Alfarela. Muito pitoresca, em redor das casas de granito cresciam verdes vinhas, e o milho estava já a pontos de quase ser desfolhado.


Seguimos para Murça, aonde iríamos almoçar.

publicado às 16:32

De estar quieto à mesa

por Fernando Melro dos Santos, em 02.08.13

Almoço em família ora núcleo reduzido pela expressão estival e divorcionária, quiçá de certa forma abortista, à semente dos dias.

 

A minha Mãe, que pela neve adentrava sulcando um caminho por dentro do qual os seis irmãos mais pequenos pudessem andar na rota para a escola, recorda na pele o uivo de lobos na diurna atenção, e no crepuscular descer à aldeia perante a estultícia dos que habitavam as fragas imersos no anestesiante assolar da vida, em busca do sustento primevo.

 

O meu Pai, que percorreu e muito espremeu cada instância da revolução litoralizante, rememora em si - e caso diferente, de onde herdo o exorbitar - aquilo que faziam os outros, a comparação que sobrepuja o ater-se ao celeiro, bem e vividamente evocou as alpargatas, o leite aos ombros, o fazes-te ou fodes-te, uma circuncisão espiritual que visava sobretudo assegurar a reposição mínima do pão sobre a mesa.

 

Neste país e em mais nenhum outro é possível, abjurando a prepotência de o dar como certo, que o maniqueísmo instalado na chulice ao Estado, providência dos cautos em detrimento dos grácios, consiga com duas penadas apagar o resquício de lucidez, a sorte lúbrica de tão visceral que se torna, deixado no caminho da ovina maralha.

 

O meu filho, produto de uma sociedade divorciada, relativista, emo-dramática, onde nada é consequencia de actos estouvados e tudo são incompreensoes dos maus que comparam posturas, está enleado até ao seu horizonte discernível na teia de apatia, angústia, anomia e finalmente defenestração a esmo de quantas vozes se erguerem em defesa da sua construção, porquanto deduzirão, por natureza, oposição ao conforto amnioticamente subsidiado que lhe foi consentido pela nobreza de uns e a vulgaridade de outros. Não quer estar à mesa enquanto não lhe servirem a primeira libação apreciada. 

 

Carthago Delenda Est, direis, já cá vinhas ó latinista.

 

Aquele de vós que nesta senda não peca, lançai o primeiro seixo.

 

Ouço-a dizer, desenleada há mais de doze anos, que a colega, a chefe, o fisco, os preços, aquela viagem, a cor dos sapatos, e a derrama somada dos arrufos coligidos desde a primeira infância não lhe chegam, que vai ter de entregar a casa ao banco e por isso, logicamente, quer uma maior e num local mais bonito, para que possa não sentir um baque tão duro com a crise cuja culpa não lhe assiste nem aos pares com quem priva na orgiástica demissão de olhar ao espelho quando acorda. 

 

Mas que merda tenho eu a ver com isto? Acaso terei subscrito, apoiado, defendido ou ficado quedo quando esta doutrina de preconização irresponsável e factura à vista sobreveio tomando de assalto o tecido social, hóstia do eleitorado? 

 

Não. Eu saí, e fiz outra coisa.

 

Eu estou a apaixonar-me e a epifania secular e metafísica de ver Deus em cada folha que brota, ou não fosse esta minha veia um caule da mesma cepa em que Ele se fez para que O compreendêssemos, imunizam-me aos males que essa corja imunda e soez em quem vós, putas, votastes, criaram e manterão pela duração previsível das vidas que nós mesmos gerámos.

 

Eu fiz a minha paz. Fizésteis a vossa?

 

Se não, despachai-vos.

 

 

publicado às 14:36

Ética republicana

por Nuno Castelo-Branco, em 02.08.13

Já só falta o cartão de visita do ajudante de engenheiro de nome filosofal e num trato destes, é claro que jamais lhes passaria pelo nariz o cheirinho a esturro. No sector em causa, 150% de proventos empochados são qualquer coisa de inimaginável num negócio limpo. Como não vivemos no Zimbabué do grande libertador Mugabe, há limites impossíveis de ultrapassar. Pelo que se sabe através dos escaparates noticiosos, o Sr. Machete teve a inopinada sorte também reservada a Cavaco Silva e a outros menos badalados. Se a isto juntarmos os estranhos e ruinosos assuntos em que o Estado se envolveu desde há muitos anos, teremos então o quadro completo. Por estas e por outras, Álvaro Santos Pereira "foi à vida". 

 

O que diriam os republicanos que tanto barafustaram com o Crédito Predial e os Tabacos, aliás totalmente imputáveis aos chefes políticos e não à Coroa? Sabemos que o quer sangue Mário Soares imita Afonso Costa com os agora costumeiros "por muito menos que isto, rolou no cadafalso a cabeça de...", oportunamente se esquecendo de  episódios de outros tempos em que rutilâncias pedregosas, assuntos orientais e umas tantas minudências eram apontadas a si próprio e à sua entourage.

 

Tudo vinhaça da mesmíssima pipa.

publicado às 12:19


Um dia depois da Igreja Católica ter celebrado Santo Inácio de Loyola, deparo com pungido testemunho de um membro da Companhia por ele fundada, relatando os maus tratos a que foram sujeitos os jesuítas aquando da sua expulsão, instaurada que foi a República:


              " Tuy, 20 de dezembro de 1910

( ... )

Em pleno seculo da liberdade, homens que apregôam espirito liberal, e em nome de principios egualitários, expulsaram do territorio portugués a trezentos e tantos portuguezes ( ... ) Em nome da liberdade arrebataram-nos tudo, sem provar um unico crime ou delicto, sem nos permittir uma palavra de defeza...

Fomos levados entre soldados e populares armados, expostos ás vaias e aos insultos. Os que conseguiram evadir-se foram acossados como feras pelos campos e pelas estradas, alguns d'elles perseguidos a tiro, muito vilipendiados com chufas e encontrões brutaes, não faltando até - (bemdicto seja Aquelle que d'este genero de affronta nos foi modelo! ) -religiosos a quem escarraram no rosto "

Padre Luiz Gonzaga Cabral, « Ao meu Paiz »

publicado às 19:04

Bypass aos socialistas

por John Wolf, em 01.08.13

Lentamente vamos percebendo o guião que nos conduzirá à próxima legislatura. Aos poucos, com a ajuda de colaboradores como Cavaco e Soares (sim, os mesmos de sempre), um certo alinhamento vai ganhando forma. O partido socialista parece ter dado entrada nas urgências políticas - vai ser sujeito a um bypass. O governo vai aos poucos estabelecendo uma relação de pré-amizade com os trabalhadores Portugueses. Não me quero esticar muito, dadas as parcas provas de estabilidade no convívio, mas o facto do governo ter encetado negociações com a UGT, significa que a oposição parlamentar é dispensável. O governo deu despacho a um novo transporte executivo que passa ao lado da oposição. O que Pedro Mota Soares andou a fazer sem se deslocar de vespa, é um primeiro sinal da construção de uma nova colmeia de consenso - uma abertura quanto baste para causar ainda mais enjôos àqueles que se julgam os donos do entendimento dos anseios nacionais, os únicos intérpretes de um conceito inexistente em política, a verdade. Os socialistas puderam ler a tabuleta afixada na porta de serviço, mas não quiserem entrar nessa zona de acesso restrito. Até parece que um porteiro lhes negou a entrada, mas foi mais um in-sai job. O que o governo está a fazer é remendar as calças cáidas pelos joelhos com o pano que tem à mão. Não se trata de uma declaração inequívoca de salvação nacional nem constitui uma união nacional, mas representa a abertura do estabelecimento a novos fornecedores, ávidos por promover as mais antigas técnicas laborais. O executivo de Passos Coelho entende que mais vale falar directamente com os visados do que com um representante de um conjunto de utopias de governação. Nem sequer era necessário que o histórico fundador do Rato desse umas bofetadas no afilhado Seguro. O joker desse frágil castelo de cartas iria cair por si. Era apenas uma questão de tempo, de tampas dadas pelos colegas ideológicos. Lá para as bandas socialistas o ambiente em torno da mesa de jantar não é dos mais simpáticos. Seguro entornou o caldo com a sua brandura dos cinquenta. Quando se levantou para discursar foi ao bolso errado da casaca e esqueceu-se do cravo na lapela - ficou-se mais por uma no cravo outra na ferradura. Seguro tem um cartão de cidadão com uma idade lixada para o conceito aguerrido de convicção. O líder do momento nasceu inter-geracionalmente. Não foi cultivado pelo dogma profundo nem pelo arado dos ventos revolucionários. Apareceu num apeadeiro entre duas estações centrais. E a pergunta que se coloca é a seguinte; se o governo (disposto a sobreviver a todo o custo), for aproveitando as propostas dos socialistas, e estas forem de facto acertadas e boas para o país, porque razão desejam os socialistas chegar ao poder? Não bastará que as suas soluções caminhem para os ministérios e os representem condignamente? Até podem ficar com os louros olímpicos, desde que o país consiga sobreviver à maratona. Se se trata de uma questão de poder pelo poder, então mais vale a pena ficarem quietinhos. Se as brilhantes e precoces ideias dos socialistas servirem o país e o governo as aproveitar, então o país ganhará e eles figurarão de um modo distinto aos olhos de tantos e tantos descrentes. Seguro pode até se tornar histórico por ter sido responsável pela renovação que terá de acontecer no PS. No mínimo deve ser acreditado com um emblema de arrumador involuntário da casa. Não vejo outra possibilidade se não essa. Não imagino o renascimento de um Fénix Seguro. Não consigo sequer imaginar uma mudança de indumentária que possa aliviar os nossos maiores receios. Já vi outros políticos o tentarem e falharam redondamente. De repente, face às contrariedades dos últimos tempos, lá aparece um novo Seguro com outro look, quiçá com umas patilhas farfalhudas, lentes de contacto, um bigode à Torres Couto (na sua primeira fase), e, mais importantemente, uma distinta colocação de voz - um timbre menos cavernoso acompanhado por tosse/escarro, algo mais gutural, menos político ou polido. E essa medida drástica seria porventura a mais surpreendente de todas na sua carreira. Realmente não sei mais o que fazer ao socialista que matou a oposição e que emprestou um cajado ao governo que lá vai caminhando. Que lá vai marchando, mesmo que manco e aos poucos.

publicado às 10:27

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