Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A caminho de Barroso, com Antero de Figueiredo.

por Cristina Ribeiro, em 02.09.13
" ( ... ) Agora, para as Alturas, é a cavalo, através da serra quase sem árvores, em chão roxo pelas flores das queirogas e amarelo pelas flores da carqueja: - montes de mosto onde chovesse saraiva de enxofre...
Ao redor, montanhas altas e varridas. Começa a ver-se, à esquerda, em baixo, um longo vale abeberado de verdura e de fartura, que se prolonga, formando o planalto da aldeia das Alturas, e se estende para lá, até às veigas fartas de Boticas. Serras em torno. ( ... )
E neste ondulante mar esverdido, de montes vagueiros e baldios, sobe aos céus, contra os homens, a queixa amargurada das terras que querem ser mães de florestas úteis e belas, que aproveitam às gentes e, em sua beleza basta e religiosa, agradem a Deus. "
« Jornadas em Portugal »

publicado às 15:02

Citações (LVIII)

por Fernando Melro dos Santos, em 02.09.13

"Una vez, al ser interrogado sobre mi ideología, respondí que yo no tengo ideología porque tengo biblioteca."


- Arturo Pérez-Reverte

publicado às 09:27

Perguntas e anzóis de Passos Coelho

por John Wolf, em 02.09.13

David Cameron perguntou ao Parlamento Britânico. Obama pergunta ao Congresso Americano. Passos Coelho não pergunta à Assembleia da República nem ao Tribunal Constitucional. A questão subjacente a este inquérito difuso consubstancia-se no seguinte: como se legitimam as decisões de um executivo nos dias que correm? Eu sei que não se devem comparar maçãs com laranjas. Tratam-se de três sistemas políticos distintos; uma Monarquia Constitucional, um Sistema Presidencial e uma República Constitucional Semi-Presidencial. Contudo, nos dois primeiros casos, seja para inglês ver ou não, directa ou indirectamente, os eleitores foram (ou vão ser) consultados sobre matérias políticas intensamente sensíveis - uma intervenção militar na Síria. As primaveras árabes, os movimentos de rua como Occupy Wall Street e outras expressões de vontade popular, serviram para abrir a pestana aos governantes por alguns instantes que sejam. Sem o aval da população os projectos mais sensacionais podem ruir. No caso do Obama, ainda permanece algum mistério. Há algo de inédito que contraria o Far West típico: shoot first ask questions after. O que acontecerá se o Congresso não aprovar a intervenção militar? Será que Obama perde ou ganha a face? No meu entender, ao lhe ser negada a autorização para intervir militarmente, a responsabilidade pela inacção recairá sobre os outros e não sobre os seus ombros bélicos (se de facto decidir não avançar seja qual for a orientação do Congresso). Obama colocou-se numa posição algo incómoda que se relaciona com o discurso afirmativo que já foi transmitido; a América não ficará quieta à luz dos factos químicos. O dito por não dito - de um modo geral -, enfraquece os lideres, mas talvez esteja enganado. Afinal, Paulo Portas exemplificou o que não mata engorda. Portugal que se vê a braços com outro género de desafios, é testemunha de outras formas de condenações, de chumbos. Passos Coelho ao ignorar os termos da Lei Fundamental, serve a nação, porque obriga a que a sua substância seja questionada. Independentemente das condições impostas pela Troika, e dos excessos e exageros no cumprimento dos termos, há muito que a Constituição da República Portuguesa vem carecendo de uma revisão. O problema que Passos Coelho enfrenta é que não tem a quem possa perguntar. Se interpelar o Parlamento no sentido de procurar uma vontade colectiva para rever a Lei Fundamental, é muito provável que seja apupado. A Constituição parece ser propriedade da oposição, dos Socialistas que inventaram a Democracia em Portugal. Existe um entendimento que há livros sagrados que não podem ser tocados pelas mãos de infiéis. Esta mentalidade estanque e retrógrada cristaliza Portugal num aquário de estimação política. Como se o tempo tivesse parado à badalada de meia dúzia de juízes. Portugal encontra-se num impasse muito maior que a crise económica e estrutural. Fechou-se em copas com uma ferramenta que não é pau para toda a obra. Uma constituição, seja de que tipo for, deve servir para dinamizar um país e não para paralisar os seus membros. Se Passos Coelho sabe que não pode perguntar ao Tribunal Constitucional seja o que for, a quem pode pedir um beneplácito relativo? Por enquanto não sei e não me vou pôr a pescar respostas. Mas saberemos todos em 2015.

publicado às 08:59

Níu squil

por Nuno Castelo-Branco, em 02.09.13

 

Jast cãming béc from mai rest taime in a suíming pul, nau ái mast to év samessing tu sei tu de pípal. Fáinali, iéstedei ái retarn'd béc to ár-ti-pi áftar sach a long ólideis sailance. Ái aoup dét de Ingliche pruf uil bi extrimli pôzitiv. Éniuei, ái quénot bi uarse in Ingliche dén Mariô Suárrêze is in Molière's lãguage. 

publicado às 08:54

Passeio por entre a terra queimada.

por Cristina Ribeiro, em 01.09.13
Estávamos novamente no Parque Natural do Alvão. Desta vez o percurso para a ele chegar fora outro: havia muito que esse era um destino adiado, as Fisgas de Ermelo, no concelho de Mondim de Basto.A maior queda de água de Portugal, e das maiores da Europa, alimentada pelo rio Olo, que nasce ali perto, na linda aldeia deLamas de Olo, já no concelho de Vila Real, que visitáramos em tempos.
Num leito de xisto, é impressionante o espectáculo que oferece aos nossos olhos maravilhados.
Mas nem tamanha beleza faz esquecer o outro espectáculo que a esses mesmos olhos se deparou no caminho montanhoso que lá nos levou: um espectáculo dantesco de terra queimada, escura, de onde se desprendia ainda o cheiro a fumo, tão recentes eram as marcas dos fogos que por lá lavraram, ainda não há muitos dias.
O belo de mãos dadas com o horrível.

publicado às 22:47

Para a pré-campanha

por Nuno Castelo-Branco, em 01.09.13

 

Aqui está uma bela sugestão para o arranque da campanha eleitoral bloquista. Condensa todo um programa de muitos anos de esforçada actividade. Veja o projecto na íntegra.

publicado às 20:30

Piropotecnia

por John Wolf, em 01.09.13

Deve ter sido num dos corredores da sede do Bloco de Esquerda (BE) que a coisa aconteceu. Estavam para lá uns andaimes montados, um dos pintores com o rolo já mergulhado na bandeja de tinta de água para dar uma segunda demão à parede quando zás - sai um piropo. Por azar do destino, o pintor nem sequer imaginava que a garota a quem ele mirava o decote, a quem dirigia a boca, era, nem mais nem menos, a Catarina Martins. A co-dirigente, embora quisesse responder à letra (estava raivosa, a espumar pelos cantos da boca), lembrou-se do sentido de Estado e aproveitou a deixa, a sugestão - "marchava já" -, e pensou: "porque não tornar o piropo num dossier político?". E assim, sem mais nem menos, e à falta de assuntos políticos por tratar, a agenda ficou preenchida. Para Catarina Martins o debate sobre piropos deveria ser aberto e não engolido pela conveniência machista. Acontece que as feministas não detêm a licença de exclusividade sobre os limites da graça ou a fronteira do assédio. Ao restringirem o debate ao género feminino, demonstram um sectarismo típico de regimes fundamentalistas, de tudo ou nada. O BE que se apresenta como intérprete das pulsações humanas, parece ter tido a sua génese num país não latino, pouco mediterrânico. O piropo que nasce com o olhar e evoluiu para o assobio, para a frase fei(t)a, tem origem na arte dos trovadores - eu sei, perdeu-se a guitarra e apenas ficou o sado-fado. A cultura do galanteio que roça o explícito faz parte da matriz dos países de sol, da bandeira do suor e das garotas de clima ameno, estilo Ipanema; Itália, Espanha, Grécia e Portugal. Ao pretender levar para a conferência académica o que decorre no passeio, na pausa de almoço dos pedreiros e serventes, os intelectuais do bloco demonstram que não entendem que a boca lançada à rapariga funciona como um pequeno orgasmo virtual, uma picada para aliviar a amargura da solidão. Os praticantes da modalidade espontânea não sabem fazê-lo de outro modo, e infelizmente acreditam que nunca terão acesso a esse escalão de beleza passageira, à dama perfumada pelo olhar altivo - o desdém pela classe inferior. Se calhar a luta feminista do BE é mais uma luta de classes, mas parece que se serviram do manual de insinuações errado, o código do assédio sexual. A mulher, alvitrada em mau Português, é uma intocável ao alcance de muitos-poucos trolhas. O país também se define nessa estratificação sócio-sexual. Esta é uma das dimensões da análise, mas há outras que nao foram arrastadas para a mesa pelas sociólogas de Semedo. As bocas mandadas aos homossexuais e aos negros não contam nessa contabilidade? A linguagem suja deitada ao cigano também não? Ou seja, gostaria de saber se o conceito de assédio que o Bloco de Esquerda refere tem um sentido restritivo. Gostaria de saber se para além de desejarem a reforma do Estado, pretendem corrigir a cultura de rua dos Portugueses? Quando se levanta uma lebre desta natureza é melhor tornar a questão mais abrangente. Se é a piropotecnia que está em causa, não me parece que seja um sector que possa ser regulado.

publicado às 13:04

Portugueses contra portugueses

por Regina da Cruz, em 01.09.13
Incêndios

Sexta-feira, 30 de Agosto, excerto de uma conversa com um octagenário "analfabeto" residente numa aldeia do concelho de Barcelos: " Só podia ser assim, antes era raro haver um fogo, as bouças estavam limpas, ia-se ao monte buscar carros de mato para as camas do gado e carros de lenha, para o inverno... E havia respeito! Agora está tudo desgovernado, já nem guardas florestais há, as casas dos guardas estão tapadas de silvado... A gente mudou muito, já nao se pode confiar em ninguem, é só interesses! Veja: a madeira queimada é mais barata e os bombeiros e esses helicopteros precisam trabalhar, nao é verdade? Ora pense bem nos milhões que vale um incendio... Aqui ha uns anos, nao se podia construir no monte de Carvoeiro; foi só aquilo arder tudo e agora olhe pró monte... até já lhe chamam a zona industrial de Carvoeiro. Não acredite em nada do que vê nem que lhe dizem, nós não somos nada, há os interesses. No ano passado ardeu o monte de Aguiar e acusaram aquele moço sem emprego e sem recursos, e ele lá está, preso em Viana. Pois bem, este ano o monte de Aguiar voltou a arder. Que me diz a isto? Eu nunca vi nada assim, é muito grave e digo-lhe, nao tem soluçao porque é um problema da gente, esta gente de hoje nao respeita nada nem ninguem, nao é séria, só vê os seus interesses, não quer saber do bem de todos, que é maior. Não há soluçao, ou eu pelo menos nao vejo nenhuma."

Tribunal de Contas

Sabado, 31 de Agosto, excerto de uma conversa com o dono do quiosque de jornais: "Estes juízes estao a ganhar o deles, a defender o trabalho deles. Com os privados ninguem se importa mas os funcionarios publicos sao santos; olhe a minha mulher, trabalhava na fabrica, de um dia para o outro ela e mais 60 vieram para a rua porque a fabrica foi para outro país mais barato. E algum juíz veio falar? Nenhum! Anos de trabalho e dedicaçao, trabalhar sabados, domingos e feriados para entregar a obra, quando era preciso, e de um dia para o outro... É assim a vida, agora está em casa, montamos uma fabriqueta na garagem, está a minha mulher mais duas empregadas, não dá muito mas ela sempre se vai entretendo porque a reforma está longe. E depois um homem vê os enfermeiros, todos chateados por terem de trabalhar mais de 35 horas por semana! Chega a ser uma ofensa... Mas nao é q eu ache que os enfermeiros devam trabalhar tanto como o horario de um privado, que a maior parte das vezes, é um abuso por parte dos patroes, não é isso. O que eu acho é que nunca ninguem se preocupa com os privados... Só servimos para pagar impostos, mais nada. Bem fez o meu filho, que emigrou e eu, se soubesse o que sei hoje, nunca teria voltado."

Saúde

Quinta feira, 29 de Agosto, excerto de uma conversa com uma oncologista: "A vinda dos gestores para a saúde não me parece que tenha acrescentado valor, muito pelo contrário. Estes senhores nunca viram um doente, não têm o mínimo de noção como funciona a saúde: os cortes são cegos, sem consultarem os médicos e sem contarem com as subsequentes despesas que esse corte acarreta. Vejamos, com esta ideia fixa de se comprarem os medicamentos citotóxicos mais baratos eu hoje não consigo fazer uma epirrubicina (quimioterapia) por veia periférica pois provoca tromboflebites gravíssimas. Aquilo que era um procedimento simples, administraçao por veia, com o medicamento de marca, nunca dava problemas. Hoje em dia, com o medicamento (genérico) que temos no sistema, uma doente que tenha indicaçao para epirrubicina tem de ir ao bloco operatorio para lhe colocar um catéter central pois nao é toleravel por endovenoso. Veja os custos que uma pseudo poupança acarreta já para não contabilizar o sofrimento dos doentes. E neutropenias graves, como eu nunca vi?! Eu farto-me de reportar, o INFARMED está a par disto tudo... mas faz alguma coisa?! Quando eu vejo um grama de medicamento ser mais barato que um grama de farinha do supermercado, eu pergunto-me o que é que lá estará. Parece-me que esta reduçao da despesa na saude está a por em causa a qualidade dos tratamentos, os gestores desconhecem as reais consequencias dos seus actos economicistas, aparentemente inofensivos e a bem da "sustentabilidade do SNS". Aqui há uns meses o serviço requereu um aparelho de refrigeraçao portatil (para amostras biologicas); o pedido foi negado por que os senhores gestores acharam que estavamos a pedir um aparelho de ar condicionado.
(pausa)
Nunca foi tao difícil ser médico."

publicado às 12:16

Pág. 10/10







Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2009
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2008
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2007
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds