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E a CNE que não nos multa

por Samuel de Paiva Pires, em 28.09.13

O MRPP quer "Resgatar uma capital sequestrada" e o Partido dos Animais quer "Libertar Lisboa". Será que voltámos a ser invadidos por Napoleão e não demos por isso?

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publicado às 14:52

Eu também vou votar, Nuno

por Samuel de Paiva Pires, em 28.09.13

Mas não deixo de, tal como o Miguel, constatar as falhas gravíssimas de um tão mitificado poder local, ainda que discorde da solução proposta pelo Miguel para uma situação que, na realidade, mostra em toda a linha uma enorme falha da sociedade portuguesa em formar e preparar elites para a gestão da coisa pública. No fundo, o que quero dizer é que não é por sermos democratas e exercermos o nosso direito de voto que temos de deixar de reconhecer e criticar as falhas do regime democrático. 

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publicado às 14:46

CNE, o novo fisco

por José Maria Barcia, em 28.09.13

Diz o CNE que em dia de reflexão é proibido - e motivo de multa - apelar ao voto.

 

Ora, já dizia Francisco José Viegas a propósito das facturas e dos fiscais do Fisco que em caso de fortuito encontro, recomendaria um muito mais educado ''tomar no cu'', ao invés do jagunço ''levar'' no dito.

 

Fiscal: A factura do jantar?

FJV: Olhe, e tomar no cu?

 

Coisa deste género.

 

Agora é a vez do CNE mostrar que, sendo uma comissão estatal e, aparentemente, ter de dar provas que está vivo, andar a disparatar para todos os lados com proibições, limites e merdinhas.

 

Então - e em clara discordância e rebeldia elucidada - venho por este meio apelar ao voto. Como voto em Lisboa, apelo ao voto no João Ferreira do PCP, no João Semedo do BE, no Fernando Seara do PSD e... pronto. Não apelo ao voto no António Costa por duas razões: o CNE poderia achar que haveria equilíbrio em apelar a todos e porque o Costa é um péssimo presidente de Câmara e merece uma investigação policial a tudo o que andou a fazer com os dinheiros da CML.

 

Assim, apelo ao voto a todos menos no António Costa, que quero mesmo que emigre, ou que seja investigado pela PJ.

 

 

p.s. Mourinho para Presidente!

 

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publicado às 12:51

Uma declaração de voto

por João Pinto Bastos, em 27.09.13

Voto no Porto, e votarei, seguramente, em Rui Moreira. O cenário eleitoral, e os candidatos em disputa, obrigam a uma tomada de posição que não oferece grandes ambiguidades. Menezes é, indiscutivelmente, um mau administrador da coisa pública. Por outras palavras, é um político que, caso seja eleito, arrisca-se, com a benévola conivência do eleitorado votante, a destruir o razoável trabalho legado por Rui Rio. Votar em Menezes é, em larga medida, coonestar o desperdício público, o despesismo clientelar e a obra pública derrochadora. Não terá, por conseguinte, o meu voto. Rui Moreira tem, em comparação com Menezes, a óbvia vantagem de não ter a sua imagem maculada pela má gestão dos dinheiros públicos. Além disso, é reconhecidamente uma personalidade de méritos mais do que firmados. Tem um passado como gestor, e tem, também, créditos estabelecidos como cidadão activo que intervém empenhadamente no debate público, com a sua opinião e a sua experiência. Por estas razões, Rui Moreira é o presidente de Câmara de que o Porto necessita. Sabe como administrar, e, conhece, como poucos, os rudimentos básicos de uma gestão pública participada e austera. Porém, não posso deixar de fazer alguns reparos. Em primeiro lugar, houve, nos apoios granjeados, alguns nomes que, em boa verdade, são relíquias de um passado que não interessa recriar. Há escolhas que, em candidaturas ditas independentes, matam, ou, pelo  menos tendem a matar o espírito de renovação que as anima. Rui Moreira, talvez por inexperiência, esqueceu clamorosamente essa lição, optando por dar voz e espaço a apoios e rostos cujos méritos são bastante duvidosos. Em segundo lugar, e last but not the least, a máquina política de Rui Moreira geriu com bastante amadorismo a campanha eleitoral, o que é, de certo modo, justificado por uma elevada dose de inexperiência política. Em política, maus timings e más escolhas pagam-se caro. Contudo, fazendo o cômputo geral da candidatura de Rui Moreira, é claríssima a sua superioridade face aos seus adversários. Num tempo de decaimento geral dos costumes e das gentes, ter um candidato que propõe um módico de seriedade na vida pública não é de desprezar. Valha-nos isso.

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publicado às 18:40

Autárquicas

por Samuel de Paiva Pires, em 27.09.13

Miguel Castelo-Branco, Certamente que não voto para as autárquicas

 

«Que me lembre, já não voto para as legislativas desde 2005 e para as chamadas autárquicas desde 1997. Para as presidenciais - por as considerar feridas de nulidade por usurpação - nunca votei. Durante muito tempo, pela minha formação, considerei as eleições autárquicas as mais relevantes e verdadeiras, posto serem emanação das realidades locais e darem voz a essa entidade mítica que dá pelo nome de povo. Contudo, foi corrigindo a minha teimosa ingenuidade a respeito desses micro-estados que dão voz, presença, micro-poder e dinheiros a uma constelação de pequenos interesses, pequenas ambições, pequenas habilidades e enorme impreparação. Hoje, tendo presente o triste historial desse "poder local", miniatura do regime dos partidos, das comanditas e redes clientelares que chega a superar em perversidade a matriz inspiradora, julgo que a administração local é assunto demasiado sério para repousar em mãos amadoras. A gestão dos assuntos locais devia - não temo a provocação - estar integrada na administração pública preparada, isto é, profissionalizada, trabalhando por objectivos, avaliada, fiscalizada; ou seja, devia ser uma carreira confiada a quadros superiores do Estado. O poder local centuriou e feudalizou a geografia portuguesa, não exprime qualquer realidade social, não promove nem forma uma elite local, não é racional nem eficaz. É, tão só, um agente empregador de base destinado a alimentar milhares de amigos, familiares, protegidos, satisfazendo o estrato mais baixo das lideranças partidistas.»

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publicado às 17:01

Pois sim, Samuel, mas eu vou votar

por Nuno Castelo-Branco, em 27.09.13

 

D.O. está naquela difícil posição de não querer cortar radicalmente com a antiga camaradaria e também não poder adesivar-se à caravana do seu previsivelmente futuro partido, o PS. É um homem coerente e ao contrário da pérfida "direita clássica", jamais vota fora daquele espectro partidário que não considera seu, ou como o próprio diz, ..."não voto em partidos contrários às minhas convicções políticas gerais." Por outras palavras, mesmo que a direita, por suave milagre, finalmente conseguisse propor um nome decente à presidência da CML, D.O. sempre preferiria alguém supostamente avermelhado, mesmo que se tratasse de um inflamado escarro. Como há uns tempos dizia a sorridente Clara Ferreira Alves, ..."Ó Daniel, para seres o português típico, só te falta um boné e um burro!"


O articulista julga peremptoriamente a grande massa eleitoral que o PS representa, como algo de amalgamável com o PC e as confortáveis e radicais franjas envergonhadas a que se dá o curioso nome de Bloco. Dizer tal enormidade, é esquecer-se daquilo que o PS significou quanto ao definitivo liquidar dos sonhos aventureiros de ABC e dos seus companheiros de viagem, actuais e ex-bloquistas incluídos. O partido de Seguro é sem dúvida - sempre foi e será - o primordial alvo das invectivas de qualquer secretário-geral do PC, seja ele quem for, pretéritos a não esquecer. Não nos podemos esquecer dos eleitores socialistas que entre votarem PC ou passarem dois meses a comer coirato cozinhado de todas as formas, decerto sempre optarão pelo colesterol maligno. Ou não serão muitos deles ocasionais votantes no PSD e no CDS? A explicação está à vista de todos, não valerá a pena perdermos mais tempo com lembranças que datam de há quase cem anos e são incansavelmente repetidas.


O que se torna caricata é esta vontade de apanhar o retorna-cacilheiro, vendo-se assim Lisboa ao longe, flamejante de luz e pintada de reflexos que o Tejo proporciona. D.O. "acha" que o Costa tem sido um grande presidente e que por isso mesmo será recompensado por um eleitorado lisboeta piamente agradecido e ajoelhado diante desta díáfana evidência. Trabalhando normalmente para o Sr. Balsemão, nem por um momento lhe terá ocorrido o que significa o criar de "circunstâncias ou estados de espírito" que chancelam inevitabilidades? A verdade é que a vitória de Costa levará ao estourar de muitas rolhas de champanhadas nos conhecidos círculos dos sombrios negócios que fazem soçobrar esta cidade. Não diz grande coisa acerca da tonitruada obra da estranhíssima joint-venture Costa, Salgado e BESalgado, mas vai colocando uma comovida lágrima de agradecimento por Costa ..."ter resolvido os problemas financeiros da autarquia", certamente referindo-se às famosas contas que o edil se recusa mostrar ao Tribunal que as solicitou. Oliveira pensativamente vai coçando as suas dúvidas quanto ao pelouro do urbanismo, coisa decerto secundária e completamente desdenhável, quando a comparamos com o invisível facto de Costa ter avançado com "novos projectos". Talvez esteja a referir-se aos candeeiros oitocentistas que fez desaparecer do Terreiro do Paço, susbstituindo-os por uma certa quantidade de inomináveis porcarias condizentes com desníveis, losangos e estado calamitoso do paredão à beira Tejo. Quanto a "projectos", já estamos no terreno da consistência e neste caso, de projectos tão sólidos como a liquefacção de terras no momento de um terramoto. Refere-se a quê, concretamente? Aos eventos Continente-Toni Carreira?


Esta cidade deve sempre ter em conta dois aspectos essenciais e indivisíveis: o património construído e os lisboetas, sejam eles de origem ou de fixação. No que respeita ao património arquitectónico, a verdade que Oliveira ainda não descobriu fora do habitual eixo Chiado/Rua da Escola Politécnica, é a daquela cidade que tem sido impiedosamente demolida. A Lisboa do século XIX está em vias de total desaparecimento e nem sequer galardões de prestígio podem salvar imóveis de inegável interesse geral. Aliás, esta cidade pode gabar-se de ser a única capital da Europa que possui um prestigiado prémio dedicado à construção - o Prémio Valmor - cuja atribuição de forma alguma é por si, uma garantia  de protecção do imóvel por uns tantos anos tornado num pólo de interesse. Não, as sucessivas vereações da Câmara Municipal de Lisboa, têm desde os anos 40 prosseguido uma criminosa política de total cedência à especulação, essa inseparável companheira do mau gosto, da descarada fraude e do abuso de poder. Disponíveis na rede, temos uma enorme quantidade de sítios, blogues e artigos que ano após ano denunciam esta vergonhosa e escusada catástrofe que tem destruído a capital portuguesa. Costa não foge minimamente à péssima tradição herdada e pelo contrário, a sua administração recorreu aos velhos truques onde a declarada desonestidade - a retirada de edifícios do Inventário Municipal tornou-se "legítima" - faz a vez da moeda de bom toque e som. Não podemos ter uma cidade capaz de longinquamente rivalizar com as grandes metrópoles europeias, se continuarmos a  insistir nesta cedência ao despotismo da negociata consentida porque partilhada, autorizada porque proveniente de amigos e daqueles "jeitos" especiais que no dicionário surgem com um nome feio.  


D.O. que olhe para toda a Avenida da Liberdade e ruas perpendiculares. Siga para a zona da Duque de Loulé, compreendendo todo o espaço que existe entre a esburacada Fontes Pereira de Melo - onde os exemplos do mau gosto do salgado costismo estão à vista de todos - e o Campo de Santana, vulgo dos Mártires da Pátria. Viaje até ao hoje irreconhecível Saldanha e todo o enorme rectângulo urbano que cobre o espaço entre os muros da Fundação Gulbenkian e o Instituto Superior Técnico. Quem concede as licenças de demolição e de construção? A Câmara Municipal de Lisboa. A vergonhosa política de fachadização total do pouco que sobra da Lisboa romântica do século XIX e consequente destruição de património irrecuperável - madeiras, estuques, vidros, mármores, pinturas interiores de ex-habitações de um já muito fanado e interdito luxo, ferragens de varandas, grades, remates de telhados, cantarias criminosamente despedaçadas, etc -  e atirado às vorazes mandíbulas dos sórdidos negócios imobiliários de uma certa banca que sustenta ou suborna uns tantos comensais do regime. O terciário - existem muitas dezenas de "prédios de escritórios" totalmente devolutos e a CML continua a conceder alvarás para este sector - substitui as construções que outrora conheceram sucessivas gerações de lisboetas. Descaracterizam-se bairros inteiros, autorizam-se todo o tipo de abusos que defraudam a cidade. A lista de malfeitorias é longa, demasiadamente dolorosa para ser exaustivamente enumerada. Cidade despovoada mercê das más políticas, incúria e cedência aos ditames de um punhado de gananciosos nacionais e estrangeiros, Lisboa conta ainda com uma CML que é totalmente incapaz de zelar pelo seu próprio património imobiliário que devia estar ao serviço daqueles que menos podem. Será quiçá uma reserva para futuros negócios, quem sabe?  Não prosseguindo na enumeração de sucessivas alíneas de incompetência quando não de descarada reserva mental, apenas se poderá acrescentar uma bastante visível tentativa de querer "parecer bem", o tal chico-espertismo conhecido como "para inglês ver". Para isso serve a imprensa e uns tantos bodos ao estilo do pão e circo de outros tempos. 


Ao contrário de Oliveira, não hesitaria em votar num julgado adversário político, desde que este me oferecesse as tais garantias de carácter e de competência necessária para o exercício de um cargo desta envergadura. Não voto Seara, pois parece-me que alguém que reivindique a "obra de Costa & Salgado" como coisa boa e a continuar, não merecerá qualquer tipo de contemporização. Em suma, não me comprometerei com as conhecidas comanditas camarárias e com os negociantes que ansiosamente já esperam na antecâmara da sala de aparato dos Paços do Concelho. 


Sei que muitos virão com o estapafúrdio argumento do voto útil, coisa em perfeita correspondência com o não menos absurdo politicamente correcto, mas creio que nada mais há a fazer, senão recompensar a Aline - e a sua lista - por aquilo que durante os últimos anos apontou em animadas sessões da Assembleia Municipal, onde as suas intervenções rotineiramente nos apresentaram escandalosos casos de depredação do património desta cidade que todos gostaríamos de salvar. 


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publicado às 15:42

E depois do adeus das autárquicas?

por John Wolf, em 27.09.13

E depois do adeus dos tesourinhos das autárquicas (demora sempre mais do que o (im)previsto; os cartazes deixam-se ficar até serem rasgados pelo vento e perderem a cor) e dos resultados eleitorais de domingo, nada efectivamente se altera. Os protagonistas, os mesmos de sempre ou outros parecidos, nada poderão fazer para alterar o alinhamento político e financeiro desfavorável - a crise continuará e os juros da dívida resistirão nessa fasquia dos 7% -, mais coisa menos coisa. Uma nova configuração autárquica não altera as regras do jugo das leis da troika. Mas será que isso é motivo para não votar? Claro que não - o cidadão deve reclamar a sua quota na participação política. Deve fazer uso dessa prerrogativa consagrada na Constituição da República Portuguesa. E dir-me-ão que tudo isto é muito bonito no papel, mas que na prática o eleitor nacional está metido numa carga de trabalhos, que está metido em sarilhos. E é verdade. O portador de cartão de eleitor tirou a carta, está legalmente habilitado a conduzir o seu destino político, mas não confia no raio dos vendedores de automóveis que lhe querem dar a volta ao juízo e oferecer uma boleia. E não é só ao intelecto que é feito o apelo. A emoção descontrolada é uma força que deve ser levada em conta. Umas lágrimas bem metidas também servem para amolecer os mais duros. Seguro sabe-o, assim como Seara, Costa e companhia. Depois temos aquele clássico que faz parte da antologia política. O tal voto útil ou de protesto. Aquele cartão amarelo para penalizar os que estão no poder e não uma coisa baseada no mérito próprio - o voto entregue a quem de direito porque a proposta alternativa é boa -, muito melhor. E é aqui que reside grande parte do problema. As eleições autárquicas são um gato por lebre da política - irão ser tratadas pelos cidadãos como se fossem eleições legislativas. E depois acontece sempre o oposto mais tarde ou mais cedo. As legislativas servem também para outras encomendas e represálias - como se fossem autárquicas. E Portugal não passa disto, deste descentramento, desta incapacidade de estar no local à hora combinada. O mérito e o demérito político coexistem como um matrimónio feito num oito desde a primeira hora, ordem (Schauble está muito contente com a obra do governo e a população portuguesa quer mandar Passos Coelho às urtigas). Ou seja, parece que a pontualidade política e eleitoral é uma impossibilidade - o encontro de corpo e alma entre a vontade e o efectivo, a promessa e a realização. O cidadão vota, mas está com as tripas e o coração noutra liga. O cidadão abstém-se porque ainda tem saudades de um outro tempo (atenção!não disse senhora). O eleitor faz um boneco no boletim porque desejava voltar a ser criança ou não ter nascido. Estão a perceber onde quero chegar? Tenho alguma razão ou não? Enquanto os cidadãos não acertarem as agulhas da sua presença política, vão andar sempre a correr atrás do prejuízo. A corrida eleitoral que os Portugueses devem correr é uma maratona interminável, o que significa que qualquer acto diário tem importância e não pode ser esquecido. Se deixam a criança ser mal-educada, está o caldo entornado, e foi isso que aconteceu na infância e na adolescência da democracia em Portugal. O cidadão tem de se deixar de coisas (aquelas tretas que foram eles os responsáveis pelo desastre) e ser político - eleger-se diariamente. É no dia a dia que cada um de nós deve reclamar e participar na construção das comunidades, porque se a lógica for apenas de representatividade ou delegação de poder, mais cedo ou mais tarde a conta será apresentada pelo garçon. Não se pode dar rédea solta ao animal porque este se transforma num monstro, numa dívida política que nunca será paga. E foi algo assim que aconteceu a Portugal. Os juros da dívida politica estão a rebentar com os céus. É um inferno.

 

(fotografia; autárquicas 1976)

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publicado às 15:36

Silêncio comprometedor

por João Pinto Bastos, em 27.09.13

Passado um dia sobre a mais recente ameaça profética do Oráculo do Sr. Dr. Sousa Ribeiro, ainda não ouvi um único ai relativamente aos prejuízos enormíssimos que a Constituição da República Portuguesa, tal como está redigida, e, já agora, a ser interpretada, acarreta para os portugueses. Repito, não ouvi um único ai. Sintomático, não é? Depois não se queixem.

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publicado às 13:45

Por baixo do tabuleiro

por João Pinto Bastos, em 27.09.13

O Rui A. comete aqui um pequeno erro que urge, a meu ver, corrigir. A animosidade existe, mas deve-se, sobretudo, ao carácter político, ou à ausência dele, de Luís Filipe Menezes. Há gente que não se recomenda nem para governar uma casa, e Menezes é, seguramente, um desses casos.  A suposta "obra" apresentada  em Gaia não é, nem deve ser um atestado de competência imune a uma avaliação política mais fundamentada. Deixando de lado a politiquice serôdia que oblitera factos e acontecimentos, é fácil constatar que Menezes propõe para a cidade do Porto uma espécie de Menezolândia regada a muito crédito. Basta dar uma vista de olhos pelo arremedo de programa apresentado pela candidatura menezista para concluir que a fantasia e o pensamento mágico são um exclusivo do ilustre médico. Quanto ao resto, é evidente que há muitos interesses em movimento, assim como, alguma falta de tacto e de profissionalismo político na abordagem do eleitorado pelos diversos candidatos. Pizarro foi, em grande medida, uma má aposta, devido, fundamentalmente, ao seu low profile político. Na política a falta de carisma paga-se muito caro. Já Rui Moreira, não obstante o facto de não dispor de uma máquina política suficientemente oleada, conseguiu, com as qualidades que se lhe reconhecem, construir um movimento independente com, ao que parece, a forte possibilidade de arrebanhar a Câmara. Porém, nem tudo é um mar de rosas. Além da fraca máquina política, há que mencionar um certo amadorismo no modo como a candidatura de Rui Moreira lidou com algumas das questões mais candentes da campanha eleitoral. Contudo, não obstante essas falhas, que não são de somenos, Rui Moreira continua a ser o candidato melhor avalizado para tomar entre mãos os destinos da edilidade portuense. Os portuenses têm, pois, a palavra.

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publicado às 13:15

São os pequenos com a coragem que os maiores não têm

por José Maria Barcia, em 26.09.13

Parabéns ao jornal i por esta nota de redacção. A impunidade dos grandes grupos económicos não deve ser alimentada pela cobardia de algum jornalismo.

 

Um exemplo do ''pequeno'' i aos outros. O jornalismo devia aplaudir de pé esta posição.

 

 

NOTA DE DIRECÇÂO DO JORNAL I

 

O BES não pode esperar que os jornalistas deixem de exercer a sua profissão.

A administração do Banco Espírito Santo (BES) teve ontem uma reacção desproporcional, violenta e inaudita face ao trabalho de investigação jornalística que o jornal i tem vindo a fazer sobre o envolvimento de administradores e altos quadros do Grupo Espírito Santo em diversos processos judiciais.

O jornal i solicitou um comentário do BES durante o dia de terça-feira ao facto de o dr. Ricardo Salgado ter sido chamado ao Banco de Portugal, mas não recebeu qualquer resposta – como tem sido habitual nos últimos contactos feitos pelos nossos jornalistas.


Através de uma carta enviada às redacções durante o dia de ontem (que não chegou ao i), a administração do BES acusa o nosso jornal, num tom inusitado para uma instituição financeira quase centenária, de “atacar de forma ostensiva e sistemática o BES e o seu presidente executivo”, ligando as notícias que temos vindo a publicar com a saída do dr. Álvaro Sobrinho da administração do Banco Espírito Santo de Angola. Tais acusações levaram mesmo o “Jornal de Negócios” a afirmar que a administração do BES “assume estar em guerra com o angolano Álvaro Sobrinho”.


A direcção do jornal i rege o seu trabalho por critérios exclusivamente jornalísticos, avaliando a credibilidade e a veracidade da informação recolhida pelos seus jornalistas de forma independente de qualquer poder político ou económico. Tal como assume, de boa-fé, os erros quando os mesmos se verificam.

O jornal i não está portanto em guerra com ninguém.


Desde o início da investigação jornalística que a administração do BES tem recusado esclarecer de forma clara as dúvidas dos nossos jornalistas, optando, ao invés, por tentar descredibilizar o trabalho do i. Essa política de comunicação do BES visa igualmente condicionar o trabalho dos nossos jornalistas.

O BES tem tentado pressionar igualmente a direcção e os jornalistas do i que têm feito o seu trabalho.


A direcção do jornal i não se deixa intimidar com o poder económico e publicitário do BES e continuará a garantir o direito de informar e a acompanhar toda a informação que os seus jornalistas recolham com profissionalismo, isenção e respeito pelo nosso código deontológico.


Compreendemos, obviamente, que a administração do BES não goste de ver escrito que dois dos seus principais administradores foram constituídos arguidos por suspeitas do crime de inside trading, percebemos que o BES não queira que se saiba que o dr. Ricardo Salgado, presidente executivo, e o dr. Morais Pires, administrador executivo, fizeram rectificações dos respectivos IRS de 2011 num valor que supera os 9,6 milhões de euros na sequência do processo Monte Branco, entendemos que a liderança do BES prefira que não sejam conhecidas declarações de três administradores da Escom que, após serem informados da sua condição de arguidos por corrupção activa, branqueamento de capitais e tráfico de influências, afirmaram que actuaram sempre com “o total conhecimento e concordância dos seus então accionistas”, isto é, o Grupo Espírito Santo.


Compreendemos igualmente que a administração do BES prefira não fazer comentários ao facto de o dr. Ricardo Salgado ter sido remunerado em 8,5 milhões de euros através de uma offshore por uma consultoria externa realizada a um cliente do banco.


Compreendemos, enfim, que estes factos sejam incómodos para a liderança do BES. Mas uma coisa o BES não pode esperar: que os jornalistas tenham medo do seu poder financeiro e deixem de exercer a sua profissão.


O jornal i, com toda a certeza, continuará a fazer o seu trabalho respeitando todos os poderes da sociedade portuguesa, mas sem ceder um milímetro na missão jornalística da busca de informação verdadeira, factual e com relevância pública.



A direcção do i

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publicado às 19:35

A falência do estado é constitucional e isso é que importa

por Samuel de Paiva Pires, em 26.09.13

José Meireles Graça: «E aqui estamos. Os senhores juízes deverão por certo estar satisfeitos: à força de dizerem como se governa vão tornando o país ingovernável.»

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publicado às 18:02

125.º aniversário do nascimento de T. S. Eliot

por Samuel de Paiva Pires, em 26.09.13

 

T. S. Eliot, Notas para um definição de cultura:


«Quando cada termo é tomado no seu justo contexto, a concepção de cultura e religião, como sendo aspectos diferentes da mesma coisa, é uma concepção que requer ser devidamente explicada. Desejo sugerir, porém, em primeiro lugar, que ela nos fornece os meios de combater dois erros complementares, o mais comum dos quais é pensar que a cultura pode ser conservada, ampliada e desenvolvida na ausência de religião. Este erro é mantido tanto pelo cristão como pelo descrente e a sua refutação exige uma análise histórica muito pormenorizada, visto que a verdade não é facilmente aparente e pode até parecer desmentida pelas aparências; uma cultura pode continuar, sim, e mesmo produzir algumas das suas mais brilhantes obras artísticas e de outros géneros depois de a fé religiosa ter caído na decadência. O outro erro é acreditar que a conservação e a continuação da religião não têm de contar com a conservação e a continuação da cultura, uma convicção que pode até conduzir à rejeição dos produtos da cultura como sendo obstruções frívolas à vida espiritual. Para nos encontrarmos na posição de rejeitar este erro, e também o primeiro, é necessário que olhemos bem longe e recusemos aceitar a conclusão, quando a cultura que temos ante nós é uma cultura sem declínio, de que a cultura é algo que podemos considerar com indiferença. Devo acrescentar que ver a unidade de cultura e religião dessa forma não implica que todos os produtos da arte possam ser aceites sem críticas, nem que essa perspectiva nos ofereça um critério pelo qual toda a gente possa distinguir imediatamente a diferença entre eles. A sensibilidade estética deve ser elevada à percepção espiritual e a percepção espiritual à sensibilidade estética e ao gosto disciplinado, antes de nos qualificarmos para julgar a decadência, o diabolismo ou o niilismo na arte. Julgar uma obra de arte por padrões artísticos ou padrões religiosos, julgar uma religião por padrões religiosos ou padrões artísticos, no fim de contas, deveria ser exactamente o mesmo., embora se trate de um objectivo que nenhum indivíduo pode alcançar.»

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publicado às 17:46

A Boa Nova do Oráculo das desgraças jusjustificadas

por João Pinto Bastos, em 26.09.13

Após tomar conhecimento disto, volto a perguntar: é assim tão difícil compreender que o actual desenho institucional do regime premeia o imobilismo socializante que nos trouxe a esta balbúrdia política e económica? A dogmática do regime esgotou-se. É tempo de a direita (existe?) arrepiar caminho.

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publicado às 15:14

A Tropicália lusa

por João Pinto Bastos, em 26.09.13

Glosando o título de uma das últimas postas do John, é possível afiançar, com algum grau de certeza, que Portugal aportou à verdadeira terra prometida: a Tropicália da parvoíce. Porquê Tropicália? As razões são variadíssimas, mas há uma, em concreto, que ultrapassa em prejuízo todas as outras. Falo, pois claro, da enormíssima falta de tacto das nossas elites políticas e económicas. Nada do que tem sucedido nos últimos tempos constitui, em bom rigor, uma surpresa malfadada. Num país resgatado e falido, como é, infelizmente, o nosso caso, o mandarinato dos macro e micropoderes continua a comportar-se como se Portugal fosse uma praia solarenga, repleta de criados-autómatos disponíveis a servir prontamente os desejos mais sensualóides dos diversos chefes da companha. Veja-se, por exemplo, a subida das yields. Tem-se falado, nos últimos dias, no retrocesso de alguns dos principais indicadores económicos, e, para quem acompanha diariamente a realidade económica, investindo e produzindo, o que se tem passado na economia não representa, propriamente, uma surpresa de maior. Não obstante os bons resultados das exportações, os juros mantêm a sua trajectória de subida, com a consequente diminuição da credibilidade creditícia da República. A crise de Julho teve os seus efeitos, e, por mais que se avente o contrário, a economia piorou, pelo que as probabilidades de sermos sujeitos a um segundo resgate aumentaram exponencialmente. Perante isto, as respostas têm sido dúplices e pouco coerentes. No seio do Governo, a ambiguidade mantém-se. É certo que Paulo Portas, ferindo as susceptibilidades do comentadeirismo estupidificante, tem tentado remar contra a maré, insistindo numa diplomacia política mais aguerrida. Porém, os resultados têm sido, até ao momento, demasiado parcos. Se atentarmos aos efeitos visíveis das negociações com a troika, verificaremos que as mesmas ainda não obtiveram fumo branco. O momento também não é propício a declarações políticas substantivas, devido ao festim eleitoral que, como é de tradição, corta cerce no bom senso, já de si muito reduzido, dos principais agentes políticos. Ademais, se olharmos para os restantes actores institucionais, o cenário não é de todo muito abonatório. O Presidente da República não passa, em boa verdade, de um penacho institucional, que não aduz rigorosamente nada à resolução dos problemas do país. Fala pouco, age mal, e só empata os verdadeiros agentes da mudança. Um dos nós górdios do regime reside, justamente, no lugar político ocupado pelo inquilino belenense. Por fim, temos o inevitável oráculo justiceiro do Sr. Dr. Joaquim Sousa Ribeiro. O Tribunal Constitucional é, neste preciso momento, um dos actores mais deletérios da vida política portuguesa. A jurisprudência constitucional tem sido, com algumas nuances, um obstáculo seriíssimo à necessária reforma do país. O dia de hoje, com o acordão sobre as alterações ao código laboral, é, por si só, um bom exemplo do bloqueio político em que estamos ensarilhados. Reformar nestas condições, com estes obstáculos, e com estas personagens de aviário, é, de facto, um exercício que convoca bastas doses de paciência. Os próximos meses serão um teste bem agudo para os principais arautos da governação, e não será, certamente, com discursos excessivamente "crescimentistas" que sairemos deste buraco. Mais: seria bom que, doravante, os principais rostos da governação olhassem para o cidadão comum, sobretudo para aquele que empreende e tenta, a muito custo, sobreviver no meio do confisco e dos entraves de um Leviatã que, não obstante o resgate, continua a viver sob um fausto desmedido. É este o exercício que importa fazer.

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publicado às 13:51

Old habits die hard ou crónicas de um mentiroso compulsivo

por Samuel de Paiva Pires, em 26.09.13

Nuno Tiago Pinto, A mentira de José Sócrates:

 

«Há cerca de um mês, a Maria Henrique Espada ligou a José Sócrates para confirmar uma informação: a tese do ex-primeiro ministro seria sobre tortura. Na altura, Sócrates foi peremptório: “Não. Aliás, peço-lhe que não escreva isso porque estará a enganar e a induzir em erro os leitores da sua revista, estará a dar-lhes uma informação errada.” Ainda acrescentou: “Isso não é verdade”. Afinal, era mesmo. Foi o próprio que o admitiu ao Expresso. José Sócrates não teve um “equivoco factual”. Muito menos disse uma “inverdade”. Ele, simplesmente, mentiu. E confrontado com a mentira teve uma reacção à “animal feroz”: “Eu não lhe admito isso, nem que me peça explicações”. Depois lá deu uma explicação para o sucedido – que é bastante reveladora sobre ele próprio. Está hoje na Sábado.» (Ver aqui)

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publicado às 11:59

Gratidão.

por Cristina Ribeiro, em 25.09.13
 ( Casa do Padre António de Azevedo, em Vilarinho de Samardã, onde Camilo passou " os primeiros e unicos felizes annos " da sua mocidade )

Viu-se já que a personalidade do autor de Novelas do Minho era tudo menos linear: a par de um marcado lado quezilento, rabugento, mal-humorado, que por quase todos é sublinhado, descobre-se, aqui e ali, uma outra faceta mais dulcificada. É dela também exemplo este, cada vez mais raro, sentimento de gratidão, que Silva Pinto não olvida quando escreve sobre aquele a quem chama Mestre.
Refere o escritor que começou por polemizar com o homem de Seide: " No seu livro « Duas Horas de Leitura » diz Camilo: «  Fui educado n'uma aldêa, onde tenho uma irmã casada com um médico, irmão de um padre que foi meu mestre. O mestre podia ensinar-me muita cousa que me falta; mas eu era refractário à luz da gorda sciencia do meu padre prior. ( ... ) A aldêa chama-se Villarinho da Samardan. Demora em Tras-os-Montes, na comarca de Villa-Real, sobranceira ao rio Corrego, no desfiladeiro de uma serra sulcada de barrocaes. ( ... ) O prior era o padre Antonio d'Azevedo. » "
  Mas já esse mesmo sentimennto não passara despercebido a quem leu « O Bem e o Mal », que Camilo dedica ao seu " professor ": 
                            " Meu amigo
                                            Ha vinte e tres annos que eu vivi em sua companhia.
Lembra-se d'aquelle incorrigivel rapaz de quatorze annos que ia á venda da Serra do Musio jogar a bisca com os carvoeiros, e a bordoada, muitas vezes?
Esse rapaz sou eu; é este velho que lhe escreve aqui do cubiculo de um hospital, muito vizinho do cemiterio dos Prazeres.
Eu sou aquelle a quem padre Antonio de Azevedo ensinou principios de solpha, e as declinações da arte franceza.
Sou aquelle que leu em sua casa as « Viagens de Cyro », o « Theatro dos Deuzes », os « Luziadas », « As Peregrinações de Fernão Mendes Pinto », e outros livros, que foram os primeiros.
Sou aquelle que, sem saber latim, resava matinas e laudas com o padre Antonio.
Sou, finalmente, aquelle a quem o padre Antonio disse: - « o tempo ha de fazer de você alguna cousa. »
Passados vinte e tres annos lembrou-me dedicar este livro ao meu venerando amigo, e rogar-lhe que peça a Deus por mim. "

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publicado às 20:44

A campanha das ideias brilhantes

por João Pinto Bastos, em 25.09.13

Menezes quer Woody Allen a filmar no Porto.

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publicado às 20:35

Quarenta e quatro mil milhões de euros é o valor da economia paralela de Portugal. O equivalente a 26% do Produto Interno Bruto. Face a estes números verdadeiramente escandalosos não há maneira de escusar muitos cidadãos deste país. Não há volta a dar ao texto por forma a ilibar milhares de contribuintes desta vergonha ética e financeira. Afinal, Portugal dispõe, porventura desde tempos imemoriais, de meios para se sustentar de um modo digno e honrado. Imagine-se que, se essa economia não fosse paralela, mas fosse vertical, Portugal necessitaria apenas de metade da ajuda externa recebida que foi concedida nos termos tão penosos que se conhece. A presente invasão fiscal do governo e da troika, também se deve, pelos vistos, à evasão fiscal. Neste quadro, uma dívida até pode ser considerada um tumor benigno - um mal decorrente da mera existência económica -, por exemplo um modelo de negócio que não correu bem ou uma aposta no cavalo financeiro errado. São coisas que acontecem e que fazem parte do comportamento económico e financeiro de uma qualquer actividade desenhada para arrecadar mais-valias. Mas a fuga ao fisco, realizada de um modo intencional, não deve ter perdão. Bem sei que o enquadramento jurídico de Portugal ostenta como bandeira de liberdades e garantias, a inviolabilidade do princípio de que o mau pagador, ou melhor, devedor, nunca vai preso. E o que acontece aos evadidos que andam a monte? Esses continuam a monte com montantes indefinidos. A haver uma reforma constitucional, por forma a inaugurar um normativo desfavorável para o evasor fiscal, colocando-o efectivamente atrás de grades para cumprir uma sentença, Portugal iria estimular um outro sector fundamental da economia. O sector da construção e obras públicas teria de avançar e erguer cadeias gigantescas por forma a albergar tantos prevaricadores on-shore. E isso, por sua vez, constituíria uma outra forma de desvio orçamental, pago pelos justos e pelos pecadores. O dilema que Portugal enfrenta é, sem papas na língua, uma encruzilhada moral - uma decisão que obriga cada membro da sociedade  a cumprir com a sua palavra, com uma mão ao peito e a outra na carteira. Repito: 44.000.000.000 de euros. Uma quantia simpática que serviria para tirar muitas barrigas da miséria de barracas. Que serviria para refundar a missão das reformas e pensões. Que serviria para tantos cuidados primários de saúde. Que serviria para ensinar a língua inglesa a pré-cráticos e pós-cráticos. Que serviria para pagar as custas judiciais decorrentes das acções contra aqueles que lesaram a pátria roubando descaradamente um quarto do bolo confeccionado pelo país. Quanto ao amor-próprio, dizem que esse não tem preço, que não há dinheiro suficiente para o corromper.

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publicado às 20:05

Gases intestinais

por Nuno Castelo-Branco, em 25.09.13

 

Um pequeno grupo de shababentos, possivelmente "americanos e britânicos"*

 

Vivemos num estranho mundo em que um bando terrorista aponta o dedo em acusação ao governo que tudo fez para libertar civis tomados como reféns. Surfando a onda da maré apresentada pelo Sr. Obama, dizem as indefesas criançolas do al-Shabab que o presidente queniano - agora um perigoso criminoso de guerra -, utilizou "gases químicos" (sic) para  liquidar os inocentes bandoleiros entrincheirados num centro comercial de Nairobi. Talvez estejam a sugerir a imperiosa necessidade de um bombardeamento da USAF sobre as posições do exército queniano.

 

"Pura cobardia", é a forma como os jovens  classificam quem procurou libertar dezenas de reféns que acabaram mortos às mãos destes piedosos moleques do há muito defunto profeta da desgraça global. O que dizer então daqueles mais de setenta paquistaneses cristãos que na semana passada também foram misericordiosamente eliminados pelos excitados crentes do crescente? Em conclusão e para "acalmar as águas", também ficámos a saber que no bando participavam "americanos e britânicos"*. Que grande alívio, até porque turra será sempre turra!

*"Americanos e britânicos" de origem árabe e somali, of course.

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publicado às 16:31

Podemos adoptar duas atitudes relativamente ao nosso futuro colectivo imediato. Ou acreditamos nele e apostamos nele. Ou dispomo-nos a desistir, sendo que desistir é morrer, mesmo que só seja emigrar. Os desafios colocados pela Troyka, por causa da dívida cavada pela Gestão Política em Portugal até 2011, são, na verdade, os velhos desafios colocados pela Política à Portuguesa a si mesma e a nós: durante anos, mesmo décadas, toda a noção de obra materializava-se em estruturas físicas, basicamente, e na parecerística cara contratada fora do Estado para coisa nenhuma a não ser para bizantinar e tornar inextricáveis contratos como os swap, as ppp e estupros colectivos a prazo similares. Chegou a hora em que as dimensões espirituais, culturais e humanísticas, farão toda a diferença no grande menu dos principais centros urbanos nacionais e, logo, dos Governos com Estratégia Nacional. Em vez de uma rotunda, um ciclo de Música Popular; em vez de um Anfiteatro, de um alargamento de Cemitério, de uma Sala sumptuosa para Reuniões e Espectáculos, uma Semana de Teatro e Poesia e a profusão de grupos, devidamente apoiados e acarinhados pelos poderes públicos e pela comunidade, onde iniciativas de Arte pontifiquem. Aqui se inscreve a minha confiança total nos munícipes que investem parte dos recursos autárquicos em manuais escolares gratuitos, em medicamentos comparticipados, em residências municipais sociais, Infantários, ou mesmo em vacinas fora do plano nacional igualmente gratuitas. As pessoas, primeiro, e não há melhor investimento quanto aquele que dignifica vidas, premeia responsabilidades assumidas e incentiva a excelência. Não alimento qualquer espécie de receio do futuro, no plano local. O futuro já está a ser moldado segundo a pedagogia da escassez do dinheiro e das crassas dificuldades que cada um experimenta só em sobreviver em Portugal. Portanto não concebo as nossas grandes cidades alhearem-se de um apoio muito concreto e inteligente a idosos sós tal como a famílias com baixos rendimentos. Um município rico pode e deve ser um município da gratuitidade em domínios absolutamente incontornáveis no plano social, ensino e saúde, e mesmo no combate ao desemprego pelo desbloquear de um reabilitação urbana acelerada especialmente nos centros históricos, onde a atenção dos turistas se concentra e onde geralmente mais se dispõem a consumir. Não se trata de mais emprego autárquico, de mais empresas municipais. Trata-se de não andar a passo de caracol na revolução da malha urbana dos centros históricos de Porto, Lisboa ou Coimbra, por exemplo. Entretanto, os cortes apresentam-se-nos no horizonte como inescapáveis para fazer face às nossas necessidades de financiamento de curto, médio e longo prazos. Para garantir mais dinheiro, o Estado Português, nós, dependemos ou de mais impostos ou de mais supressões de despesas fixas. Não há volta a dar: qualquer família em que ambos os cônjuges ficaram desempregados sabe como regressar a um módico de equilíbrio financeiro doméstico, com que privações e com que dores, até voltar a levantar a cabeça. Desde logo, mediante um fundo de meneio diligentemente alimentado e irrenunciável. O Estado Português terá de comparecer de testa alta, credível, digno de confiança, junto de quem nos empresta dinheiro, amortizando o máximo de dívida possível, como há dois dias, coisa que se repercutirá na confiabilidade para toda a espécie de novos investimentos provenientes do exterior. Um Estado Dubitativo, Hesitabundo, em crise quanto ao caminho a seguir por um significativo desafogo das nossas contas, não atrai dinheiro, nem inspira confiança. Acabou o investir em estradas? Invista-se nas ideias, nos negócios inovadores com margem de progressão planetária. Não há futuro sem a obtenção do respeito do credor pois as intervenções troykistas só se dão em Países comidos de corrupção, com décadas de descontrolo legífero e hábitos manhosos de indisciplina orçamental a fim de satisfazer os estômagos estabelecidos dos mesmos que, segundo Paulo Morais, fazem do Parlamento a sofisticada plataforma de negócios que em nada interessam aos cidadãos, caos cultivado e acalentado pelos vampiros habituais dos orçamentos, basicamente um conluio entre banqueiros sem escrúpulos, políticos sem escrúpulos e construtoras sem escrúpulos, todos eles bem na vida, todos eles com um tipo de sucesso pessoal que esmaga milhões e os condena, todos eles com bom fato e gravata e o dinheiro como ídolo e finalidade religiosos. Confio inteiramente no futuro em Portugal, mau grado os sinais depressivos e os riscos e terrores de falhar, mas é preciso que o PS deixe de vender ilusões e demagogias, para crescer em credibilidade e merecer o respeito que não merece de todo; é urgente que os partidos de Esquerda, abanando-se com o grande leque do Verbo Rebuscado e a perpétua Indignação profissional por tudo e por nada, abandonem a retórica ultrapessimista, amarga e sem esperança, em completo desuso nos países mais prósperos. Não é com doses cavalares de depressão e de petrificação mental, não é com um estado psíquico raivoso, insultuoso, mais insatisfeito que uma mulher mal-amada, frustrada aquém-orgasmo, que se dá a volta ao Pato Feio de Perversão made by Troyka, Pacto criado e atraído por quem perverteu a Política, por quem sujou as mãos com negócios, negociatas, fretes e fellatios, bons para a Banca, bons para as Construtoras, excelentes para as MegaFirmas de Advogados, e que se revelaram horror para nós, desgraça para nós, condenação e vexação para nós. É preciso rejeitar a Mentira, a Impunidade, e as narrativas mariquescas de auto-absolvição desavergonhada 2005-2011.

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publicado às 13:18







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