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Como tantas outras instituições deste país desgovernado, a Cinemateca também faz parte da idiossincrasia nacional de falências e reis na barriga. A instituição que se encontra com a corda no pescoço tem a obrigação de analisar os fundamentos da sua demise. Muitas das razões que explicam a aflição destes poisos de intelectualidade são endémicas, fazem parte da casa, dos seus modos e do costume enraízado na cultura portuguesa que determina que estas instituições devem ser dirigidas por pensadores e letrados que não percebem patavina de gestão das artes, e que por essa razão se fecham em copas. Vem a propósito este post porque em 2007 estabeleci uma ligação fugaz e infrutífera com a Cinemateca e pude confirmar a sua fraca receptividade a parcerias e novas abordagens. Na qualidade de membro da direcção da Sociedade Hípica Portuguesa, entrei em contacto com Bénard da Costa no sentido de se organizar um ciclo (ia dizer festival, mas eles não gostam do termo, faz lembrar feira) dedicado ao tema "o cavalo e o cinema". Na minha proposta enviada por e-mail concedia toda a superioridade à pessoa de João Bénard da Costa. Seria a Cinemateca a única instituição capaz de definir um conceito profundo alusivo a essa relação especial entre o cinema e o equino. Aliás, o cinema - a captação do movimento -, quase que nasce com o cavalo. Desde a infância do cinema o cavalo tem sido uma constante na malha de narrativas, dramas e comédias. Francis Ford Coppola produziu esse filme estético que serve de referência ao simbolismo clássico vertido para os tempos modernos, para uma nova linguagem - "o Cavalo Negro". Enfim, poderia discorrer sobre outros diaporamos que envolvem Bucéfalo, Alexandre o Grande, My Friend Flicka ou o lendário Secretariat, mas penso que já perceberam a riqueza da minha proposta temática. Refiro-me também a épicos literários que antecedem em muitos casos o próprio advento do cinema, e, nessa medida, o projecto seria uma síntese de distintas disciplinas. O ciclo de cinema que propunha aconteceria nos campos do Jockey Clube, no Campo Grande, ao ar livre com o amparo de um anfiteatro, uma bela bancada a lembrar a Belle Époque. Os filmes seriam sempre antecedidos por uma curta exposição sobre as implicações estéticas ou culturais do visionamento, e seguidos por um período de debate aberto ao público. O casamento entre as duas modalidades não poderia ser mais perfeito. A Sociedade Hípica Portuguesa também tem a sua história de glória e lendas (medalhas olímpicas entre outras) e conta com mais de 100 anos de existência, e foi sempre receptiva a tantas iniciativas excêntricas. No entanto, e apesar do meu entusiasmo, a resposta não tardou em chegar. Bénard da Costa foi categórico:"não cedemos material a terceiros". Para meu espanto, sempre o havia tido como um homem de cultura, capaz de se aventurar em novos ângulos de apreciação de um mesmo espólio de natureza eminentemente dinâmica. Mas não foi esse o caso. A resposta foi intencionalmente concebida para afastar, de uma vez e por todas, quaisquer incursões que pudessem colidir com a missão conservadora da Cinemateca, ou melhor, a sua mentalidade conservadora. Este episódio, sem grande utilidade, serve apenas para demonstrar que uma nova atitude (cultura) deve ser desenvolvida para tirar as elites do atavismo que as define, da sobranceria que não serve o interesse cultural nacional. Tenho imensa pena que não se tenha feito lumiere na cabeça do então director da casa magnânima do cinema. Perdemos todos; os leigos, o cinema e os cavalos.
E poderia deixar de sê-lo? É bem conhecido o concubinato entre os agentes políticos e as empresas que têm o Estado como torneira de dinheiro. A deputada do PS* está indignada e quer ter acesso à papelada. Curiosa insistência esta, pois a todos parece que tal se tratará apenas de mais uma daquelas cortnas de fumo em que a partidocracia se tornou perita.
Pedem os papéis porque conhecem bem os meandros da sua destruição. Esses documentos, a terem sido miraculosamente guardados em cópias "pelo sim pelo não" feitas por um funcionário consciencioso, talvez nos trouxessem mais umas tantas surpresas do estilo a que o mesmíssimo PS nos habituou.
Mais um caso enche-horário do Jornal da Uma.
* O link aqui deixado estava correcto, mas o artigo desapareceu misteriosamente. O Público retirou-o, vá-se lá saber porquê.
Hollande ser premiado com o Nobel da Paz. O président merece-o.
Pois é, caríssimos leitores. Pelos vistos, os juízes veraneantes vão abrir as mui delicadas bocarras. Preparem os vossos assentos.
A reconstrução do magnífico Palácio Imperial - Stadtschloss Berlin -, custará 590 milhões de Euro aos contribuintes e mecenas alemães. Aquela zona da capital da Alemanha recuperará assim a coerência arquitectónica e a memória histórica deliberada e criminosamente destruída pelos senhores do SED. Gostaríamos de saber qual será o preço final do inacreditável mamarracho da PJ - cuja licença de construção foi passada pelo sr. Costa da CML - que está a erguer-se em plena Praça José Fontana. Poderá alguém esclarecer-nos?
Se António José Seguro afirma categoricamente que recusará qualquer aproveitamento político das consequências do flagelo dos incêndios, poderemos deduzir, por exclusão de partes, que outras matérias podem, devem e serão aproveitadas ao máximo. Parece-me patético que o lider socialista tenha de fazer este anúncio de índole moralista. Repito: recusará. O que significa isto? Que outros lhe trarão sobre uma bandeja a cabeça do aproveitamento político, e que ele dirá, algo irritado; não senhor! não aprecio, mande de volta! Ao apresentar-se como herói da deontologia republicana já se está a aproveitar da situação. O prospectivo candidato a "não se sabe bem o quê" está a inteirar-se sobre a situação e a recolher mais informações. Será que recolher mais informações significa revelar os contornos de contratos milionários respeitantes à utilização de meios aéreos? Cuidado, caro Seguro. Veja lá, se esgravata muito, ainda encontra entre as cinzas a mão rosa na adjudicação e selecção de meios de combate a incêndios. Afirma que será firme no apuramento de responsabilidades. Estou a ver que Seguro quer imitar o Tribunal de Contas e não ceder um milímetro àqueles que querem torcer o rabo à porca. Regressando à questão dos aproveitamentos, reciclagens e eco-pontos políticos, gostaria de saber que temas podem servir de arma de arremesso? Que temas podem ser surripiados à má fila para benefício partidário? Ora vejamos o que pode saltar de um campo para o seguinte para além da bola, do futebol. O que pode ser furtado sem sentido de nojo ou humildade? A guerra na Síria? Não me parece. Fica muito longe. O desemprego? Não. Isso já ele fez. Poderia continuar a dar mais exemplos, mas penso que basta para dar a ideia do absurdo deste soldado perdido no campo de batalha político. Será que ainda não aprendeu, depois de tantos anos de estágio, que a política é como a roupa velha da cozinha? A política vive do reaquecimento e aproveitamento das deixas, dos restos dos outros. Eu sei o que ele quer dizer, em respeito pelas famílias enlutadas que perderam entes queridos neste desastre nacional, mas dito desse modo, parece conversa de um grande sonso. Mais valia que fosse dar um abraço honesto aos sobreviventes e se deixasse de conversa da treta.
Luís Filipe I, por H. Daumier
Bem a propósito deste post do Samuel, de imediato sobram-nos recordações de leituras acerca da genialidade de pintores que como Goya, tão bem souberam estampar as grandezas e misérias dos poderosos. O monumental quadro "A Família de Carlos IV", tem sido alvo do interesse de todo o tipo de curiosos pela psique e fisionomia do bicho homem, desdobrando-se os críticos em considerações pouco elogiosas para com os membros da Casa de Bourbon, invariavelmente tombando na velha e praticamente exclusiva pecha da consanguinidade e respectivos nefastos efeitos. Por vezes os textos transpiram eugenismo, lombrosianismo e outros ismos que durante todo o século XX conduziriam a toda uma série de magnicídios de difícil assunção por parte dos estrénuos partisans da modernidade, justiça e equidade, enfim, daquele progresso aparentemente garantido como inevitável, mas sempre acompanhado por condimentos daquele sórdido pendor pró-selvagem que jamais deixou o Homo sapiens.
O adular das massas amorfas, entendidas sempre pelas privilegiadas cabeças pensantes como avessas a qualquer resquício de grandeza - seja ela física, moral ou material -, impôs a canga do permanente escárnio de quem não conforma o modelo idealizado. Assim, sempre existiram e existirão Honorés Daumiers, Goyas ou Bordallos Pinheiros ansiosos pelo elevar à condição de arte suprema, o denegrir de personalidades consideradas odientas, elimináveis. Nem sempre coube ao pincel, ao escopro e martelo ou à pena que risca papéis com tinta da China, a missão da destruição de reputações. Sem voltarmos a tecer quaisquer considerações acerca da intencional criminalização de D. Carlos I por Junqueiro, há que recordar as violentas diatribes que um dia V. Hugo fez tombar sobre a memória daquele que talvez tenha sido o maior estadista francês pós-Napoleão I, precisamente o seu bem esclarecido sobrinho Luís Napoleão Bonaparte (III).
Todos nós possuímos fotos que gostamos de mostrar e outras que por mero acidente decidido pela oportunidade de um esquecimento, para sempre ficarão num envelope no fundo da gaveta.
Não sendo aquilo a que vulgarmente se designa de "uma beleza de hortaliça", Hollande é dono e senhor de uma grande quantidade de testemunhos fotográficos, nalguns surgindo de uma forma aceitável - aquele homem sans aucun intérêt que faz parte da imensa maioria dos mortais - e outras que foram captadas num mau momento que o artista por detrás da câmara, gulosamente registou. Uma má foto, forçosamente não representa um imbecil, talvez se trate apenas d'un bon à rien.
O problema estará então na intencionalidade de quem não recorrendo aos rolos fotográficos ou às benesses tecnológicas do digital, procura exprimir numa tela aquilo que vê, sente ou presente numa dita personalidade que a muitos ou a quase todos interessa.
Entre nós e felizmente ainda vivos e activos nos seus misteres, Júlio Pomar e Paula Rego deixaram à posteridade as suas percepções acerca de geniais e quase sacrossantos vultos que têm pontificado este regime de prometidas oportunidades de igualitarismo e progresso imorredouro. Não poderemos garantir seja o que for quanto a um rebuço de maldade, escárnio, afincado estudo psicológico ou mensagem enviada aos vindouros pelos dois pintores contemporâneos. Serão Mário Soares e Jorge Sampaio aquilo que as duas telas, goyesca, ostensiva e escandalosamente exibem?
Se para alguns a resposta for afirmativa, então nem sequer precisará alguém de gritar ...o Rei vai nu!
Se há coisa que abunda em Portugal, são as sedes locais dos partidos políticos. Edifícios com arquitectura de traça antiga, em ruína ou não, ou escritórios que ocupam um piso de um prédio recente onde abunda alumínio acastanhado. Não sei qual o volume do património predial dos partidos, mas não deve ser coisa pequena. Nem vou mencionar as sedes temporárias de candidaturas ao poder, às eleições, sejam autárquicas ou de outra natureza. Não vou por esse caminho de saber se a cedência de espaços foi feita por amor à camisola pelo patrão imobiliário da terra ou se o mês do inquilino irá ser pago de outra maneira, com calma quando chegares ao posto. Não vale a pena esgravatar nessa agência que decerto haverá belas histórias para contar sobre aluguéis pagos em género ou espécie, no dia em que os compadres chegam ao poder. Quanto ao IMI, é mais que acertado que os partidos políticos paguem esse imposto. Não vejo razão para que as residências ideológicas sejam dispensadas desse ónus. Não sei nem me interessa que nos Ratos, nos Caetanos, nos Caldas ou nas Liberdades os ocupantes não se sirvam dos espaços para fins residenciais (embora muitas vezes utilizem a sede para dormir politicamente). A inclinação política ou a paixão ideológica não pode servir de pretexto para eximir algumas personalidades jurídicas das suas responsabilidades contributivas. Dirão alguns que o facilitismo tributário é para estimular o gosto pela causa pública, pela discussão cívica em prol da sociedade, para garantir a participação política. Causa pública uma ova - vejam-se os resultados das últimas três décadas de invocação do superior interesse e do bem colectivo. Qualquer terriola de Portugal tem sempre uma Rua 25 de Abril, e, ao virar da esquina, ou na própria rua revolucionária, lá estão as cores e o emblema do partido tatuados na fachada de cal branca. A haver uma bandeira, geralmente essa já perdeu a cor original e às vezes vê-se que foi traçada pelo bicho do vento que não perdoa, que não aprecia a basófia gratuíta que sai das janelas do grémio ideológico, das bocas desses lideres. Qualquer dia, já que existe essa lacuna na lei, o T3 de uma família desempregada se transforma em secção partidária para chupar essa vantagem do tutano fiscal - para aproveitar o perdão do IMI, com cozinha e casa de banho, para os militantes em regime de estadia de longa duração. Não sabe o governo onde ir buscar o graveto que a Troika exige? Façam-se à estrada com uma roulotte das finanças, montem o acampamento e efectuem o levantamento das sedes e secções dos partidos que se encontram em cascos de rolha e além-mar. E façam as contas, mas façam as contas como deve ser. Apliquem a coima retroactivamente (com juros acrescidos, naturalmente) e ponham os partidos a pagar a conta também.
Corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta... já que não podes matá-lo. O Uncle Joe é que era esperto. Além de mandar "cortar", fazia-os desaparecer.
Publicando aquilo que todos há muito desconfiavam, o Washington Times proporcionou no passado mês de Maio, uma airosa saída ao apressado pacifista Obama e respectivo ácaro Hollande. Melhor ainda, os democratas falcões poderão exercitar os seus artefactos aéreos, procedendo a ataques cirúrgicos às concentrações de "rebeldes" usuários de gases, essas armas químicas que indignam o planeta.
* Terão sido os dois presidentes atacados com gás sarin? Pelos sintomas que têm exibido diante do mundo, parece-nos que sim: olhos lacrimejantes (Hollande), pupilas diminuídas (Hollande), sudação excessiva (Hollande e Obama), confusão (Hollande e Obama), fraqueza (Hollande e Obama). Quanto às dores de cabeça, diarreia, copioso urinar e outros sintomas embaraçosos, nada poderemos dizer.
Embora haja muito boa gente que queira fazer a apologia do lindo Agosto, afastando as nuvens da meteorologia e das camas vazias de hotel, a verdade é que a ressaca da inconsciência far-se-á sentir, já se faz sentir. O turismo, condecorado como uma vaca sagrada, tratado como o antídoto para os males económicos, pelos vistos não foi suficiente para alterar a percepção que o mercado tem da economia nacional. Foi tudo de férias sem excepção - governantes e desgovernados -, o tempo quente e a toalha de praia, uma maravilha para fazer esquecer a descida, a ida ao tapete. A taxa de ocupação dos aparthóteis algarvios a rebentar com a escala. Os incêndios? Isso é lá para o norte, tudo tranquilo aqui com a mini - lê-se no Correio da Manhã debaixo da sombrinha do Continente na cadeira de campanha que a Maria trouxe às costas do carro mal estacionado no lugar do ausente, deficiente. Deixe lá que a GNR não tem combustível para o Rover que está à porta da farmácia já faz dois meses. Na caixa do correio por daqui a alguns dias os picotados das notificações; IMI, Esgotos e Saneamento Básico, e depois, à falta de memória, o IUC. Sem esquecer a inscrição dos miúdos na escola e o raio daquele seguro obrigatório para o carro e a casa. As férias? Vou tê-las a bem ou a mal. O direito ao descanso está consagrado na Constituição. Se está escrito é porque é verdade.
É preciso enterrar el-Coelho
é preciso dizer a toda a gente
que o empassado já não pode vir.
É preciso quebrar na ideia e no governo
a troika fantástica e doente
que alguém trouxe numa legislatura
Eu digo que está em marte.
Não deixai em paz el-primeiro Passos
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair do ponto
temos aqui à mão Seguro e a terra da aventura.
Vós que trazeis por dentro de cada gesto autárquico
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do eleitor
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-Coelho redentor
Quem vai tocar a rebate os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um cunhal por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-Passos vingador
(variação do poema de Manuel Alegre - Abaixo el-rei Sebastião)
Mr. Brown, A casta sagrada:
«Segundo alguns, o PR tem qualidade duvidosa. A Presidente da AR tem qualidade duvidosa. O PM nem tem qualidade duvidosa, pura e simplesmente não tem qualidade. O Seguro tem qualidade duvidosa. Os deputados, grosso modo, são de qualidade duvidosa. A maior parte dos que exercem cargos de nomeação política são de qualidade duvidosa. No entanto, os juízes do Tribunal Constitucional, escolhidos pelos deputados de qualidade duvidosa, são de uma qualidade suprema que os deixa imunes à crítica e que nos deve deixar plenamente tranquilos quanto à qualidade das decisões que tomam.»
Tim Stanley, Conservatives: don't despair of our corrupted, decadent age. Write about it:
«Again, I cannot agree. Suicide is a nihilistic act that communicates not art but despair. But, again, as an Englishman and a Catholic I do share Mishima's instinctive dislike of all things contemporary. At times, it's like living in the ruins of a once great culture. All around you are the bare bones of a civilisation – the cathedrals, the municipal buildings, the art collections, the piers, the hotels, and the palaces. But the heart beats no more and the breath of life is gone.
In the words of Joe Orton, "Cleanse my heart … let me rage correctly." So what do I rage against? I hate our economic system that speculates on people as if they were cattle in a market. I hate modern art that swaps form for dead sharks; and modern music that exchanges harmony for noise. I hate our Conservative Party that preserves nothing and our Left that would destroy everything. I hate religious leaders who think that God is found "in the spaces" and that worship is therapy. I hate our pornographic culture, our tasteless battery foods, and our TV that treats adults like children and children like adults. I hate our obsession with irony, as if a shrug of the shoulders is cleverer than serious inquiry. I hate the death of chivalry, manners and the doffed hats. I hate our promotion of sex over romance – today's Brief Encounters are very different things. I hate the eradication of guilt and shame, very useful concepts that hold us back from indulgence. I hate the populism that passes for patriotism. I hate our obsession with youth, as if life ends after 30 (I'm 31). And most of all, I hate the new series of Doctor Who. It's the Death of the West in a nutshell.»
Que Deus nos proteja!
Nesta questão não estão em causa bacocas reivindicações imperiais, mas tão só os comezinhos direitos económicos que em virtude da passagem dos séculos e do desenvolvimento humano, subitamente se tornaram relevantes. Se a isto adicionarmos o habitual recurso espanhol na descoberta de conflitos que distraiam as atenções internas em momentos de crise, o cenário fica completo. Há poucos anos, Espanha tomou muito a sério a questão de Perejil, um minúsculo rochedo nas imediações do Estreito de Gibraltar. Ora, sendo as Selvagens de uma dimensão que comparativamente à rocha espano-berbere, mais se parecerão um "império oriental", o argumento torna-se fantástico.
Os espanhóis clamam pelo facto consumado de Gibraltar, desdenhando completamente da vontade da população da possessão britânica. Em simultâneo, fazem-se esquecidos pelo também facto consumado da ocupação de Olivença, mas quando se dignam a qualquer tipo de argumento, este é sempre o da actual "vontade popular" da antiga vila alentejana.
Ajudemos Madrid a compreender melhor a situação que tem diante dos olhos, sem que, contudo, consiga lobrigá-la. Para que tal aconteça, deveremos contar com o bom senso de Sua Majestade o Rei João Carlos I, o homem indicado para aconselhar os seus ministros - sejam eles do PP u do PSOE - a respeito de tudo a quanto respeite a Portugal e aos portugueses.
Do outro lado do Estreito, os espanhóis têm dois barris de pólvora cujos rastilhos podem ser incendiados por um Marrocos cuja evolução política é ainda imprevisível. Ceuta e Melilha - onde ainda vinga a "vontade popular" que Espanha contesta à gente de Gibraltar - tornar-se-ão num perigoso quebra-cabeças sem resolução possível, radicalizando-se os nacionalismos de ambos os contendores. Portugal deverá então apoiar os espanhóis, quanto a isso não parece haver qualquer hipótese de dúvida. No entanto, há que tornar bem clara a nossa posição quanto aos direitos e soberania - que já é antiga, anterior à formação do Estado espanhol - sobre as Selvagens e respectivas águas que o direito internacional hoje nos reconhece.
Para já, temos um problema urgente a resolver e este consiste na sempiterna resistência a tudo aquilo que diga respeito à Defesa Nacional. Neste campo, se tivéssemos uma situação idêntica ou aproximada à das F.A. gregas, existiria um argumento muito persuasivo que facilitaria o trabalho do ministro Rui Machete, evitando-nos esta espécie de mini Mapa Cor de Rosa que agora enfrentamos. Não tardará muito até surgir um outro problema muito complexo e perigoso. Situado mais a ocidente, está quase no meio do Atlântico, entre Portugal e os Estados Unidos da América.