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Gostem ou não gostem...

por Nuno Castelo-Branco, em 21.11.13

...uma Monarquia sempre é uma Monarquia. Para variarmos um pouco desta vulgaridade que se chama república portuguesa, uma bonita Senhora numa decente cerimónia. Para que aprendam. 

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publicado às 19:26

Um contributo insulso

por João Pinto Bastos, em 21.11.13

Custa-me a compreender o porquê de Rui Moreira dar a sua caução à espargata da Aula Magna. Mais: é estranhíssimo que alguém como Rui Moreira, eleito sob o pressuposto de ser imune aos vícios da partidarite aguda, venha, agora, participar em iniciativas povoadas por "notabilidades" que vivem do dinheiro alheio. Por isso, lamento, muito sinceramente, que o Presidente da Câmara Municipal do Porto, no qual, aliás, votei, se envolva, desta forma, em iniciativas decrépitas, que obedecem, sobretudo, a agendas histriónicas. Lamento e verbero.

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publicado às 17:56

A piada do dia

por Samuel de Paiva Pires, em 21.11.13

Pedro Silva Pereira:

 

«Acontece que isso é absolutamente falso: ao longo dos seis anos em que fui ministro da Presidência, nem eu, nem o meu Gabinete, tivemos qualquer ligação com o blogue Câmara Corporativa. Aliás, posso garantir que só já quase no final do Governo é que vim a saber quem era o autor desse blogue e apenas porque um senhor me encontrou num supermercado e me veio dizer: 'Eu é que sou o Miguel Abrantes, do blogue Câmara Corporativa'. Não sabia quem era, não o conhecia e nunca o tinha visto antes.»

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publicado às 16:56

Hibernação selectiva

por Fernando Melro dos Santos, em 21.11.13

Ficai-vos até passar o Inverno. 

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publicado às 16:39

Siegfried

por João Pinto Bastos, em 21.11.13

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publicado às 15:12

Fixem, por favor, estes nomes

por João Pinto Bastos, em 21.11.13

António Capucho, Diogo Freitas do Amaral, e José Pacheco Pereira. É sempre bom e reconfortante mencionar os nomes dos recém-convertidos à fé constitucionaleira. 

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publicado às 15:07

E quando muitos outros vêem nesta o obstáculo principal ao progresso do país, vale a pena lembrar um post sempre actual do Dragão:

 

«Conseguem imaginar? E já agora, imaginem também a mesma choldra mascarada de povo, entre eleiçados e eleiçores (representação, babam eles), que se entregou a todos os desregramentos, que converteu todas as leis e códigos legais numa nova espécie de papel higiénico regimental, que se marimbou para quaisquer regras milenares do civismo, vá lá, só mais um pequenino esforço, e tentem imaginar toda essa ciganagem cheia de inibições com a Constituição. A cultivar traumas e stresses...fobias angustiantes... O Código Penal não os inibe; as próprias leis da natureza não os inibem, o Diário da República funciona por conta, balcão, recreio e encomenda. Mas a Constituição inibe-os, coitadinhos. Revista e descafeinada, podada e recauchutada, ainda os inibe. Demove-os. Causa-lhes aquela disfunção eréctil mental em que vivem diante da realidade. Com a inteligenciazinha mirrada, a moral descartável e a coluna vertebral gasosa, assistindo, frustes e gelatinados, às contínuas violentações socialistas. A constituição é que não os deixa, é que os impede, é que os obriga a ficar assim, hirtos, meros portadores dum acessório inútil, triste, pendente.. Todavia, uma gaitita mágica, fadada misteriosamente, intimamente agregada ao futuro da nacinha. Este só se endireitará quando eles endireitarem aquela. Mas primeiro, detalhe crucial, condição sine qua qua, há que lhes tirar a Constituição da frente. Porque então, então sim, livres dessa maldicinha, a realidade vai ver e, sobretudo, eles vão conseguir ver e encarar a realidade.Sem complexos. E a economia vai trepar nos gráficos à medida e ao ritmo com que a sapiência protuberante for capaz de lhes trepar na barriga, à conquista do umbigo. E ninguém duvide: no mínimo, será vertiginoso!...»

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publicado às 13:04

Senilidades...

por Cristina Ribeiro, em 21.11.13

Acabo de ouvir - de passagem, porque não me peçam para assistir a tanta imbecilidade! - uma amostra mais da decrepitude daquele a quem alguém convenceu ser o patriarca do Portugal " melhor " (???!!!!!). Não haver quem enfie naquela cabeça senil do Bochechas que  foi ele quem deu o pontapé de saída no longo processo que viria, fatalmente, a culminar no desespero de que só agora se dá conta.

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publicado às 11:44

Os desaparecimentos de Soares

por John Wolf, em 21.11.13

 

Há alguns anos (não me recordo exactamente quantos) era um pouco mais ingénuo do que sou hoje e até achava piada a Mário Soares. Lembro-me daquele episódio caricato ocorrido no contexto de uma excursão presidencial a bordo de uma camioneta (estariam a caminho de uma terreola qualquer ou a inaugurar o próprio asfalto) quando o então presidente, incomodado pela escolta de batedores da brigada de trânsito, literalmente ordenava ao militar para que desaparecesse do local (veja o clip). À época (1993) os portugueses interpretaram a atitude de Soares como uma expressão de proximidade dos modos do povo, dos chavões empregues pela simples peixeira ou o trolha já tocado pelo tintol. Mas, bem vistas as coisas, afinal aquela atitude de "eu é que mando", revelava alguns indícios de altivez que as pessoas deixaram passar em nome do socialismo saudável. Passados vinte anos sobre esse desejo ditatorial pouco mudou no carácter de Mário Soares. Bastar-nos-ia substituir o polícia enxovalhado à frente das televisões nacionais e colocar em cena Cavaco Silva a quem ele deu ordens de demissão. Acontece que, em nome da coerência histórica, Mário Soares também deveria ser demitido retrospectivamente. A máquina do tempo político deveria poder ser atrasada para relembrar as responsabilidades de Soares no processo conducente ao descalabro nacional. Nem vou entrar pelo caminho das polémicas e das ligações a Angola, ou a amizade especial que nutria pelo grande Mobutu. Não vou repescar expressões proferidas ao abrigo da ajuda externa recebida sob a sua batuta ("Portugal viveu acima das suas possibilidades" - mais coisa menos coisa). Vou me deixar ficar pela operação de trânsito intestinal, o indigesto que o país deve mascar, os despropositados de um político fora do prazo de validade com ambições de eternidade ideológica. Uma outra curiosidade extraída deste almanaque de bizarrias e coincidências atípicas, relaciona-se com o vaticinado por Soares à beira da autoestrada. Quando ele pediu ao brigadeiro de trânsito para que este desaparecesse, o seu desejo quase que se tornou realidade volvidas duas décadas. Pela primeira vez na história política contemporânea de Portugal, uma manifestação de "todas" as polícias e forças de segurança está em curso precisamente para evitar o perigo do seu desaparecimento. As condições miseráveis de operacionalidade em que se encontram para o cumprimento das suas missões justifica plenamente o seu protesto. E é algo que já vem de longe. Não sei se Soares já sabia o que estava para vir ou se teria sido um simples delírio de comandante supremo. Mas Soares não dá tréguas. Ainda quer dar reguadas e pisar o magno palco da política em Portugal.

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publicado às 09:38

O senhor Soares anda mortinho por umas valentes chumbadas a desferir sobre as actuais autoridades nacionais. Dizendo querer evitá-las, tenta fazer dos espectadores uma multidão de parvos, pois na verdade aquilo que fica nos ouvidos de todos, é o exclusivo apelo à violência. Ontem à noite continuou à cata de um Buíça, enquanto também sibilinamente sugeria um golpe de Estado, mencionando os tais militares e polícias que sabemos desde sempre ter odiado mortalmente. Para já, conseguiu marcelizar a iniciativa, reunindo uma Brigada do Reumático que nada fica a dever àquela que anunciou a queda do anterior regime. Só lhe falta "alpoinizar-se" e subsidiar a compra de umas tantas pistolas. Parabéns!

 

Vai reunir uns tantos beneficiários do esquema vigente e desde já se vislumbra a hipótese de sair algo de novo e sumamente positivo para a imagem de uma classe política até agora sem remédio:

 

- Soares prescindirá da sua alegada reforma vitalícia de ex-presidente. Soares resignará da alegada contribuição estatal para o pagamento do seu gabinete na própria Fundação de seu nome. Soares passará a pagar do seu bolso as suas alegadas multas de trânsito. Soares prescindirá dos alegados catorze polícias de sentinela às suas propriedades. Soares aconselhará a sua Fundação e a de sua mulher a não receberem nem mais um alegado tostão dos contribuintes. Soares entregará a alegada viatura e o alegado chauffeur do Estado e melhor ainda, comprará ele próprio um VW Passat, ajudando a produção nacional. 

 

Soares passará a viver dos seus próprios e alegados rendimentos, do alegadamente seu Colégio Moderno e melhor ainda, obrigará os restantes companheiros de luta a fazerem o mesmo. Portugal ficar-lhe-á eternamente agradecido. 

 

 

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publicado às 09:36

Portugal tem vindo a ser delapidado em consequência da política de austeridade imposta pela Troika. Todos os sectores da sociedade sentem na pele os cortes. Uns mais profundos, outros à flor da pele, mas deixando à mesma cicatrizes duradouras. À medida que o Estado falha nos compromissos para com a sociedade, e o governo interpreta a realidade de uma modo contrário aos interesses da população, alguns efeitos de substituição ocorrem por iniciativa privada. O talento e as competências de uma nação se não são aproveitados pelas estruturas locais, outros saberão acarinhar projectos que merecem ter um alcance global. Enquanto alguns atacam indiscriminadamente as conquistas do capitalismo, outros entenderão que as receitas obtidas através do mercado aberto, podem e devem ser reinvestidas na sociedade civil. A fundação Bill & Melinda Gates apenas existe porque um bilionário eticamente movido decidiu partilhar o seu espólio com o resto do mundo. A Esquerda que sonha com um mundo sem capital, sem mais-valias e com igualdade utópica, tem, nestas ocasiões de engolir em seco e aceitar os cheques que falam por si. A investigação levada a cabo por uma "dream team" portuguesa para desenvolver uma vacina contra a malária, acaba de receber um cheque de um milhão de dólares da fundação do "inventor" da Microsoft. Provavelmente sem este financiamento os trabalhos correriam o risco de ser arrestados. O Instituto de Medicina Molecular faz parte da matriz da ciência que deve ser cega perante a carga ideológica do dinheiro. Portugal que está em sérias dificuldades económicas e sociais, demonstra que tem gente ao mais alto nível com trabalho de excelência desenvolvido em nome da humanidade. Sei que este país tem mais equipas sensacionais que se excedem em tantos campos de saber e prestígio. É neste campeonato que Portugal deve apostar, e se não o conseguir fazer, deve agradecer ao "capitalista ganancioso e especulador" que investiu sem reservas um bom punhado de dólares. Gostava de ver a Esquerda praticar esta religião capitalista de partilha antes de se pôr a contestar os malefícios do tabaco.

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publicado às 20:51

Sugestão a António Costa

por Nuno Castelo-Branco, em 20.11.13

 

Deixando paladares salgados e espíritos nada santos, aqui se serve uma sugestão para mais uma iniciativa camarária.

 

Uma vez que a CML julga "necessária" a construção de mais um centro comercial/escritórios em plena Baixa, deveria deitar a mão ao edifício onde um dia funcionou o chamado Centro Comercial Guérin. O prédio parece estar devoluto, existindo espaço para esse terciário que tanto obceca as luminárias capitaleiras. Mais ainda, possui um bom espaço à disposição para nele se instalarem as griffes que por estes tempos se digladiam por um cantinho na Avenida da Liberdade. De uma assentada ficaremos então com dois problemas resolvidos...

 

 ... e o Odeon poderá então sobreviver. 

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publicado às 12:51

Hat-troika de Cristiano Ronaldo

por John Wolf, em 19.11.13

A presença de Portugal no mundial de futebol que se disputa no Brasil em 2014 é mais do que simples bola. A participação no campeonato do mundo é coisa que agrada simultaneamente ao governo e ao povo. Nos últimos tempos raras têm sido as vezes em que o governo e os desempregados partilham os mesmos gostos. Mas atenção, vêem a bola de modos distintos. Se por um lado o espectáculo serve para levantar o ânimo de um país carente de um foco de inspiração, de uma vela de santuário, por outro lado o governo terá algo para distrair os mais incautos de planos políticos gizados para o território nacional. O timing não poderia ser melhor. A probabilidade da aplicação de um programa cautelar acaba de aumentar com o apuramento de Portugal. Cristiano Ronaldo, sem o querer ou saber, acaba de dar uma ajudinha à Troika que pode aproveitar a boa onda para avançar com mais medidas extremas ou revalidar a sua presença quando terminar o seu contrato em Junho. O que Cristiano Ronaldo fez em campo é verdadeiramente notável e transforma-o numa espécie de santo padroeiro do sucesso, num altar móvel de esperança, mas os três golos do madeirense também são um hat-troika oferecido aos senhores da gleba. Temo que este prémio, mais que merecido pela equipa nacional e pelo país, seja aproveitado para fins diversos, enquanto o povo samba e sorve a caipirinha.

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publicado às 22:02

Cristiano Ronaldo

por Nuno Castelo-Branco, em 19.11.13

Hoje é um dia em que aqui se abre a excepção: parabéns a toda a equipa e eis a boa, única resposta que CRonaldo poderia dar. Bem merecem viajar até ao Brasil.

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publicado às 22:01

Viagens na minha Terra.

por Cristina Ribeiro, em 19.11.13


- O castelo? é na Atalaia! respondeu a senhora, muito sorridente, quando lhe perguntámos. E indicou-nos o local. Um monte sobranceiro à povoação de Vimioso.

Para lá nos dirigimos, mas de castelo não havia vestígio; apenas uma torre, que nos pareceu mais um ponto de vigia, dominando toda a região serrana.

Impressão que nos foi confirmada logo a seguir por um outro transeunte: o castelo fora totalmente destruído pelos espanhóis, no século XVIII.  No local, árvores apenas. 

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publicado às 18:18

António Costa "alegadamente" manda destruir o Odeon

por Nuno Castelo-Branco, em 19.11.13

 

Segundo informação que corre no site Forum Cidadania LX no facebook, a CML vai mesmo autorizar a demolição do Odeon. Pouco importa o belo palco, o tecto de madeira do Brasil, a iluminação de neon importada da Alemanha nos anos 30. Tal como a escória mandante nos tem habituado - poupar adjectivos para quê? -, ficará a fachada e o interior receberá um parque de estacionamento, um centro comercial a juntar-se a dúzias de outros - os vergonhosos Paladium e ex-Guérin ali tão perto - e "serviços", nome de disfarce para escritórios, numa cidade que conta com dezenas de edifícios destinados a esse fim e que se encontram totalmente devolutos. 

A dupla Costa & Salgado com umas rosetas de permeio, eis a perfeita réplica do terramoto de 1755. Neste país tudo se pode fazer, desde que à lapela esteja um emblemazinho correcto.  A santificação é garantida, valendo mais que mil indulgências vaticanas. 

 

Adenda: já que os senhores investidores da EDP andam ansiosos por um "Centro Cultural " - previsivelmente a betonizar quase diante da Cordoaria, aqui está uma excelente publicidade à disposição: o Odeon recuperado. Não será muito difícil imaginarmos uns acrescentos no subsolo, deixando intacta a magnífica sala de espectáculos, conferências, etc. Na zona nobre da cidade, com as acessibilidades que se conhecem e preservando o património. Melhor reputação será difícil de obter. Aqui fica a sugestão.

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publicado às 10:14

A iconoclastia política numa Europa ferida

por João Pinto Bastos, em 19.11.13

Há iconoclastias que alguns, pressurosamente, tendem a proscrever, sem sequer se darem ao trabalho de reflectir, com alguma calma, sobre as diversas variantes que as ditas temáticas iconoclastas, desrespeitadoras das convenções reinantes, oferecem amiúde. A ascensão da extrema-direita em alguns países europeus é, a este propósito, um exemplo paradigmático da tolice atrás sugerida. Arruma-se tudo num cantinho higienicamente depurado, ofertando ao grande público um conjunto de análises assépticas, supostamente isentas dos vícios antidemocráticos abundantemente existentes nos agrupamentos políticos etiquetados com o labéu da extrema-direita neofascista. Que fique desde já claro, para que não sobre qualquer desdouro na minha reputação, que não me revejo na globalidade das propostas aventadas pelos movimentos políticos enxertados nesta família política. Todavia, faltaria à verdade se dissesse que, nos movimentos políticos em questão, não há nada de aproveitável. Fixemo-nos no exemplo mais saliente, e, porventura, o mais polémico, constituído pela Front National, liderada por Marine Le Pen. Esqueçamos, também, por momentos, as diatribes "pétainistas" reminiscentes dos tempos de Vichy ou as arcabuzadas políticas anti-imigração, alarvemente preconizadas pelos dirigentes deste partido. Deixando, portanto, tudo isto de lado, detenhamo-nos, com afinco, na abordagem feita pela FN às principais questões da actualidade política europeia. Para quem acredita, como é patentemente o meu caso, que a política europeia padece de múltiplas disfunções, criadas, em grande parte, pelo centralismo excessivo cupulado em Bruxelas, é quase uma redundância sublinhar o acerto das posições políticas defendidas pelo séquito de Le Pen. Desde a inserção no euro até à devolução de certas prerrogativas e competências pertencentes à eurocracia, a assertividade da FN não tem, como muitos estupidamente têm escrito e bradado aos sete ventos, falhado o alvo. E é aqui, no terreno minado da Europa política, que é forçoso dar guarida a vozes alternativas que recordem o básico: que o Estado-Nação, não obstante o planismo globalizador teorizado por certas notabilidades ignorantes, ainda é uma realidade, e que o centralismo autoritário, corporizado numa Bruxelas gorda e autista, é um remédio que só aditará desgraça ao mal já existente. É por isso que as vozes dissonantes são, em determinadas circunstâncias, o único meio à disposição do povoléu para forçar as elites governantes a uma mudança. Não será, com certeza, com uma Le Pen ou um Geert Wilders, que a Europa alterará a senda de inanição a que vem sendo sujeita pelas suas elites dirigentes. Não será, também, com uma direita que recusa dialogar e que vive enfronhada num passado militaresco fascizante, que a Europa florescerá. A solução é de outra ordem, e radica, fundamentalmente, na credibilidade e no reconhecimento de que a história não morreu. É nisto que está a salvação de uma realidade política que não deixou, por obra e graça de meia dúzia de espantalhos merdiaticamente construídos, de existir. Provavelmente, não serão os bandoleiros do extremismo político da direita a resolver o problema, mas será, decerto, com a contribuição dos mesmos que, para o bem e para o mal, a Europa deslanchará da crise.

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publicado às 00:28

Um LIVRE potencialmente libertador

por João Pinto Bastos, em 18.11.13

O novo partido criado pelo ambíguo Rui Tavares presta-se a variegadas interpretações, todas elas passíveis de alguma barafunda. No fundo, a hermenêutica deste "fenómeno" depende, como quase todas as coisas, da perspectiva em que cada um se coloque. A minha, no caso em apreço, prima por alguma credulidade, pela simples razão de que, não obstante a pungente história desta III República, ainda creio na possibilidade, duvidosa, é certo, das nossas esquerdas se "europeizarem". Nessa medida, não vejo com maus olhos este acometimento político espoletado por Rui Tavares. Quem conhece a história nacional dos últimos 39 anos sabe que o regime se consolidou no rescaldo do dissídio verificado entre as esquerdas emergentes no pós-25 de Abril de 1974. Esse dissídio teve como consequência necessária a imposição do Partido Socialista como o árbitro do sistema político conformado pela Constituição de 76. O Partido Comunista liderado, então, pelo, hoje, incensadíssimo Álvaro Cunhal acabaria por aceitar o equilíbrio político gizado pelos socialistas, aceitando em troca a participação no jogo parlamentar. Esta troca, vista à distância, teve, como não podia deixar de ser, múltiplas implicações, que, nos dias que correm, ajudam, sobremaneira, a explicar o imobilismo político que, mormente, abalroa as governações socialistas. Na prática, o PS tornou-se, com os anos, numa espécie de PRI à portuguesa, sendo, em função disso, o centro político da democracia nacional. Como é bom de ver, a extrema-esquerda acusou o toque, recusando, desse modo, o aggiornamento ideológico imprescindível a uma política pactista. O Bloco de Esquerda surgiu, em grande medida, como a resposta ao bloqueio político originado no PREC, visando renovar, com uma plataforma política repleta de pós-modernices fracturantes, a esquerda portuguesa, no entanto, os resultados da fantasia bloquista comprovam, uma década e meia depois, que não basta meia dúzia de pechisbeques caviarianos para alterar uma lógica incrustadíssima no âmago político do regime. É neste contexto que surge o partido de Rui Tavares, um contexto marcado, fundamentalmente, pela impossibilidade de haver entendimentos largos entre as diversas forças políticas das esquerdas portuguesas. Como referi no início desta posta, ainda creio, talvez ingenuamente, num entendimento governativo ao nível das esquerdas, porque, sem ele, o regime, tal qual o conhecemos, tenderá, necessariamente, a erodir-se. Alguns leitores perguntar-se-ão, certamente, o porquê de alguém, como eu, pertencente ao campo da direita conservadora ansiar por um compromisso à esquerda. A resposta é muito singela: o regime só se normalizará (entenda-se por normalização o enfraquecimento das reminiscências ideologizantes do regime) com a "europeização" das esquerdas, isto é, se a esquerda socialista souber pactuar com a extrema-esquerda, o sistema político, polarizado em torno do Partido Socialista, adquirirá, necessariamente, uma feição nova, na qual a direita terá, finalmente, uma oportunidade de ouro para afirmar um projecto político alternativo, que aparte, definitivamente, a práxis das inenarráveis cedências políticas às cantilenas socializantes. Do ponto de vista de quem se reclama da área política da direita, um entendimento à esquerda seria, em boa verdade, um excelente tónico para a renovação programática que continua, infelizmente, a ser adiada para as calendas gregas. Não sei se Rui Tavares será capaz de levar avante uma proposta política que se arrogue uma concertação à esquerda. Para dizer a verdade, olhando para o histórico deste regime democrático, tenho as mais sinceras dúvidas que um novo partido, ainda para mais alicerçado nos descontentes do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda, obtenha o menor êxito. Ademais, não é líquido que Rui Tavares disponha do talante político indispensável à tarefa referida. O próprio eurodeputado, fazendo uso da sua natural ambiguidade, como é, aliás, seu timbre, não tem dado razões suficientes para acreditar que o partido em causa não seja uma plataforma fulanizada. Mas a política ensina-nos que não há impossíveis, porque, vistas bem as coisas, o homem é, como dizia Ortega, o homem e as suas circunstâncias. Resta saber se as circunstâncias de Rui Tavares se coadunam com um projecto político desta envergadura. O futuro será o juiz desta empresa.

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publicado às 23:03

Os perigosos evadidos de Portugal

por John Wolf, em 18.11.13

Talvez alguém me possa explicar porque os evadidos do estabelecimento prisional de Castelo Branco são mais perigosos que os Vale e Azevedos, os Oliveira e Costas e os Jardim Gonçalves deste cantinho à beira-mar plantado? Os primeiros, que a comunicação social diz serem gregários por serem de etnia cigana, não cometerem crimes de sangue. São, para todos os efeitos substantivos e judiciais, colegas dos prevaricadores de colarinho branco mencionados aleatoriamente. Apenas por vestirem de negro e cantarem Flamenco nas horas vagas, não os torna mais perigosos que os outros supracitados (gosto imenso do termo supracitados - poupa-se tinta em malfeitores). Crimes de furto? Uns atrás do balcão, outros à frente. Falsidade de declarações? Uns como estilo de vida, outros na feira ambulante. Extorsão? Uns com consentimento de letra miudinha (e uma assinatura no contrato), outros com o encosto do punho à fuça. Condução de veículo sem habilitação? Uns por não terem carta, outros por terem chauffeur. Como podem constatar, se alinhássemos todos para uma identificação policial, nem sequer daria para descobrir as diferenças - são mesmo parecidos. Os irmãos metralha de Castelo-Branco escaparam às malhas prisionais há pouco mais de um dia, enquanto os "bons rapazes" conseguiram iludir as autoridades durante muito mais tempo. Quem será de facto uma ameaça real para a sociedade?Quem terá causado mais danos à nação? Espero que virem ao avesso os castelos dos grandes senhores, e que não destruam por completo os acampamentos ciganos. Há de facto qualquer coisa de errado no sistema de justiça, nas sentenças aplicadas e no tratamento oferecido pelos meios de comunicação social. Considerados extremamente perigosos? Santa Maria da Feira nos acuda! 

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publicado às 20:57

Rui Tavares e o lugar no meio da Esquerda

por John Wolf, em 17.11.13

Rui Tavares quer se sentar no meio da Esquerda, mas eu gostaria de saber onde fica esse lugar na plateia. Se é um lugar vago entre Marx e Slavoj Žižek, ou  se fica na outra fila, entre Gramsci e Chomsky. Por aquilo que pudemos ler no manifesto inaugural, não é muito fácil perceber quais as referências de Esquerda do fundador do partido. O guião escrito não me parece a base para a constituição de um partido fundamentalista anti-Troika e anti-austeridade - o que discorre nas parcas páginas lembra outros guiões da praça - não acrescenta muito mais ao universo das ideias políticas. Parece-me, numa primeira análise, que o partido Livre irá assentar na figura de Rui Tavares, na sua voz europeia e no que profere na coluna de opinião que escreve regularmente na imprensa escrita. Justiça e igualdade queremos todos. Ecologia amamos muito. E solidária é a nossa condição no contexto do descalabro nacional. O que ele defende na declaração de princípios não é pertença exclusiva da esquerda. E é aí que reside uma parte da contradição. Se o partido Livre pretende incluir os cidadãos na acção política de um modo abrangente e profundo, não é apenas no meio da esquerda que isso acontece. Os objectivos a que se propõe o "libertador" são, de facto, um lugar comum das exigências dos cidadãos. Será que se justifica a criação de mais um partido? Ou será que o Rui Tavares não encontra poiso noutras plataformas? Novidade novidade (política) seria Tavares contribuir com soluções em território inimigo. Incluir-se na luta civil dos socialistas ou até de uma CGTP. Mas não. Rui Tavares deve ter algo muito melhor para oferecer que os coordenadores do Bloco de Esquerda. Será que os políticos ainda não perceberam que a titularidade de pouco vale nos dias que correm? Um partido, para ser verdadeiramente livre nem sequer seria partido, não teria personagens - seria uma ex-machina. Seria uma força sem assinatura, sem magnetismos típicos da idolatria que acompanha a liderança. Rui Tavares corre o risco de ser o António José Seguro desse território enigmático - o meio da esquerda, no meio de nada. Tavares é um activista sem obra carismática para oferecer ou noções que rompam os atavismos dos outros - anos de política na bagagem, soa-me a muito pouco para emitir cartões de membro do partido. Sinto que com a sua chegada (mais um imigrado!), haverá um fenómeno semelhante àquele gerado por Louçã e Rosas quando estes irromperam com uma meta-linguagem política diferente da que estavam habituados os convivas partidários ou parlamentares. Quanto à papoila - prima suave do cravo -, é um cliché relativamente fraco. Mais valia o designer ter aproveitado um malmequer - o cidadão sabe o que não quer, mas não necessariamente o que quer.

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publicado às 14:12







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