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Estórias ucranianas

por Nuno Castelo-Branco, em 24.02.14

 

1941, os alemães entram na Ucrânia

 

É verdadeiramente cataclísmica, a torrente de disparates que por estes dias é possível lermos e ouvirmos a propósito dos acontecimentos ucranianos. Reage-se sempre segundo as impressões transmitidas pela televisão, numa eterna recriação dos gloriosos dias que em boa hora derrubaram Ceausescu e com ele, toda a restante tralha que durante décadas esmagou a Europa central e oriental.

 

Este é um caso muito diferente, implicando para uns tantos, o quase imediato el dorado dos bons negócios que simultaneamente arruínam aqueles que aparentemente seriam os primeiros interessados numa idílica adesão europeia. No outro campo, o do status quo, estão os russos, bem cientes às suas próprias custas, daquilo que potencialmente significa uma Ucrânia aberta a forças que um dia poderão ser hostis. Se a isto juntarmos a difícil gestão de um país que pende entre o ocidente e o leste e a não menos importante alínea do controlo da energia que passa pela Ucrânia em direcção à Europa central, temos então um quadro ainda mais complexo. 

Há setenta e três anos, muitos dos soldados da Wehrmacht, cuidadosamente camuflados nas imediações da fronteira delimitada pelo pacto Germano-Soviético de 23 de Agosto de 1939, estavam piamente convencidos de fazerem parte de um corpo expedicionário que iria ocupar a Ucrânia arrendada por Estaline à Alemanha. Os soviéticos eram pródigos na ajuda material concedida ao Reich, justificavam todas as acções militares - Escandinávia, Bélgica, Holanda, Grécia - até então decididas por Berlim e eram bons anfitriões dos seus mais recentes aliados. Assim sendo, nem para os soldados alemães, nem para o Kremlin, existia qualquer justificação para o desencadear da guerra.

 

O conflito tornou-se num facto e os russos não esqueceram. A questão que naqueles dias de tórrido verão de 1941 se colocava a muitos dos dirigentes de Moscovo, era esta:

 

- E se tivéssemos perdido a Ucrânia em 1920?

 

 Este artigo é esclarecedor acerca do que verdadeiramente está em causa. 

publicado às 19:36

Reforço de Inverno - Nuno Gonçalo Poças

por Samuel de Paiva Pires, em 24.02.14

É com imenso prazer que anuncio o segundo reforço de inverno do Estado Sentido, o Nuno Gonçalo Poças. Advogado nascido no Estoril, em 1985, criado a meio tempo na dureza da Beira Baixa e no outro meio tempo na cintura industrial da margem sul do Tejo, é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, onde foi dirigente associativo e boémio praticante, actividade da qual se diz "reformado e mal pago". Acha que ainda há europeístas cépticos como ele e ainda não sabe se tem mais razão quem o chama liberal, se quem o chama conservador, tendendo mais a ficar agradado com aqueles que o tratam como um liberal-revolucionário-burguês-conservador. Apesar de fervoroso republicano, não celebra o 5 de Outubro e não se importava nada de ter como Chefe de Estado a Rainha Isabel II – e como roommate a Kate Middleton. Como cantavam os Not Sensibles, diz que está "in love with Margaret Thatcher", mas não tem pudor nenhum em dizer que os Smiths são uma das suas bandas preferidas. Militante do PSD desde 2004, diz que só admira Sá Carneiro por este ter sido um inconformado com o próprio partido que este fundou. Tem, portanto, dificuldades em ser um alinhado. As más línguas chamam-no ambíguo. Andou pelos blogs alguns anos, tendo fundado e feito o funeral ao Geração de 80, não tendo qualquer actividade desde essa data até hoje. Bem-vindo, meu caro!

publicado às 18:51

O cabeça da lista PS

por Nuno Castelo-Branco, em 24.02.14

...às eleições europeias. No cartaz surge este, mas na garagem está outro

publicado às 10:04

Vichyssoise

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.14

Marcelo pode negar as suas intenções até à morte e afirmar que a sua ida ao Congresso em nada está relacionada com as presidenciais mas, goste ou não, como dizia Salazar, "em política, o que parece é."

publicado às 21:29

Surpresa!

por Pedro Quartin Graça, em 23.02.14

publicado às 17:38

O "one man show" de Passos no Congresso do PSD

por Pedro Quartin Graça, em 23.02.14

- " A realidade é o que é".

- "Se todos tivermos opiniões muito rígidas acerca de tudo a confiança da sociedade diminui..."

- "Ninguém quer uma economia baseada em salários baixos"!

- "É a política que nos comanda"

- "Alguém no país levará isto a sério?"

publicado às 17:24

Reforço de Inverno - Nuno Resende

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.14

É com muito gosto que anuncio que, a partir de hoje, passamos a contar com o Nuno Resende no Estado Sentido. Nascido em Cinfães em 1978, licenciou-se em História e doutorou-se em História da Arte. É professor auxiliar na Universidade do Porto. Monárquico, católico, non partisan democrat e iberista teórico. Acha que acima dos valores colectivos estão os individuais mas acredita firmemente na caridade e na solidariedade como expressão e Caminho. É tolerante mas não admite "-ismos". Em termos musicais vive nos anos 70 e 80, tendo os Queen como matriz, GNR no caso português e Bossa Nova como prova da prevalência lírica do português. Vê em Jorge Luís Borges a pouca necessidade para prémios e considera que o talento sempre vence a mediocridade (embora tarde e depois de um caminho penoso). Vive no Porto - provavelmente a melhor cidade do mundo, tendo em conta que a geografia é estado de espírito. Bem-vindo, caro Nuno!

publicado às 17:18

O resumo de um Congresso

por Pedro Quartin Graça, em 23.02.14

A escolha de Miguel Relvas por Passos Coelho para cabeça-de-lista ao Conselho Nacional, o órgão mais importante do partido entre congressos, é uma evidente abertura do PSD à sociedade civil.

publicado às 11:31

Laranjada

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.14

José Adelino Maltez, "As estórias da carochinha":

 

"Entre o bom e velho Estado do Congresso de Matosinhos, de José Sócrates, e o renascimento vocabular da social-democracia, do popularismo ou da via liberal para o mais do mesmo, sempre a mesma cultura pós-totalitária, a nova questão social acrescendo à velha, a permanente teoria da conspiração, o homem de sempre e o vazio de patriotismo regenerador. Sim, o que é isso de Estado? Os desgraçados que o têm como patrão ou cobrador de impostos? Os privilegiados que dele recebem subsídio ou isenção? Infelizmente, continuamos a dizer que o Estado são eles, os do aparelho de poder e das respetivas máquinas de assalto à decisão, isto é, o principado e a sociedade de corte. Quando, em democracia, o Estado devíamos ser nós, o Estado-comunidade, ou o Estado-república. Daí que o partido mais situacionista de Portugal, voltado sobre as próprias entranhas, tenha atingido o clímax quando confirma que Miguel, Relvas, é o ortónimo de Pedro, Passos, numa laranjada em estado puríssimo, onde ambos rimam com Paulo e com Aníbal, para que outros heterónimos, no espaço comunicativo do agenda setting, finjam, depois, que não é verdade o que, na verdade, é. Neste jardim das delícias dos recreios congressistas, confirma-se que corte, expressão derivada do latim cohorscohordis, é aquela parte da casa romana que estava ao lado e complementava o hortus, o jardim. Um nome que tanto deu a côrte dos reis, com um circunflexo no o, donde veio o cortês, a cortesia e o cortesão, como também se manteve numa designação de parte da casa rural portuguesa, a córte dos animais (com acento agudo no o). Soares não foi a esta aula magna e Seguro confirma: para quê a pressa? Na sociedade de corte, há estórias da carochinha, bobos do regime, conversas em família e sopeiras do sistema, mas, no país das realidades pode ser maior a memória do sofrimento."

 

publicado às 10:58

A "tordização" de Marcelo Rebelo de Sousa

por John Wolf, em 23.02.14

Não vi o congresso do PSD. Não pude. Estive no casamento de queridos amigos. Um matrimónio onde os afectos, as emoções e o amor foram o genuíno mote que guiou os votos dos nubentes. Mas mal cheguei a casa, tarde e a más horas, não resisti e lá fui petiscar uma peça aqui e acolá a propósito do congresso do PSD. De um modo aleatório fiquei-me pela intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa e não fiquei surpreendido com o tom do seu brinde ideológico-partidário. A conversa do coração lacrimoso, de emoção em torno da ternura dos quarenta, levou-me a cunhar a seguinte expressão que serve para ilustrar onde nos encontramos. Efectivamente, Marcelo aplicou o golpe do apelo às emoções fáceis para granjear algum crédito. O espectáculo do one man show baseou-se na nova doutrina do choradinho - o efeito Tordo a fazer-se sentir na política. O apelo à lamechice serve para fazer tábua rasa de considerações maiores, da racionalidade que deve guiar homens de Estado na alegada prossecução da sua missão. Mas não. Não se tratou disso neste caso. Tratou-se de uma private joke a ocupar o tempo de antena do coliseu, mas também do país - e a uma grande distância do que o país requer em termos de liderança. Se Marcelo Rebelo de Sousa quer a casa de Belém, parece que irá utilizar novos métodos, processos de abordagem alicerçados na flor da pele, nas emoções. Assistimos, deste modo, a uma tordização da política. Uma declaração cheia de ternura, mas deprovida de nutrientes políticos, da substância que os cidadãos exigem. A resposta a Marcelo, em forma de carta ou não, não sei se chega. Também não sei se este chega para a encomenda presidencial. Ou talvez seja esse mesmo o perfil requerido. Se o povo se deixa ir no entusiasmo terá precisamente aquilo que merece. E gostos não se discutem. Não se trata de saber se esta é a maior prova de liberdade dentro do PSD. Trata-se de saber se isto espelha bem aquilo que a política hoje é. Uma actividade afastada de si mesmo. Política sem política. Estados sem homens de Estado. Chefias incapazes de interpretar a urgência nacional. Portugal perde o pouco da sensatez e racionalidade que tinha e está cada vez mais entregue aos bichos. 

publicado às 08:51

Vichysoise para o jantar

por Nuno Castelo-Branco, em 22.02.14

Disse que não ia, mas não só apareceu, como está sentado ao lado do 1º ministro.

Aqui está mais uma vichysoise de Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da tal fundação feita com os bens "nacionalizados" - a palavra bonita que muitas vezes reveste o roubo descarado - à Casa de Bragança.

 

Com a  republicanagem no seu melhor, Barroso que se cuide.

publicado às 20:19

Miguel Relvas voltou

por Samuel de Paiva Pires, em 22.02.14

publicado às 19:52

Aníbal "Barros Gomes" Cavaco Silva

por Nuno Castelo-Branco, em 22.02.14

 

Na senda dos disparates em que o actual regime mergulhou desde que viu a luz do dia, o Palácio de Belém reedita o mapa Cor de Rosa, desta vez em tons azulados. Trata-se precisamente do mesmo princípio subjacente ao gorado projecto de expansão imperial no hinterland africano, mas desta vez colide com alguns interesses que não se resumem aos da Grã-Bretanha.

 

Estados Unidos da América e Espanha - descontando os marroquinos que surgem em segunda linha -, são potenciais focos de rejeição de mais este delírio. Delírio, porque não fundamentado  numa política consentânea com o pendor reivindicativo a apresentar na ONU. A própria União Europeia, uma entidade de contornos muito difusos, poderá significar uma ainda maior complexidade deste problema. 

 

Sem Marinha, sem poder garantir a patrulha e segurança daquela vasta superfície oceânica, Portugal adianta-se no campo diplomático, pretendendo um reconhecimento de jure. Num país onde falar de Defesa - logo de Economia, Educação e Negócios Estrangeiros - é algo susceptível de provocar violentas convulsões intestinais nos agentes do poder e da oposição, este é mais um caso que poderá vir a terminar na pior maneira.

Não perderão por esperar, até porque têm sido avisados

publicado às 10:49

Acordei a(tordo)ada

por Ana Rodrigues Bidarra, em 21.02.14

 

O Fernando Tordo decidiu, aos 65 anos, partir para o Brasil, onde irá, de acordo com as fontes noticiosas, dinamizar um espaço cultural no Recife. Diria que não há nada de errado nisto, exceptuando o facto de fazerem do acontecimento uma efeméride, apesar do vácuo noticioso a tanto nos ter já habituado.

 

Esperem, que isto afinal não é bem assim. Decidiu-se metamorfosear este momento num outro. Vejamos:

 

Fernando Tordo alega, em directo, no momento do seu lânguido farewell, que Portugal não é suportável, que não está triste com ninguém, mas que este país, que agora deixa, não lhe dá oportunidades. Retorquindo à questão que lhe foi colocada pela jornalista, em que lhe foi perguntado, em tom algo jocoso, se seguia o conselho de Passos Coelho, Tordo demonstra o desdém que tem por PPC dizendo que este não tem tamanho para dar conselhos a ninguém, que é muito pequeno. Certo.

 

Afinal, aquilo é isto. Só que não. Não é.

 

O Vítor Cunha, do Blásfémias, revelou que a empresa em que Fernando Tordo é sócio-gerente recebeu, desde 2008, mais de 200 mil euros, 10 mil euros dos quais este ano, pela produção de vários espectáculos. Também não me parece que haja nada de errado nisto, exceptuado o facto de todos os espectáculos terem sido objecto de ajustes directos por parte das entidades adjudicantes.

 

Tordo explica que deu emprego a 26 músicos, técnicos de luz e som e que, do total das adjudicações directas feitas à sua empresa, recebeu apenas 10%.

 

Acrescento ainda que Tordo voou para o Brasil mas voltará em Abril, altura em que actuará, a dia 25, num espectáculo no Centro Cultural do Alto Minho, em Viana do Castelo.

 

Très bien. E agora? Agora fazemos um breve rewind.

 

Tordo, prenhe de auto-comiseração, diz que não tem oportunidades em Portugal.

 

Ora, a mim parece-me que Tordo beneficia de uma posição supra-legal, indevidamente conferida pelas entidades com as quais contratou, em que o cumprimento da lei e dos procedimentos pré-contratuais necessários parecem ser um óbice ao desenvolvimento da sua actividade. Ademais, não dá para tolerar a desfaçatez, a impudência e a falta de gratidão de um indivíduo que tanto deve ao país que agora deixa.

 

Fernando Tordo não é um coitadinho. Tordo parece-me ser um biltre mas, hoje, todos dele se compadecem.

 

Voltemos à arena mediática:

 

A Carta ao Pai , publicada no Público. Compreendo que cause comoção a alguns o desabafo do filho de Tordo, um escritor, que entendeu ser necessário defensar a honra do seu pai publicamente, após ter lido no facebook comentários desagradáveis acerca da ida deste para o Brasil mas, porra, a sério? Poupem-me. Se, de facto, como diz o filho: "Tudo isto são coisas pessoais que não interessam a ninguém, excepto à família do senhor Tordo” por que raio escreve uma carta pública? Quando quero falar com o meu pai, dar-lhe força e transmitir apoio eu telefono-lhe ou vou lá a casa. Que raio de empáfia é esta?

 

Já para não falar da soberba do tipo, que escreve, e passo a citar: "Pouco importa quem é o homem; isso fica reservado para a intimidade de quem o conhece. Eu conheço-o: é um tipo simpático e cheio de humor, que está bem com a vida e que, ontem, partiu com uma mala às costas e uma guitarra na mão, aos 65 anos, cansado deste país onde, mais cedo do que tarde, aqueles que o mandam para Cuba, a Coreia do Norte ou limpar WC e cozinhas encontrarão, finalmente, a terra prometida: um lugar onde nada restará senão os reality shows da televisão, as telenovelas e a vergonha." 

 

"Uma mala às costas e uma guitarra na mão". Coitado do pobre senhor Tordo. Abandona o país ciente de que tem de se libertar dos grilhões desta governação, sente-se explorado, cansado, deu tanto a Portugal e recebe apenas 200 euros de pensão. É triste, muito triste. Só que eu e vocês sabemos que não é bem assim. Mas há de ter soado bem e há que deixar o escritor escrever. Deixar o artista expressar-se.

 

João Tordo tenta ainda um breve diagnóstico político-social e conclui que a geração do pai tudo fez para construir um país melhor para os filhos e netos e que a classe política governante "fez tudo para dar cabo deste país. Não posso comentar isto agora. Sim, é melhor não. Avante.

 

Fernando Tordo replica, no facebook, ao filho, dizendo: "Não entristeças, João". 

 

Os Tordos querem dar a esta viagem um sabor de coup de grâce ou torná-la num manifesto mas a tentativa falhou. Falhou, senhores.

 

Não quero, de todo, com este texto, descredibilizar a análise feita por Fernando Tordo. De facto, Portugal está insuportável, mas não é para ele. Portugal tem uma classe política que se vê, quer-me parecer, obrigada a injectar esperança nos portugueses, mormente por via dos indicadores macroeconómicos e das análises feitas pelos especialistas e artigos no Financial Times, porque sabe perfeitamente que os efeitos desses sinais positivos na economia real e no consumo só se darão sabe-se lá quando. Bem sei que Portugal está na ruína. A minha geração nasceu com dívidas e morrerá com elas devido à geração do senhor que se diz agora sem oportunidades. 

 

A si, senhor Tordo, desejo-lhe a felicidade mas não me compadeço. Não posso admirar-lhe a coragem porque a geração dos seus filhos, que é a minha, é uma geração sem oportunidades, em que a resiliência e a coragem são nossos apelidos, graças a si e aos seus.

 

Senhor Tordo, não ter oportunidades é começar por não ter dinheiro para pagar senhas de almoço na escola primária; não ter oportunidades é não ter dinheiro para pagar uma licenciatura; não ter oportunidades é não ter possibilidade de contrair um empréstimo bancário para concluir os cursos, porque os bancos agem de sobreaviso e está declarado o fim da era do “crédito barato”; não ter oportunidades é, concluída com suor uma licenciatura, não ter emprego; não ter oportunidades é não poder formar uma geração vindoura; não ter oportunidades é ter medo de ter filhos e assistir ao envelhecimento progressivo da população; não ter oportunidades é viver em casa dos pais até aos 40 anos; não ter oportunidades é fazer contas aos descontos para a Segurança Social que perceber que daqui a 20 anos a palavra reforma é coisa do passado; não ter oportunidades é não poder pagar o passe; não ter oportunidades é comer pão com pão durante semanas.

 

A sua geração, senhor, rebentou-nos as costuras e, agora, estamos como vê, numa situação tão decrépita que fazemos notícia, na nossa televisão pública, da história de um cagão que faz milhares de euros em Portugal, em espectáculos, ao arrepio da lei e decide ir para o Brasil dinamizar um espaço cultural e se dá ao luxo de dizer que Portugal não lhe dá oportunidades.

 

Adeus, tristeza, até depois.

publicado às 21:35

O messianismo social-democrático

por João Pinto Bastos, em 20.02.14

Não, Henrique, a resposta à questão "qual a principal tarefa da Europa nos próximos anos?" não é assim tão linear, prova disso é o facto de haver muito boa gente que pensa o problema europeu de um modo bem distinto do propugnado pelos apóstolos do modelo social tale quale. Mas deixando de lado esta pequena minudência, há, efectivamente, a consciência funda de que a saída da crise não poderá dispensar duas coisas, a saber: 1) a reforma ampla e transversal dos distintos modelos de protecção social estabelecidos no pós-guerra, 2) a fixação de mínimos sociais, isto é, a reforma do indispensável sem que, contudo, os mais desfavorecidos sejam abandonados ao acaso assimétrico dos mercados. Estas duas condições, que perpassam alguma da literatura publicada no último lustro, não foram, que eu saiba, suficientemente dilucidadas pelas elites políticas europeias. Aliás, como é por de mais conhecido, o debate público tem assentado num conjunto de falácias que, pela sua ampla difusão, têm impedido o esclarecimento cabal da cidadania. Falácias essas que vão desde o mito do "os portugueses viveram acima das suas possibilidades" (o carro-chefe de algum "liberalismo" pouco ilustrado) até à tese, aventada pela grande maioria das esquerdas, de que o Estado Social é intocável. É bom de ver que com uma esfera pública tolhida por pontos de vista tão alheios à realidade não é de todo possível esclarecer a cidadania dos ingentes desafios que impendem sobre o país, e, já agora, sobre a Europa. O que importa, desde já, sublinhar é o facto de a crise presente socavar, sem apelo nem agravo, a belle époque regressiva dos últimos decénios. O crédito fácil minguou e a paciência dos cidadãos/súbditos já não é, propriamente, a mesma. O que sairá daqui ninguém sabe, o certo é que Estados gordos e mercados politicamente dominados por rentistas salafrários já não são remédios que funcionem. De resto, nunca foram.

publicado às 15:14

Declamação de IRS

por John Wolf, em 20.02.14

publicado às 15:11

A Luta Contra o Autoritarismo, de Kiev a Caracas

por António Garcia Rolo, em 20.02.14

Sem nos apercebermos, é bem possível que estejamos a viver momentos históricos. Em Kiev e em Caracas, o povo sai à rua, é recebido com violência e, naturalmente, responde com violência. Observar, da segurança ocidental, estes incidentes, dá-me um misto de esperança e de inquietação. Ao mesmo tempo fico feliz por ver resistência popular contra estes Estados nominalmente democráticos, com até algum (muito pouco) espaço para pluralismo e direitos políticos, que na realidade são ditaduras em incubação. E isso vê-se na resposta aos protestos. Aqui pela Europa tambem houve uma série de protestos de proporções gigantescas, a maioria anti-austeridade. Houve montras partidas, carros queimados, mas não se viu a polícia com AK-47's para dispersar os manifestantes. Aí reside a diferença. Por muito mal que a nossa democracia portuguesa possa funcionar, ou por muito mal que as instituições italianas ou gregas funcionem, a polícia não dispara balas de chumbo contra manifestantes. Ponto. Enfim, mas não me vou demorar em comparações. Vamos ao que interessa.

 

Todos sabemos como é que estes protestos ucranianos, os chamados Euromaidan, surgiram, ainda em Novembro. O que inicialmente era apenas uma contestação a uma decisão de política externa do Governo ucraniano tornou-se em algo maior do que isso - um protesto contra a corrupção, o corporativismo, a limitação de liberdades civis, o nepotismo e tantos outros males que assolavam a Ucrânia. Não que a Ucrânia fosse um Estado ditatorial, nada disso. Uma 'democracia' com mão forte, talvez. Uma cleptocracia quiçá. O que tornou isto tão sério foi a tentativa de criminalizar ou marginalizar estas manifestações, através de agents provocateurs que nelas se infiltravam e criavam focos de violência, através da criminalização das próprias manifestações e, mais recentemente, de disparos de munição real. Quando um Estado dispara contra cidadãos desarmados, merece resposta na mesma moeda. É uma questão de auto-defesa e de auto-determinação. Toda a minha solidariedade vai para os cidadãos ucranianos que lutam por algo que para nós é tão garantido. Muitos de nós nem sequer imaginam a possibilidade da polícia disparar munições reais para manifestantes. O que para nós é garantido há 40 anos, para os ucranianos não é.

 

E isto não é só uma questão meramente de política interna ucraniana - é uma questão de geopolítica. Um país dividido entre uma metade ucraniana claramente mais pró-UE e uma metade russa claramente mais pró-russa. Se não houver uma solução pacífica em breve, isto poderá descambar para uma guerra civil, e Vladimir Putin não hesitará em intervir para 'defender os russos étnicos que vivem na Ucrânia', justificação que esconde as históricas ambições imperialistas russas relativamente à Ucrânia (curiosamente, até foi em Kiev que apareceu o primeiro principado russo). E este país pode-se tornar na próxima Polónia. Entre a UE e a Rússia, dividido linguistica e culturalmente, com séculos de uma história de ocupações e genocídio. O pior cenário seria uma invasão russa caso isto descambasse para guerra civil. Mas aí, o quê que a UE e os EUA fariam? Interviriam? Arriscariam um confronto com a Rússia? Talvez não seja a opção mais sensata, mas lembremo-nos da última vez que a Europa embarcou numa atitude de appeasement com um país grande que começou a anexar os vizinhos e a intervir na sua política interna. Pois. É uma questão complicada, e interessante, certamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Do outro lado do Atlântico, parece que o chavismo enfrentam mais uma onda de contestação. Parece que a Revolução Bolivariana não deu muito bom resultado, com falta de produtos básicos e essenciais, com inflação galopante, criminalidade gritante e controlo estatal dos media e das redes sociais. Já para não falar da justiça parcial, da repressão à oposição e à liberdade de expressão. Claro que, para Maduro, estas manifestações não são justificadas, porque todos os problemas são culpas do sabotador yankee e dos colombianos. Já dizia Popper:

“Não quero dizer que as conspirações nunca acontecem. Pelo contrário, elas são um fenómeno social típico. Elas tornam-se importantes, por exemplo, quando as pessoas que acreditam na teoria da conspiração chegam ao poder. E as pessoas que sinceramente acreditam que sabem como fazer o céu na terra, mais provavelmente adoptarão a teoria da conspiração, envolvendo-se numa contra-conspiração contra conspiradores que não existem. Pois a única explicação do seu falhanço em produzir esse céu é a intenção malvada do Diabo, que tem interesses em criar o Inferno na Terra." 

 

Enfim, tal como na Ucrânia, na Venezuela, estudantes são recebidos a tiro, líderes da oposição são detidos. O que mostra uma coisa - não há nenhuma singularidade no Chavismo. É só mais um regime tipicamente latino-americano de caudillo, só que com um discurso de esquerda, tipo Peronismo. Os sinais típicos - prendem-se líderes da oposição, alegando-se que estão a planear golpes, disparam-se contra manifestantes, descreve-se manifestações como tentativas de golpe ou levantamento, nunca uma expressão legítima de descontentamento popular - estão à vista. A Venezuela não é diferente da Argentina Peronista, nem de Cuba. É só mais um, numa sucessão de regimes autoritários latino-americanos. E outra lição que tiramos da Venezuela passa pelas fragilidades do socialismo radical e revolucionário - uma ideologia que, para funcionar, precisa de um consentimento geral que nunca terá. Quando não o tem resolve-se à paulada. Se é tudo inevitável e inexorável, porquê remar contra a maré?

 

Sinceramente, espero que os levantamentos populares na Ucrânia e na Venezuela tenham sucesso. Sei que a democracia não virá do dia para a noite, mas pode ser que seja mais um passo na sua direcção. A não ser que isto seja tudo uma conspiração dos americanos e da UE para assegurar a escravatura desses povos através do livre comércio. Também pode ser isso, mas perguntem ao Bernardino.

 

 

publicado às 13:01

Quando a mentira tem a perna curta...

por Pedro Quartin Graça, em 20.02.14

publicado às 10:24

Ontem estive um bom bocado de tempo a procurar, via Google, quais as editoras que editam os livros em português. Recuso-me a enlamear a biblioteca que o meu Pai nos deixou com escritos " acordês ".

publicado às 13:48

Tuning eclesiástico

por John Wolf, em 19.02.14

Não sei por que razão está a haver tanto alarido por causa destes trabalhos de restauro? Dêem uns bons duzentos anos às peças que elas ficam com ar antigo, gasto. Escapámos por um triz aos chaimites de Joana Vasconcelos com os cravos confeccionados a partir de pensos higiénicos, e agora isto faz levantar os ânimos dos entendidos na arte do restolho? Este facelifting adequa-se na perfeição à matriz política e cultural do país; dão-se uns toques aqui outros acolá e o pó atroz acaba por assentar. O que interessa que as operações plásticas tenham dado este ar de parvo aos bonecos? Isto joga na perfeição com o marasmo nacional, com a loucura instalada. É natural que os restauradores já não joguem com o baralho todo. As pinceladas que deram foram as que tinham à mão. Dispensava-se o batom tão carregado nos lábios do rapaz. Mas a ruiva ficou jeitosa, sim senhor. O tuning eclesiástico tem muito que se diga.

publicado às 13:44







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