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Porque vão todos à Feira Nacional da Agricultura? Não existe partido que não mande um dos seus dar uma volta pelo recinto. Não tinha Portugal deixado de ser um país agrícola? Quando chega a hora das eleições, o voto do agricultor falido conta. Por essa razão, quer Portas quer Costa vão visitar os rebanhos e exultar as virtudes de uma bela alfaia agrícola. Não sei qual o real peso da agricultura na economia nacional, mas tenho a certeza que não deve ser grande coisa. Começamos a ficar cansados com o cinismo despudorado, a política oportunista versada na utilização de simbologias antigas em regimes transformados. Mas uma coisa é certa, invariavelmente lá vão eles ordenhar o eleitorado, como se de repente fossem afectados por uma intensa gula das couves.

publicado às 09:16

Viva o 10 de Junho e a Restauração?

por Nuno Resende, em 12.06.14

 

 

Estive recentemente em Castelo Branco. Cidade do interior sobre a qual tinha vaga e longínqua impressão não muito distante da Guarda onde a presidência da república foi já por duas vezes comemorar o dia de Portugal. Fui e gostei. A mesma luz raiana das cidades da estremadura o vagaroso tempo dolente estimulado pelo clima agreste e serenado por alamadas frondosas. À parte uns arremedos progressistas, fruto da mentalidade «autarquista» que nos anos 1980-90 semeou o país de mamarrachos, rotundas e vielas asfaltadas, Castelo Branco parece uma cidade congelada na década de 1970. Dir-se-ia que à primavera marcelista não houve verão quente da urbanização. E assim, dolente como o calor que se fazia sentir, percorri as ruas de uma cidade repartida entre o traçado medieval e a expressão de um vago progresso estado novista.


Mas o que realmente me chamou a atenção em Castelo Branco, para além do facto de ser a pátria do grande Amado Lusitano, foi um par de estruturas ligadas à arte. Nâo me refiro ao recém inaugurado Centro de Cultura Contemporânea (a designação é feliz, pois farta já a denominação museu) que se impõe mais como objecto do que como edifício. De resto, este tipo de empreendimento ganharia muto mais em assumir-se como obra de arte e menos como repositório da mesma. Note-se que nem cheguei a entrar naquela inusitada estrutura por lhe não encontrar a porta de acesso. Foi melhor assim. O que primeiro me chamou a atenção foi realmente o Museu Cargaleiro.


Oculto no velho traçado medievo o conjunto de espaços ocupados pelo museu acaba por impor-se como um dos locais a não perder na cidade. Sempre me fascinou a obra de Cargaleiro pela capacidade de criar a partir da cultura portuguesa, um género artístico legível fora das nossas portas. Desde sempre me deliciei com as estações de metro de Lisboa, onde a cor, palavras e as figuras de Manuel Cargaleiro entretêm na monotonia e no ramram da viagem mecânica.


Fui a Castelo Branco, sem pensar em Cargaleiro e isso perturbou-me à medida que percorria as salas do museu. Como é possível que nós portugueses, acorramos a Amsterdão, Paris, Madrid e Londres para apreciarmos grandes nomes internacionais e não sejamos capazes de propositadamente vencermos a interioridade nacional para procurarmos a obra de Cargaleiro? Aliás, como é possível que o Museu Nacional de Arte Antiga ceda à pressão de alugar parte do protagonismo do Prado num tempo em que uma viagem low cost Porto-Madrid ou Lisboa-Madrid custa menos que um bilhete de comboio e uma entrada na exposição e que, como museu nacional, não se preocupe em promover ou descobrir novos ou velhos talentos da arte portuguesa?


Esta distância entre o que temos e o quanto dependemos dos outros não é uma questão de orçamentos de estado, empréstimos externos ou servilismo partidário. É hábito.

 

E quando se fala na necessidade de criar riqueza, geralmente esquece-se que estamos a matar a galinha dos ovos de ouro: a criatividade. Não é por acaso que criar e criatividade têm a mesma raíz. Continuamos a recursar a capacidade de nos renovamos criativamente com o que temos, como o fizeram e fazem António Nobre, Forjaz Sampaio, António Variações, Carlos Paião, Agostinho da Silva, Paula Rêgo, João César Monteiro, João Botelho e outros tantos a quem o destino (fado) português rejeitou no imediato.


Renovar-se e recriar-se não é o mesmo que pintar galos de barcelos com os tons do arco-íris ou fazer esculturas com tachos de alumínio ou rendas de croché - isso não é recriação, nem talento, tão-só e apenas laivos de imaginação e oportunismo.


Reinventar a cultura portuguesa, para o que de resto já contribui em parte da nossa geração modernista é, em primeiro lugar, entendê-la, depois absorvê-la e finalmente apresentá-la numa leitura universal que nunca pode ser a-histórica. O nosso presente é o nosso passado e é impossível fugir-lhe.


Quando aprendermos a gostar de nós, pode ser que o novo Brasil ou esteja em Castelo Branco. Sem grandes discursos ou comendas. Infelizmente para isso não é só regime que precisa de mudar, são os homens que o gerem.

P.S. Terão reparado com certeza que tendo referido um par de estruturas, apenas me referi a uma, o Museu Cargaleiro. A outra é o belíssimo jardim do Paço Episcopal, sinal de tempos em que Portugal não tinha interior, nem litoral. Apenas centros culturais de gente com bom gosto e visão.

publicado às 19:10

Eco-política do PS

por John Wolf, em 12.06.14

Vamos lá chamar as coisas pelos nomes. António José Seguro não tem futuro no PS. Aliás o futuro político do homem (que não nasceu para a política) está seriamente comprometido. Não sei o que farão com ele. Depois desta charada acabar (à estalada), o seu nome será riscado das listas. O inédito abaixo-assinado não surpreende e não sei que tipo de reacção temperada irá produzir na derme de Seguro. Aposto que ao observar que está efectivamente a afundar, tudo fará para derrubar os detractores, os vira-casacas. Assistiremos porventura à lavagem de muita roupa rosa-sujo na praça pública. Mesmo que entregasse de bandeja o secretariado a António Costa, duvido que este o requisitasse para um posto de governação. Conseguiriam imaginar um trade-off entre Costa e Seguro através do qual este último ganharia um prémio de consolação, por exemplo a pasta dos Negócios Estrangeiros? Não me parece. Nem me parece que Seguro aceitasse uma secretaria de estado. Uma coisa é certa, a cada dia que passa, o PS atola-se na lama. E está a ser observado e julgado pela opinião pública de um modo pouco favorável. Até já é motivo de chacota em alguns círculos sérios. A questão que deve ser colocada é a seguinte: ou alguém dá um safanão naquele partido e põe a casa em ordem, ou o PS arrisca-se a perder muito mais do que julga. António Costa ainda tem de percorrer um longo caminho e afastar o lixo espalhado pelas ruas.

publicado às 18:18

Urbanidade sem factura (1)

por Fernando Melro dos Santos, em 12.06.14

Utentes do Metro passam, suponho que em acto histórico, a poder gerar cacofonia enquanto deambulam no ex-stress, ora desertificação, subterrânea. 

 

Paga a conta o mesmo de sempre

 

Retenho o excerto "A iniciativa foi organizada pela empresa pianos.pt, criada por Pedro Coelho e Hugo Freitas em colaboração com o Metro de Lisboa. De acordo com Pedro Coelho, a acção visa “pôr as pessoas com um sorriso na cara e tornar aquele que seria um dia normal num dia mais feliz”."

 

Mas o normal não seria que os dias fossem na sua maioria felizes? Um sorriso na cara não brotaria logo ao despertar se as pessoas soubessem que vão trabalhar guardando o proveito do seu esforço para si, em vez de entregá-lo à máquina demoníaca do fisco, que o dispende nisto?

 

Sou eu que só sei dizer mal. 

publicado às 13:17

Herberto e a Vacuidade

por Fernando Melro dos Santos, em 12.06.14

Ainda ontem a conduzir pensava nisto.

 

Um poeta não vende livros a €22, que esgotam. Isso é para prestidigitadores do nada como Pedro Chagas Freitas.

 

De um poeta só se ouve falar 30 anos depois de ele ter caído à cama, faminto e só, com tuberculose ou outra maleita social.

 

Herbertos, Válteres e demais nulidades, não obrigado. São outra forma de factura da sorte.

publicado às 09:41

Cavaco, desmaios e factos políticos

por John Wolf, em 11.06.14

Antes que me acusem de ser insensível, desumano e uma pessoa desprovida de sentimentos de empatia para com o próximo, permitam-me a seguinte defesa preventiva: não fico feliz com o sofrimento de seja quem for - presidente da república ou não. Mas o que está em causa é determinar se estamos na presença de um facto político. Nesta casa (no blog Estado Sentido) existem especialistas muito mais avisados do que eu que podem auxiliar na explicação que decorre desse conceito de ciência política. De acordo com muitos autores, qualquer evento que envolva um orgão de soberania (ou uma figura de Estado) preenche os requisitos de facto político desde que seja passível de causar efeitos políticos. A queda de uma cadeira (Salazar) ou o engasgar (W. Bush) podem ser entendidos enquanto factos políticos. No primeiro caso, esse acontecimento do foro privado teve implicações na mudança de um regime de um país. No segundo exercício não passou de um caso de bola (sim, W. Bush estava a assistir a um jogo de futebol e atravessou o petisco na garganta). O que deve ser trazido à discussão, sem falsos sentimentalismos e um sentido de ética duvidoso, reporta-se ao estado-geral de saúde do chefe de Estado. Nessa medida, e desejando que tenha recuperado bem da indisposição que sentiu nas comemorações do dia de Portugal, será legítimo, que num estado de direito democrático, os cidadãos coloquem as questões que entenderem sobre o estado de saúde dos lideres que conduzem os destinos do país. Não me parece extravagante que os eleitores queiram saber com quem podem contar ou não na prossecução dos objectivos nacionais. Ontem (e provavelmente ainda hoje e nos dias que se seguem), vozes críticas se fizeram ouvir, invocando que o que sucedeu na cidade da Guarda não passou de um episódio natural, normal. Pode ser que assim seja, mas um presidente da república exige mais atenção do que os restantes no que diz respeito aos seus movimentos políticos ascendentes ou descendentes. Concentremo-nos nos factos e deixemos o ruído de fora da discussão. Estarei a ser desrespeitoso para com o presidente?

publicado às 19:37

Hidra de Lerna

por Fernando Melro dos Santos, em 11.06.14

ID:
48260
Tipo: Anúncio de Procedimento
Descrição: Empreitada de requalificação de Imóvel para instalação do Polo de Formação Profissional de VRSA, de acordo com o protocolo tripartido estabelecido entre o IEFP, o Município de VRSA e a VRSA-SGU, EM, SA.
Entidade: VRSA Sociedade de Gestão Urbana, E. M, S. A.
Preço Base: 381115.00 €

 

 

Adenda: por mero acaso, publicou-se hoje no Brasil uma coisa parecida. Sem ironia, quaisquer igualdades nas alusões mitológicas em ambos os posts são mera coincidência "e não representam pessoas vivas ou mortas". 

publicado às 09:33

Constitucional (2)

por Fernando Melro dos Santos, em 11.06.14

Dois apontamentos. 

 

Um, eis mais um exemplo da acefalia suicidária aos comandos do eleitorado. Queixam-se dos cortes, e depois os vossos impostos, que aumentam sem parar, pagarão isto.

 

Dois, para ser coerente e racional, espero que Portugal perca logo na fase de grupos. Os meus impostos, que aumentam sem parar, não são para aquilo.

 

É mais próprio de países destes

publicado às 08:44

Querem comparar?

por Nuno Castelo-Branco, em 10.06.14

 

Desolador, o espectáculo esta manhã oferecido na inventada data nacional. Naquele terreno baldio, se excluirmos a apresentação das forças em uniforme de combate, tudo o mais foi de uma confrangedora miséria. Os oficiais de terra em fatinho cinza-rato, facilmente identificável com o dos antigos guardas nocturnos. Seguiam-se os da Força Aérea em similar vestimenta azul, bem própria para uma empresa de segurança de parques de estacionamento. Os terrestres e os aéreos de gravata, artefacto muito prático e de marcial balcão de atendimento. Salva-se a Marinha de colarinho fechado, mantendo a tradição e confundindo-se com as suas congéneres estrangeiras. Um alívio. 

Uma reportagem miserável, cheia de choros orçamentais e onde a entrevistadora facilmente soltou a língua dos representantes dos três ramos das F.A. Desta forma, ficámos a saber que a FAP faz a vez do Instituto de Socorro a Náufragos e que o Exército não passa de um ramo dos Bombeiros. Chachál conversa enquanto os militares tentavam movimentar-se em modo de marcha, coisa absolutamente diferente daquilo que há precisamente quarenta e um anos se via desfilando na Avenida D. Luís I, em Lourenço Marques. Não é a mesma gente e nem de longe são as mesmas Forças Armadas.

 

Quanto à esperada bagunça promovida pelos mesmos de sempre e com o bem visível não-professor que comanda a Frenprof, apenas uma questão: existindo a plena liberdade de expressão e de reunião, não é este último direito devidamente regulado pela Lei que exige um aviso de concentração e consequente autorização? Pois não parece que os senhores da CGTP-PC se tenham minimamente ralado com essas ninharias burocráticas. Também não parece que alguns militares e polícias bem visíveis durante o ultraje, algo tivessem feito para repor a compostura.

 

Uma "parada" cheia de barraquinhas de plástico. Música inaudível (1), péssimos uniformes (2), más e muito descoordenadas marchas (3), gritaria infernal e conversa televisiva constante, eis o espectáculo que bem representa aquilo que a República Portuguesa é e jamais deixará de ser.

 

É claro que nenhuma das nossas excelsas autoridades quererá aprender algo com aquilo que rotineiramente se passa em Madrid. Não querem nem podem. Espanha é uma Monarquia e apesar de todas as dificuldades, contradições e quezílias, uma Monarquia sempre será uma Monarquia. Nada de confusões, até porque hoje, ao pronunciar a palavra ...republicanas, o Sr. Cavaco Silva ficou visivelmente indisposto. Nós também.  

 

(1) Aprendam com os alemães

(2) Contratem um estilista militar chinês

(3) Contratem alguns instrutores do exército russo

publicado às 19:05

10 de Junho, no meu ideário

por Fernando Melro dos Santos, em 10.06.14

publicado às 17:46

Horror sem fim (27)

por Fernando Melro dos Santos, em 09.06.14

26% de certa amostra humana pensa que a palavra "entre" é uma contracção.

 

Não será falacioso inferir que uns bons 50% não sabem o que é, em língua portuguesa, uma contracção. 

 

Mais medonho ainda é tentar entrar na cabeça daqueles 26% procurando entender do que, a sê-lo, a palavra "entre" seria uma contracção.

publicado às 22:57

Onde estou? O que faço aqui?

por Fernando Melro dos Santos, em 09.06.14

Comemorações do 10 de Junho começam a 9 de Junho.

 

Lisboa entupida para a celebração dos Santos Populares desde há 15 dias.

 

O Natal este ano será em Outubro? Espero que esteja calor, já não posso ver gente sem chinelos, isto nem no tempo do Salazar.

 

Passos explica em directo que não está a renegociar o resgate. Para onde foi o dinheiro do resgate, que temos de ir aos mercados e ficamos aflitos por causa de uma tranche de 2 ou 3 mil milhões?

 

Não importa, tira-se uma selfie no Urban Beach com jogadores, Presidente, candidato e cantautores. 

 

Viva, viva!

publicado às 15:12

Da democracia interna dos partidos políticos

por Samuel de Paiva Pires, em 07.06.14

Em tempos disseram-me que não é possível leccionar uma cadeira sobre partidos políticos com uma certa propriedade sem ter passado precisamente por algum partido. Para podermos perceber o mundo e escrever sobre ele temos, efectivamente, de viver nele, de o experienciar.

 

Eu conheci relativamente de perto uma diminuta parte da realidade da JS e do PS. Alegadamente inscrevi-me, em tempos, no PSD, mas a minha ficha, misteriosamente, desapareceu e eu acabei por me afastar - não sem antes ajudar um amigo a ganhar umas eleições numa secção da JSD e ter a oportunidade de ver as coisas mais mirabolantes como betos da Av. de Roma a contratarem capangas do Martim Moniz para dissuadir os concorrentes de votar, quotas de militantes a serem pagas por alguém do partido para garantir que determinados militantes poderiam votar, o controlo exercido sobre instituições como a Santa Casa da Misericórdia ou empresas municipais e outras que tais - e sou há alguns anos militante da JP e do CDS, que é onde me sinto mais confortável em termos ideológicos.

 

Neste âmbito, uma das actividades que mais me apraz desempenhar é a de estar nas mesas de voto, ajudando a que os actos eleitorais intrapartidários decorram com normalidade. Como cientista político, é uma posição privilegiada que me permite observar determinados comportamentos. Talvez um dia, num livro de memórias que não interessarão a ninguém, deixe registadas certas impressões pessoais. Mas vale a pena adiantar somente o óbvio que talvez não seja tão óbvio para quem não circula nestes meandros: na politica intrapartidária, as ideias e os programas valem absolutamente nada, e estratos sociais ou idades (dos 14 aos 90, literalmente) são também absolutamente irrelevantes quando está em causa a vitória numas eleições. Muitas vezes, aqueles que se preocupam em criar um programa, propor e debater ideias e propostas perdem para os que conseguem mobilizar mais militantes, não apresentam qualquer programa e, no fim, até têm o supremo descaramento de se dizerem convictos de que venceu o melhor projecto.

 

É o vale tudo do maquiavelismo, essa má moral e péssima política, segundo Wilhelm Röpke. Que, do meu ponto de vista, ganha contornos particularmente perversos quando é praticada por católicos (podem sempre invocar Richelieu, embora não me pareça um exemplo particularmente edificante). A distância que vai do que se proclama ao que se pratica torna-se gritante, mas com certeza que umas avés marias e uns pais nossos lhes garantirão um lugarzinho no céu.

 

Tenho sorrido sempre que leio ou oiço alguém dizer que António Costa não é ideologicamente diferente de António José Seguro, e que nem sequer terão ideias diferentes quanto aos problemas principais que nos assolam. Não percebem que isto interessa para muito pouco ou nada no que à vida interna dos partidos diz respeito. E escapa à minha compreensão com que autoridade um líder partidário que emerge deste género de processos políticos pode exigir a outro líder partidário que se coloque o debate no plano das ideias e não no das pessoas - o que reflecte apenas a hipocrisia reinante. Como em tempos ouvi a alguém, a democracia também é demografia, i.e., o valor de cada um é medido pelo número de votos que vale, pelo caciquismo.

 

Adopto, naturalmente, a máxima, que de tantas vezes repetida se tornou um cliché - e frequentemente é até invocada pelos que procuram justificar os seus actos ilícitos, desonestos ou até ilegais - de que a democracia é o pior regime à excepção de todos os outros. Na esteira de Robert Dahl, sou democrata mas não deixo de criticar a democracia. Mas a democracia, para poder sobreviver, necessita de ser aquele regime que se corrige e regenera a si próprio, onde se exerce a autocrítica, à maneira de Karl Popper, e onde uma certa ética tem de imperar, procurando evitar-se a anaciclose. A democracia é, como ensinava Raymond Aron, a institucionalização do conflito. E neste não pode valer tudo, acrescento eu. Afinal, até na concepção clássica de guerra há respeito entre os adversários, regras e limites éticos.

 

Não é por acaso que os clássicos são sempre os clássicos. No princípio do século XX Ostrogorski e Michels observaram o funcionamento dos partidos políticos e não parece que as coisas tenham mudado muito. Para quem ainda prefere quebrar a torcer e repudia a máxima "se não os podes vencer, junta-te a eles", torna-se fácil perceber as razões na origem da desilusão de Michels com o SPD e a subsequente atracção pelo fascismo. E talvez também aqui se encontre uma parte da chave para compreender fenómenos políticos que se vão verificando no continente europeu, como os elevados níveis de abstenção, a reduzida participação política e a ascensão dos partidos de extrema-esquerda e extrema-direita. 

publicado às 11:56

Estamos ricos!

por Nuno Castelo-Branco, em 07.06.14

Além de publicamente ter renovado a sua vassalagem ao Sr. Socrates, Costa informou o país acerca daquilo que vai fazer. Tão preenchida agenda, apenas nos demonstra algo que talvez proclame nos próximos tempos: descobriu petróleo.

 

Se assim é, que seja primeiro-ministro durante umas quatro gerações. 

publicado às 08:46

Festa primeiro, limpeza depois

por Fernando Melro dos Santos, em 06.06.14

 

Os Deuses favorecem a greve dos lixeiros, ora extensão da falta de guita, em plena Lisboa festivo-cóstica.

 

Longa vida ao resquício. 

 

Primários.

 

publicado às 23:38

O Dia D

por Nuno Castelo-Branco, em 06.06.14

Parecendo uma repescagem das diatribes, omissões e falsidades durante décadas urdidas nos volumes da História da Grande Guerra Patriótica, têm ultimamente surgido alguns interessados pela temática II Guerra Mundial apresentando uns tantos "ses" sem qualquer sustentação, quando confrontados com a miríade de problemas ditados pela realidade tal como se apresentava em Junho de 1944.

 

Estando os historiadores perante a evidência de um conflito que cabe no conceito de guerra total, alguns pretendem  considerá-la de forma sectorial, limitada e sem atender à sempiterna companheira dos eventos bélicos, isto é, a política interna e externa dos beligerantes, os interesses geoestratégicos dos principais contendores, fossem aqueles económicos, militares ou de exercício da soberania.

 

Dizem então que o desembarque anglo-americano na Normandia terá sido uma invasão desnecessária. Argumentam com a evolução das operações no teatro de guerra da frente oriental que estava a cargo dos aliados russos. Esta é uma consideração errada em todos os pressupostos, sejam eles militares ou políticos.

 

Em Junho de 1944, a Alemanha ainda era uma potência bélica de primeira categoria, apresentando ao mundo umas forças armadas muito numerosas,  perfeitamente capazes sob o ponto de vista anímico e dotadas de equipamento tecnologicamente avançado. A indústria conduzida por Speer, atingiu picos de produção que não devem ser negligenciados, apesar dos redobrados esforços das campanhas aéreas desferidas pelas potências anglo-saxónicas. Não mencionado em detalhe a imensa superioridade técnica da sua arma blindada - mesmo atendendo aos modelos mais pesados do adversário soviético -, esta qualidade era extensível às armas que ditariam as regras nos conflitos vindouros. Mísseis de todos os tipos que iam surgindo nos teatros de operações, aviões a jacto, armas automáticas, uma nova geração de submarinos apenas muito mais tarde eclipsados pelo advento das classes movidas a energia nuclear, entre toda uma série de inovações que durante quarenta anos decisivamente influenciariam o desenvolvimento dos arsenais das principais potências mundiais.

 

Os britânicos consideravam imprescindível o desembarque na Europa, cientes que estavam daquilo que significaria a outorga de toda a guerra terrestre aos exércitos levantados pelo regime soviético. No que respeita aos seus aliados americanos, destes divergiam quanto à zona escolhida para a invasão, preferindo o "baixo ventre da Europa"- Mediterrâneo central, ou seja, a Itália, Grécia e a costa jugoslava -  às praias do norte de França. A verdade é que desde o início da sua intervenção, os americanos sempre privilegiaram os pontos de vista do Kremlin, conhecendo-se também as conversações que Roosevelt e a sua administração foi entabulando com os soviéticos a respeito da liquidação dos impérios coloniais europeus, britânico incluído. A Estaline interessava a intervenção anglo-americana de uma forma limitada - permanente bombardeamento aéreo da Alemanha e caudaloso fornecimento material à URSS - e no sentido do alívio do envio pela indústria alemã, de equipamento destinado à Wehrmacht na frente leste. Os aliados ocidentais eram meramente utilitários e o lend-lease absorvia o seu quase exclusivo interesse por eles. 

 

O conceito de defesa elástica que apesar de tudo o marechal Von Manstein conseguira impor como incontornável recurso para a contenção da avalanche que vinha do leste, é facilmente compreensível quando observamos nos mapas o lento avanço soviético em direcção a Berlim. Se a seguir a Estalinegrado (início do ano de 1943) esse progresso para ocidente parecia fulminante, a partir de Kursk - um colossal erro estratégico de Hitler - e apesar da esmagadora superioridade material, as ofensivas estiveram  muito longe de atingirem aquela velocidade que teria pressuposto a queda do III Reich na primavera de 1944. A inversão de alianças da Roménia e da Bulgária - já após o D-Day -, criou um certo vazio naquela zona dos Balcãs, sem que isso significasse a imediata chegada do Exército Vermelho a Budapeste, Praga e Viena. Apesar de se encontrarem em grande desvantagem numérica, os alemães fizeram arrastar durante longos meses, as campanhas russas na Polónia e nas províncias germânicas do leste, a Prússia oriental, Silésia e  Pomerânia. 

 

A presença anglo-americana na Itália, não era um factor determinante para a derrota do Reich a ocidente, dados os condicionalismos impostos pelo terreno admiravelmente propício a quem nele estivesse numa posição defensiva. Assim sendo, havia que escolher outro sector que se prestasse a uma maciça concentração de recursos bélicos e capazes de decidirem pelo número, o resultado de uma batalha que se previa difícil e custosa.  Sob o ponto de vista estritamente militar, os actuais revisionistas da história apresentam  como certa a vitória soviética a leste, na presunção de Estaline contentar-se com a tomada de Berlim e zonas da Alemanha concedidas após as Conferências do Cairo e Teerão, ao domínio russo. Nada mais ingénuo. Consciente dos graves prejuízos causados ao esforço de guerra alemão pelas vagas de bombardeiros da RAF e USAF, Estaline decerto pretendeu estender o tão longe quanto possível, a presença dos seus exércitos na Europa central e ocidental. Quanto a isto não poderá existir a menor dúvida, conhecendo-se a importância decisiva que o factor político-ideológico exercia sobre a sua condução das operações militares e diplomacia. Poderá alguém alimentar algumas ilusões quanto a um esperado deter soviético nas margens Elba?  Há que atender à forte presença da coluna pró-soviética que os partidos comunistas representavam na Europa ocidental, não se desconhecendo a eficácia do PCF que mesmo após finda a guerra, pesadamente influiria na condução da política francesa. 

 

É verdadeira a suposição de que a ausência de uma intervenção terrestre em França, teria significado a imediata transferência para a frente leste de importantes unidades da Wehrmacht, capazes de consideravelmente atrasarem o avanço russo e adiarem em longos meses, o desfecho do conflito. Neste caso, a pressão exercida pela guerra aérea anglo-americana apenas beneficiaria geoestrategicamente a URSS, dando-lhe campo livre para uma decisiva penetração na Europa ocidental e sendo impossível aventarmos até onde aquela poderia ter chegado. Paris?, Madrid? Lisboa? Nas  Conferências de Ialta e de Potsdam, Estaline insistiu na necessidade de um ataque aliado à Espanha de Franco e isto é por si demonstrativo de um aspecto que actualmente parece ter sido alijado das cogitações dos interessados pelo estudo dos últimos capítulos da II GM. Já é bem conhecido como um grave erro político - logo militar, num contexto de guerra total -, a negativa de Eisenhower em permitir um avanço dos seus comandantes em direcção a Berlim, considerada como um objectivo meramente simbólico. Estaline sabia que a capital alemã era muito mais que um simples objectivo de prestígio, pois o seu controlo pressupunha a reivindicação da legitimidade política sobre o conjunto da nação alemã, além de significar uma indefinida permanência do Exército Vermelho em pleno coração da Europa. E assim foi até 1990.

 

A vitória soviética era um facto iniludível, os números pesavam e a generosíssima contribuição material americana foi decisiva. Blindados na ordem de muitos milhares, milhares de aviões de todos os tipos, os uniformes que vestiram e as botas que calçaram as tropas russas, armas automáticas, artilharia, a prodigiosa quantidade de munições de todos os calibres, uma espantosa quantidade de veículos de transporte que decisivamente motorizaram o E.V., mares de combustível e de matérias primas, as rações de combate que fartamente alimentaram o gigantesco exército russo, eis a contribuição decisiva. Mas isto não era suficiente, pois americanos e britânicos receavam o advento das propaladas armas secretas à disposição do Führer, suspeitando da séria possibilidade de entre os recursos tecnológicos, poder encontrar-se a arma nuclear. Durante alguns anos - 1942-44 -, Estaline irrealistamente temeu a celebração de uma paz separada entre o Reich e as potências capitalistas ocidentais, jamais conseguindo entender o vasto quadro dos interesses dos EUA e do RU no concerto internacional e ostensivamente desdenhando do capital factor político na condução da guerra pelas potências demo-liberais. Jamais considerou a evidência de o seu regime se encontrar mais próximo daquele que Hitler simbolizava, desde a forma messiânica da condução do Estado, até à concentrada organização do mesmo. 

 

Os números apresentados pelo escalpelizar de forças presentes na frente ocidental, parecem ser uma pequena fracção daqueles outros com que deparamos na consulta dos registos da frente leste. No entanto, as campanhas em França, na Bélgica e na Alemanha ocidental, foram decisivas para o abreviar do conflito e garantir a sobrevivência das democracias ocidentais na Europa.  A partir desta realidade históricai, já estaremos no plano das suposições, onde apenas o Reino Unido dificilmente se teria mantido como a única parcela da Europa livre da ocupação e re-arranjo institucional ditado pela URSS. Daí até à quase imediata  eclosão de uma terceira guerra mundial, tudo é possível imaginarmos. 

publicado às 15:40

Mais medidas constitucionais

por Fernando Melro dos Santos, em 06.06.14
ID: 48198
Tipo: Anúncio de Procedimento
Descrição: Adjudicação do Fornecimento de Refeições e Serviço de Bar, para a Sede do CEPRA
Entidade: Centro de Formação Profissional da Reparação Automóvel
Preço Base: 201440.00 €

publicado às 09:10

Os « Franciscos Gomes » de Tomaz de Figueiredo ( 2 )

por Cristina Ribeiro, em 06.06.14

" Esperemos que a RDP ainda guarde as charlas radiofónicas do Tomaz, que deram origem depois à edição impressa do Diconário Falado. Que bom que era podermos ouvi-lo! ", escrevia há tempos um caríssimo amigo na caixa de comentários do blogue. Como me lembrei desta esperança quando há pouco liguei a televisão - só politicozinhos, desses que fazem a politicazinha que inça o nosso quotidiano. Programa de verdadeiro serviço público, como deveria ostentar a televisão estatal? Pois continua a sonhar!...

publicado às 00:21

Mainstream Media (1)

por Fernando Melro dos Santos, em 05.06.14

Quando leio os titulos do Jornal de Negocios pergunto-me quem pagará a pessoas para irem buscar informação copy/pastada, com lag e validada previamente pelo establishment.

publicado às 19:36

Inenarrável

por Fernando Melro dos Santos, em 05.06.14

 

Imagem "twittada" há instantes pela Casa Branca, onde a governação da maior economia do Mundo há muito cedeu lugar à vacuidade. 

 

publicado às 16:37







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