Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O Ministro Chupa-Chupa (2)

por Fernando Melro dos Santos, em 20.11.14

 

"Eu estou obviamente em total desacordo com a decisão que essas empresas tomaram, mas aqui não existem estados de alma. Quem paga IRS e quem paga IRC tem de honrar os seus compromissos independentemente de poder gostar ou não gostar de um determinado imposto", afirmou Jorge Moreira da Silva.

 

Com certeza, caro Infante, com toda a certeza que sim. Não fossem dois factos indesmentíveis, e teria Vossa Menineza toda a razão.

 

É que um, nem os contribuintes singulares nem os colectivos assumiram qualquer compromisso para com as políticas despóticas de V. Exa, sobretudo sabendo onde vai parar o fruto da colecta. 

 

E dois, queira Vossa Querúbica Munificência dar o exemplo, honrando os compromissos sobejamente propalados aquando da campanha eleitoral. 

 

Até lá, viva a Galp, viva a REN, e viva a rigidez vertebral. 

publicado às 11:06

Inveja (3/7)

por Fernando Melro dos Santos, em 20.11.14

 

Persiste hoje a superstição, entre votantes como entre abstencionistas, de estarmos a viver no menos mau dos sistemas, atavismo este cuja primeira consequência é a da apatia crónica.

Apesar de forte, a crença não chega para evitar que, perante a óbvia e persistente contradição que opõe este mito à realidade, o Português, em curto-circuito neuronal, reaja como o Homem do Neolítico: procura xamãs, vira-se para condutas basilares, visa assegurar o seu quintal e pouco mais. 

 

Na análise clínica deste fenómeno endémico e transversal a todos os patamares sócio-económicos, culturais e ideológicos, em particular sobressai a apetência da amostra pelo que de forma ostensiva, fácil, e imediata possa granjear-lhes uma polegada que seja, por milésimos de segundo, de ascendente sobre o seu semelhante. 

Exemplos disto há-os no condutor que acelera e ultrapassa com um esgar furioso no cenho, para depois, vinte metros à frente, ficar parado no semáforo; nas hordas que afluem a concursos e programas vespertinos, a troco de farelo; e mais grave, já de outra ordem malsã, o caso da "factura da sorte".

 

Aqui, importa entender que o problema é tripartido.

Primeiramente, trata-se de obedecer cegamente e sem exigir provas ao ditame dogmático segundo o qual o dinheiro dos nossos impostos é tanto mais eficazmente aplicado quanto mais eficaz for a sua colecta. Ora se isto não é falso, que razão podem ter os manifestantes, indignados, desempregados, expropriados, falidos e demais testemunhas da vergonha ímpar que é o fosso (em tantos, tantos aspectos...) entre políticos e "pessoas normais"? É, portanto, falso que um aumento de impostos conduza a melhoramentos nos serviços do Estado, exceptuando talvez nas regalias concedidas a quem gravita nos círculos do Poder.

Em segundo lugar, a atribuição de prémios mediante denúncia, pois é esse o acto que um cidadão pratica ao fornecer o seu número de contribuinte aquando da recepção de uma factura - denuncia-se a si mesmo abrindo mão da privacidade, e denuncia o prestador do serviço anulando qualquer hipótese que este possa ter de gerir o seu negócio da forma que bem entender, ficando até, eventualmente, com mais dinheiro de sobra para nele reinvestir ou, em querendo, praticar caridade - é aviltante, em suma, é a chibaria por trinta dinheiros e de pouco ou nada serve a não ser, uma vez mais, aos mesmos de sempre. 

A terceira e última graça desta invenção chico-espertista é que demonstra à saciedade a ineficiência de tudo aquilo em que o Estado luso se mete, pois não funciona. O spin com que esta notícia é dada nem ao mais bronco eremita engana, mas ainda que fosse cem por cento verdadeiro o que ali se escreve e o que diz o Governo, permaneceríamos perante um conflito de interesses: a coluna vertebral do indivíduo face à sanha vampiresca do colectivo.

 

Como pode, então, a vida neste país ir além de uma sucessão maníaco-depressiva de dias em que nada se ganha, nada se perde, mas também nada se transforma? 

Não pode. Só pode piorar antes de melhorar. 

Philip K. Dick, na obra menos lida "Os Clãs da Lua de Alfa", satiriza pungentemente um cenário semelhante ao nosso, mas à escala planetária. É de ler. 

publicado às 09:06

Gula (2/7)

por Fernando Melro dos Santos, em 19.11.14

Sou um néscio.

 

Cresci empiricamente, numa aldeia onde cedo se ganhava anticorpos a tudo, desde os espinhos na mata que era sempre além-fronteiras, até à dor, no ego e nos queixos, do "pêro" bem assente por alguém com quem não devíamos ter-nos metido sem pensar.

 

Depois, estudei, e fiz profissão nas ciências exactas. Onde elas não chegam, e onde eu entendo que, cheguem ou não, algo mais ficará por explicar ("porquê" versus "como", desafio obstinado que tantas vezes lanço a ateus amigos - que os há) tenho crenças e convicções, das quais não fujo um milímetro sem que venha de imediato enroscar-me no acto de contrição. E com isto, atingi dois dos quatro saberes, sem ficar menos néscio.

 

Entretanto a vida encarregou-se de propelir-me, ora portador sintomático da condição humana que é ser-se dual, entre a mais galharda luz e dias de trevas sem quartel. Pouco há onde uma pessoa possa acoitar-se senão na metafísica e no império interior, quando assim é, abraçando o salto sem rede, a paternidade, amores e desamores, ruas, cais, florestas e catedrais. 

 

O que resta daqui no lado escuro do mapa é pertença do último patamar do conhecimento, a Teologia. E disso não faço, por ser mais económico, mais elegante, e mais divertido ser néscio. De uma forma ou de outra, saberei a seu tempo.

 

Do que falo então neste post? Do único dia em que entrei no Palácio de São Bento, ora templo maior da putrefacção em que uma grosa de labregos, a cavalo na gula de muitas tribos excrementícolas, transformou o que outrora foi, mirabili dictu, uma Nação.

 

O que vi eu quando lá entrei? Vi, por ordem sortida, o deputado Paulo Campos passeando impune a sorrir como se nunca tivesse sido acusado, e suspeito, de crimes hediondos contra o interesse público; uma ementa repleta de pratos com descrições sápidas, a preços de feira; muitas salas vazias de gente e prenhes de bustos, placas e demais alusões onomásticas que de bom grado soltaria ao passar de comboio sobre o Tejo; vi e ouvi pessoas de todo o espectro partidário, da esquerda assumida à esquerda em negação - pois nada mais lá sobrevive - a rir, gracejar, e incinerar por inacção, a cada minuto, nota após esforçada nota do contribuinte luso. Não brinquemos, é coisa para contar aos meus netos mal os tenha no regaço com idade suficiente (eu) para saber estoriar e (eles) para saberem ouvir. Vi coisas que nunca ninguém deve ver, sob pena de lá querer voltar e correr a casa, de lés a lés, de machado em riste. 

 

Se ao menos três anos de socialismo encapotado tivessem bastado para devolver tomates a quem quer que tenha alguma razão para cá ficar. 

 

 

publicado às 19:10

Soberba (1/7)

por Fernando Melro dos Santos, em 19.11.14

Lição de hoje: "viver acima das suas possibilidades", aplicado a um país, é quando um autarca dispende 300 mil euros em luzes de Natal.

 

Por elas serem dispensáveis? Nao. Por três motivos.

 

Porque a ostentação com dinheiros públicos numa província intervencionada devia ser crime, e aqui há ostentação, uma vez que o mesmo efeito de celebração e alegria seria facilmente atingido com alguma, apenas alguma, parcimónia.

 

Porque ainda que tivessem, forçosamente, de ser instaladas as mesmas luzes, SERIAM MAIS BARATAS na Alemanha ou em França, países cujos níveis de vida (salariais, cuidados de saúde, gasolina, energia, etc.) são incomparavelmente melhores que os de Portugal, uma paróquia armada em diocese.

 

Porque o autarca em questão é candidato a um cargo mais alto do que o correntemente ocupado.

 

É isto "viver acima das suas possibilidades". Estoirar este dinheiro, na crença de que somos Europeus, por termos podido inchar a crédito para cobrir a diferença (galopantemente maior do que o produto do trabalho) na qualidade de vida que nos mostraram, quais alemães de Leste quando o muro caíu.

 

Não somos, nunca fomos e se Deus quiser, nunca seremos. Só é pena que tarde tanto a findar a ilusão. Dura até acabar o dinheiro, a paciência ou a vida de quem a paga.

publicado às 16:08

Noé

por Fernando Melro dos Santos, em 19.11.14

Legenda:

Isto assim vai haver cheias, para as quais não há solução, mas abre-se mais umas vinte avenidas todas a descer, que ainda temos muitos tiranos por utilizar. Quando for eleito faço uma para o Pol Pot. 

publicado às 09:42

300.000 rastilhos de António Costa

por John Wolf, em 18.11.14

pillar-burning-honey-candles

 

Fico com náuseas. Fico com a cabeça a rodar. Sinto o estômago a dar voltas. Mas sobretudo sinto raiva quando sou confrontado com políticos que nada têm no bolso, e que à custa dos cidadãos, querem fazer bonitos e ser populares, simpáticos, elegíveis... Em tempos de grave crise económica e social, a Câmara Municipal de Lisboa simplesmente não pode gastar 300.000 euros em luzinhas de Natal (não sei se este valor inclui a conta de electricidade). Que António Costa não me venha com essa conversa da pequena alegria que está obrigado a dar às pessoas. Treta. Se fossem criativos lá para os lados dos Paços do Concelho, poderiam propor uma vigília à Nazarenos - em que cada uma traria uma pequena vela para iluminar o lirismo da quadra. Uma concentração  de  cidadãos para uma reflexão conjunta sobre as adversidades, e o modo como o espírito humano pode superá-las. Uma cidade rica em iconografia e santos padroeiros, de corvos a Santos António, não se pode deixar vender por saldos de ocasião. Com 300.000 euros, uma obra "para ficar" poderia ser erigida. Acresce a todo este aparato de killerwatts, uma outra dimensão - quem ganha com o negócio das lâmpadas e lamparinas? António Costa prova que não está à altura da situação, da falência que nos condiciona, mas que não nos deve atar as mãos. Combinemos então a noite da procissão - e cada um que traga a sua vela de santuário, e diante da sede da capital, afoguemos o nosso desagrado pelo esbanjamento da razão e do bom-senso.

publicado às 22:33

Igreja e Convento do Sacramento 

 

Em tempo de crise nada como fazer gastar a todos nós cerca de meio milhão de euros em escandalosas mas legais mordomias. Eis o futuro escritório do actual Presidente Aníbal Silva. Ou a vergonha da III República!

publicado às 14:08

Cartas de Iwo Jima

por Fernando Melro dos Santos, em 18.11.14

26.06.2010, Correio da Manhã:

 

Rui Pedro Soares queria limitar o poder de reacção do Presidente da República no negócio PT-TVI e a solução passava por Luís Montez. Genro de Cavaco Silva, Montez está há muitos anos ligado à Comunicação Social (dono da Radar, da Oxigénio, da Rádio Capital e da Rádio Amália) e o objectivo era que o empresário fizesse parte do negócio entre a PT e TVI.

A 24 de Junho, quando estava em Madrid para fechar o acordo, e horas antes de José Sócrates ter dito no Parlamento que desconhecia o negócio, Rui Pedro fala com Paulo Penedos. Em tom de brincadeira, pergunta quanto é que vão cobrar por conferência e avança que há um dado novo – 'as rádios [a Media Capital é dona da Comercial, Rádio Clube, Cidade e M80] vão ser compradas pela Ongoing e pelo genro do Cavaco'. Penedos diz que isso é bom e pergunta se Rui Pedro é o 'autor dessa patifaria'. Em resposta, o antigo administrador da PT deixa bem claro qual é o objectivo: '[Falando sobre Cavaco] é o preço da paz e esse cala-se logo, fica a cuidar dos netos'.

 

18.11.2014, Observador:

De um palácio cor-de-rosa para um convento cor-de-rosa. Quando tiver de deixar o Palácio de Belém, em Março de 2016, o Presidente da República já tem a escolha de gabinete feita: uma parte de um Convento em Alcântara. Cavaco Silva está a preparar o futuro pós Presidência da República, já deu ordem para avançar com as obras que vão custar 475 mil euros (IVA incluído) e a assinatura do contrato vai acontecer em breve.

 

Já se sabe onde Cavaco vai tomar conta dos netos. O preço da paz, pelo menos em obras, será de €475.000 (antes de derrapagens, ajustes, inflação e eleições) pelo que ao mais alto magistrado da Nação, o ES deseja uma feliz reforma sempre com a rádio bem sintonizada e que não lhe falte a Amália.

Fica por explicar, como tudo fica por explicar num país convertido em bairro social, todo o caso das escutas (emails "extraviados", assessores demitidos, o silêncio) mas também, a bom ver, é mais uma gota no rio por onde foram Júlio Sebastião, o Núcleo Sinistro, o Heron Castilho, o anacoreta de Shaolin, e tantas outras esculturas político-partidárias. 

publicado às 11:50

As Bandeiras dos nossos Pais

por Fernando Melro dos Santos, em 18.11.14

 

publicado às 11:33

O Ministro Chupa-Chupa

por Fernando Melro dos Santos, em 18.11.14

Imagem: foto da minha rua conforme se encontra há 9 dias bem contados.

 

Pagar IMI em Palmela é isto. Todos os anos há festa, febras, vinho e barraquinhas, mas certas imperfeições permanecem imunes ao bem-querer da dinastia que gere o burgo. 

 

Já sei, para alterar o comportamento dos cidadãos, que não aproveitam estes restos nutritivos, devia ser taxado cada kg de desperdício que onera o desempenho laboral-constitucional dos expeditos funcionários da CMP, tornando impossível a recolha atempada dos detritos.

 

Esta merda está assim há uma semana. Uma semana. E há outro case study: só este ano já cá veio duas vezes o rapaz montado no rolo compressor, passar gravilha e poeira sobre os buracos da rua. Que eu veja, fá-lo há cinco anos. Entretanto chove, como é normal que chova, e volta tudo ao mesmo. Pelo mesmo custo, já a teriam alcatroado.

 

Talvez também aqui fizesse falta uma taxa, por direitos de passagem: os pés dos moradores alargam os buracos e elevam no ar bactérias e fungos possivelmente ameaçados de extinção, pondo em causa o moderno ecossistema que é Portugal.

 

Aliás, tratando-se para mais de um país onde, como reiteradamente afirmou ontem no Prós & Contras o menino Jorge Moreira da Silva, estamos finalmente a par - só nos faltam autocarros eléctricos, camiões a gás e punições maiores para quem trabalha - das outras salas deste manicómio que é a Europa.

 

Para o que eu havia de estar guardado com esta idade. O ministro do Ambiente parece um daqueles putos a quem nos dava vontade de cobrir de lambadas quando andávamos na escola. A par de Eurico Dias, que está provavelmente na calha para o substituir quando o Marajá do Roxy ascender ao trono, JMS é dos copinhos-de-leite mais enervantes que tenho visto pagar com os nossos impostos.

E é um sovietizado exemplar, senão vejamos o tom de grande educador pesporrento, emitido por um imberbe daqueles ainda a ecoar à mastigação de Cerélac por todos os poros, coisa que num país civilizado daria direito, no mínimo, ao suplício da estrapada.

 

Aqui? Balidos... 

 

Frases que cativam e despertam a vontade de desintegrar o partido inteiro que pensou, germinou e deixou eclodir JMS: "se queremos mudar o comportamento dos cidadãos, este é um bom começo". Como se fosse o comportamento dos cidadãos, e não a cristalizada, quando não demolida, rede de transportes públicos - mas cujos funcionários auferem subsídios do primeiro mundo - o problema, e sim o demoníaco automóvel onde diariamente as pessoas, por falta de opção, levam miúdos à escola, compram mercearias, vão trabalhar e pagam multas e taxas e coimas e arruínam, nos fossos a céu aberto que são as estradas municipais, esse mesmo súcubo motorizado.

 

Senhor Ministro, vá mudar uma coisa que eu cá sei. Estou fartinho de si e dos seus congéneres até ao vértex. 

 

publicado às 10:19

As razões de vida de Marques Mendes

por John Wolf, em 17.11.14

marques_mendes

 

Se houvesse alguma coerência e sentido de ética, a SIC já deveria ter prescindido de uma série de comentadores. Em vez disso, concede-lhes direito de antena - direito de resposta. Maria João Ruela, ou qualquer outro dos seus colegas dessa estação de televisão (ou de outra que queiram elencar), pode brincar às adivinhas, às perguntas e respostas, e fingir exercer jornalismo, mas não tem culpa no cartório. A repórter é um(a) pau-mandado e faz o que o patrão lhe manda fazer. O ex-ministro Miguel Macedo fez o que outros já fizeram (o barão do PS Jorge Coelho demitiu-se após a queda da ponte de Entre-os-Rios) e salvaguarda o princípio de responsabilidade política por mais remota que seja a sua ligação a forças desviantes, a erros de governação e ilegalidades. E essa regra transcende as interpretações decorrentes das minhas preferências ideológicas. Marques Mendes, embora inócuo e inconsequente, e de utilidade duvidosa, serve para ilustrar as várias nuances do absurdo que assola Portugal nos tempos que correm. O senhor explica " ter entrado nesta empresa com mais três pessoas depois de ter deixado a vida política ativa", mas sublinhou que nunca exerceu "qualquer cargo" e "por razões da vida" acabou "por não prestar qualquer atividade profissional a esta sociedade". Com o caneco; eu entro em minha casa todos os dias, sirvo-me da casa de banho, uso a cozinha e deito-me na minha cama, mas não digo que tenho casa há dez anos e que nunca me servi dela por razões de vida. Então por que carga de água Marques Mendes fez parte da empresa? Para servir de porteiro? Para decorar a fachada? Mas o homem não fica por aí. Aproveita a cadeira do estúdio para picar o ponto com: "Eu pauto-me por princípios e na vida tem de haver princípios, cada um responde pelos seus atos e em democracia, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei, sejam amigos, sejam conhecidos, sejam parentes, sejam familiares, seja quem for, a lei é igual para todos e se alguém comete um ilícito tem de haver mão pesada da parte da Justiça", defendeu. Contudo, o mais grave destas cenas picarescas, é que para a semana que vem, bancadas repletas de cidadãos portugueses continuarão a sintonizar o tal canal para escutar com atenção mais balelas, ruelas - também sei encostar o queixo à mão.

10460837_10153285806153056_5907362190672707486_o

 

fotografia JW por Kenton Thatcher www.kentonthatcher.com

 

 

publicado às 08:35

Árvore de Natal do SEF

por John Wolf, em 15.11.14

arvores-de-natal-02

 

Já vi o arranjo de Natal do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). É dourado. Só visto.

publicado às 20:35

formula

 

Uma das equações de Portugal dos tempos modernos = nomeação de filha para presidência na EGEAC = corrupção no SEF = prémio Leya para trineto de Eça de Queiroz = Operação Furacão = Face Oculta = Freeport = Financiamento ilegal de partidos políticos = Rio Forte = fraude do BPN = BES = Fortuna de Sócrates = a equação propriamente dita, dita mesmo...explicada.

publicado às 17:59

Café Turco

por Fernando Melro dos Santos, em 15.11.14

Por favor, façam isto cá.

publicado às 08:22

Sindicato da Esterilidade

por Fernando Melro dos Santos, em 13.11.14

Noticia mais arrepiante do ano, no jornal Sol:

 

"O Instituto de Política Familiar (IPF) divulgou hoje, em Bruxelas, um relatório segundo o qual sete em cada dez famílias da União Europeia (UE) não têm filhos, estando o índice médio de fecundidade nos 1,58 por mulher.

Segundo o relatório, em média, os europeus gostariam de ter 2,3 filhos por mulher, sendo o horário de trabalho pouco flexível o principal obstáculo identificado pelo IPF.

De acordo com o relatório sobre a Evolução da Família na Europa 2014, todos os Estados-membros estão abaixo do nível de substituição geracional (2,1), com Portugal a apresentar o pior índice de fecundidade (1,28), seguindo-se a Polónia (1,31) e a Espanha (1,32).

Por outro lado, a população europeia está cada vez mais envelhecida, com uma idade média de 41,9 anos, quase mais sete do que em 1990."

 

Isto são patranhas. Num inquérito realizado por mim, e cujos resultados se assemelham aos deste (sete em cada dez inquiridos nao têm filhos) as razões apontadas como obstaculizantes foram:

 

- "precisamos do nosso tempo para fazer coisas"
- "nao conseguimos sustentar uma criança e dois caes"
- "ja ha muitas criancas no Mundo"
- "nao tenho jeito para isso"
- "quero acabar o meu segundo doutoramento"
- "oh"
- "nao sei, ele/a nao era bem a pessoa certa, vou ver, vou ver"

 

As "coisas" vao ser deixadas aos filhos dos outros povos, que nao querem saber se comem menos meio bife desde que isso lhes dê uma familia. O resto sao pretextos de merda.

Portanto nao me lixem com ilusionismos.

publicado às 21:09

As Fadas e os Duendes

por Fernando Melro dos Santos, em 13.11.14

"Os enfermeiros portugueses marcaram uma greve nacional para esta sexta-feira e para o dia 21 deste mês, em protesto pelos cortes salariais nas horas extraordinárias, exigindo a progressão na carreira e a reposição das 35 horas de trabalho semanais."

 

A progressão na carreira é um absurdo próprio de burocracias dinásticas.

 

Trabalhar um número fixo, ainda por cima como o proposto, de horas por semana é a negação do profissionalismo.

 

Protestar pondo em causa vidas a meio de um surto é criminoso.

 

Ninguém obrigou os enfermeiros a escolherem ser enfermeiros, e estou certo de que se não houver um juramento envolvido, ao menos alguma ética haverá. Um trolha pode fazer greve; até eu posso ser trolha, não preciso de estudar para ser trolha, se eu não trolhar dificilmente alguem morrerá e não consta que as exigências deontológicas do trolhanço se equiparem às da enfermagem.

 

Portanto, meus caros sindicalistas, relíquias do PREC, fantasmas de Abril passado: ide para o caralho e cuidai de quem precisa. 

publicado às 13:39

Violência sonora

por Fernando Melro dos Santos, em 13.11.14

Parece que está a haver um buzinão no IC19. É pitoresco, mas deve surtir o mesmo efeito da carta que um reformado do Metro enviou ao PM:  "O excelentíssimo senhor primeiro-ministro leu a sua carta e enviou a carta para o ministro da Economia".  Até hoje...

 

Mutatis mutandis, o excelentíssimo senhor primeiro-ministro ouviu as vossas buzinas e mandou um mail para o ministro das Obras Públicas, ou do Equipamento ou lá como se chama agora o respectivo poiso de inúteis. 

 

E chove, mas as temperaturas não descem. Diz que o tempo de antena do Costa ontem foi marcado por uma certa esterilidade. 

publicado às 11:17

Solução à Portuguesa

por Fernando Melro dos Santos, em 13.11.14

Secretário de Estado da Saúde garante que "o assunto está resolvido".

publicado às 10:12

Straitjacket

por Fernando Melro dos Santos, em 13.11.14

 

Hoje, dia de S. João Crisóstomo Arcebispo de Constantinopla (calendário hagiológico ortodoxo) é também dia de os enfermeiros, classe oprimida do povo cuja escolha profissional lhes foi imposta pela pressão austeritária - ao contrário de alfaiates, padeiros, mecânicos, e explicadores de Física, que são todos uns capitalistas ultra-liberais, pugnarem pela libertação por via de uma greve. Que estejamos a meio do maior surto de Legionella do Mundo, com gente morta e em cuidados intensivos, é menos de zero na escala da animalidade umbilical por onde se regem certas manadas. 

 

Soubemos ainda, de acordo com notícia veiculada pelo "i" de ontem, que (cito) "o Fisco abre a caça ao IMI pondo no terreno fiscais em busca de prédios devolutos". Parece ser assim oficial que o acto venatório, para o Fisco, não só transvasa os clássicos e obsoletos Reinos da Natureza - animal, vegetal, e mineral - como dispensa e ignora a consulta do edital cinegético afixado pela AFN em todas as Juntas de Freguesia, essas singularidades de onde nem a luz escapa e nada se sabe acerca do que fazem. Uns são sobrinhos, outros só os fazem se quiserem. 

 

De resto parece haver pouco a assinalar no burgo, contrariamente aos Antípodas, onde um grupo de juízes Timorenses (haverá um gentílico para Loro Sae? Loroçaenses?) está barricado numa casa, segundo avança o Expresso, por terem feito a coisa certa. Portugal não precisa de diáspora, a sua marca vive bem presente em todo o Globo. 

publicado às 09:50

Lex Baculorum

por Fernando Melro dos Santos, em 12.11.14

Não simpatizo com Marinho e Pinto, e muito menos com Ana Gomes. Contudo, ao saber que estão em curso pedidos de levantamento da imunidade parlamentar a ambos (uma figura com a qual, por acaso, também não concordo) é imediato para a minha mente relacionar a enorme proactividade do sistema (Marinho afronta, tem de ser metido na ordem; Ana Gomes mordeu o xôtôr, tem de ser mordida de volta) com a passividade do eleitorado.


Afinal, se para ter acesso à Justiça já não basta ser rico, ter padrinhos, e estar dentro da máquina, para quê fazer barulho por causa de nove ou dez mortos? Ainda nos sucede qualquer coisinha má, como no tempo do Salazar. 

 

No Direito Anglo-Saxónico o juiz é praticamente soberano; no Direito Romano, nem tanto; no Direito Português o juiz é visto como mais um mensageiro da desgraça. Não consigo imaginar maior perversão da ordem das coisas. 

publicado às 19:07







Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds