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Medalha de Bronze

por Fernando Melro dos Santos, em 12.11.14

Portugal tem uma subdirectora-geral de Saúde, um director-geral de Saúde, um secretário de Estado da Saúde, e um ministro da Saúde.

Abaixo da primeira existe uma estrutura inumerável, e acima do último, um Primeiro-Ministro. 

Este surto de Legionella é o terceiro maior de sempre, no Mundo. 

Estava aqui a pensar que se tivessem morrido um cão, um rododendro e um xisto, em vez de nove pessoas, se calhar já havia petições, marchas, um partido novo e gente a proferir ameaças indignadas e a emigrar.
Não sendo o caso, a democracia impera serena e a pirâmide conserva os degraus todos. 

publicado às 18:33

Vota, empobrece, morre, indigna-se, vota (repetir)

por Fernando Melro dos Santos, em 12.11.14

15:02 "Para o futuro próximo, o secretário de Estado espera "assistir à diminuição progressiva de novos casos", sublinhando: "brevemente esperamos começar a ter altas dos doentes internados e que a situação regresse à normalidade"." (DN)


15:43 "De acordo com informação avançada esta quarta-feira pela SIC Notícias, há mais duas vítimas mortais a lamentar como consequência do surto de Legionella que tem afetado a zona de Vila Franca de Xira, mais precisamente nas localidades Vialonga, Póvoa de Santa Iría e Forte da Casa." (Notícias ao Minuto)

 

16:10 "Entretanto, um homem que morreu, em casa, na freguesia de Vialonga, na passada segunda-feira, poderá ser a oitava vítima do surto que atingiu a zona sul do concelho de Vila Franca de Xira. De acordo com José António Gomes, presidente da junta vialonguense, o homem, de “cinquenta e poucos anos”, apresentava sintomas em tudo idênticos aos dos restantes infectados pela bactéria da Legionella. Veio a falecer na casa em que habitava com a mãe, na zona da Terra das Figueiras, e o corpo seguiu para autópsia, que poderá confirmar, ou não, a relação do óbito com este surto da doença do legionário." (Público)

 

(links indisponíveis para telemóvel)

 

17:45 Números da DGS: oito mortes, 320 afectados, 49 internados, um óbito em análise.

 

Qual será o limite da inacção, do medo e do conformismo?

publicado às 16:19

Fórum ES

por Fernando Melro dos Santos, em 12.11.14

- O nosso entrevistado de hoje é Álvaro Assumpto Javardo Lopes de Lopes, fiscal sudoríparo. Bom dia Álvaro, bem vindo ao forum.

 

- Bom dia, e bom dia ao auditório e obrigado por esta oportunidade que me dão de falar num dia tão feliz. Só uma correcção ao meu nome, eu sou Assunto, não sou Assumpto. É uma coisinha só, nao me leve a mal. O resto está correcto.

 

- Álvaro, mas fiscal sudoríparo, e logo numa zona tão diferenciada como a Damaia. Como é que chegou a esta profissão? Fale-nos um pouco do que leva alguém com o seu passado - escriturário numa conservatória, auxiliar de acção coerciva, oficial de autenticação de senhas - a optar por esta inflexão já perto de um fim de carreira.

 

- Bom, olhe, eu optar, deixe-me primeiro dizer que grande democrata é esse enorme, corajoso, valente e libertador nosso Primeiro, o doutor António Costa, reconhecido no mundo todo, nao é, até veio em várias rádios e constou-se por essa sociedade fora, nao foi so cá, que veio salvar isto tudo, porque primeiro cortaram as pernas ao Sócrates, que estava a conseguir mudar isto, e agora queriam cortar ao resto do povo, que andava descalço e era assim sem saber ler nem calçar-se que eles o queriam. Portanto bem haja o gigantesco e colossal democrata, o professor presidente António de Oliveira - desculpe António Costa, pela liberdade que nos deu.

 

- Sim. Mas Álvaro, o que é que faz no seu dia a dia, como foi seleccionado para fiscalizar a carga de suor destilada por cada contribuinte, e com base nela, ao que sei, a taxa a aplicar na factura da água e consequente registo na base de dados de contribuintes com consumo restrito de sal, álcool, música e outras substancias indutoras de um suor menos comum?

 

- Então, isto foi um chamamento, se quiser, porque naquele dia, no dia em que lá foram ao bairro - olhe que dantes no meu bairro muita gente nem dinheiro tinha para trocar de calças uma vez por ano, e muitas crianças tinham que trabalhar aos 20 anos e nem sabiam o que era brincar na estrada, foi o grande democrata o arquitecto Mário Soares que acabou com essa pouca vergonha que era o meu bairro sem o dinheirinho que os ricos andavam a estoirar em calças mais de uma vez por ano - e eu fui. Eles deram-nos o que prometeram, ao contrário do Passos, esse demónio, e eu fui.

 

- Então - mas para que os nossos ouvintes possam perceber, Álvaro, vamos - peço-lhe talvez um exercício prático. Descreva-nos, desenhe-nos, um dia típico na sua actividade. Como é que este grande salto em frente veio a envolvê-lo?

 

- Sim. Pronto. Nós saímos de casa, e isto só a jeito de paralelo, nas nossas casas está agora instalada uma coisa nova que o altíssimo e puro democrata, o engenheiro pós-bacharel de Bolonha, António Costa, Marajá e Senhor da Sinalética, Trismegisto da Rotunda e Metropolitano Maior,  quis que testássemos e que - pronto, isto sem querer levantar muito o véu, que ainda sou advertido ou pior - nós quando saímos de casa passamos o punho num leitor biométrico, que nos apura logo as necessidades para o dia, e quando vamos almoçar por exemplo já recebemos - já viu xô jornalista - a refeição feita, com tudo à medida sem termos que andar como dantes, no tempo do Salazar, a ser nós próprios a procurar o que nos apetecia - e então depois encontramo-nos, os dezasseis de cada equipa à porta da estação. Então escolhemos os contribuintes que nos parecem mais prováveis de ter um suor desviado, pronto, isto também há objectivos, nao vou dizer que não os há porque não é com impostos que se lá vai a pagar isto tudo do primeiro mundo, a gente tem de entender que se evolui - e medimos sem incómodo nenhum nem dor nem atraso, aquilo é um sensorzinho que se coloca no lábio inferior e já está. Depois os dados são enviados em tempo real, através do ESCARROPE, que é um sistema topo de gama histórico no mundo e que encomendámos aos melhores consultores; se algum contribuinte tiver suado, logo ali, acima da terceira barra de controle, somos logo os dezasseis alertados e os nossos oito supervisores e os quatro oficiais dos nossos supervisores e os dois semi-supremos e o supremo local da mini-região valida e o contribuinte é ali logo sinalizado com uma luz vermelha que se acende nos nossos implantes para ser aconselhado, encaminhado e instruido antes de poder fazer diferença no ambiente dos outros, dos cumpridores. No fundo a regra é que se todos suarmos como deve de ser, suamos todos muito melhor.

 

- Muito bem. E nisto se bem compreendi, se fiz bem o meu trabalho de casa [piscadela de olho imperceptível para ouvintes enquanto o jornalista tacteia uma pastinha cor-de-rosa com o logotipo do Ministerio da Coesão Frontal] nisto somos pioneiros? Portugal é pioneiro.

- É. Ouça, isto nao tem nada a ver com aquelas patranhas que nos impingiam, desculpe lá o termo, no tempo dos nossos pais, coitados, fizeram o melhor que puderam, mas éramos todos pouco esclarecidos. Aquilo de deus, e de outros planetas, da vida após a morte, de nao se poder abortar porque aquilo lá dentro era vivo - qual vivo, vivo é o Eterno Comunicador o Juiz António Costa, AVANTE! ai desculpe-me que isto a emoção, eu se não fosse esta oportunidade que me deram,e bem, estava com a mulher do primo da minha cunhada, que nunca aceitou o Voto, nos programas da tarde a bater palmas por cinco euros - essas coisas que fazem parte de um passado onde nunca havemos de voltar, o Sistema querendo. Somos portanto pioneiros sim senhor e com muito orgulho e não temos que ter medo de o assumir porque no resto da Europa há países que já foram pioneiros nisto e estão hoje muito bem, tão bem ou melhor que nós. Isto pratica-se um pouco onde quer que as pessoas percebam o que é melhor para elas. No fundo é isto. 

 

- Álvaro, o nosso tempo está quase a chegar ao fim. Tivemos muitos ouvintes em linha, mas acabámos por encontrar nulidades processuais em todos eles, pelo que teremos de concluir o forum de hoje com mais uma questão dirigida a si, que me ocorreu agora sem qualquer motivo. Diga-me, o contribuinte, ora exsudante, não é onerado por nada disto. Nem é bem uma pergunta (risos).

 

- (gargalhada explosiva) AHAAHAUAUHAHAHHAHHHHHHH óóóóóóo'OAHUHAHHHH óóóó'ai o senhor! nãoó, ó, Não. Está a brincar, o senhor é muito - ai essa agora, como se fosse possível. Já percebi, já percebi o que o senhor quer dizer.

Não. Isto não tem custos nenhuns para quem sua, e mesmo para aqueles que não suam - um ponto que nos esquecemos de abordar, é que é suposto suar um bocadinho, e quem nunca sua é capaz de encontrar, uma vez por outra, a opção entre pagar um pouco mais quando for comprar roupa, ou então suar mais para acompanhar a média, mas será sempre uma opção - mas mesmo esses, nunca serão onerados.

Ninguém paga mais por este direito e quem disser que paga, ou mente ou não crê no Pastor Cardinal António Costa, nossa constelação de directrizes. O que há é a taxa de direitos de passagem dos dados sudoríparos, porque quando se envia o registo com os valores da ureia, do sal, da temperatura - imagine o senhor que eu meço um homem, de raça lisboeta, na estação de Campanhã, e tenho por algum motivo, por ele ter um filho que vive em Campo Maior ou assim, que fazer cruzar os dados todos com sete freguesias e 3.244 pontos de controle - ah, fora os Europeus, que isto foi com fundos do POPH.

Pronto, isto para não ter custos, tem um preço, e há de facto a taxa dos direitos de passagem da informação sudorípara, mas é só. E as PUDICAS, as Punições Directas ao Contribuinte Atípico, mas essas, ehe, bom, bom.

O senhor não me diga que é preciso pôr-me aqui a dizer o que todos sabem.

 

- Álvaro. Tenho a certeza que vamos todos - se me permite o trocadilho - ficar muito mais aliviados com aquilo que transpirou desta nossa conversa. Obrigado pelo seu tempo e um resto de bom dia de medição .

 

- Ora essa. O importante é servir aqueles que nos servem. Bom dia para o senhor também e boas gotículas.

 

 

publicado às 12:31

Portuguese do it better than spanish

por John Wolf, em 12.11.14

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Foi na faculdade que descobri a profissão de intérprete de conferência. Estava no segundo ano do curso de Relações Internacionais quando os meus serviços foram requeridos impromptu. Em 1994, a Universidade Lusíada de Lisboa organizou uma conferência alusiva à arquitectura política da Europa no pós-União Soviética. Para o efeito convidaram um dos conselheiros políticos de Gorbachev, o Prof. Alexander Likhotal, para proferir um discurso sobre o tema, mas, inadvertidamente, os organizadores da conferência esqueceram-se de que necessitariam de um intérprete para o professor russo, uma vez que outros oradores servir-se-iam da língua portuguesa para endereçar as suas palavras ao auditório. Na qualidade de aluno bilingue fui chamado para dar uma mão, e converter as mensagens em língua inglesa para o convidado russo. A técnica de interpretação que empreguei chama-se chuchotage - murmurar directamente para o ouvido do destinatário. O processo é exigente e extenuante, mas descobri um filão profissional interessante e bem pago. No dia seguinte, à americana (sem cordelinhos, cunhas ou amigos), fui bater de porta em porta para oferecer os meus serviços de intérprete, e à laia de beginner´s luck, fui contratado à primeira. A agência de interpretação que me recrutou pôs-me em campo passado pouco tempo. De trabalho em trabalho fui crescendo, tendo tido várias tarefas interessantes. Por exemplo, a interpretação do discurso de tomada de posse do ex-presidente dos E.U.A. George W. Bush em directo na SIC Notícias, ou, mais recentemente, a interpretação consecutiva das conferências de imprensa pre-match and post-match de José Mourinho no âmbito do jogo de futebol entre o Sporting e o Chelsea para a Liga dos Campeões, cujos destinatários foram os espectadores da SKY News, de entre outros de diversas antenas internacionais. Mas o que me traz aqui hoje não se prende necessariamente comigo. Tem a ver com a defesa das virtudes linguísticas dos portugueses. Da minha experiência de intérprete de inglês-português-inglês (ENG-PT-ENG), e com mais de 200 conferências em cima dos ombros, posso concluir, sem reservas de opinião, que os portugueses têm talento para línguas "estrangeiras". Nem queiram comparar um espanhol e um português no que diz respeito ao uso da língua de Shakespeare. Os intérpretes sabem que uma das piores favas que pode sair no bolo é terem de levar com um espanhol a proferir um discurso em inglês. Pode ser que o interlocutor fale em inglês, mas a coisa soa sempre a castellano  e causa grandes transtornos cognitivos aos intérpretes. Esta é a verdade, independentemente de estudos académicos que possam conhecer a luz do dia. Numa das conferências em que tive de gramar um espanhol a "discursar" em inglês, levei uma cotovelada da minha colega intérprete, porque, totalmente convencido dos meus préstimos, estava literalmente, e palavra a palavra, a "traduzir" de inglês para inglês, tal era a espanholização da língua - parecia mesmo outra língua. Os portugueses, por seu turno, chegam a qualquer destino e, volvido muito pouco tempo, integram a língua de destino no seu espírito. Conheço múltiplos casos de sucesso. Um amigo, emigrado para a Alemanha há mais de uma década, passados seis meses já tratava a língua alemã por tu. Tenho mais exemplos no bolso, alusivos ao especial talento dos cidadãos portugueses para aprender línguas que não a de Camões, camones, mas quedo-me por aqui. Se me derem a escolher, nem sequer hesito, os portugueses ocupam um lugar no pódio. Quanto aos espanhóis, perdoem-me o desabafo, são uma dor de cabeça quando se põem a chalrar em inglês.

publicado às 08:58

Prioridades

por Fernando Melro dos Santos, em 11.11.14

As prioridades do País numa só imagem. Reparem bem no "ticker" ao cimo e no contraste com o resto.

É quase como um still de um jogo Benfica-Sporting onde passassem, em rodapé, frases como

"Obama refugiado no NORAD",

"Kiev coberta por nuvem química" e

"Míssil que tem Lisboa por alvo atingirá a cidade dentro de 1h 14m 22s".

O efeito seria o mesmo. 

 

 

publicado às 11:54

Persistência da Memória

por Fernando Melro dos Santos, em 11.11.14

"Especialistas em Direito Constitucional e Direito Administrativo admitem que taxa [sobre turistas] poderá ser inconstitucional."

 

Provérbios hindus aplicáveis: "A vida é a noiva da morte" ou ""Enquanto um camelo não chega perante uma colina, imagina que não existe nada tão grande quanto ele."

publicado às 11:37

Náusea do Dia, S01E01

por Fernando Melro dos Santos, em 11.11.14

Tenho a soberba e o orgulho, pecados capitais que abraço com luxúria enquanto não chega a hora da gula, de apresentar-vos a nova série produzida por esta nobre casa que é o ES.

 

Diariamente, mais ou menos a qualquer hora, aqui deixarei uma notícia, portanto um facto actual e pertinente, que espero suscitar em todos Vós reacções de nojo, raiva, abjecção, e porque não algum ódio. 

 

No episódio piloto trago-vos um conto cuja acção decorre no Soviete de Sudoeste, antiga República Portuguesa, antigo Reino de Portugal, primordialmente desterro onde nem Roma espetou os seus pila (pilum, pila, pilorum, pilis) e que estou certo írá fazer as vossas delícias matinais no caminho que partilhamos para a servidão. Vamos ver então.

 

Sónia tem medo do futuro!

 

Adenda: um espectador atento trouxe à minha atenção o pormenor de que o argumento deste episódio remonta a Junho, estando por isso talvez um pouco datado. Eu creio que não, por tratar-se, na mesma, do ano fiscal de 2014 e assim reportando ao IMI, IRS, IUC e outras taxinhas pagas durante esse período e que revertem a favor da nossa heroína, pun intended

publicado às 09:50

CSI Legionella

por John Wolf, em 11.11.14

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Em Portugal quase nunca há explicação, apuramento de responsabilidades e respectivas sanções. O jornal Expresso rende-se à evidência, imprime a redundância. Enquanto isso, vidas são sacrificadas, pessoas são atiradas para a pobreza, crimes e mais crimes são praticados - "se calhar nunca se vai saber qual a causa deste surto". O mesmo se passa com o BES e uma série de outros casos hediondo-trágicos da novela lusa. Quase sempre fica tudo demolhado, em mágoas de bacalhau, na antecâmara da dúvida crónica. O surto de Legionella não nasce por obra e graça de Nosso Senhor. As tais colunas de refrigeração, de que falam em código tecnológico georgiano, pertencem a alguém, fazem parte, segundo consta, de uma alegada unidade industrial. Se é esse o caso, e dada a incidência geográfica do flagelo, uma equipa de investigadores forense, da Divisão de Investigação e Acção Penal, já deveria estar trajada à CSI, a vasculhar os silos fabris, a abrir ficheiros alusivos a águas paradas. As mortes têm assinatura. As mortes, muy provavelmente, resultam de incúria humana, de desleixo, incompetência, quiçá, absentismo de alguidar. Agora não me venham com essa história usada vezes sem conta em epidemias a montante e a jusante - casa pia, caso isto, caso aquilo. Que muitos querem calar. Pio calado.

publicado às 09:00

Duche escocês em Barcelona

por Nuno Castelo-Branco, em 10.11.14

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Tal como se esperava, foi unânime o teatrinho prodigalizado pelas três estações televisivas portuguesas. Simulando não terem compreendido o que sucedeu, ou pior ainda, interpretando a realidade ao invés daquilo que as próprias sapiências pivotais declaravam vinte e quatro horas antes da paródia catalã, informaram como bem lhes aprouve, num daqueles contorcionismos interpretativos em que se especializaram.

A consulta obrigada pela ERC que mantém Mas sob tutela, falhou estrondosamente. Um povo que se sente agrilhoado e procura desembaraçar-se de uma - neste caso imaginária - tutela, acorre em massa às urnas, sejam elas verdadeiras ou como neste caso foram, meras caixas de cartão. Não existiu o direito ao voto secreto, não existiu um levantamento de eleitores que se coadune com as normas de um Estado de Direito. Pior ainda, o populismo bacoco chegou ao ponto da inovação futebolística da chamada dos maiores de dezasseis anos de idade, como se de um referendo liceal se tratasse.

Mesmo após anos infindos de pesado bombardeamento da propaganda mais abjecta, apenas um terço do eleitorado votou e mesmo entre os entusiasmados, 10% desse punhado de catalães preferem um Estado dentro de Espanha, enquanto 4% pura e simplesmente rejeitaram qualquer possibilidade estatal autónoma. Em casa ficou uma esmagadora maioria silenciosa que bem poderá, no caso de insistência da baderna ERC que maneja os cordelinhos da marioneta Mas, vir um dia enterrar da pior maneira os delírios dos sátrapas, para mais gente insuportável de pesporrente egoísmo roçando a xenofobia mais desbragada.

Podem os nossos pivôs de serviço dizerem o que bem lhes apetecer, mas ontem e em directo de Barcelona, receberam um copioso duche escocês. Sim, é isso mesmo, mas sem água quente. 

 

publicado às 21:46

Inquérito ES

por Fernando Melro dos Santos, em 10.11.14

O que mudou para si desde que nasceu? Vive melhor? Não vive?

Sente-se num país, num asilo, ou estas questões não lhe dizem nada?

Como é que a União Europeia fez de si uma pessoa mais rica, feliz, bonita e empoderada?

Tenciona ficar a ver o circo implodir ou o pudor levá-lo-à a sair de cá para não alimentar nem chulos nem macacos no zoo?

Diga-nos o que pensa na caixa de comentários que é hoje toda sua sem moderação.

 

Adenda: as minhas desculpas aos comentadores que têm demorado dias a ver os seus comentários aprovados noutros posts. O sistema do Sapo deixou de enviar mail a avisar-me quando é necessária a minha intervenção.

 

 

publicado às 15:50

The mayor of Lisbon makes me smile!

por John Wolf, em 10.11.14

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When foreign visitors set their feet in Lisbon and discover that the proceeds from a new "tourist tax" will be used to finance the sewage system of the city, I´m sure that will bring a large smile to their faces. Lovely. Just beautiful. Wonderful. Kiss my ass.

publicado às 13:49

A única coisa que importa

por Fernando Melro dos Santos, em 10.11.14

Em Portugal, para quem quiser perceber de onde viemos, como aqui chegámos e para onde iremos, basta desenterrar a cabeça da areia e aceitar um contraste simples.

Eu, e sem dúvida mais um bom milhão de portugueses, somos esbulhados todos os dias - na conta da luz que paga a vida a nababos de todos os Partidos, nas multas inanes por ir a 90 km/h em avenidas de seis faixas feitas com o dinheiro suado dos outros, em descontos e impostos extorquidos sob ameaça de ostracismo e cárcere, e a lista expande-se para além da minha pobre ciência - para manter esta podridão a céu aberto. Se nos recusarmos, somos punidos, como bons escravos.

Os outros, os que usufruem da "nossa" passividade e indignação selectiva, bem como certamente do compadrio com as ovelhas menos vertebradas do rebanho, deixam cair pontes, morrer gente com bactérias do Terceiro Mundo, ostentam o creme da teta ainda a brilhar aos cantos da boca, e não lhes acontece nada. 

Quando um dia alguém acordar e olhar ao espelho, durante mais uns minutos do que o habitual, para decidir se se imola na escadaria de S. Bento ou se enfia uma estaca pelo cu de algum deputado a cima, será de estranhar, mas certamente que será um excelente sinal dos tempos que se abeiram. 

A única coisa que importa é erguer a puta da cabeça, que já tarda, e mandá-los a todos para uma vala comum. 

publicado às 11:15

Sintomas da realidade portuguesa

por John Wolf, em 10.11.14

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Ultimamente tenho tido alguma dificuldade em escrever sobre os diversos temas que decoram a realidade. Estava a preparar-me para continuar a evocar as contradições de António Costa, mas nem preciso de o fazer. O candidato a primeiro-ministro está a demonstrar incongruências sem a ajuda de quem quer que seja. Ainda não há orçamento para a Câmara Municipal de Lisboa? Quem precisa desse pedaço de papel? É apenas um esboço genérico das decisões já tomadas. O melhor é navegar à vista. O público não tem de saber como se cozinha em política. A democracia já deveria ter entendido que a transparência é uma coisa muito bonita, mas tem limites. Depois, já estava todo virado para a Ebola e de repente Portugal surpreende-nos com a Legionella. E acho que devemos aproveitar essa deixa enquanto exemplo do que acontece em todos os quadrantes. Sinto que quem manda no país não é o governo. Quem efectivamente determina as coisas é parente próximo da deriva, primo da feição sórdida, do pequeno caos suportável, incurável. A bomba atómica pelo que o povo anseia, para mandar tudo pelos ares e começar de novo, não existe. Foi substituída pela miudeza de um queixume de enérgumenos. Como é que vai? Vai-se andando. Assim assim. Mais ou menos. Mandaram o homem embora. Trouxeram outro, mal amanhado, semelhante a outro resgatado de outro promontório. Falta pouco para o Natal - esse estado de morna que entorpece ainda mais as virtudes. Deixe-se ir abaixo, siga à Baixa para ver as luzinhas do gordo barbudo, suado debaixo desse falso treino de simpatia, guizo de renas - run. Run for your life.

publicado às 10:11

Pires de Lima 2.0

por Fernando Melro dos Santos, em 07.11.14

Raro momento em que ligo a TV e vejo um dos 4 canais que apanho. Está uma Glória Alves a balbuciar no mesmo grau lexical que balbuciam as pessoas, em média, que vão comigo no comboio para o trabalho do Cacém até Entrecampos.

Estamos em 2004. O tempo é subjectivo, e as decisões do governo Timorense também.

Agradeço a Deus, ou ao amigo imaginário cuja existência os ateus recusam admitir enquanto não são bombardeados ou sujeitos a fogo de metralha, o tempo que me deu liberto de Alzheimer para poder assistir, ler, e gargalhar com isto.

Se aquilo é um espécime dignatário, eu sou a pega da chaleira de Russell. 

 

Adenda #1: Rodrigo Guedes de Carvalho toureia a rês sarcofagal com a elegância de um homem livre perante a bovinidade antropomorfizada.

 

Adenda #2: tivesse eu jantado menos bem e já estaria a expurgar das tripas o sápido lombo, perante a jactância arrogante, pesporrenta, alapada, pedante e representativa que esta gente, incrivelmente paga por nós, ali leva. 

 

Adenda #3: é ilimitada a nojeira que grassa neste país. 

publicado às 20:33

O que o povo quis

por Fernando Melro dos Santos, em 07.11.14

Demografia de Portugal, 2013-2060 (estudo a circular por aí, conservador e optimista):


-39.4% de jovens

-35.5% pop activa

+38.1% acima de 65 anos

+132% acima de 80 anos

-21.6% população total

 

E ainda se indignam com as figuras do Pires de Lima? E a vossa figura tendo ido às urnas (ou à praia ou ao Lux ou abortar ou buscar mais um gato ou viajar sem poder pagar ou trocar de carro ou ir à bola) sucessivamente com o intelecto de orangotangos durante 40 anos?

Não sei se me fiz entender. A culpa não é do Sócrates nem do Passos. É vossa, porque vedes neles um meio para atingir os fins mesquinhos e fúteis que orientam as vossas vidas. 

E bem podeis votar, agora, ou queimar bandeiras, que não há Messias capaz de reverter isto.

 

publicado às 15:06

Em mês de esbulho fiscal

por Fernando Melro dos Santos, em 07.11.14

 

 

Pergunto-me se terão posto, desde data incerta, alguma coisa nas porcarias que fomos obrigados a aceitar ao longo dos anos em que, menores e soltos à nossa sorte, vivemos com o plano nacional de vacinação no nosso quotidiano.

Inoculados com qualquer inibidor de raiva, revolta, fúria, lucidez, e individualidade. A passividade perante a sodomia de Estado em último grau é um fenómeno sem explicação, desafiador dos mais aturados exercícios de lógica, ciência e porque não até de fé.

Resta uma esperança ínfima, mas que a vingar, me fará tombar fulminado de riso: é que a colecta, muito em breve, nem vai chegar para pagar as contas da luz do poderzinho e das poderzinhas, e do registo "gin tónico num iate ao largo de Santos" vamos passar para algo mais evocativo da famosa sardinha para três, ou uma mini para dois. Ascenda ou não o Messias Esbanjador do Intendente, despertem ou não os mortos-vivos do eleitorado, caiam ou deixem de cair as migalhas da mesa dourada para alimentar os bácoros sem vértebras que rastejam pelo esgoto da Nacinha.

Nunca fui nem serei uma pessoa "de esquerda"; é para mim um assumpto inconseguimento pensar e sentir como as pessoas "de esquerda".

Contudo, se há coisa que ardentemente desejaria testemunhar até ao Natal, seria uma ascensão ainda mais vincada de todos os partidos extremistas pela Europa fora, em sua maioria, infelizmente, de esquerda em Espanha, na Catalunha e na Grécia, embora também os haja às direitas em França, no Reino Unido e na Escócia.

Não vejo outra forma de cortar a horrível placenta que nutre a abominação em que se tornou Portugal.

Oremos, que este paul infecto já transborda.

publicado às 10:52

Na Normancaparica

por Nuno Castelo-Branco, em 05.11.14

 

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Alerta geral. Uma colossal frota russa aproximou-se da costa portuguesa em modo stealth e de surpresa desembarcou um reduzido Corpo Expedicionário com o nome C.E. Marechal Pavel Karlovich von Rennenkampf, composto por 6 divisões de infantaria, tropas Spetsnaz, 50 baterias de sistemas de mísseis AA, 10 sistemas nucleares SS-27 Topol, 4 divisões de blindados pesados T-90, 70 sistemas de lançadores de foguetes Katyusha, 1500 peças de artilharia de varios calibres e múltiplas funções e 250 caças VSTOL. Foram acolhidos pelos autarcas CDU de Almada, Barreiro e Setúbal, acompanhados por uma deputação do PNR e pelos embaixadores do Irão, Coreia do Norte, China, Venezuela, Brasil, Bolívia, Cuba, Síria e pelo autoproclamado e exilado governo do IV Reich. As baterias Krupp da Fonte da Telha prontamente entregaram as instalações ao Corpo Expedicionário Marechal Pavel Karlovich von Rennenkampf, recebendo-o os visitantes com todas as honras correspondentes e tiros de salva. 

Os pescadores da Costa de Caparica também deram as boas-vindas servindo refeições rápidas de chaputa e sardinha assada com pimentos verdes, copiosamente regadas com carrascão da zona de Palmela. Não há notícia de os russos terem deparado com qualquer turista fazendo ostensivo e ofensivo nudismo em termos pussy riot. 

No fim do repasto, foi inaugurada uma grandiosa estátua equestre de Catarina II a Grande na rotunda da vila da Costa de Caparica. Ao contrário da de D. José I no Terreiro do Paço, este bronze é folheado a ouro. 

publicado às 21:05

A pouca vergonha chegou à cidade

por Pedro Quartin Graça, em 05.11.14

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Cidade Universitária, junto ao ISCTE - IUL, na rua que liga a morgue de Santa Maria a esta Universidade, hoje dia 5 de Novembro.

11H - Carro estacionado em parque de zona verde gerido pela EMEL. Parque praticamente vazio. Carro fechado, bem estacionado, direito, com ticket pago, travado, numa reta. Nenhum carro à volta.

13.45 H - O mesmo carro, por sinal o meu, desaparece do local onde se encontrava estacionado. Aparece no outro lado da rua, sem qualquer multa ou aviso, atravessado em espinha em cima do passeio. Fechado, mas destravado, com um pedregulho a fazer de travão atrás da roda traseira esquerda. Nenhum carro à volta.

Na zona, mas muito mais à frente, vários carros bloqueados pela EMEL.

Até agora ainda não consegui perceber o que se passou, como isto foi, no fundo, possível. Uma única explicação sobre a autoria da brincadeira, um verdadeiro crime de lesa propriedade, aliás: a EMEL.

A inevitável pergunta: Agora a EMEL, alegadamente, abre carros(!!!???), destrava-os, retira carros dos locais e deixa-os abandonados e destravados no meio da rua? Tudo isto sem qualquer razão plausível?

Mas que enorme pouca vergonha é esta? 

publicado às 17:35

Pensamento positivo

por Samuel de Paiva Pires, em 05.11.14

As declarações de Merkel sobre a alegada existência de licenciados em excesso em Portugal sempre podem ajudar algumas alminhas pró-merkelianas a perceberem que quem está à frente dos destinhos da União Europeia representa, como a crise do euro e os consequentes bailouts e políticas de austeridade excessiva têm demonstrado à saciedade, um perigo para o futuro do Velho Continente. De resto, é ler isto

publicado às 17:31

Reviver o passado em Portugal

por Fernando Melro dos Santos, em 05.11.14

E depois do adeus? Os campos de concentração fiscais. 

 

Absoluta, abjecta e atroz condição a que Portugal ficou reduzido, por vossa, caros conterrâneos, imbecil e mesquinha concupiscência.

 

Não se esqueçam, votem em partidos do Centro, leiam sempre a imprensa de referência, saiam muito para espairecer e continuem sempre, sempre a pensar que dantes era pior, porque não havia internet (das mais caras da Europa), viagens (para onde?), carros novos (para quê?) e vinte marcas de iogurte (de onde) e os nossos avós andavam descalços. 

 

Mas descansem, nem tudo é bota-abaixismo e histeria populista. O produto dos vossos impostos, ora pago de enxada nas mãos e corrente ao tornozelo, está a ser bem aplicado:

 

 

Arbeit Macht Frei!!!!!

 

publicado às 10:40







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