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Museu da Ruína, 3

por Fernando Melro dos Santos, em 22.10.15

 Francisco George, 0.23% do Orçamento de Estado, à procura do botulismo transmontano

publicado às 18:10

Atelocracia*, ou o que esperar às 20h00

por Fernando Melro dos Santos, em 22.10.15

*eu disse-te que usaria o termo. 

 

publicado às 18:07

Museu da Ruína, 2

por Fernando Melro dos Santos, em 22.10.15

Hugo Monteiro, primo de Sócrates, num cenário de fusão zen-bairrista, entre o Seixal e Shaolin

publicado às 17:29

Museu da Ruína, 1

por Fernando Melro dos Santos, em 22.10.15

Retrato de Dilma enquanto presidenta da selva no período Comunozóico

publicado às 17:25

O Costa d'África

por Fernando Melro dos Santos, em 22.10.15

 

Portugal é hoje um caso único no mundo dito desenvolvido, na medida em que apenas cá vicejam partidos perfilados à esquerda. Até mesmo o CDS-PP, na sua ala dominante, é um partido socialista. Há, portanto, um atraso de dimensões geológicas no que concerne à maturidade civilizacional e cívica deste povo. Não somos a Somália, nem somos a Suíça; dir-se-ia que foi feito um campeonato à parte onde jogamos sozinhos, fechados numa caixa de sapatos gigante, uns contra os outros fingindo em permanência que nada existe por detrás da cartolina húmida. Uma espécie de Truman Show, mas com labregos perfumados de fato e gravata sustentados por labregos de chinelos e dentes apodrecidos pela Segurança Social. 

 

Perguntava ontem Paulo Gorjão no Twitter se ninguém veria, por detrás do sorriso macabro e reptilóide de Costa, haver somente uma sede egótica de ascensão pessoal; respondi que sim, com certeza que muita gente o vê - mas que existem, contudo, 32% de eleitores cuja subsistência, alavancada financeiramente até à terceira geração, depende justamente de um retorno ao prelado da máquina socialista. Já não surpreende que o povo venda o futuro dos netos por migalhas, afinal por aqui sempre foi esta mentalidade paroquial e aldeã que vingou. 

 

Espanta, e muito, é que à incultura, cupidez, e parcimónia genital endémicas na tribo não se tenham, ainda, oposto exemplos de revolta e desobediência civil. Dizer-se que tal é devido à histórica sensatez e brandura dos autóctones é curto, quando sabujos do calibre de Sócrates se pavoneiam de calcanhares lambidos pelos media entre conferências sobre Justiça e Sociedade. Por outro lado, supor que uma contagem dos não-dependentes do Estado e das pessoas sem medo apenas perfaria uns 2% da população, justificando assim a placidez do pântano, não é curto - é hediondo e afasta a esperança até do mais galhardo herói.

 

Não sei. É surreal, mas ao menos vai ter um desfecho. Creio que acordar, seja de um sonho ou de um pesadelo, para um novo dia é sempre bom. 

publicado às 09:05

Gatos e ratos de António Costa

por John Wolf, em 22.10.15

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António Costa é o género de pessoa que passa à frente na fila de supermercado, o condutor que ultrapassa pela direita e segue pela faixa de emergência fazendo passar por idiotas os seus compatriotas que aguardam pacientemente, o indivíduo que compra um aparelho numa grande superficie com a clara intenção de o usar e devolver ainda dentro da garantia alegando defeito de funcionamento, o patrão que despede o subalterno por este ser mais competente, o jogador de futebol que simula faltas na grande área ou o dono do restaurante que mistura os lotes de café para fazer render o peixe. Enfim, um carácter duvidoso, mas pouco hábil na arte da dissimulação para obter possíveis vantagens - estamos todos a ver o filme. Está o país a arder e todos os bombeiros são chamados à liça, mas António Costa prefere jogar ao rato e gato com mais do que dois tabuleiros em simultâneo. Enquanto os portugueses aguardam um desfecho, mesmo que temporário, o secretário-geral do Partido Socialista (PS) negoceia às escondidas com diversas partes. Deste modo temos um Costa para o governo de coligação, um Costa para o Bloco de Esquerda, um Costa para a Coligação Democrática Unitária, um Costa para o Parlamento, um Costa para alguns socialistas, mas nunca um Costa para os portugueses e para Portugal. António Costa é a maior decepção que o PS poderia ter. E este género de traição extravasa o âmbito do seu partido. Mina a confiança que não lhe pertence, mas que tão efusivamente declamou. Este embuste tem implicações sérias e duradouras. Não é algo que se varra do espectro do imaginário político com a dissolução de um eventual governo de coligação e a convocação de novas eleições.  António Costa e o PS serão vítimas da sua prática, dos valores nucleares que parecem ter sido instituídos no Largo do Rato. Ninguém pode ser tido nem achado enquanto responsável pelo descalabro socialista que parece cada vez menos inevitável. António Costa está a assinar a sua própria sentença. Estou seguro que Cavaco irá dissolver o governo de António Costa que já tomou posse de todo o espaço de bom-senso e razoabilidade.

publicado às 08:57

Este fim de tarde, no Rossio

por Nuno Castelo-Branco, em 21.10.15

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Durante anos a fio especializaram-se no massacre de populações, usando a eito catanas, Kalashnikov, minas e brinquedos armadilhados. Chegando ao poder por imerecida outorga, logo se preocuparam em ajustar imaginadas contas internas, liquidando todas as oposições. Permanecem agarrados de uma forma mais perene do que as lapas ocasionalmente degustadas nos restaurantes da especialidade. Caído o pouco ou nada generoso amigo soviético, souberam recauchutar-se a tempo, reabraçando os primeiros mentores que invariavelmente os criaram e acarinharam. Viveram e vivem à grande, usando os recursos dos respectivos Estados como pocket money e colocando moleques e mainatos estrategicamente, garantindo a sua sobrevivência no poder.

 

São estes os sempre fiéis amigos do PC* e daquela burguesia que durante mais de uma década, sentia a súbita necessidade de visitar uns tios em Paris, quando não declamar umas sábias e úteis informações nos microfones da Rádio Argel. Ir para a guerra e correr riscos, isso ficava para os filhotes da sopeira Maria do Bom Parto e da D. Adozinda das limpezas


Lá estava um magote deles no Rossio, no entardecer das suas importantes vidinhas. Vá lá, desta vez não se indignam com catanadas, morteiradas ou mãos despedaçadas por uma afro-Barbie sabiamente armadilhada, colocada na berma de uma picada. É por um grevista da fome, um desgraçado rapper que nada mais fez, senão protestar contra mais de quarenta anos de usos e abusos da coisa pública. Coisas de turras.

* Não vi nenhuma cara conhecida do PC. Porque será? Substituiram o sponsor?

publicado às 21:42

Se eu estivesse aboletado em Belém (2)...

por Nuno Castelo-Branco, em 21.10.15

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...decerto estaria hoje com uma visão muitíssimo mais nítida do que está em causa e agiria em conformidade.


Amanhã, 5ª feira, chamaria Passos Coelho a Belém e indigitá-lo-ia, obrigando-o a apresentar um orçamento que decerto há muito estará concluído. Indo este a julgamento em S. Bento, logo a oposição unida previsivelmente o chumbaria, responsabilizando-se por todas e quaisquer consequências.


Consequentemente, chamaria o líder do novo bloco governamental, fazendo-lhe apenas uma exigência:

- "Na suposição de Vossa Excelência ter imposto aos seus aliados o disposto pelos tratados internacionais a que Portugal está vinculado, conceder-lhe-ei a presidência do Conselho de Ministros, formulando apenas uma exigência: quero uma coligação formal que obrigue os três partidos à solidariedade por todos os actos que o dito Conselho exarar. Não posso em consciência aceitar outra fórmula, pelo que desde já o aviso de que se vislumbrar qualquer tipo de manobras dilatórias, manterei o actual governo em gestão corrente. Boa tarde e boa sorte, fico então a aguardar a sua resposta". 

publicado às 21:10

A filosofia pós-moderna a mascarar a anomia

por Samuel de Paiva Pires, em 21.10.15

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 Alasdair MacIntyre, Whose Justice? Which Rationality?:

Nietzsche is of course not the only intellectual ancestor of modern perspectivism and perhaps not at all of modern relativism. Durkheim, however, provided a clue to the ancestry of both when he described in the late nineteenth century how the breakdown of traditional forms of social relationship increased the incidence of anomie, of normlessness. Anomie, as Durkheim characterized it, was a form of deprivation, of a loss of membership in those social institutions and modes in which norms, including the norms of tradition-constituted rationality, are embodied. What Durkheim did not foresee was a time when the same condition of anomie would be assigned the status of an achievement by and a reward for a self, which had, by separating itself from the social relationships of traditions, succeeded, so it believed, in emancipating itself. This seld-defined success becomes in different versions the freedom from bad faith of the Sartrian individual who rejects determinate social roles, the homelessness of Deleuze’s nomadic thinker, and the presupposition of Derrida’s choice between remaining “within,” although a stranger to, the already constructed social and intellectual edifice, but only in order to deconstruct it from within, or brutally placing oneself outside in a condition of rupture and discontinuity. What Durkheim saw as social pathology is now presented wearing the masks of philosophical pretension.

publicado às 14:16

Exauridos Antonio Costa

por João Almeida Amaral, em 21.10.15

 

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Sempre achei que a luta partidária , a disputa de ideias e de caminhos para o país, era atractiva. Militei como independente, numa época em que a juventude ,maioritariamente se embrenhava na aprendizagem politica. De Popper a Lenine lia-se tudo ate Bakunin imagine. 

Visitei o chamado leste , conheci e assisti à opressão comunista/socialista , à censura à opressão dos povos, à miséria socialista à depressão de viver na merda. Para os membros do partido comunista tudo, para os outros o degredo a prisão ou a morte, mas sempre o medo o terror de viver numa ditadura comunista.

Fui maltratado por comunistas em Portugal até fui expulso de um Liceu por não ser da UEC , vi as perseguições no nosso país. Participei em manifestações organizadas pelo PS contra o comunismo e tive a sorte de ver chegar o dia 25 de Novembro em que tudo isso terminou no nosso país. 

Tudo isso fez de mim um Português que ama a sua pátria e que jamais aceitará comunistas no governo.  

Por ambição política,  António Costa nem tudo é aceitável. Comunistas, troskistas, anarco-sindicalistas e todos os patéticos elementos dessa esquerda caviar chamada BE fazem-me náuseas.

Sei que este texto poderá trazer-me amargos de boca, mas António Costa, depois de meia dúzia de enfartes e de um cancro não será agora que tenho medo.

Tenha vergonha demita-se depois de não ser empossado para tomar posse como primeiro ministro. Não envergonhe mais aqueles que votaram em si e que já não o apoiam.

  Estamos exauridos de o ouvir e ver a por-se em bicos dos pés. 

publicado às 13:26

Precisamos de eleições em 2016

por Samuel de Paiva Pires, em 21.10.15

Rui Ramos, António Costa do outro lado do muro:

Em Maio de 2014, para tirar o lugar a António José Seguro, António Costa transformou uma vitória eleitoral numa derrota; agora, para se manter no lugar, pretende transformar uma derrota numa vitória.

(...)

A exclusão do PCP e do BE não dividia a sociedade portuguesa; a exclusão do PSD e do CDS, contra as tradições e as regras do regime, dividirá.

Já não há soluções de governo estáveis e coerentes neste parlamento. A coligação PSD-CDS venceu as eleições, mas não terá, pelos vistos, apoio parlamentar. Um acordo Costa-PCP-BE poderá reunir esse apoio, mas será sempre apenas um arranjo de derrotados, uma Frente Impopular, para eliminar a opção de governo mais votada pelos portugueses. Só a dissolução deste parlamento e novas eleições poderão resolver a crise política portuguesa: ou dando à coligação PSD-CDS a maioria absoluta que lhe faltou, ou dando a um bloco Costa-PCP-BE a vitória eleitoral que não teve. O país, sabendo o que agora sabe, tem o direito e precisa de fazer uma grande escolha. Quanto mais depressa ficar estabelecido que haverá novas eleições em Maio ou Junho de 2016, melhor para todos.

publicado às 11:55

Demo Graphia

por Fernando Melro dos Santos, em 21.10.15

Alguém avise este Governo de pseudo-direita que o dinheiro dos contribuintes não ajuda à crise demográfica limpando os cadernos eleitorais a partir da raiz.

 

 

publicado às 09:38

Governo simplex de António Costa

por John Wolf, em 20.10.15

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O enviado especial do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, nascido em 1977, acaba de passar em directo na TVI um atestado de burrice aos eleitores portugueses. Segundo o mesmo, os cidadãos deste país nunca ouviram falar em democracias parlamentares e não sabem como se forma um governo. O jovem estafeta do Largo do Rato está disponível para dar explicações de ciência política e direito constitucional, mas infelizmente não tem habilitações para ensinar ética ou dissertar sobre as prerrogativas do interesse nacional. Na qualidade de aluno assíduo, mas certamente burro, eu ainda não consegui perceber como as partes dissonantes do PS, do Bloco de Esquerda (BE) e da Coligação Democrática Unitária (CDU) vão dirimir as suas distâncias e produzir uma textura política consistente e que não seja perfeitamente amorfa. Por outras palavras, e pegando no pregão socialista que sublinha a rejeição da maioria governativa e das suas orientações políticas, a haver um corte distintivo e inequívoco em relação aos últimos quatro anos, seria preferível que apenas uma força sebastiânica de esquerda fizesse o frete da revolução. Deste modo, a soma dos que ganharam com menoridade relativa não vai dar em nada porque irão fazer descontos nesta época de saldos políticos. Seria preferível, em vez deste associativismo, que houvesse um levantamento à capitães de ardil para desencravar este estado de alma. António Costa é muito mais do que um mero secretário-geral. Funciona em piloto automático. Empossa-se sem precisar de ajuda de quem quer que seja.  O Simplex vive para além do espírito e da letra do seu criador. O governo na hora é o que está a dar. Informe-se.

publicado às 20:39

Da política de boas intenções

por Samuel de Paiva Pires, em 20.10.15

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Karl Popper, The Open Society and Its Enemies, vol. 2:

This, of course, is not the only argument against the idea of a rule of love. Loving a person means wishing to make him happy. (This, by the way, was Thomas Aquinas’ definition of love.) But of all political ideals, that of making people happy is perhaps the most dangerous one. It leads invariably to the attempt to impose our scale of ‘higher’ values upon others, in order to make them realize what seems to us of greatest importance for their happiness; in order, as it were, to save their souls. It leads to Utopianism and Romanticism. We all feel certain that everybody would be happy in the beautiful, the perfect community of our dreams. And no doubt, there would be heaven on earth if we could all love one another. But as I have said before (in chapter 9), the attempt to make heaven on earth invariably produces hell.

publicado às 19:10

ESTRELAS, PLANETAS E CALHAUS

por Manuel Sousa Dias, em 20.10.15

O país está calmamente entretido a encadear clips uns nos outros enquanto o PS leva a cabo a sua missão de unir as várias esquerdas numa só frente comum de combate à austeridade e ao neoliberalismo da PaF. A coisa tem de levar o seu tempo, até porque cada apoio é mais um degrau subido por António Costa na sua ascensão a estrela principal do sistema político português. Trata-se de colocar ordem num sistema complexo em torno da força gravítica do PS e de António Costa, sistema este no qual pretendem que coabitem alguns planetas (PCP e Bloco), algumas polémicas científicas em relação ao estatuto de alguns corpos celestes (o PCP garante que Heloísa Apolônia é uma lua enquanto outros garantem que, como Plutão, não passa de um grande calhau) e muitos corpos celestes de trajetória errante tais como o caso do Agir, Livre, Movimento Alternativa Socialista, Movimento Tempo de Avançar, Manifesto 3D, Associação Forum Manifesto e Renovação Comunista, calhaus estes de volumes variáveis e de difícil cartografia no espaço e no tempo. As opiniões dividem-se. Uns dizem que Deus quer, o homem sonha e a obra nasce. Garantem que é possível ter a esquerda bem orquestrada a gravitar em torno de António Costa. Outros dizem que esse será um sistema instável e que facilmente implodirá, ora porque o Bloco (Política XXI, UDP, Ruptura FER e PSR) só por si já é altamente instável, ora porque a força gravítica de António Costa é fraca para aglutinar na sua órbita tantos corpos celestes, ora porque à estrela em queda António Costa já não resta qualquer chama. E o que pensará o povo? O povo olha para cima e não consegue compreender por que é que alguns insistem teimosamente em tentar fazer um sistema girar em torno de uma estrela menor que caiu em colapso quando vê bem escrito nos céus que esse sistema só poderá acabar mal. Muito mal, sobretudo quando um céu que não escolheu se precipita a cair em cheio bem em cima da sua cabeça

publicado às 15:17

Com infinita cautela

por Samuel de Paiva Pires, em 20.10.15

Há dias, expressei aqui a minha preocupação com as mudanças estruturais que as movimentações de António Costa podem impor ao sistema partidário português, cujo principal prejudicado, a longo prazo, será o próprio PS, que poderá ficar refém do BE e CDU e dificilmente conseguirá restabelecer o acordo de cavalheiros que impera há décadas entre os partidos do arco da governação e que tem permitido a existência de governos saídos de maiorias relativas no parlamento. Ora, a este propósito, temos assistido a um não surpreendente rol de declarações e comentários de quem não possui uma disposição conservadora, de quem é cego em relação às consequências imprevisíveis dos ímpetos de António Costa, de quem parece ter a mente toldada pela sede de poder a todo o custo. Permitam-me, por isso, relembrar uma das minhas citações favoritas de Edmund Burke:

The science of government being therefore so practical in itself, and intended for such practical purposes, a matter which requires experience, and even more experience than any person can gain in his whole life, however sagacious and observing he may be, it is with infinite caution that any man ought to venture upon pulling down an edifice, which has answered in any tolerable degree for ages the common purposes of society, or on building it up again, without having models and patterns of approved utility before his eyes.

publicado às 10:52

As setes vidas de António Costa

por John Wolf, em 19.10.15

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São os socialistas-milionários que me preocupam. Conheço uns quantos. Muitos deles fizeram comissões laborais em Macau, em bancos centrais ou em tribunais do território sob administração portuguesa. São esses pseudo-esquerdistas que devem estar um pouco confusos com as alucinações de António Costa. Passaram um cheque eleitoral ao secretário-geral, mas nunca esperavam que ele trocasse o cupão por outro artigo da montra política. Uma coisa é ser milionário-socialista, outra é enveredar por caminhos mais agrestes de extremismo ideológico. É por esta razão, e as demais que conhecemos, que o Partido Socialista pode vir a ser uma força ideológica a termo. Iria mais longe. António Costa talvez seja o derradeiro exemplar de uma espécie política em vias de extinção. A cada dia (hora?) que passa a intransigência de Costa não se traduz em vantagem alguma. Quem o aconselha? O César ou a Ana Catarina Mendes? Quando o derrotado das últimas eleições afirma que recusou desde a primeira hora lugares no executivo, e o que separa os socialistas do governo de coligação são orientações políticas, entra efectivamente em profunda contradição. Os próprios governos "a solo", que nem sequer dependem de terceiros, mudam vezes sem conta de orientação governativa. Os socialistas não precisam de procurar exemplos eficazes longe da sua própria casa. Fizeram-no vezes sem conta em diversos mandatos históricos. Desde o 25 de Abril, cuja paternidade reclamam, foram gradualmente mas certeiramente se afastando das premissas colectivistas que tão bem defenderam, para se posicionarem enquanto intérpretes de fórmulas neo-liberais sustentadas em mercados financeiros expressivos, o lucro e a distribuição de riqueza. Mais valia António Costa se "infiltrar" na coligação e realizar um inside job - avançar as causas nas quais acredita, os valores que defende, comprometendo os "anfitriões do poder" ao associá-los aos mesmos. Esta talvez seja a derradeira chamada a que António Costa tem direito. A seguir restar-lhe-á pouco. Um partido político esventrado, mais próximo de perdas totais em eventuais legislativas que se podem seguir, e a sua carreira de político profissional em regime de descrédito, de burn-out irreversível. Não sei se Costa tem sete vidas para dar e vender.

publicado às 18:19

JÁ EM EXIBIÇÃO

por Manuel Sousa Dias, em 19.10.15

 

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publicado às 04:18

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Passos Coelho e Paulo Portas, digam o que disserem os seus detractores, estão inequivocamente a demonstrar a sua estatura política. A porta para um entendimento a três não está obviamente escancarada, mas deixa entrar alguma luz. Em nome da governabilidade e da salvação nacional, a actual coligação entende que mais altos valores estão em causa - Portugal. António Costa, se for inteligente e não for ganancioso, tem menos a perder integrando o executivo, do que apostando o património do Partido Socialista nos comunistas ou bloquistas. A matriz política do país não é muito diferente daquela dos Estados Unidos. Para bem e para mal, são dois os partidos que disputam o poder. A expressão reaching across the aisle consubstancia bem o que Portugal necessita com alguma urgência. O que deve prevalecer neste momento será algo que escapa à racionalidade e calculismo políticos - o bom-senso. O Partido Socialista, se preza a sua continuidade nos moldes da sua alegada cultura ideológica moderada, deve, sem hesitações, entrar com firmeza e honestidade intelectual em negociações tendentes à distribuição de pastas e a um acordo genérico respeitante a questões políticas fracturantes. Faz isto ou arrisca-se a escutar Cavaco Silva informar que não há nada para ninguém socialista. Quanto a Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, lamento muito. Se ainda não perceberam o que se está a passar (após duas semanas de ensaios), então não merecem ocupar os seus postos de liderança. O sonho foi bom enquanto durou. E António Costa não fará mais ou menos do que fez a António José Seguro. Servir-se-á deles como monta-cargas, mas quando for preciso manda-os embora com a cauda entre as pernas.

publicado às 16:32

Reguadas à Esquerda

por John Wolf, em 16.10.15

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Apenas uma pequena nota: Se já há fracturas no seio do PS devido ao encosto de António Costa à Esquerda, no BE também deve começar a haver, pelo encosto de Catarina Martins à Direita. No caso da CDU ainda mais flagrante se torna, porque dada a distância, o encosto deve ser entendido à Extrema-Direita socialista. Estes arranjinhos de António Costa vieram mesmo confundir a régua que mede as distâncias ideológicas. Resta saber onde se vai encostar Sócrates? Tem de haver um lugar para ele agora que foi libertado. Sei que não foi muito oportuno, logo hoje que Costa vai à televisão dar continuidade ao golpe. Sinto no ar algumas coisas. Este fim de semana vai chover e nos próximos dias algo bastante surreal está para acontecer na cena política em Portugal. Ainda não vimos nada.

publicado às 19:10







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