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Centeno, um humorista encostado às Cordes.

por John Wolf, em 16.06.16

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Mário Centeno não é Sinel de Cordes. O ministro das finanças pratica outro género de humor. A sua comédia é mais do tipo absurdo. Agora anda a pedir para que invistam em Portugal. E aqui reside uma grande parte da contradição. Portugal não é, decididamente, investor-friendly. Se esta malta da geringonça fosse inteligente já teria criado onshores - zonas de exclusão fiscal no país continental, e em particular nas zonas mais afectados por altas taxas de desemprego, pobreza crónica e ausência de tecido industrial. Simples. Já teria criado mecanismos de financiamento ao nível autárquico como acontece nos Estados Unidos - nunca ouvi falar de municipal bonds - títulos de dívida para financiar obras em concreto que se venham a desenvolver nas autarquias. Mas há mais matéria de nível infantil que não está a entrar na cabeça de Centeno. Um dos pressupostos que empresta confiança a um país consubstancia-se no seu grau de checks, controls and transparency. Ora a Caixa Geral de Depósitos está a ser protegida pelo governo que não apoia a ideia de uma comissão parlamentar de inquérito a seu propósito. Por outras palavras, um investidor estrangeiro nem sequer pode contar com o due diligence do governo nacional. Depois somos confrontados com outra barbaridade do mercado contaminado por preferências ideológicas. As "desprivatizações" em curso enviam um sinal claro a potenciais investidores - Portugal tem sintomas de Venezuela. E isso segue em sentido contrário à ideia de investimento seguro. Sabem lá essas multinacionais se a geringonça de repente decide afiambrar-se do que não lhe pertence com uma taxa inventada à pressão? O Commerzbank tem razão no que afirma. Portugal inverteu o rumo iniciado pelo governo anterior, mas essa mudança de sentido de marcha não melhorou nem o nível de vida dos portugueses nem as condições de atracção de investimento directo estrangeiro. O Centeno e os outros que andam em Paris nem sequer são capazes de esboçar um pacote de oferta para aqueles que venham a ser intensamente afectados pelo Brexit. Afinal o que anda Centeno a inventar para captivar algum incauto? Só pode ser ficção. Um conjunto de baboseiras.

publicado às 08:56

Simply the beast

por John Wolf, em 15.06.16

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Não são apenas os lideres deste país que jogam contra o seu país. São os próprios jogadores. São os homens e mulheres das artes e letras. São os banqueiros. São os comentadores. São os jornalistas. São os empresários. São os taxistas. São os académicos. São os construtores civis. São os poetas. São os professores. São os funcionários públicos. E provavelmente são alguns bloggers. Existe sempre, em cada uma destas categorias ou classe profissional, um melhor do mundo, um campeão. Sim, jogo à defesa. Naturalmente. Para cada frase ou pensamento que tenha, espero que haja melhores - melhores frases e melhores bloggers. Mas não é apenas em categorias perfeitamente definidas que o bicho do "melhor do mundo" corrói. Na própria matriz social quotidiana de Portugal existe há séculos um certo menosprezo compatriota, doméstico. Não é fácil encontrar quem caminhe ao nosso lado enquanto "igual" com as "mesmas" chances de se superar a si mesmo. São sempre melhores. Ou uma lástima.  O síndrome da Islândia já vem de longe. Existe uma tendência intensamente contraproducente para Portugal ser o seu pior inimigo. Mas desta vez nem Marcelo nem Costa ajudaram. Em Paris assinaram por baixo desse complexo de inferioridade. Repito, não existem melhores nem piores do mundo. Existe vontade, determinação, humildade e 300.000 habitantes. Ou existe presunção, descontracção, sobranceria e 10 milhões de cidadãos. Portugal resiste a interpretar o mundo do modo como este merece ser interpretado. Não existem povos eleitos. Nem aqui, nem na China, nem nos EUA e de certeza que na Islândia não. E não interessa quem são os nossos pais.

publicado às 10:53

Je suis Orlando

por John Wolf, em 13.06.16

Enquanto as Esquerdas e Direitas iluminadas cá do burgo discutem o correcto posicionamento em relação ao ataque terrorista ocorrido em Orlando na Florida, por causa da trictomia homossexualidade-arma de fogo-Estado Islâmico, convém relevar os seguintes pontos; na corrida presidencial dos Estados Unidos (EUA) quem mais vai beneficiar é Donald Trump. Há meses atrás, neste mesmo blog, referi este facto. Um ataque terrorista em solo americano serviria para validar a sua tese securitária, anti-islâmica e proteccionista -  e isso ajuda a sua campanha baseada no medo colectivo. No entanto, existem diversas dimensões que devem ser analisadas. Pelo que sabemos, nenhum dos gay que participava na festa latina na discoteca Pulse tinha em sua posse uma arma de defesa pessoal - lá vai pelo cano o anti-americanismo primário de que andam todos armados na América - pelos vistos estes não. Em segundo lugar, somos informados que o Federal Bureau of Investigation (FBI) já detinha um ficheiro respeitante ao principal suspeito - ou seja, os serviços de informação não foram irrredutíveis e competentes na triagem de vilões. Em terceiro lugar, o operacional ao serviço do Estado Islâmico (EI) acaba por colocar em prática cânones que precedem esta organização terrorista - o Alcorão é intensamente declarativo em relação ao seu desprezo pela homossexualidade. Em quarto lugar, as grandes teorias organizacionais em torno das ligações, comunicações e linhas de comando dentro da estrutura do EI não servem a causa de interpretação dos factos. O agente do EI em causa valida-se na sua missão de um modo remoto da Síria ou Iraque, apetrecha-se no mercado local de armas semi-automáticas, presta vassalagem aos senhores do EI e ainda informa as autoridades locais sobre a iminência de um ataque. Assistimos também a outro processo em curso. À segmentação do alvo. O grau de diferenciação que instiga aquele que perpetra o ataque a escolher uma sub-categoria de inimigo - os homossexuais -, revela uma maior sofisticação operacional. Será expectável, na senda da mesma lógica, outros modos de distinção. A saber, e por exemplo, um enfoque especial do EI em relação a organizações de defesa dos direitos das mulheres. Mesmo com a chuva de críticas de que tem sido alvo os EUA, as autoridades não produziram os discursos inflamados que a Europa desejava. Por outro lado, o grau de solidaridade europeu em relação aos eventos de Orlando parece ter sido mitigado por outros espectáculos, como aquele de Marseille. Não vejo muitos Je Suis Orlando por aqui. É mais bota abaixo bola acima. Os de cá não querem ser confundidos como sendo de outras equipas.

publicado às 13:56

A infantilidade da esquerda contemporânea

por Samuel de Paiva Pires, em 12.06.16

Ver pessoas minimamente inteligentes a afirmar que os confrontos entre adeptos ingleses e russos em Marselha mostraram ao mundo os valores da civilização Ocidental, e a procurar, desta forma, defender os que professam o islão, é não só confrangedor como revelador da ignorância a respeito das mais elementares regras da lógica e do método científico. Não só é uma inferência inválida que consubstancia uma generalização abusiva e, naturalmente, errada, - e não nos esqueçamos que muitos dos que enveredam por este pensamento absurdo não se cansam, quando ocorre algum atentado terrorista inspirado pelo fundamentalismo islâmico, de bradar que os protagonistas do terrorismo fundamentalista islâmico não são representantes do islão nem falam pela generalidade dos muçulmanos -, como, infelizmente, se trata de um tipo de pensamento alicerçado no esquerdismo contemporâneo que, como assinala Roger Scruton em Fools, Frauds and Firebrands, utiliza qualquer argumento, por mais falhas que tenha, para denegrir a herança cultural Ocidental. De facto, graças a este tipo de pessoas, que pululam em todas as instituições ocidentais, em particular nas universidades, parecemos ter entrado, como também salienta Scruton, num período de suicídio cultural.

publicado às 19:09

Geringonçaville

por John Wolf, em 12.06.16

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Gostava de ver Marcelo Rebelo de Sousa dizer na cara dos britânicos ou alemães que os mesmos são "excepcionais", mas os portugueses são melhores. Portugal não deve admitir declarações deste teor do seu Presidente da República. São as crianças recém-desfraldadas que usam esse paleio - o meu brinquedo é melhor que o teu. O mundo já não se presta a estes arquétipos de comportamentos, mas abro uma excepção - Trump é bem pior. Não estamos na Idade da Pedra. Existem dias felizes e dias menos felizes. E esta foi uma tarde menos conseguida. Eu entendo, que no mano-a-mano com António Costa, houvesse necessidade de não perder a corrida, de marcar pontos. Afinal, o primeiro-ministro aproveita, de um modo populista, as vantagens folclóricas de uma Geringonçaville. Os emigrantes estacionados nesse bidon de pólvora francês, são luso-portugueses que caem facilmente nessa categoria utilitária sempre que dá jeito, sempre que os domésticos continentais não chegam para as encomendas. Quando o Brexit chegar, espero que haja um plano de continência para bater a pala aos milhares que regressarão do Reino Unido. Enquanto Portugal não se estreia no Euro 2016, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa chupam até ao tutano o suco desse estado de graça. Nesta pré-euforia ejaculatória de bola bem metida, os que nutrem paixão pela nacionalidade portuguesa e pela ideia de identidade, estão à mercê de feiticeiros que se alimentam destas mézinhas fáceis. Terça-feira rola.

publicado às 11:23

Comunismo e fascismo

por Samuel de Paiva Pires, em 11.06.16

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Roger Scruton, Fools, Frauds and Firebrands:

It is testimony to the success of communist propaganda that it has been able to persuade so many people that fascism and communism are polar opposites and that there is a single scale of political ideology stretching from ‘far left’ to ‘far right’. Thus, while communism is on the far left, it is simply one further stage along a road that all intellectuals must go in order not to be contaminated by the true evil of our times, which is fascism.

It is perhaps easier for an English writer than it is for an Italian to see through that nonsense, and to perceive what it is designed to conceal: the deep structural similarity between communism and fascism, both as theory and as practice, and their common antagonism to parliamentary and constitutional forms of government. Even if we accept the – highly fortuitous – identification of National Socialism and Italian Fascism, to speak of either as the true political opposite of communism is to betray the most superficial understanding of modern history. In truth there is an opposite of all the ‘isms’, and that is negotiated politics, without an ‘ism’ and without a goal other than the peaceful coexistence of rivals.

Communism, like fascism, involved the attempt to create a mass popular movement and a state bound together under the rule of a single party, in which there will be total cohesion around a common goal. It involved the elimination of opposition, by whatever means, and the replacement of ordered dispute between parties by clandestine ‘discussion’ within the single ruling elite. It involved taking control – ‘in the name of the people’ – of the means of communication and education, and instilling a principle of command throughout the economy.

Both movements regarded law as optional and constitutional constraints as irrelevant – for both were essentially revolutionary, led from above by an ‘iron discipline’. Both aimed to achieve a new kind of social order, unmediated by institutions, displaying an immediate and fraternal cohesiveness. And in pursuit of this ideal association – called a fascio by nineteenth-century Italian socialists – each movement created a form of militar government, involving the total mobilization of the entire populace, which could no longer do even the most peaceful-seeming things except in a spirit of war, and with an officer in charge. This mobilization was put on comic display, in the great parades and festivals that the two ideologies created for their own glorification.

Of course there are diferences. Fascist governments have sometimes come to power by democratic election, whereas communist governments have always relied on a coup d’état. And the public ideology of communism is one of equality and emancipation, while that of fascism emphasizes distinction and triumph. But the two systems resemble each other in all other aspects, and not least in their public art, which displays the same kind of bombast and kitsch – the same attempt to change reality by shouting at the top of the voice.

It will be said that communism is perhaps like that in practice, but only because the practice has betrayed the theory. Of course, the same could be said of fascism; but it has been an important leftist strategy, and a major component of Soviet post-war propaganda, to contrast a purely theoretical communism with ‘actually existing’ fascism, in other words to contrast a promised heaven with a real hell. This does not merely help with the recruitment of supporters: it reinforces the habit of thinking in dichotomies, of representing every choice as an either/or, of inducing the thought that the issue is simply one of for or against.

publicado às 19:22

Neste 10 de Junho...

por Nuno Castelo-Branco, em 10.06.16

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...não falarei de bandeiras do passado, nem dos vários Camões idealizados ou de antepassados que hipoteticamente estejam na dimensão metafísica em que estiverem, para Portugal talvez olhem decepcionados por nestes tempos tudo aparentemente se reduzir a uma equipa de futebol colocada no centro das atenções gerais, cumprindo-se assim a trilogia deixada pelo reconhecidamente genial António Ferro: Fado, Futebol e Fátima. É mentira? Olhem à vossa volta e concluam acerca da justeza da tríade. Mudam-se os regimes e os nomes, mas no fundo, naquele subconsciente colectivo, o essencial permanece. 

Há quem mereça um simples reconhecimento apenas pelo exercício de um serviço, neste caso, uma equipa de profissionais das mais diversas categorias.

O antigo Hospital do Ultramar, unidade fundada em 1902 por iniciativa de D. Carlos I, continua como desde sempre situado nas imediações da Cordoaria, logo, naquele antigo fora de portas que garantia uma certa distância relativa ao bulício de uma capital outrora mais fartamente povoada de gentes e atreita às várias pestes que durante séculos a assolaram. É um sucessor do lazareto em que os recentemente chegados do vasto, supostamente tórrido e misterioso sul que a por vezes a demasiadamente fértil imaginação popular garantia como incubador de febres e maleitas de toda a ordem, sendo então os recém-chegados colocados numa espécie de purgatório a que se dava o nome de quarentena. O próprio imperador D. Pedro II do Brasil ali insistiu em permanecer durante o período legalmente estipulado, mostrando assim quem era. 

Durante anos, tal como aconteceu com o imponente edifício daquele que efemeramente foi o Ministério do Ultramar de que o Estado Maior das Forças Armadas também se apropriou, os meus pais colaboraram para a ampliação do conjunto de edifícios que ainda hoje formam aquele Hospital. Mensalmente era descontada uma certa quantia dos seus salários de funcionários ultramarinos, desta forma contribuíndo para um bem comum a ser utilizado por quem, de férias ou não, a Lisboa um dia talvez demandasse. Dinheiro bem utilizado, há que dizê-lo, confirmando-se assim a necessidade de um criterioso caderno de encargos nos quais os contribuintes sentissem o dever que a existência de um Estado impõe.

Visitei pela primeira vez estas instalações logo nos primeiros dias de Setembro de 1974. Acompanhado pelos pais e irmãos, tínhamos levantado as obrigatórias guias de vacinas no alto do Restelo, no então Ministério da Coordenação Interterritorial, nome mais ou menos envergonhado mas pomposo e insusceptível de enganar até os mais incautos que continuavam a chamá-lo pela sua original denominação tão vulgarizada como ainda é o Terreiro do Paço ou o Rossio.

Recebemos no Instituto de Medicina Tropical as cadernetas que ainda hoje conservamos e deste edifício contíguo ao hospital,  seguimos para as então modernas e bem arejadas instalações daquele que foi o Hospital do Ultramar, decoradas aqui e ali com motivos que faziam e nalguns locais daquele espaço ainda fazem a ligação pluricontinental de territórios sob a secular soberania dos governos de Lisboa. A verdade é quem agora visite esta unidade do SNS, ali deparará com as históricas muitas e desvairadas gentes que ironicamente continuam a dar uma certa razão de ser ao nome que ostentou até ao curioso dia 5 de Outubro de 1974: de utentes a funcionários de todas as categorias, ali circulam naturais ou descendentes de moçambicanos, angolanos, goeses, guineenses, são-tomenses, cabo-verdianos, brasileiros, timorenses e sabe-se lá de que mais plagas deste mundo.  Enfim, somos todos portugueses. 

Toda a família tem desde então e pelas mais diversas razões utilizado aquelas instalações ao longo destas quatro décadas. Os meus pais lá estiveram internados, tal como os meus irmãos ali foram operados. Eu próprio descaradamente declarei residir em Caxias, ficando então dentro da área de acção do H.E.M. A verdade é que dali retenho a melhor das impressões, pois muito para além das instalações já denotarem a necessidade de obras mais ou menos urgentes, é um hospital admiravelmente equipado com todo o tipo de moderna maquinaria de assistência a quem lá forçosamente tenha de ir, como, sobretudo, de uma plêiade de trabalhadores, todos eles relativamente anónimos e alheios às televisões e que é inexcedível em competência e dedicação: médicos, pessoal de enfermagem e auxiliares - não esquecendo aqueles que praticamente são invisíveis como os analistas e tantos outros cuja existência desconhecemos -, o contingente de trabalhadoras das limpezas, todos eles formam uma abnegada equipa. O hospital rebaptizado de Egas Moniz - e muito justamente, pois a personalidade desempenhou não apenas as hoje geralmente ignoradas funções de político em relativo part-time, relevando-se sobretudo na memória popular a figura de médico e Prémio Nobel -, funciona como um conjunto, onde cada um cumpre a sua função.

Médicos competentes. Enfermeiros competentes. Pessoal auxiliar competente e as instalações escrupulosamente asseadas, é o que qualquer um que ali, por uma ou outra razão tenha de se instalar por uns tempos, verificará por experiência própria. Balelas político-eleitorais esquecidas numa qualquer valeta da memória, aparentemente no H.E.M. nada falha: rotineira mudança quotidiana da roupa de cama, distribuição de pijamas lavados todos os dias, alimentação abundante - bem confeccionada, variada e adequada a cada paciente - medicamentos ministrados a horas, a vigilância constante sobre os involuntários e circunstanciais internados. Vinte e poucos dias e tudo isto com um custo que os mais desmiolados ainda ousam declarar como exorbitante: uma marginal taxinha moderadora, mais ou menos equivalente ao preço de um repasto num restaurante vulgar.

Apenas verifiquei duas zonas nebulosas onde existem falhas: em utentes que tudo consideram como direito adquirido e alguns deles abusivamente grosseiros e prepotentes, para não dizer pior, em relação ao pessoal feminino que consideram estar ao seu inteiro dispor, ousando aqueles aventurarem-se em dichotes dignos da mais refinada tasca.. 

O outro sector que falha? Quando há sensivelmente um ano de lá saí e me desloquei de imediato às instalações da gestão hospital, deparei com uma funcionária sentada diante de um computador. Dizendo ao que vinha, solicitei-lhe o livro de reclamações, sublinhando que ali ia, não para protestar por qualquer razão que só ao diabo diria respeito, mas para escrever um louvor à eficiência e extraordinária gentileza da equipa que mantém o Hospital Egas Moniz em pleno funcionamento.

O livro estava mesmo ao seu alcance, mas durante perto de vinte minutos a senhora permaneceu calmamente sentada e de costas voltadas, teclando sei eu lá o quê.   

Percebendo o que estava em causa, da saleta saí, talvez desta forma evitando-lhe "timacas e milandos" ou salvando o seu posto de trabalho. Seria impossível agradecer tudo o que por mim tinham feito, sem deixar como nota de rodapé a aparente falta de eficácia do sector da burocracia, por feliz acaso, o menos importante.

Pouco importa, bem sei que quem de mim tratou sabe que nem todos são ingratos.

É este o 10 de Junho que também interessa comemorar, recordando aquele dizer do meu pai: "foram os impostos mais úteis que paguei em toda a minha vida"

publicado às 00:59

Vacas e tetas salariais

por John Wolf, em 08.06.16

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O mero facto de se discutir o fim do tecto salarial dos administradores da Caixa Geral de Depósitos é uma ofensa para milhões de portugueses que ainda não se levantaram do chão. Mas vamos por partes. Quando a Comissão Europeia aperta os calos da geringonça e ameaça com sanções, a União Europeia é uma madrasta terrível, mas quando o Banco Central Europeu recomenda uma revisão da regra de equiparação de remunerações de gestores a União Europeia já é boazinha. Já sabemos o que acontece à malta que se deita com uns e outros. Já bastava a promiscuidade com os da casa, para agora o Partido Socialista equiparar-se a uma trabalhadora de esquina. São quatro mil milhões de tetas que os portugueses vão ter de mamar. A comissão parlamentar de inquérito à CGD dispensa-se. No comment.

publicado às 22:14

A moral e o dinheiro

por Nuno Gonçalo Poças, em 08.06.16

É verdade que a esquerda intelectual (perdoe-se a redundância) não gosta do capitalismo e odeia o lucro. Primeiro, porque são intelectuais e os intelectuais sabem mais que todas as outras pessoas juntas. O intelectual, ainda para mais de esquerda, sabe mais que um empresário, por exemplo. E sabe perfeitamente o que é melhor para cada um de nós. E o lucro é detestável, na medida em que a esquerda intelectual vê em tudo um conflito entre opressores e oprimidos, entre explorados e exploradores, e não consegue enquadrar determinados factos da realidade social. Para a esquerda, uma derrota nunca é uma derrota. A vitória de alguém é sempre conquistada graças a um roubo a outrem. É a transferência deste para aquele. O ganho de um é obrigatoriamente a perda de outro. Roger Scruton, em “As Vantagens do Pessimismo”, desconstrói esta argumentação melhor do que eu alguma vez faria, e Ludwig von Mises, em “Acção Humana”, mostra-nos o caminho.

Na economia de mercado, tudo aquilo que é comprado e vendido em termos de moeda tem o seu preço estabelecido em dinheiro. É natural que se consiga determina, monetariamente, quanto ganhou ou perdeu um indivíduo e tal não significa que isso tenha sido conquistado à custa de outro. Mais, esta constatação não nos permite avaliar o aumento ou a diminuição de satisfação dos indivíduos. De facto, lucro procuramos todos. Lucro financeiro, lucro social, lucro pessoal. O lucro não é perigoso. Pelo contrário, é o que nos move a todos. O lucro é, no fim de contas, a satisfação. Perigosa é a obsessão pelo lucro económico. A incapacidade de olhar a meios para atingir esse lucro. A sociedade ocidental tem os olhos postos no consumo, no dinheiro, no trabalho, na renda. O objectivo final é poder comprar e ter coisas. Para tanto, é preciso ter dinheiro. E para ter dinheiro é preciso trabalhar.

Não me interpretem mal. Eu gosto de ter coisas, gosto de ganhar dinheiro e gosto de trabalhar. Mas também me julgo capaz de viver com menos e de ter menos coisas, se viver com muito e ter muitas coisas me roubar coisas imateriais que considero essenciais. Não caio no erro de considerar que o dinheiro é dispensável, que o trabalho é todo igual ou que consumir é abominável. Mas acredito no bom senso e na modéstia.

A história é antiga, mas ouvi-a recentemente pela voz do P. Carlos Azevedo Mendes. Conta-se que um professor universitário levou para a sala de aula alguns objectos com os quais pretendia apresentar aos seus alunos uma experiência que se assemelhava à vida de cada um. Os objectos eram: pedras grandes, pedras pequenas, areia, água e uma garrafa de vidro com boca grande. No início da aula, colocou uma pedra grande dentro da garrafa e perguntou aos alunos se ainda cabiam mais. Face à resposta positiva, foi enchendo a garrafa com as pedras grandes até que não coubesse mais. Depois, foi deitando pedras pequenas e areia na garrafa, que lá cabiam nos intervalos das pedras grandes. No fim, despejou a água dentro da garrafa. Coube tudo. E perguntou aos alunos o que significava aquilo. Um aluno respondeu que há sempre tempo para tudo, mesmo quando achamos que temos tempo para mais, conseguimos sempre arranjar mais algum. E o professor esclareceu: o que lhes queria, de facto, demonstrar era que, na vida, algumas coisas devem ter prioridade; que se tivesse primeiro enchido a garrafa com água e depois com areia, já não restaria espaço para as pedras grandes ou, se restasse, a água transbordaria. E o leitor pergunta agora: e o trabalho? E o dinheiro? São água e areia. Se as nossas prioridades não forem o trabalho e o dinheiro, cabe tudo nas nossas vidas.

O que tem isto a ver com o capitalismo e o lucro? Tudo. O capitalismo e o lucro não têm nada de errado. Nada. Mas sem moral, sem dignidade e sem fecundidade, não há capitalismo algum. Fica só a selva.

publicado às 18:00

Êxodo para a Suíça

por Nuno Castelo-Branco, em 06.06.16

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 Afinal, os suíços ainda são muitíssimo mais espertos do que se pensava. Ao votarem nein, non, no, safaram-se de muitos problemas, entre eles a do êxodo de uma massa de uns cinco milhões de portugueses habituados à cultura do subsídio que o esquema vigente lhes incutiu. Isto sem sequer contarmos com os restantes previsíveis interessados no maná.

Mas não desesperem os que já sonhavam pôr-se a caminho, pois ontem algumas entrevistas garantem que um dia, quiçá não muito distante, voltarão à carga noutro perguntório do mesmo género.

publicado às 14:53

Pexit - ou uma saída portuguesa

por John Wolf, em 06.06.16

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O congresso do Partido Socialista baseou-se numa falsa premissa. Na ideia de que o mundo tende a regressar ao que era ou sempre foi. Existe um preconceito por detrás desta ilusão. A noção de que a ideologia (socialista, de Esquerda?) detém os elementos inquestionáveis de superioridade moral e material - e que é desejável. Mas sabemos há décadas que essa régua já não serve. Foram eventos que transcendem bitolas políticas que determinaram o curso da história nos últimos tempos em Portugal. Foi o dinheiro, foram os mercados e foi a ganância. Atributos repartidos pelos principais actores. Os socialistas - porque distribuiram aos seus amigos construtores os primeiros dinheiros comunitários. Os social-democratas - porque acreditaram na desregulação e nas virtudes intrínsecas do neo-liberalismo. Os comunistas - porque viveram no domínio da utopia e da irrealização. E mais recentemente o Bloco de Esquerda - por apostar em causas não prioritárias como o orgão sexual, o cão ou o gato. Sim, tudo isto e muito mais que falta elencar, coloca Portugal neste momento preciso e não no saudosismo lírico de um Alegre ou de um Guterres de ocasião. Mas existe algo que poderá determinar com maior intensidade o guião político e económico dos próximos tempos. A França, que está em grandes apuros, aparece agora como a notre dame dos aflitos sugerindo que Portugal seja poupada a sanções. Mas essa reza traz água no bico. Os gauleses estarão em ainda piores condições do que os portugueses. Aquele estado de França vai ruir. O outro evento em que penso tem um pé dentro da caixa e outro fora, e deve ser levado muito a sério. Esse cisne negro tem um nome: Brexit. A saída dos britânicos da União Europeia (UE) acarreta consequências tenebrosas para Portugal. A centena de milhar de trabalhadores portugueses que se encontra nesses territórios será obrigada a pensar na expressão monetária do seu rendimento - a libra inglesa está em queda acentuada. Acresce uma outra dimensão. A haver um Brexit, assistiremos à expressão substancial de uma modalidade distinta de nacionalismo - primeiro os britânicos. Não, não é a Áustria, não é a Húngria. Serão os britânicos a dar azo extremo à insularidade, ao proteccionismo, e em última instância, ao início do processo de desmembramento da UE. António Costa, europeísta convicto quando a música lhe convém, não referiu essa hipótese existencial. A geringonça, espalhada ao comprido por diversas obrigações contratuais, não é capaz de pensar sobre esta terceira via. Para esses, que estão no governo, existem bons e maus, certos e errados, e uma categoria inclassificável: a sua.

publicado às 13:39

Seis meses e uma senha socialista

por John Wolf, em 03.06.16

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O congresso do Partido Socialista (PS) servirá para comemorar as bodas de geringonça. António Costa tem mesmo de realizar este certame para continuar a exultar as virtudes do acordo alcançado à Esquerda. Mais do que uma operação para enfrentar os desafios que se apresentam a Portugal, o secretário-geral do PS irá falar dos que não estão. Aproveitará para cascar no governo anterior e reafirmar as virtudes intocáveis das medidas de governação já tomadas. Mas a verdade é que os portugueses não dobraram a esquina do mal-estar económico e social. E também não é menos verdade que mais tempos difíceis se avizinham. A jogada de ilusão democrática é bem metida, mas não nos engana. O método da senha que permite a qualquer militante dizer de sua justiça no palanque rosa está pejado de artimanhas. Francisco Assis foi preterido, colocado no turno pouco mediático, lá para a meia-noite, quando estiverem todos arrumados. Ou seja, a censura já é uma doutrina interna. Mas mesmo que todos falassem aos mesmo tempo nos termos mais impróprios, em última instância, António Costa detém o golden share, perdão, o rosy share - o privilégio norte-coreano de escolher a dedo oradores favoráveis. Os camaradas-autarcas terão certamente melhores tempos de antena. Em 2017 teremos essas eleições, que podem muito bem servir para desferir um golpe de misericórdia nos intentos monopolistas dos socialistas. O PS, se quiser honrar o templo sagrado da geringonça, vai ter de se mexer para manter o mesmo pacto de regime nas eleições autárquicas. Este congresso de vida semestral da geringonça não é um seminário com a ambição de transformar Portugal. É uma conferência-campanha para validar e eventualmente estender o prazo contratado com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Será que vão distribuir senhas rosas aos amigos mais à Esquerda? Gostava de escutar Octávio Paz, Pato, é Pato, no congresso do PS.

publicado às 17:58

Parem de tocar a sineta

por Nuno Gonçalo Poças, em 03.06.16

Um indignado é aquele que demonstra indignação, isto é, um sentimento de fúria ou desprezo provocado por algo considerado ofensivo, injusto ou incorrecto. Ao indignado, segundo as correntes regras de vida, responderá sempre uma desculpa, um baixar de olhos, uma mão a bater no peito em sinal de arrependimento. E, logo de seguida, nova indignação.

Uma pesquisa rápida no Google por "indignação e redes sociais" indica-nos, só em língua portuguesa, 508.000 resultados, maioritariamente vindos de ligações de páginas de media ou similares, o que exclui desde logo toda a densa floresta que são as redes sociais. Tudo serve para a indignação transformada em desporto nacional. Da cadela de Maria João Bastos a casos de violação no Brasil; das afirmações de José Cid sobre trasmontanos numa entrevista de paródia aos escritos de Henrique Raposo sobre algarvios ou alentejanos; de José Rodrigues dos Santos à Marta Melro, que desconheço quem seja, mas que foi ontem alvo de uma "onda de indignação nas redes sociais" por ter chamado "anjinho" a um animal e que hoje já se veio mostrar "de luto pelos humanos".

A indignação, no mar de informação em que vivemos, não conhece distinções. A indignação contra a morte de um animal de estimação pode ser tão ou mais dura que a indignação causada por uma violação. Vargas Llosa tem razão quando diz que desapareceu uma instituição que, no passado, cumpria uma importante função na vida cultural e política: a crítica. Nas redes sociais, acarinhadas por um jornalismo preguiçoso, não há valoração de informação, não há uma distinção clara entre o essencial e o secundário.

A imprensa podia estar a desempenhar esse papel, mas, indolentemente, não está. Os jornais, instrumentos fundamentais ao exercício das liberdades, estão a alimentar uma sociedade onde impera a censura, já não pela mão do Estado, mas pela mão de cidadãos ávidos por um escândalo, desejosos de ter algo que defender com unhas e dentes, pouco tolerantes a opiniões diferentes. Pouco tolerantes, até, ao humor. Porque o humor ofende – e nós não temos capacidade para tolerar a ofensa – e a liberdade tem limites – e nós temos os nossos limites cada vez mais apertados.

Pavlov treinou cães para que estes salivassem sem comida por perto. Sempre que os cães eram alimentados, Pavlov tocava uma sineta. Com o tempo, os cães passaram a salivar só de ouvir a sineta, mesmo não tendo comida. Naturalmente, isto não significaria que os cães salivassem eternamente sempre que ouvissem uma sineta – o reflexo não é infinito. O que nós estamos a precisar, neste momento, é que parem de tocar a nossa sineta.

 

publicado às 15:30

M&M - Marcelo e Merkel

por John Wolf, em 02.06.16

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De maneiras que é assim. Acabou o namoro entre Marcelo e Costa. O fim do matrimónio deve implicar separação de bens. A escapadinha tinha de acontecer - agora é M&M bff. O Presidente da República Portuguesa foi chamado à liça por Merkel. Entre duas ou três bolas de Berlim, a chanceler alemã puxou o professor para um canto e disse: "vê lá se ganhas juízo". Costa = Passos. Por outras palavras, Portugal = Portugal. E a festa é para continuar. Mas, Marcelo Rebelo de Sousa que passa mais tempo em Belém do que Berlim, ainda teve tempo para inventar uma ficção para consumo interno. O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) aceitaram a realidade? Minha Santa Ângela das mudanças de sexo aos 16!!! Eles nem sequer viram a realidade. Já ouviram falar do Bremain? Pois. Seis meses nem chega a ser uma gestação como deve ser.

publicado às 13:47

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Coisas há que causam espécie ao mais desatento dos visitantes.

Gostaríamos de saber a razão pela qual estando presente na supracitada expo o colar da referida majestade, nada oportunamente foi esquecida a sua espectacular coroa que por sinal se encontra precisamente no mesmo museu em Coimbra. Será este mais um "problema político", ou andam os decisores a necessitar urgentemente de fosfoglutina? 

publicado às 14:45

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