Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Não faz diferença horária alguma

por John Wolf, em 31.08.18

shutterstock_336454874.jpg

 

O relógio democrático da União Europeia determinou que não deve haver mudança da hora de Verão para aquela de Inverno. Para dizer a verdade, estou verdadeiramente a borrifar-me para a matéria, especialmente tendo em conta que me encontro em Portugal. Sarcasmos, cinismos ou entropias à parte, este país vive no seu próprio fuso horário. A tal reunião marcada na sede com o director do departamento de comunicação estava agendada para as 10h de terça, mas o Sr. dr. (dr. da treta, da tanga, da cueca...ou do raio que quiserem) chega ao meio-dia e um quarto - não esboça arrependimento nem roga perdão - siga para bingo. Sinto aqui mandrionice à mistura; sair de casa quando ainda está escuro? Oh, raio! Cresçam e apareçam. Daqui a nada inventam uma ponte cronológica e uma tolerância de hora morta. Para não falar de Agosto, o lindo mês de Agosto em que nada há a fazer - o serviço apenas reabre a 17 de Setembro. A Geringonça, e em particular o Bloco de Esquerda, gosta de pegar neste tipo de bicho pelos chifres para lançar teses sociológicas respeitantes ao direito ao descanso e  rituais de acasalamento. Quando a malta quer, arranja sempre tempo. E esse tempo geralmente acontece à custa da pontualidade alheia, nativa ou exógena. Não se esqueçam - um relógio avariado oferece a hora certa duas vezes ao dia. É aproveitar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:29

E que tal 50% de António Costa?

por John Wolf, em 26.08.18

António-Costa-2.jpg

 

Como estaria Portugal com António Costa a 50% de demagogia? A pseudo-promessa de redução para metade do IRS aos emigrantes que decidirem retornar a Portugal não passa de uma artimanha de campanha. Em primeiro lugar, esses jovens ganham três vezes mais do que ganham em Portugal e inserem-se em sociedades baseadas no mérito e no desempenho. O que tem este país, do turismo à beira-mar plantado, para oferecer a esta geração? Pouco, diria. Muito pouco. Para além do mais, a medida levanta algumas questões constitucionais. Pode um decreto de governo conceder tratamento discriminatório a uns em detrimento de outros? São deficientes motores? Veteranos de guerra? Ou será que têm saudades do cozido à portuguesa? O facto de apontar a mira sobretudo a emigrados do período de 2011 a 2015 é um modo de levantar a poeira do mandato de Passos Coelho para proveito eleitoral - aquela coligação da Troika ainda pode ser espremida. E os emigrantes saídos nos anos sessenta? Valerão menos do que a geração Sudoeste? Para além do descrito, existe uma outra dimensão fiscal a ter em conta - a tributação de rendimentos de portugueses auferidos no estrangeiro (?) Chamemos à coisa uma espécie de panfletos Panamá - não chegam a ser papers. Com quase 6 milhões de portugueses por esse mundo fora, Costa não ousa tocar no assunto. Marcelo tem família no Brasil, não tem? Ah, mas há mais. Se esses emigrantes voltarem ainda têm direito a ajudas de custo para o enxoval e a máquina de lavar loiça. Mas o copo está sempre meio sujo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:34

Música para hoje: Her's - Carry the Doubt

por Samuel de Paiva Pires, em 24.08.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:30

Le Pen e a Web Summit

por Samuel de Paiva Pires, em 15.08.18

Sobre Marine Le Pen e a Web Summit, tenho apenas a dizer que, como democrata liberal e conservador, estou nos antípodas de qualquer pensamento de carácter totalitário, seja fascista ou comunista, mas como adepto da liberdade de expressão e de pensamento, creio que todas as opiniões, por mais estúpidas que sejam, devem poder manifestar-se na esfera pública de qualquer democracia liberal, desde que possam ser desafiadas e expostas as suas fragilidades e as que são expressamente intolerantes possam ser contrariadas pelo debate racional e, caso se esteja na iminência de se tornarem hegemónicas, possam então ser suprimidas para salvaguardar o espaço público demo-liberal. Estou apenas a glosar Karl Popper e o seu paradoxo da tolerância, que aqui deixo em tradução da minha autoria:

 

“Menos conhecido é o paradoxo da tolerância: A tolerância ilimitada tem de levar ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo àqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender uma sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles. — Nesta formulação, não quero dizer que, por exemplo, devamos sempre suprimir a expressão de filosofias intolerantes; enquanto as possamos contrariar por argumentos racionais e mantê-las sob controlo pela opinião pública, a supressão será certamente insensata. Mas devemos reivindicar o direito de as suprimir, se necessário até pela força; pois pode facilmente dar-se o caso de elas não estarem preparadas para discutir racionalmente connosco, começando por denunciar todos os argumentos; elas podem proibir os seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são enganadores, e ensiná-los a responder aos argumentos utilizando os seus punhos ou pistolas. Devemos, portanto, reinvindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante. Devemos afirmar que qualquer movimento que pregue a intolerância se coloca à margem da lei, e devemos considerar o incitamento à intolerância e à perseguição como crime, da mesma forma que devemos considerar como crime o incitamento ao homicídio, ou ao sequestro, ou ao regresso do comércio de escravos.”

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:16

Turismo a arder em lume brando...

por John Wolf, em 13.08.18

beer-glass.jpg

 

Não sou turista inglês, nem sou turista para inglês ver. Estou cá há valentes décadas para o bem e para os males de Portugal. Não chegámos atraídos pela cerveja barata e o sol de inverno. Viemos para ficar. Viemos para infelizmente testemunhar a delapidação da identidade nacional perpetrada por actores nativos. Em nome do ganho rápido e sucessivo, uma série de embustes são servidos. Pratos gastronómicos, e outros de natureza porcelanosa, vendidos no limite explorador da falsa noção de que o cliente seguinte virá ao mesmo engano para tomar o lugar daquele que partiu e que não volta. Pois bem, assistimos aos primeiros indicadores da inversão de marcha da galinha de ovos de ouro do turismo. A medida de gin a 12 euros e o tuk-tuk da tanga a sessenta obedecem ao mesmo princípio da gula turística. O turista alemão e os britânicos brexitianos começam a abandonar as asas do desejo de Lisboa e arredores. Os eventos ad-hoc, unitários, de grande impacto, como o festival cancioneira da Eurovisão ou o Web Summit não deixam grandes marcas residentes - não são o MOMA, nem o Prado...São, à laia das especiarias e ouro dos Descobrimentos, para estoiro rápido. O operador turístico tem vistas curtas e não está a saber apostar nos horizontes largos da fidelização. Cliente enganado não torna - foge. Elege a Croácia ou vira-se para a Tunísia. Os fogos que ardem em sucessivas temporadas, aclamados como sucesso de governação e habeas corpus, também imprimem um tom derrogatório à efeméride ganhadora do turismo. Em tempos tive como interlocutor, no meu clube de Facebook, o Director do Turismo de Portugal, mas a minha conversa crítica e apaixonada por Portugal não lhe caiu no goto e, sem contemplações, comecei a ser alvo de tiradas visando a minha alegada estirpe de cowboy americano. Para evitar males maiores e dissabores retóricos, tive de bloquear o chefe. Por estas e por outras, como o que acontece na Turquia, Portugal enfrenta perigos que nem a melhor das geringonças consegue dissimular. Fiquem atentos. Agosto está mais perto do fim do que imaginam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:41

É preciso mudar alguma coisa para que fique tudo como está

por Samuel de Paiva Pires, em 09.08.18

Somos fantásticos a organizar eventos, mas frequentemente medíocres a planear quase tudo o resto, muitas vezes até coisas básicas. É uma das razões porque muitas políticas públicas não têm a eficácia desejada, a falta de capacidade de previsão e planeamento - sem falar na execução. Há décadas que o país arde todos os anos e ainda não conseguimos criar um dispositivo altamente profissional, hierarquicamente bem estruturado e comandado, de prevenção e combate aos fogos. Estudos e mais estudos, relatórios, avisos e recomendações de especialistas vários ficam arrumados numa gaveta qualquer enquanto, ano após ano, lideranças políticas medíocres e chefias operacionais de competência duvidosa anunciam investimentos de milhões de euros e, quando as coisas correm mal, atropelam-se em falhadas tentativas de spin sobre o que é mais que evidente: o caos na organização dos meios de combate ao fogo. Pelo meio, ninguém estranha nem se indigna por os bombeiros voluntários, heróis no meio disto tudo, se verem forçados a solicitar apoio em coisas básicas, como água e comida, às populações. Junte-se a isto uma sociedade civil anémica, que nem em face da tragédia que aconteceu em Pedrógão Grande pressionou devidamente as lideranças políticas, e temos as condições para continuar a praticar a célebre máxima de Lampedusa que titula este post. Para o ano há mais, como já é habitual. 

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:47

Síndrome pós-traumática de Pedrógão

por John Wolf, em 08.08.18

fire-2777580_640-1531000945-6165.jpg

 

A tragédia de Pedrógão de 2017 não foi uma tragédia. Resultou inequivocamente de décadas de desgoverno da base geográfica de Portugal. Foi a matriz cultural e é a matriz cultural que impede um genuíno ordenamento do território. A ciência e o saber técnico respeitantes aos fogos e ao seu combate residem em Portugal ao mais alto nível. Tem sido o poder político o principal adversário da paz e ordem sociais. Foram sucessivos governos, formados a partir de partidos de todo o espectro ideológico, que alimentaram o sectarismo, a divisão, a promulgação de interesses parcelares contrários à defesa da integridade e sustentabilidade florestal do país. Assistimos ao descalabro administrativo, à discussão de chefias e forças de intervenção, ao caos burocrático e processual - estão todos em pânico pela putativa perda de vantagens e subvenções. Mas assistimos também à incapacidade de disciplinar as populações que desobedecem sem reservas às ordens das autoridades. Confirmamos também, este ano, à luz das perdas humanas de Pedrógão em 2017, o medo irrascível e desesperado para salvar vidas humanas, deixando o pasto e o mato à mercê do fogo. Ou seja, o cadastro intensamente negativo da perda de vidas humanas do ano passado será saneado pela possível poupança das mesmas no cenário de operações de este ano. O governo de António Costa parece ter colocado a tónica nessa dimensão para poder reclamar o grande sucesso da protecção das populações - ardeu tudo, mas ninguém foi carbonizado. Falamos da síndrome pós-traumática de Pedrógão. Testemunhamos, incredulamente, a contradição consubstanciada no avolumar de meios humanos e técnicos de combate ao fogo que de pouco tem servido para inverter a tendência de ganho do fogo - mais meios e mais homens para combater as labaredas não se traduz em vitórias certas. A noite será longa, assim como as discussões infrutíferas sobre responsabilidades a atribuir. Eucaliptos dizem uns, vento sopram outros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:28

O 25 de Abril da Venezuela

por John Wolf, em 05.08.18

1c492aa3-82cd-48e1-8f06-49e5eb96360c-large16x9_AP1

 

Sobre a legitimidade da resistência armada do povo venezuelano aos grilhões do regime de Maduro, o presente arranjo governativo da República Portuguesa parece ter memória curta. Portugal também realizou um atentado a 25 de Abril de 1974, em nome da liberdade e dos princípios democráticos que tanto apregoa. Talvez devido ao facto de Portugal ser refém das centenas de milhares de portugueses que vivem nesse Estado, o ministério dos negócios estrangeiros tome o partido errado e se coloque ao lado de um ditador que mata à fome o seu povo. Na própria Constituição da República Portuguesa a figura de acção directa e defesa contra agressões estão contempladas. Embora as mesmas aludam ao conceito de ameaça e violação da integridade soberana perpetrada por forças estrangeiras, a verdade é que a História já demonstrou de um modo inequívoco que muitas vezes os maiores inimigos são de origem nativa. Maduro deve ser considerado um traidor do seu povo. O resto é conversa política e normativamente correcta. Mas a política e a História não estão escritas em manuais. É na rua que elas acontecem. Viva o povo de Venezuela!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:10






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds