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Sobre os patuscos liberais lusos

por Samuel de Paiva Pires, em 28.10.18

Se dúvidas tivesse (dissipadas já há muito tempo), o meu post anterior, partilhado por aí por um libertário indígena e comentado por mais uns ditos liberais e libertários portugueses que me presentearam com os mimos que a sua tribo habitualmente reserva para todos aqueles que não alinham na sua ortodoxia simplista e própria de seres intelectualmente grunhos, acaba por servir para comprovar, mais uma vez, que muitos dos putativos liberais cá do burgo só o são quanto à dimensão económica, não hesitando apoiar declarados fascistas e candidatos a ditadores, seguindo na esteira do pior de Friedrich Hayek, Milton Friedman e dos Chicago Boys que formularam as políticas económicas de Pinochet e o apoiaram, justificando-se Hayek com a possibilidade de transição democrática num país cuja economia entretanto prosperasse. Ou seja, validam, mais uma vez, algo que há muitos anos venho escrevendo: não são liberais clássicos. Um liberal clássico, nos dias hoje, como explicam Eric Voegelin e John Gray, é um conservador no sentido anglo-saxónico, um defensor da democracia liberal e dos valores a esta subjacentes, nunca poderá apoiar um aspirante a ditador. Aliás, esta possibilidade arrepiaria Adam Smith, Edmund Burke ou Karl Popper. Claro que, para perceberem do que estou a falar e as suas próprias contradições, os nossos patuscos ditos liberais e libertários precisavam de ler coisas que não se compadecem com a simplicidade panfletária a que estão habituados e que permeia as suas diatribes e concursos de ortodoxia. Aliás, fiquei bem esclarecido a respeito da ignorância e do fanatismo de que sofrem quando, excepcionalmente, acedi a explicar um post meu em que me referia a várias ideias bastante conhecidas de Hayek, Oakeshott, Ortega y Gasset, Bertrand Russell e Popper que o meu interlocutor e os seus compagnons de route na caixa de comentários desconheciam em absoluto, o que, em vez de os tornar mais intelectualmente humildes, apenas reforçou o seu fanatismo em torno do que diziam ser um pensamento próprio (de grunhos, claro). Não há como não continuar a dar razão a Alçada Baptista, para quem "Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas,” e por isto mesmo há que continuar a lutar, na senda de Fernando Pessoa, contra a ignorância, o fanatismo e a tirania.

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publicado às 20:28

Sobre as eleições no Brasil

por Samuel de Paiva Pires, em 28.10.18

Por estes dias, diversas pessoas enveredaram por uma perigosa equivalência moral entre corrupção e fascismo, para justificarem a sua abstenção (no caso de Fernando Henrique Cardoso), apelo à abstenção (nos casos de Assunção Cristas e José Manuel Fernandes), ou apoio declarado a Bolsonaro (caso de Jaime Nogueira Pinto). Ora, ao contrário do que escreveu José Manuel Fernandes, Haddad é mesmo um mal menor em relação a Bolsonaro, e não, corrupção e fascismo não são dois males maiores equivalentes. Sem entrar em grandes teorizações, direi apenas que a corrupção é inerente à condição humana e ao estado de sociedade, permeia qualquer sociedade e qualquer regime político, democrático ou não, embora, claro, em diferentes graus. Isto é uma observação factual, não qualquer tentativa de justificação ou desculpabilização da corrupção, até porque acredito que é moralmente desejável reduzi-la ao menor grau possível. Ainda que seja compreensível que muitos brasileiros estejam cansados da corrupção que grassa no país em resultado do exercício do poder político pelo Partido dos Trabalhadores, quem acredita que Bolsonaro irá eliminar a corrupção está iludido e enganado a respeito da condição humana e do que é a política, especialmente se acreditar que um regime autoritário, fascista, é conditio sine qua non para proceder a uma "limpeza" da corrupção no Brasil. Já que a memória histórica de boa parte dos brasileiros (e não só) parece olvidar que também durante a ditadura militar brasileira existiu corrupção (e em tantas outras ditaduras por este mundo fora), ou que os regimes autoritários são, também eles, permeados por este fenómeno, então que atentem no índice de percepção da corrupção da Transparency International para perceber uma coisa bastante simples: os países cujos regimes políticos são democracias liberais são os menos corruptos do mundo, ao passo que os regimes autoritários são precisamente os mais corruptos. Posto isto,  sugiro ainda que perguntem às vítimas de qualquer regime autoritário ou totalitário, os mortos, os presos políticos, os torturados, os exilados, os perseguidos, se preferem viver num país com corrupção mas em que haja liberdade  (de pensamento, de expressão, de informação, de associação) ou num país cujo regime político imponha a censura ao pensamento divergente do pensamento único, a tortura, os trabalhos forçados e a morte por critérios tão arbitrários e desumanos como a mera discordância política ou diferenças de qualquer tipo (raciais, nacionais, de orientação sexual).  

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publicado às 12:38

Alta e radiante

por Nuno Castelo-Branco, em 25.10.18

 

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 Há mais de um século, Sabugosa descreveu uma recepção na Ajuda, onde sobressaía a Rainha D. Amélia, "altíssima, radiante na sua beleza meridional, coroada por um diadema rútilo". No 67º aniversário do seu passamento, aqui fica a lembrança de D. Amélia como uma  anacrónica activista política, social e cultural que ao contrário de muitas outras agora nossas contemporâneas, fez das palavras actos cujos resultados ainda hoje beneficiam a sociedade portuguesa. 

 

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Anteontem, precisamente no mesmo local sobressaiu alguém com a mesma imponente e majestática figura de D. Amélia, também ela com um nome de rainha, alta e radiante na sua beleza do norte da Europa. Tal como a portuguesa, a mesma atitude e o mesmo permanente sorriso. 

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Esqueçam a presença do Comendador de La Vichyssoise e concentrem a atenção na Senhora da foto. Sempre nos distrai das porcas e pequeninas misérias caseiras.

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publicado às 18:02

Tarde demais

por Nuno Castelo-Branco, em 21.10.18

 

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Quem sintonize qualquer canal de tv em Portugal ou simplesmente conecte o Facebook assiste a um festival diário de tomadas de partido à distância de um oceano, pueris excitações antes de imaginados acontecimentos, imprecações, fake news, desbragados ódios à solta. 


Agora seria uma felicidade poderem reverter a história e anular 1889. Como há uns anos dizia um conhecido abre-caminhos, habituem-se. 

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publicado às 10:06

Os sôfregos gulosos dos queijinhos

por Nuno Castelo-Branco, em 13.10.18

 

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 Os motores de busca indiciam o grau de interesse por um certo tema, propiciando ainda mais discussões e trocas de argumentos, precisamente o que o marketing político pretende. É o que tem sucedido nos últimos anos, tornando  a Internet no centro de decisões de eleitorados, tendências e modas. 

 

É o acontecimento mais evidente neste preciso momento, pois quem ligue o seu computador às mais visitadas redes sociais, deparará com um tema hegemónico, onde se digladiam amigos que há muito já escolheram o seu candidato à ocupação daquele Planalto dos vendavais. Todos eles com prós e contras, todos eles à mercê de ditos e mexericos e inevitavelmente à mercê de fakes para todos os gostos. 

Dizia ontem uma comentadora televisiva que naquele país a classe operária, uma das mais vastas do planeta, não participa nas manifestações anti um dos candidatos. É verdade, até porque pouco ou nada tem a ver com as classes relativamente acomodadas dos queijinhos identitários, por outras palavras, os esquerdistas mais ou menos abastecidos de viagens low cost, dispendiosos aparelhómetros propiciadores de intervenções imediatas ou as sempre urgentes e necessárias vitualhas que várias vezes por dia reconfortam os seus estômagos. Se por cá pululam, por lá também.
De uma coisa poderemos estar todos certos: será aquela classe operária na sua maioria empregada, relativamente silenciosa e bastante avessa ao assistencialismo, quem muito contribuirá para a decisão do resultado das próximas eleições. 

O enorme interesse que este processo eleitoral por cá tem conduzido à ruidosa participação bastante directa em termos das novas tecnologias da informação, apenas demonstra à saciedade uma escassa separação psicológica em contraponto às formalidades da política.
O sistema de circulação é pendular, pouco modificando a situação criada ao longo dos séculos. Os estudantes que de lá vinham cursar em Coimbra, no mesmo movimento de comerciantes que desembarcavam os seus produtos nos cais da metrópole europeia, eram compensados por viagens em sentido inverso por governadores, militares ou povoadores que para aquela inicialmente reduzida testa de ponte sul-americana partiram, dilatando-a até às fronteiras hoje existentes. Todos nós, de ambas as margens do Atlântico, temos antepassados comuns. 

No último século, as terríveis provações decorrentes dos acontecimentos que de longe vinham e podem por todos ser identificados através da data 1910 e anos seguintes, para lá enviaram uma enorme massa de nacionais que procuravam refúgio, trabalho, paz de espírito e tranquilidade para as suas famílias. Algo de parecido sucederia seis décadas depois, devido a bem conhecidas vicissitudes. Devemos, temos a obrigação moral de estar agradecidos.
O pêndulo agora faz o seu movimento compensatório e o inegável facto deve ser encarado com toda a normalidade, pois queiramos ou não, somos o mesmo povo, apenas separado por contingências geográficas e farta imaginação política. Falamos variações da mesma língua, partilhamos até um determinado e ainda muito próximo momento a mesma história. Até na mentalidade ocidental dos queijinhos somos parecidos. 

Não gostam de B? Não gostam de H?

Não os comentem. 

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publicado às 07:38

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 "Por razões óbvias gostaria que esta casa sobrevivesse, de modo a que a o nome do escritor não baptize uma pocilga suburbana no centro de Lisboa."

Já ninguém se lembra deste post, um entre centenas sobre o mesmo tema da desgraça da nossa cidade.  Vem aí coisa nova, rutilante de mediocridade, liquidando um dos escassos exemplos do período da modesta Arte Nova lisboeta.

Adeus. 

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publicado às 16:13

Dignidade institucional...

por Nuno Castelo-Branco, em 08.10.18

 

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 ...ou como ele gosta de referir, sentido de Estado, nestes tempos onde o vale tudo faz escola diária, num sentido sem sentido algum.


MRS ontem respondeu a quem o interrogava acerca das eleições brasileiras, com o clássico ..."não comento eleições noutros países".

Certo.

Hoje, não resistindo a mais uma trica politicamente correcta, resolveu iniciar o discurso com ..."um dia de más notícias", logo rematando com o "extremismo, racismo, xenofobia", etc. Sem dizer um único nome, todos entenderam e o alvo também, é quase certo que por lá terá quem lhe puxe pelo cotovelo e lhe segrede o dito ao ouvido. 

Errado.

Brilhante sentido de Estado, para quem num futuro próximo forçosamente sentar-se-á diante do potencial dirigente do país que não é nada mais, nada menos, senão o principal integrante da CPLP. 

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publicado às 14:43

....e na próxima madrugada já seria tarde

por Nuno Castelo-Branco, em 04.10.18

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publicado às 18:56

11 anos de Estado Sentido

por Samuel de Paiva Pires, em 04.10.18

Foi há 11 anos que se iniciou o Estado Sentido. Aqui fica um sentido agradecimento a todos os nossos leitores, comentadores e amigos por nos encorajarem a continuar por aqui.

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publicado às 00:36






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