De Anónimo a 10.05.2012 às 02:56
Tem toda a razão quando afirma que os artistas que fossem conotados com o regime (sem estarem a ele ligados de facto, como aconteceu com a Amália e outros mais) e que não se passassem d'imediato para a esquerda-baladeira, revolucionária e oportunista, eram simplesmente ostracizados, quando não também difamados, mesmo aqueles que tinham ganho o Festival da Canção, como foi o caso do Conjunto Académico João Paulo e outros mais. Uma vergonha inaudita. E a 'festa' (inveja e ódio) continua..., porque nem falam deste conjunto nem de outras bandas nem de cantores/as da mesma altura, muitos deles excelentes mas todos/as levaram com o estigma de "faxistas" para a vida. Quando afinal os baladeiros que chegaram da estranja, onde viviam conluiados com a oposição traidora, para vir apregoar com pseudo-cantorias a 'liberdade' (deles), com a excepção de dois ou três - há excepções em tudo - não valiam um caracol comparados com os de cá, na altura.
De facto fui logo após ver vários vídeos deste conjunto, recordando tempos d'infância com imenso gosto. E de caminho dei uma olhadela aos Sheiks, que também eram engraçados. Nunca liguei muito ao Rock, excepto o original e isto por ser muito novinha na altura. Não obstante adorava (eu e todas/os os da minha idade) os temas do homem que o inventou, Bill Haley, cuja carreira estranhamente durou pouquíssimo tempo. Depois foi sendo esquecido e esfumou-se como o éter... Parece que morreu relativamente novo, sem que lhe tenha sido reconhecido o talento que efectivamente possuía.
Pelos meus onze/doze anos tornou-se hábito lá em casa e em quase todas as casas em que existisse gente nova, volta e meia irmos todos - eu, os meus irmãos e pais - a festas (nada de boîtes, éramos demasiado miúdos para tal) em casa de amigos da família, onde havia sempre espaço para dançar especialmente o 'Rock' que era o que estava então na berra e o "Rock-Around-the-Clock" de Bill Haley era de colocação obrigatória no pick-up... e aos primeiros acordes a miudagem começava logo aos pulos. Os seus discos eram tocados vezes sem conta. Este homem obteve um sucesso mundial quase instantâneo.
Os Beatles, o Elvis, os Rolling Stones e os demais conjuntos-rock que foram aparecendo anos depois dele, copiaram-lhe o ritmo, o estilo e a forma... e até o cabelo! Para ser franca, mesmo mais crescidinha nunca lhes achei grande piada, embora conceda que sobretudo os Beatles e n'alguns casos o Elvis e poucos mais, tenham gravado temas bem interessantes. APorém a minha preferência ia toda para alguns conjuntos famosos d'além Atlântico (Bee-Gees, John Philip, Everly Brothers, Beach Boys, etc. e cantores românticos (Sinatra, Dean Martin, Nat King Cole, Howard Keel, Mario Lanza, estes dois em canções ligeiras mas também canto lírico, etc.) e outros crooners norte-americanos. Mais tarde alarguei os meus horizontes musicais à música clássica, que aliás já vinha de trás.
Ah! Mas depois (recuando no tempo) veio o Hully Gully e era outra loiça! Era um ritmo electrizante, tal e qual havia sido muitos anos antes o Rock and Roll. Quem o escutava tinha que começar a dançar imediatamente. Todos a executavam na perfeição e a coreografia era giríssima: uns passinhos para um lado e para o outro, depois para a frente e para trás... e voltava a repetir-se tudo de novo, agora virados para o lado oposto. Era uma alegria indescritível para quem estava a dançar e para quem observava sentado. Sobretudo em Portugal porque ninguém percebia nada daqueles passos diferentes de tudo quanto se dançara por cá até então. Enquanto que em Londres o Hully Gully já estava em alta desde há bastante tempo e continuou a estar durante anos e anos.
Muito agradecida pela sua resposta e pela ligação ao espaço "Yé-Yé" que eu desconhecia.
Maria
Obs: Para que veja como o Sérgio era solícito e gentil, conto-lhe como o conheci. Acabado o espectáculo fui pedir-lhe um autógrafo, ele acedeu com a maior simpatia e perguntou-me o nome. Disse-lho e ele achou melhor substituí-lo por um diminutivo..., escreveu uma palavras simpáticas e depois repetiu-me oralmente o que acrescentara no fim: "Para a ... (diminutivo) ... mais doce". Sensibilizou-me imenso aquela dedicatória.
Repito, o Sérgio era um amor de rapaz e é uma tristeza ter desaparecido tão precocemente.