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A verdadeira "prova dos nove" de Álvaro Santos Pereira

por Pedro Quartin Graça, em 19.05.12

Mais do que palavras, que essas leva-os o vento, o que marca o mandato de um governante é a capacidade de transformar as decisões, que se querem boas, em (boa) obra visível para a comunidade. Nos dias que correm, contudo, a bitola baixou significativamente. Já não se pede, pasme-se, que surjam coisas novas mas, tão só, que se evitem mais disparates na gestão da coisa pública, a juntar às centenas que, desde há mais de 30 anos, transformaram Portugal num campo de experimentação e de gula por parte dos "mesmos de sempre". Aqueles que, independentemente da cor dos Governos, são clientes diários das centrais de pagamentos do Estado. Todos sabemos bem quem são e conhecemos igualmente bem a sua capacidade de persuasão e de influência...

A área da energia tem sido palco constante dessa gula sem fim. Esta conta, desde que o Governo de Passos Coelho tomou posse, com a presença, à frente da pasta da Economia, de Álvaro Santos Pereira, um homem de perfil estritamente académico vindo directamente de Vancouver, Canadá, personalidade de que líamos com frequência os escritos e a quem admirávamos, inclusive, algumas posições que publicamente defendia. Álvaro, como gosta de ser tratado, aterrou em Lisboa de "pára-quedas" e num Ministério onde, excepção feita a uma técnica superior, não encontrou ninguém para o ajudar. Foi, portanto, "lançado às feras" e teve de fazer pela vida, desamparado que estava na difícil gestão dos inúmeros dossiers que se amontoavam sobre a mesa. Não trazia, ao que se sabe, nenhuma lição estudada, mas quem o lançou sabia o que fazia, evidentemente. Álvaro, quiçá demasiado confiante na "bondade" dos primeiros meses de governação, aceitou fazer o papel mas, inexperiente nas lides políticas e no contacto com os sempre impiedosos media nacionais, cedo se transformou num dos elos mais fracos do Governo de Passos Coelho. Mais recentemente, ainda que de forma mais aparente do que real, foram-lhe atríbuidos méritos no âmbito do acordo de concertação social entre o Governo e a UGT. O tal que não está a ser cumprido mas que, cremos, terá passado mais pela Praça de Londres do que, verdadeiramente, pela Rua da Horta-Seca... Adiante que isso são contas de outros rosários...

A verdade é que Álvaro, até ao momento, nada provou enquanto governante, é preciso dizê-lo. Mas Álvaro tem agora a possibilidade histórica de o fazer  já que se encontra, desde há meses, nas suas mãos um dossier explosivo que herdou do Governo de Pinto de Sousa: o das barragens. E o de uma em especial, a polémica barragem de Foz-Tua. Está portanto nas mãos de Álvaro Santos Pereira e na sua capacidade de decisão e de influência junto dos seus colegas de governo o decidir se haverá, ou não, barragem, se se destrói, ou não uma das belas regiões do país em troca de um pequeno e caro "prato de lentilhas". Ou seja, se consegue, ou se quer, parar as absurdas pretensões da EDP de António Mexia e salvar toda uma região do País das mãos do cimento e do falso progresso. Isto no momento em que o GEOTA considerou que a decisão da EDP de propor traçados alternativos para a linha de muito alta tensão entre a Barragem de Foz Tua e Armamar vem dar razão aos ambientalistas e mostrar que os custos das obras são, afinal, cada vez maiores, quando o que se impõe é as autoridades decidam parar as obras de construção da barragem e resgatar a concessão, salvando-se toda uma região natural.

Entretanto, o Estado Português foi também notificado pela UNESCO acerca da polémica construção. Nela se pode ler, entre outras reflexões da maior importância, a de requerer imediatamente ao Estado Português que páre imediatamente todos os trabalhos de construção da barragem em Foz Tua e de toda a infraestrutura associada. Se isto não acontecer, Portugal, e a região em causa, perderão definitivamente, a honrosa e disputada classificação de património mundial que até agora existia.

Está pois nas mãos de Álvaro Santos Pereira a tomada de decisão, a capacidade de, querendo e podendo, dar "um murro na mesa". Os portugueses ficarão a saber definitivamente "de que lado Álvaro se encontra". Caso tenha forças para se impor e parar a megalómena barragem é caso para dizer que "temos homem" e seremos os primeiros "a tirar-lhe o chapéu". Se o não conseguir fazer, afinal, todos já conhecemos muito bem o resultado da "prova dos nove"... 

 

publicado às 09:28







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