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Uma caricatura de nação

por Samuel de Paiva Pires, em 05.06.12

Uma nação que se deixa esbulhar e ir à bancarrota sem espernear, que deixa que a sua pátria seja violada por algo como o Acordo Ortográfico, que ainda assiste impávida e serena ao pavonear dos actores principais deste triste fado, e que só com a selecção nacional de futebol se deixa exaltar num patriotismo pífio, não é uma nação. É uma caricatura e o espelho da pobreza de espírito que grassa em Portugal.

publicado às 13:29


1 comentário

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De Lionheart a 05.06.2012 às 15:24

Ah, pois é. As cenas em torno da selecção não têm nada a ver com patriotismo. Veja-se como a histeria rapidamente deu lugar ao enxovalho, após a derrota com a Turquia. É apenas uma relação utilitária, completamente artificial.

O problema é que Portugal não sabe como exteriorizar a sua identidade e por isso esta também não é muito conhecida e reconhecida no  exterior. Daí que seja difícil promover o país. Portugal tem um grave problema de identidade. É verdade que não tem secessionismos, nem uma ameaça externa muito agressiva. Mas tem um problema de identidade porque não há verdadeiramente símbolos e causas que mobilizem as pessoas, para além da religião católica, e essa é transnacional.  Com que é os portugueses se identificam? Com as instituições estamos conversados. Com os símbolos nacionais pouco. Talvez mais com o escudo e as quinas, mais consensuais.

O regime diz muito pouco à maioria das pessoas. Não quer isso dizer que com uma monarquia pudesse ser muito diferente. Depende do comportamento dos monarcas, embora a empatia que existe entre os britânicos e a sua monarquia não seja reproduzível aqui. Não esquecer que o/a monarca britânico para além de Chefe de Estado é o chefe da Igreja de Inglaterra. Corporiza a integridade territorial, a união das nações britânicas, a espiritualidade inglesa, para além de ser o rosto de uma instituição que representa um passado glorioso e que com a sua teatralidade, pompa e circunstância serve para projectar a História do país, recordando ao mundo que aquele Estado já foi uma potência de primeira grandeza e que ainda é importante em domínios como a cultura ou a diplomacia.

Cá, só a figura do Papa estará à mesma escala da que a Rainha tem no Reino Unido. Só mesmo este provoca o mesmo tipo de mobilização nos países católicos, com excepção da França, país muito mais identificado com o seu regime do que Portugal, a Itália e mesmo a Espanha.

Porquê o nosso problema de identidade? Talvez porque cá nunca se tenha desenvolvido um nacionalismo cívico. Depois, as datas históricas que celebramos não são as mais felizes, por termos um regime complexado e comprometido com uma descolonização que foi lesiva da memória histórica de Portugal. Porque este é um regime muito marcado por uma ideologia esquerdista que é hostil ao passado imperial do país.

É certo que seria muito difícil ao país manter um império com poucos recursos e contra a vontade das grandes potências. Coisa diferente é esse regime celebrar a desistência e a cobardia. Não conheço nenhum país com passado colonial que celebre a perda desse império como Portugal celebra, dando até nomes de ruas a quem lutou contra os portugueses. É esse o pecado capital da república. Por isso Portugal é um país que vive de fogachos e modas, como a selecção de futebol. Esta igualmente sem identidade e que vive da imitação da imagem e "slogans" de clubes (colagem evidente ao clube que tem mais adeptos, para tentar colmatar a quase ausência de jogadores do beifica). Portugal pode já não ter grandeza, mas podia manter a dignidade. Nem isso.

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