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Do comentarismo de Constança Cunha e Sá

por Samuel de Paiva Pires, em 18.06.12

Há coisas que simplesmente acontecem sem que tenhamos percepção ou noção da sua causa. Os palcos dados a certos comentadeiros indígenas incluem-se neste lote. Nunca percebi, talvez porque nunca me tenha dado ao trabalho de investigar, de quem é que Constança Cunha e Sá é filha, aparentada ou amiga - para além do óbvio, que é do conhecimento público. Porque, verdade seja dita, no país dos fidalgos e fidalgas, o ser filho de algo e a Dona Maria da Cunha continuam a ser as melhores formas e os mais rápidos atalhos para singrar no espaço público, onde a valorização do mérito é, não bastas vezes, relegada para as calendas gregas – embora seja propagandeada por quem não se coíbe de vociferar em nome do mérito, ao mesmo tempo que pratica o nepotismo e o amiguismo.

 

Não gosto nem nunca gostei do estilo de Constança Cunha e Sá. Aquela quantidade de tiques e tremeliques, a voz irritante e a exasperante mania de interromper e condicionar constantemente os seus entrevistados e convidados não a tornam, de todo, recomendável a quem aprecie bons comentários políticos. Mas o que faz com que não lhe dê crédito algum é mesmo a sua confrangedora capacidade intelectual. Tudo ali é achismo sem substância, ao sabor do vento e dos tempos que passam.

 

Vem isto a propósito da afirmação que a ilustre comentadora proferiu ontem: «Nunca vi um primeiro-ministro tão mal preparado.» Sou insuspeito nesta matéria, pois frequentemente critico o governo e Passos Coelho. E embora também creia que há assuntos nos quais o Primeiro-Ministro poderia ser/estar melhor preparado, é preciso ser muito desonesto intelectualmente para proferir uma afirmação destas depois do país ter sido politicamente abalroado, financeiramente arruinado e moralmente esmagado pela arrogância, falta de educação e incompetência gritante de José Sócrates. Passos Coelho não é, certamente, um intelectual ou um académico. Mas é inegavelmente superior a José Sócrates, desde logo porque parece ser um homem minimamente sério, e dados os constrangimentos a que estamos sujeitos, isso é de suprema importância para o processo de recuperação da credibilidade externa do país. Como escreveu há tempos o Miguel Castelo-Branco, «Passos Coelho, pelo menos, não está indiciado em terríveis casos de roubo organizado, não fugiu para o estrangeiro e tenta, talvez tolamente, ser fiel ao seu fardo.»

publicado às 12:57


7 comentários

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De Anónimo a 18.06.2012 às 16:42

Comentário apagado.
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De Joao Rebelo a 18.06.2012 às 17:43

Canalha é voce, anónimo, que nem cara tem.
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De Raquel Paradella Lopes a 18.06.2012 às 21:14

É uma Mourinha da política no banco!! Diz o que lhe vem a cabeça sem pensar!
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De Samuel de Paiva Pires a 18.06.2012 às 21:16

Mourinha, muito bom Image
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De Isabel Metello a 19.06.2012 às 03:12


Samuel, queira desculpar-me, mas há bem pior- pelo menos nunca perguntou a um PM o que ele achava de ser condsiderado "o homem mais sexy de Portugal"- o que não só revelou uma bajulação regurgitante como uma total subjectividade militante! E muito/as há por aí!
Eu, por exemplo, uma fã incondicional de Maria José Nogueira Pinto, Uma Senhora (que Deus Conserve A Sua Grande Alma em Paz!), não consigo perceber a profundidade do pensamento da sua irmã Maria João Avillez! Se calhar, a falha é minha, pois ali o achismo é mato!
Agora, tem razão numa coisa- comparar a fujona da Pantera Cor-de-Rosa, hoje numa vida de luxo en Paris, embora estudando en Poitiers, utilizando assim, com frequência, o TGV (uiii! quelle vélocité Mon Dieu de la France!!! :), com Pedro Passos Coelho cujo Governo ficou com agranada na mão, enquanto o outro tirou o gatilho e pôs-se a andar- os socialistas gostam muito de Paris, por que será???!!! Ah, está bem- lá vem a música "cartas de amoooooooooooooooor, quem as não tem?". é como comparar uma galinha com um Leão! Please, haja tento!Image
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De Alcino Santos a 28.10.2012 às 19:17

Há um ditado popular, não sei se é chinês que diz: Não se aceitam criticas de quem sabe mais, aceitam - se, sim, criticas de quem faz melhor. Ora, pelo que ouvimos, sabemos que a D. Constânca sabe muito. Gostaria de a ver fazer melhor. Que se candidate a primeiro ministro e que faça melhor. Até lá que cale aquela boca que só vomita ódio e asneiras.
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De António Costa-Cabral a 30.11.2012 às 10:17

Comentadores e políticos, principalmente de esquerda (que é sinistra), dizem que esta política é errada, que o orçamento não serve, etc, etc, mas ninguém apresenta soluções que não ponham em risco os empréstimos que o país precisa para pagar salários e pensões.


Pergunto-te, Constança, QUAL É A SOLUÇÃO?


 

(trato-a por tu porque a conheço há muitos anos...)
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De Alcides Lopes a 28.05.2013 às 17:51

O "jornalismo", sobretudo o da TVI, permite que estes e outros exemplos sejam possíveis neste país. A mulherzinha não só opina a torto e a direito como tem uma ânsia patológica de interromper tudo e todos e, esparrama-se na sua própria ignorância. Mas mais grave ainda, para alguém que se diz "jornalista" é a forma como faz juízos de valor perfeitamente arbitrários e sem contraditório de pessoas e das funções que exercem. Tem uns ódios de estimação que não se percebem porquê e em relação a Pedro Passos Coelho, chega a ser freudiana. Alguma coisa o rapaz deve ter ignorado, quiçá bastou-lhe ser frontal como costuma ser ou apenas simples na sua maneira de ser, para logo alimentar a fantasia jornalística-erótica da velha rapariga, sobrevivente aos vícios mundanos, mas que deixam indeléveis marcas, e que com redobrado ânimo se julga superior intelectualmente aos outros. Ora esta paranóia foi inaugurada por Marcelo Rebelo de Sousa, tem sido continuada com êxito por Pacheco Pereira - grande utilizador do método paranóico-crítico de Dali, embora com adaptações conspirativas de "denunciante" e com muito menos interesse, sobretudo no ponto pesponto, patético exercício de uma espécie de madrassa de inspiração estalinista que a SIC à semelhança do pretensioso Eixo do Mal, insiste em pôr no ar. Constança Cunha e Sá, que tem os fusíveis extremamente queimados e os neurónios completamente desfeitos, desdobra-se em aparições relâmpago dentro daquele grupo de betas jornalistas da estação e, faz um trabalho digno de uma televisão regional dos states nos anos 80, num estilo que nenhum jornalista devia seguir e que consiste em exercitar a estupidez, a demagogia e a incapacidade de interpretar uma simples frase, até a exaustão, até à náusea, até ao cansaço total do espectador menos avisado e habituado aos xaropes televisivos de má qualidade. Quando a vejo, e por isso tenho sempre pilhas novas no comando, zapo dali para fora que é um gosto. Consegue ser pior que o Sócrates, e isso não devia ser possível.

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