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Um excelente artigo de Francisco Mendes da Silva, a ler na íntegra, sobre Enoch Powell, mas que começa com este parágrafo certeiro:
«De todos os modos primitivos em que ainda se desenvolve o debate político em Portugal, existem dois que me suscitam um particular desalento: o quase completo desdém pelos discursos escritos e – sem que daqui resulte qualquer contradição – a inabilidade para o “soundbite”. Descontando a prosápia inócua que vai sendo proferida, compilada e publicada por algumas cúpulas senatoriais sem grandes responsabilidades de escolha política ou preocupações de combate e ruptura, o debate faz-se de navegações à vista e reacções circunstanciais, sem nenhum respeito pela organização das ideias, pela coerência das posições, pela sedimentação programática. Daí que, em vez de exigência substantiva e esmero estilístico, tenhamos de suportar os mais lamentáveis malabarismos oratórios, nunca para lá da metáfora deslocada, da piada de caserna ou do recurso preguiçoso à gíria futebolística. Isto para não falar de erudição, que – à parte da eventual citação dos “grandes estadistas” canónicos (um Churchill aqui, um Kennedy ali) – é coisa que de todo inexiste.»