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Do patriotismo

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.12

Tratar o patriotismo como algo pejorativo sem operacionalizar e qualificar o que se entenda por patriotismo é, vá lá, um bocadinho para o iliberal, irracional e academicamente pouco sério. Umas leituras de MacIntyre ou Scruton podem ajudar. E relembrar o que é uma ordem espontânea também. Por mim, continuo a subscrever Pessoa quando diz que o «O Estado está acima do cidadão, mas o Homem está acima do Estado» e apenas acrescento que a pátria está acima do estado, não podendo ser aprisionada por este nem por nenhum de nós e sendo, na realidade, o mito que fundamenta o burkeano contrato entre os mortos, os vivos e os ainda por nascer. E continuo também a subscrever Samuel Johnson quando falando no falso patriotismo afirma que este é o último refúgio de um canalha. Relembrando Miguel Torga, a pátria é "o espaço telúrico e moral, cultural e afectivo, onde cada natural se cumpre humana e civicamente. Só nele a sua respiração é plena, o seu instinto sossega, a sua inteligência fulgura, o seu passado tem sentido e o seu presente tem futuro." Nenhum homem é uma ilha, ao contrário do que muitos pensam.

publicado às 22:01


2 comentários

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De Isabel Metello a 29.06.2012 às 03:06


Xico, gostei muito do seu cosmopolitismo, pois, de facto, por exemplo, os retornados/exilados políticos, terão Uma só Pátria ou terão Uma Pátria e uma Mátria, enquanto Paraíso Perdido, dimensão Simbólica só acessível a quem viveu esse desenraizamento? Daí que repita :) o Amor à Pátria é Um Amor DEscentrado, nunca tribalista ou ego ou etnocêntrico, jamais...Image
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De xico a 29.06.2012 às 12:17

Nasci numa antiga colónia africana de Portugal, e só conheci o território português continental já com dezanove anos. Mas a minha pátria sempre foi Portugal e por identificação cultural, a Europa. Porque é aqui que estão as minhas raízes sociais, culturais, etc. Mesmo que o território não tenha sido o berço, é aqui que está o meu espaço, na definição de Torga. Não significa que eu, a mesma pessoa, não pudesse arranjar pontos de identificação para tornar a minha pátria, por ex. Moçambique, como o fez Mia Couto por exemplo. Como diz, não é uma questão de tribo, raça ou etnia. Mas também não pode ser de tal forma sagrado que não se possa transformar. Não consigo ser português sem ser europeu. Seria deitar fora a origem do meu 1º rei, por exemplo, de Roma e da Grécia. As margens do Danúbio e do Reno de onde vieram todos os godos e suevos, que formaram esta "pátria". Eu até acrescento que a fronteira da Europa é o deserto do Saara e não o Mediterrâneo.

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