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Há mais de vinte anos conheço o caminho que liga a saída da agora auto-estrada, às imediações da Charneca de Caparica. Passamos duas rotundas e na segunda, viramos à esquerda. No segundo cruzamento - se bem me lembro -, voltamos à direita e perto de um quilómetro percorrido, chegamos ao final da rua que dá acesso à estrada que contorna o paiol da NATO (?). Pois bem, ainda ontem, tudo decorria com toda a normalidade. Hoje, perto das quatro e meia da tarde,, chegando ao cruzamento, virei à direita em direcção à estrada do paiol, quando fui subitamente parado por uma boa meia dezena de agentes da Guarda Nacional Republicana que com todas as cortesias da praxe quiseram verificar os meus papéis e os da viatura. Pareceu-me uma normal missão fiscalizadora, mas de chofre o agente atacou:
- O senhor não viu o sinal de proibido quando entrou nesta estrada?"
- "Qual sinal de proibido?! Há décadas que passo por aqui em direcção às praias e nunca houve nenhum sinal. Nunca o vi!"
- "Pois lá está um. Creio que foi recentemente colocado pela Câmara Municipal de Almada."
- "Desde quando? Ontem não existia."
- "Talvez desde hoje. Vou verificar se esse sinal foi colocado hoje, mas se lá estiver há mais tempo, receberá uma multa."
- "Quando voltar da praia verificarei o sinal, mas desde já lhe digo que ontem não estava lá!" (grunhi)
Duas horas depois, verifiquei o lindo serviço. Quem chegue ao fim da rua e vire à direita para a estrada do paiol, jamais poderá vislumbrar o sinal de proibição - rematado por um "reservado a moradores" -, pois plantaram-no precisamente na esquina, num ângulo morto e de impossível visualização. Se houvesse um mínimo de competência ou boa fé, teria bastado um sinal de interdição de voltar à direita - e a correspondente ressalva "reservado a moradores" -, colocado uns metros antes da curva.
Dado o momento que penamos, há um descarado propósito de extorsão e calculo que este fim de semana serão passadas dezenas, senão muitas centenas de autuações por "infracção" ao inexistente - porque invisível - sinal. Uma vergonha, mais uma nódoa negra que segundo as palavras do agente da GNR, tem a alegada autoria da famosa edil Emília, mais conhecida pela Ceausesca de Almada. Além do mais, com as contínuas decisões acerca de interdições de circulação aos fins de semana, incluindo a marginal no sentido Fonte da Telha/Costa de Caparica, poderemos dizer que a Ceausesca pretende esvaziar as praias no verão. Uma cretinice de todo o tamanho, somando-se ao horrorosamente caótico acampamento de betão em que transformou o município.
Tudo não passaria de mais um típico assalto enche-bolsos, se ainda por cima a GNR não tivesse colaborado - talvez seja melhor dizer ter sido obrigada a participar - neste escabroso esquema. Se pretendesse avisar os incautos condutores acerca da modificação das regras, o piquete/patrulha ter-se-ia postado a uma dezena de metros antes da dita curva, advertindo os automobilistas. Tal não aconteceu, ficando os agentes multistas quase de emboscada num beco da primeira ruela à direita.
Indecente. Alguém põe cobro a "isto"?
Adenda: por sugestão de um leitor, além da Câmara Municipal de Almada e GNR, talvez seja necessário acrescentar um ou dois ministérios a este esquema: o das Finanças e o da Administração Interna?