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Da impossibilidade epistemológica do socialismo

por Samuel de Paiva Pires, em 09.08.12

Da minha dissertação de mestrado, Do conceito de liberdade em Friedrich A. Hayek, p. 61:

 

Uma economia socialista, ao acabar com o sistema de preços, impossibilita o processo que permite tornar explícito o conhecimento prático disperso, visto que os preços incorporam um conhecimento holístico, sistémico, “desconhecido e incognoscível por qualquer um dos elementos do sistema do mercado, mas dado a todos estes através da operação do próprio mercado”. Não existe qualquer outra forma de organização da economia que consiga rivalizar com o mercado enquanto gerador de conhecimento, já que é o único mecanismo que consegue utilizar eficazmente o conhecimento prático disperso tornando-o holístico – e é este conhecimento que é destruído quando se tenta planear ou corrigir os processos de funcionamento do mercado.


É por isto que quando Hayek fala da impossibilidade prática de uma economia socialista, não se refere apenas a obstáculos que possam um dia ser removidos ou à sua ineficiência mas também, e principalmente, à impossibilidade epistemológica do socialismo funcionar, ou seja, à incapacidade de qualquer ordem social utilizar efectivamente o conhecimento prático dos seus cidadãos sem o mercado livre, o que tem como consequências o cálculo caótico, a barbarização da vida social, a impossibilidade dos indivíduos saberem como dirigir as suas actividades e uma regressão no stock de conhecimento prático e na capacidade de inovação e mudança que assenta na função de descoberta baseada na tentativa e erro – é o sistema de preços que “facilita os processos de aprendizagem e descoberta que denominamos por cálculo económico e concorrência no mercado”.

publicado às 10:47


10 comentários

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De Miguel Noronha a 09.08.2012 às 11:33

No "Socialism" o Mises refere que a URSS só conseguia algumas "luzes" acerca do planeamento da produção graças ao preços obtifos via comércio externo. Num mundo totalmente socisalista ou num país em completa autarcia seria o caos absoluto.
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De Samuel de Paiva Pires a 09.08.2012 às 11:37

Deve ser uma situação tenebrosa. Será possível que a dada altura os planeadores soviéticos não se tenham apercebido do erro gritante em que o comunismo incorre no que à economia diz respeito?
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De Samuel de Paiva Pires a 09.08.2012 às 12:23

"Today, our perspective will perhaps be somewhat different when we realize that these behemoths were far less powerful than an iPhone. Run an economy with an iPhone? Sorry, there is no app for that."

Simplesmente risível!
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De hahahahayek a 09.08.2012 às 12:57

A tese central de Hayek em Caminho pra Servidão foi indicar que, embora o socialismo tenha uma forte qualidade ética, por si só não pode garantir que os resultados da tentativa de implementá-lo estarão alinhados com sua ética, em vez de serem desviados e corrompidos pela psicologia do poder e a influência da arbitrariedade administrativa. 
Mas agora que o Estado do bem-estar social sofre críticas frequentes, vale a pena lembrar que o manifesto pioneiro que defendeu o mecanismo de mercado com base na liberdade não rejeitou a necessidade de um Estado do bem-estar e forneceu uma defesa racional dele como uma necessidade institucional.
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De meritocrata a 09.08.2012 às 12:23

Hayek, que na sua utópica sociedade ultra-liberal ("The Great Society") imaginava a existência de um "minimum standard of living for all human beings".
Um perigoso esquerdista, portanto.
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De funny because it's true a 09.08.2012 às 12:16

Leon Trotsky (http://en.wikipedia.org/wiki/Leon_Trotsky), a proponent of decentralized planning, argued that centralized economic planning would be "insoluble without the daily experience of millions, without their critical review of their own collective experience, without their expression of their needs and demands and could not be carried out within the confines of the official sanctums", and "Even if the Politburo consisted of seven universal geniuses, of seven Marxes, or seven Lenins, it will still be unable, all on its own, with all its creative imagination, to assert command over the economy of 170 million people."
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De hahahayek a 09.08.2012 às 12:46

Os liberais recorrem frequentemente ao "erro de cálculo socialista" como uma cortina de fumo desenhada para esconder que o sistema socialista pode funcionar bem. Estamos, no entanto, rodeados de exemplos em sentido contrário, como o sistema socialista descentralizado do ensino publico ou o altamente centralizado sistema capitalista do WallMart. 
Ou seja, se num sistema hayekiano tentarmos "seguir" a nossa encomenda da UPS a resposta da empresa seria inevitavelmente: "Descvulpe, mas não sabemos onde está a sua encomenda. A informação está dispersa e portanto para lá da capacidade de conhecimento de um actor/regulador económico "?


(ok, esta ultima parte é uma brincadeira mas pode-vos ajudar a perceber onde estão as falhas de raciocínio)


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De Samuel de Charro Chávenas a 09.08.2012 às 12:51

Não estou convencido de que Hayek entendeu totalmente as conexões substantivas. Ele estava cativado demais pelos efeitos capacitadores do sistema de mercado sobre as liberdades humanas e tendeu a minimizar — embora nunca tenha ignorado totalmente — a falta de liberdade para alguns que pode resultar de uma dependência total do sistema de mercado, com suas exclusões e imperfeições, e as conseqüências sociais de grandes disparidades na propriedade dos bens. Mas seria difícil negar a imensa contribuição de Hayek para nossa compreensão da importância de julgar as instituições pelo critério da liberdade.
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De u grilo no silêncio da noite hayekiana a 09.08.2012 às 13:05

cri-cri, cri-cri, cri-cri

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