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O ar condicionado da Guerra Fria

por João Quaresma, em 10.08.12

 

O caso da fábrica de painéis solares de Alexandre Alves acabou por reabrir um tema há muito esquecido nas prateleiras da história de Portugal no pós-25 de Abril: as empresas mantidas pelo PCP, entre outros motivos, para se financiar através de negócios generosos (por exemplo, a exportação de vinhos, a importação de automóveis Lada) com os regimes do bloco comunista. Em 1991, aquando do desmoronamento da URSS, foram descobertas alegadas ilegalidades envolvendo algumas destas empresas. Foi o famoso caso dos carimbos do Governo Civil do Porto, alegadamente falsificados, usados por essas empresas; na altura fez as capas dos jornais para logo depois cair no completo esquecimento.

O caso da Fábrica Nacional de Ar Condicionado, tal como é descrito por Zita Seabra, é uma daquelas histórias verdadeiramente fascinantes dos tempos da Guerra Fria, e corresponde ao modus operandi da Stasi (os serviços secretos e polícia política da Alemanha comunista, equivalente local ao KGB). Resta saber se outros casos do género tiveram lugar envolvendo outros fornecimentos ao Estado.

Aposto que, depois disto, em muitos gabinetes vai haver gente de mangas arregaçadas e chave de parafusos na mão, a desmontar o aparelho de ar condicionado para ver se tem um microfone escondido.

publicado às 11:00


11 comentários

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De Samuel de Paiva Pires a 10.08.2012 às 13:10

Esta história fez-me recordar a minha visita ao Museu da Stasi, na Berlim Oriental. Talvez fosse boa ideia espreitarem também o que existe dentro das portas de muitos carros e troncos de árvores, por exemplo.
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De vai estudar, samuel a 10.08.2012 às 14:54

os troncos de àrvores têm portas? essa é nova...
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De João Quaresma a 10.08.2012 às 22:39

Eles conseguiam instalar microfones e câmaras nos sítios mais incríveis, e isto com a tecnologia disponível nos anos 80, muito longe da geração seguinte. Era algo de verdadeiramente obsessivo. Nunca um povo foi tão vigiado como os alemães de Leste.
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De Nuno Castelo-Branco a 10.08.2012 às 20:16

Qual quê... têm desculpa. Foi tudo "por bem" do "povo".
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De João Quaresma a 10.08.2012 às 22:45

Temos que admitir que, do ponto de vista de estratégia de espionagem, é de se lhes tirar o chapéu. Uma grande jogada, que dava para um filme.
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De Miguel CB a 10.08.2012 às 22:31

O problema resume-se a uma coisa de somenos. A Siemens quer instalar em Portugal a segunda maior fábrica de painéis solares da Europa. A concorrência não quer que Portugal os produza. Vai daí, socorrem-se de uma historieta com barbas até ao chão e invocam acidentes de há trinta anos.
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De João Quaresma a 10.08.2012 às 23:00

Caro Miguel CB, eu não iria muito por aí. Portugal já tem dois grandes produtores de painéis fotovoltaicos, a Martifer Solar e uma outra fábrica que forneceu a central da Amareleja, de que não me recordo o nome. Não era o camarada Alexandre Alves que iria meter medo à Siemens, acredite. A questão é que tudo indica que o projecto se enquadra mais nas lógicas do show-off do socratismo do que num projecto empresarial credível. E um investimento de mil milhões de euros é qualquer coisa de brutal. Seria preciso vender montanhas de painéis para pagar um investimento desses.
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De edgar a 10.08.2012 às 23:29

Como esta personagem é militante destacada do PSD, é de perguntar: Quem é que anda a pôr porcaria na ventoinha? Com que intenção?
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De Miguel CB a 11.08.2012 às 00:15

Peço perdão, mas a iniciativa portuguesa é apoiada pela Siemens, que detém 90% do mercado mundial. Seria, sim, uma empresa portuguesa, com capital português, dando emprego a portugueses, fixando tecnologia da Siemens.
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De João Quaresma a 11.08.2012 às 01:32

Peço desculpa então, percebi mal. A competição entre os países para receber grandes investimentos é muito grande e vale tudo, até arrancar olhos. Nesse caso, o Governo estaria a negar-se a receber um investimento avultado nesta altura do campeonato, a pedido de outros? Acho pouco provável. E a recorrer a revelações incómodas para confirmar uma decisão já tomada e justificada? Não me parece caso para tanto. Já a menção que Zita Seabra faz a Mário Lino, ex-PCP e ministro socialista das obras públicas, não deixa de ser digna de nota. Aguardemos por desenvolvimentos desta história.
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De Pedro Quartin Graça a 11.08.2012 às 10:43

É fantástica a "oportunidade" desta entrevista, não se pondo em causa a veracidade do que Zita refere. O Governo, via a sua obscura e amadora central de propaganda, ainda que a espaços, consegue uns "floreados à Socrates". Nada como fazer sair um coelho da cartola no "insuspeito" programa de Crespo, para fazer esquecer o "chumbo" por parte do Governo do projecto solar do "barão vermelho". O que estará reservado para a novela Roquette?Image

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