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O ar condicionado da Guerra Fria

por João Quaresma, em 10.08.12

 

O caso da fábrica de painéis solares de Alexandre Alves acabou por reabrir um tema há muito esquecido nas prateleiras da história de Portugal no pós-25 de Abril: as empresas mantidas pelo PCP, entre outros motivos, para se financiar através de negócios generosos (por exemplo, a exportação de vinhos, a importação de automóveis Lada) com os regimes do bloco comunista. Em 1991, aquando do desmoronamento da URSS, foram descobertas alegadas ilegalidades envolvendo algumas destas empresas. Foi o famoso caso dos carimbos do Governo Civil do Porto, alegadamente falsificados, usados por essas empresas; na altura fez as capas dos jornais para logo depois cair no completo esquecimento.

O caso da Fábrica Nacional de Ar Condicionado, tal como é descrito por Zita Seabra, é uma daquelas histórias verdadeiramente fascinantes dos tempos da Guerra Fria, e corresponde ao modus operandi da Stasi (os serviços secretos e polícia política da Alemanha comunista, equivalente local ao KGB). Resta saber se outros casos do género tiveram lugar envolvendo outros fornecimentos ao Estado.

Aposto que, depois disto, em muitos gabinetes vai haver gente de mangas arregaçadas e chave de parafusos na mão, a desmontar o aparelho de ar condicionado para ver se tem um microfone escondido.

publicado às 11:00


11 comentários

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De Miguel CB a 10.08.2012 às 22:31

O problema resume-se a uma coisa de somenos. A Siemens quer instalar em Portugal a segunda maior fábrica de painéis solares da Europa. A concorrência não quer que Portugal os produza. Vai daí, socorrem-se de uma historieta com barbas até ao chão e invocam acidentes de há trinta anos.
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De João Quaresma a 10.08.2012 às 23:00

Caro Miguel CB, eu não iria muito por aí. Portugal já tem dois grandes produtores de painéis fotovoltaicos, a Martifer Solar e uma outra fábrica que forneceu a central da Amareleja, de que não me recordo o nome. Não era o camarada Alexandre Alves que iria meter medo à Siemens, acredite. A questão é que tudo indica que o projecto se enquadra mais nas lógicas do show-off do socratismo do que num projecto empresarial credível. E um investimento de mil milhões de euros é qualquer coisa de brutal. Seria preciso vender montanhas de painéis para pagar um investimento desses.

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