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A anormal normalização do estado de excepção, em que a razão da força é superior à força da razão, é sintomática do amorfismo que tolhe qualquer eventual sobressalto cívico da sociedade de uma dita democracia que já nem soberana é. O mesmo é dizer que o maquiavelismo dos "fins justificarem os meios" tem servido apenas os fins dos amadores aprendizes de príncipe, sendo responsável pela alienação da autonomia de um país, pela revolta calada de um povo e pelo alheamento de muitos indivíduos da vida pública. Talvez emigrar nunca tenha feito tanto sentido como hoje, servindo o propósito de nos exilarmos voluntariamente para, como alguém me disse há tempos, salvarmos o Portugal que vai dentro de nós.

publicado às 20:12


1 comentário

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De Duarte Meira a 10.09.2012 às 22:32


Caro Samuel:

O exílio interior, fora ou dentro do país, é inevitavel. O ultimo BASTIÃO é dentro da alma de cada um. SE cada um conseguir perservar e sobreviver a provas como as que o grande Dostoievski tratou em obras como Os Demónios...

A "normalidade" já não é possível. Entrámos, de facto, num "estado de excepção", desde 1789.

O que está em causa já não se resolve primeiro a nível de entidades políticas como "Portugal" ou outra qualquer. Aliás, a questão nunca esteve primordialmente a esse nível de superfície. A quem tiver olhos para ver, revelar-se-á cada vez melhor que o que está em causa é o humano que temos conhecido até agora sob o nome de "homo sapiens".

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