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O meu avô e a política

por Samuel de Paiva Pires, em 16.09.12

Nos últimos meses, o meu avô materno, com quem aprendi a tomar atenção à política desde tenra idade, com quem partilho longas horas de conversa sobre tudo e mais alguma coisa, e em cuja biblioteca me fui instruindo até começar a fazer a minha própria, deixou pura e simplesmente de falar comigo sobre política. O meu avô, que andou muito tempo envolvido em política a um nível micro em Lisboa, ainda no tempo do salazarismo, que conheceu Fernando Pessoa ainda em criança por intermédio de um tio amigo de Pessoa e que ficava a ouvir os debates entre eles - que lhe serviram até para brilhar na escola -, que conviveu com muitos artistas do teatro de revista, que levava os cartoons do Stuart Carvalhais, com quem tinha acesos debates, para o DN, na década de 50 do século passado, que pouco tempo antes do 25 de Abril de 1974 mudou-se para Ferreira do Zêzere, onde veio a tornar-se uma das personalidades mais conhecidas da vila, em grande parte pelo seu pensamento político e crítico, plasmado muitas vezes nos recortes e comentários que afixava no portão de casa, lidos e discutidos por muita gente, sendo assim um precursor do que hoje chamamos blogs, e tendo também sido convidado a integrar vários partidos (até o MPT, quando este quase ganhou as eleições para a Câmara Municipal no início dos anos 90), o que sempre recusou, perdeu a chama pela política que tanto me inspirou.   

 

A tristeza de ver o país no estado em que está abateu-se sobre ele de uma maneira que eu julgava impensável. O meu avô trabalhou uma vida inteira (nunca para o estado), até mesmo depois de se reformar e tem uma reforma com a qual eu não conseguiria viver - e eu nem levo uma vida que se possa sequer considerar minimamente luxuosa (não tenho casa própria, não tenho carro e sou cada vez mais frugal nos gastos, que se resumem a roupa, comida, livros, despesas domésticas e actividades de lazer como ir jantar fora, assistir a um concerto ou beber um copo com os amigos).

 

Esta semana contei-lhe que ia fazer algo que até há bem pouco tempo eu julgaria impensável: participar numa manifestação. O meu avô alegrou-se um pouco e disse-me estar satisfeito por eu ter tomado esta decisão. Hoje, depois de chegar a casa, por volta das 20h, não me tendo juntado aos manifestantes que decidiram seguir para S. Bento, liguei-lhe, julgando que ele estaria a acompanhar pela televisão o que estava a acontecer. Mas não estava. Há muito que deixou de ver televisão com frequência, preferindo a companhia dos livros nas longas noites em que quase não dorme. Voltou a dizer-me que está triste com o nosso actual momento colectivo e que cora de vergonha quando pensa nos governantes que temos, tendo-se tornado intolerante a ouvir quase todos os políticos. Tinha-se até esquecido da manifestação. Foi então que decidi provocá-lo. Disse-lhe para ligar a televisão, pois estava a perder uma das maiores manifestações de sempre no país. Disse-lhe o que aqui publiquei quando ainda estava na manifestação. Disse-lhe que quando eu ainda estava a sair da Praça José Fontana, já a frente da manifestação tinha chegado à Praça de Espanha. A voz dele mudou completamente. Estava feliz por ver o país sair estrondosamente do torpor em que se deixou cair. Continuou a seguir a situação. Um pouco mais tarde, foi ele que me ligou, quando estava a assistir aos comentários dos Professores José Adelino Maltez, Viriato Soromenho Marques e Carlos Amaral Dias na RTP1. Ficámos alguns minutos a falar sobre política, meses depois da nossa última conversa sobre política. 

 

Só por isto, para mim já valeu a pena ir à manifestação. Mas não só por isto, hoje sinto vergonha de partilhar o mesmo espaço ideológico e político com alguns dos bloggers d'O Insurgente, do Blasfémias e o Miguel Castelo-Branco, blogs que leio assiduamente como mais nenhuns outros, desde que me lembro de ler blogs. Nos primeiros dois, entre muita ignorância do que está para lá da economia, com especial destaque para o mais recente spin doctor ao serviço do governo, João Miranda, contradições evidentes com posições defendidas num passado recente e os devaneios de wishful thinking de Helena Matos, fica patente uma total incapacidade de perceber o que está a acontecer na sociedade portuguesa. Repetindo o que escrevia vida das pessoas não se faz de números e modelos macroeconómicos. Há um solo comum que é a pátria onde a revolta supera ideologias, partidos e estratos sociais. Ou não faria sentido sermos uma nação e um país. Já quanto ao Miguel, também defensor do passismo, não consigo perceber o que pode levar alguém a dizer que as imagens na televisão mostraram que não estariam presentes mais de 10 mil pessoas - e, já agora, depois de ver alguns comentários do Miguel a respeito de quem vai divertir-se para o Bairro Alto, sempre aproveito para dizer que fui a um jantar de despedida de uma amiga que, tal como eu, emigrará nos próximos dias, embora o jantar não tenha sido em nenhum restaurante do Bairro Alto, até porque na sua maioria não são conhecidos por serem baratos.

 

Aprendi com o meu avô e com o Professor Maltez a casar a honra com a inteligência. Sou daqueles que prefere quebrar a torcer, e, como costuma dizer o Professor Maltez, viver como pensa em vez de pensar como vive. Para mim, os princípios não são sacrificáveis em função da situação política. Ser liberal é muito mais do que aquilo a que muitos ditos liberais reduzem o liberalismo. Ser liberal é, também, preferir estar sozinho, especialmente quando o ambiente que nos rodeia nos asfixia a consciência. E é por tudo isto que o liberalismo tem em muitos ditos liberais os seus principais inimigos. Tomara que esta situação pudesse ser superada. Talvez se começassem mesmo pelos comentários desta noite que também animaram o meu avô.

 

Leitura complementar: Um rebelde é um homem que diz nãoProvavelmente, nunca mais um governo consegue unir o país assim; Os maiores inimigos do liberalismo em Portugal são...Interpretações de quem não sabe do que fala 

publicado às 07:30


18 comentários

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De Pedro Quartin Graça a 16.09.2012 às 08:06

Excelente texto Samuel. Parabéns. Este Governo, depois das manifestações de ontem, dificilmente recuperará, a não ser que inverta a 180% as suas políticas, o que não acontecerá. Quanto ao número de manifestantes, pelas minhas contas, e, perdoe-me a imodéstia de quem já viveu e participou em muitos destes momentos, pode cifrar-se nos seguintes números: Lisboa, 300.000 pessoas; Porto: 100.000. No total do País mais de 500.000 pessoas participaram nos protestos os quais, diga-se, pela minha observação directa e pela via indirecta também, juntaram uma percentagem extremamente significativa de eleitores do PSD e do CDS. 
Um abraço
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De Samuel de Paiva Pires a 16.09.2012 às 11:18

Muito obrigado, Pedro! Tentar negar aquilo que é mais evidente e ainda por cima não saber interpretar o que se está a passar é sintomático daquilo que também corrói Portugal.
Um abraço
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De DavC a 16.09.2012 às 11:27

De liberal-conservador para liberal-conservador, orgulho-me daquilo em que participámos ontem. Agradeço por um post que publicaste (temos praticamente a mesma idade e depois deste post e de um anterior só te consigo tratar por tu) que me ajudou a tomar a decisão de também me juntar a esta manifestação. Estamos de consciência limpa, não nos rendemos ao contrário dos supostos Insurgentes de sofá e gabinete (não falo para todos, por alguns ainda tenho sério respeito), dos Blasfemos e do resto da cambada de cínicos que se diz Liberal e pela sociedade civil. 


É bom ver no meio de tanta gente de plasticina existem pessoas na vida política para quem os princípios falam mais alto. Gente como tu e como tantos que vi ontem fazem-me ter uma pontinha de esperança, ainda. Pela primeira vez em muito tempo orgulho-me de ser português e partilhar a pátria com esta gente. Um abraço!
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De Samuel de Paiva Pires a 16.09.2012 às 14:53

Muito obrigado, meu caro! Subscrevo em toda a linha e fico muito feliz por saber que o meu post te levou a juntar à manifestação. Um grande abraço!
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De João Quaresma a 16.09.2012 às 11:27

« Estava feliz por ver o país sair estrondosamente do torpor em que se deixou cair.»
Era a sensação geral quando a manifestação chegou à Av. da República: as pessoas estavam felizes. E ainda mais por verem que tudo estava a decorrer pacificamente.
Muito boa análise, caro Samuel. E já agora cumprimentos ao senhor teu avô!
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De Samuel de Paiva Pires a 16.09.2012 às 14:22

Muito obrigado, João! Um abraço
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De Artur Jorge Girão a 16.09.2012 às 12:16

Caro Samuel, este texto dá que pensar e reflecte bem o sentimento dá Nação. Como sabes sou alguém com pensamento de direita, trabalho para o Estado e defendo acerrimamente o interesse publico acima do individuo numa lógica de pátria. Por esse motivo, vejo também na manif de ontem o sinal de que os governantes direta ou esquerda) rapidamente incorporam este principio e o mobilizam a nação para recuperar o país acabando com os compadrios e dividir equitativamente os sacrificios por todos para melhor fazermos desenvolver o país e como tal melhorar avida ás pessoas, ou rapidamente isto vai começar a correr mal... ontem foram as familias a protestarem de forma ordeira, os próximos já não serão esses, são os grupos organizados, profissionais de manifs e que podem fazer abrir o barril de pólvora que se começa a formar... Parabens pelo post intimista! fica a sugestão para comentar aqueles que preferiram ir para  praia em vez de defenderem os interesses do país e dos filhos deles...)
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De Samuel de Paiva Pires a 16.09.2012 às 14:18

Obrigado, amigo Girão! Grande abraço
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De Isabel Metello a 16.09.2012 às 15:23

Caro Samuel, citando a máxima de Camus que adorei :) "um rebelde é um Homem (acrescento Mulher) que diz que não" às causas estruturais da decadência de Portugal, às tais forças obscuras, e não às superficiais, caso contrário, está a ser usado como um mero soldado desse mal pútrido, fétido, imoral, autocentrado, cruel, como testa-de-ferro, na sua boa-fé de que está a lutar pelo Bem, quando está a fazer o seu contrário! Aconteceu muito ao longo da História que não só de Portugal (é uma estratégia intemporal! :)- e digo-lhe: o mal ri-se a bom rir e continua com as suas obscenidades e podridão- hoje, então, devem já estar a esfregar as mãos para travarem aquilo que lhes cortaria parte da fonte de alimento- o sangue dos Portugueses!!!Image
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De Ana Vidal a 16.09.2012 às 16:02

Estou absolutamente consigo neste texto, Samuel. E entendo muito bem o seu avô: gente de bem não pode concordar com o que se está a passar neste país. Como já disse noutro forum, acho que precisamos de serenidade mais do que nunca... mas não de submissão cega. Um beijo
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De Herr Flick a 16.09.2012 às 18:58

Tenho um filho com a sua idade cronológica, sim apenas isso.
Bem-haja Samuel por ser quem e como é.
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De Samuel de Paiva Pires a 16.09.2012 às 19:36

Obrigado, meu caro!
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De Miguel CB a 16.09.2012 às 20:34

Samuel. Creio haver um pequeno mal-entendido. Não sei o que é fazer parte da mesma "família ideológica". Tenho uma grande experiência de vida e está por nascer quem me pode atirar à cara "adesivismo", "entrismo" e falta de amor à pátria. O mesmo não poderei dizer de tantos, que nada sabendo da vida e de Portugal - que não conhecem, nem na língua, nem na história, nem no seu significado na história mundial - querem confundir o interesse de Portugal com os interesses de um grupo social específico que participou no devorismo, que se pensou acima do povo e criou uma ideia de Portugal que se confunde com os seus intereses de rendimento, status e carreira. Nunca fiu habilidoso. Se o fosse como o são tantos que cinheço, teria tido vida farta, ociosa e bem assentada. Como não faço parte de associações - nem as secretas me tentam - fiz o meu percurso sem dever a ninguém, sem me rojar e sem barganhar. Acho, sinceramente, que há um tremendo equívoco e injustiça nas suas palavras.
Abraço
Miguel CB
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De Samuel de Paiva Pires a 16.09.2012 às 20:48

Caro Miguel,


Não falei em família mas sim em espaço, ideológico e político. Sinceramente, estou em crer que seria capaz de reconhecer e admitir qualquer erro, caso eu tivesse sido manifestamente injusto. Mas, em relação ao Miguel, limitei-me a salientar que o que comentou a respeito da manifestação está muito longe da realidade.


Abraço 
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De Nuno Castelo-Branco a 17.09.2012 às 18:35

Tendo participado em dúzias de manifestações desde os 15 anos, creio que assim, bem por alto, lá estiveram umas 300.000 pessoas em Lisboa, ou talvez ainda mais. Por razões que expliquei num longo comentário no teu post/convocatória, não fui. Estou farto e creio que o que mais importa é substituir o regime. Chegámos ao fim de uma longa caminhada de duas gerações e o resultado, falando em termos de Estado, é decepcionante, para não dizer mais. Quanto á chamada sociedade civil, embora existam inúmeroos pessimistas de serviço, não é difícil encontrarmos gente muito válida, desinteressada, leal, honesta. 


Outro aspecto que pocos mencionaram, consistiu no total esvaziar das frenéticas tentativas de aproveitamento político do evento. O sr. Louçã e a sua estação de TV às ordens, tudo tentaram para "fazerem crer" tratar-se de um acontecimento que preludia qualquer coisa, talvez um recuar ao passado algures na S. Petersburgo do início do século passado. Falharam. O governo viu passar o seu mais fiel eleitorado, aquela gente que jamais deposita um voto que acarinhe os sectores radicais, os disfarçados candidatos a ditadores de odor caribenho. Por isso mesmo, a manifestação foi um sério aviso. 


Em suma, não exite a mais pequena dúvida acerca da compustura do povo poruguês. gente de países ricos - holandeses, alemães, suecos, franceses e em menor grau italianos, ou espanhóis - recorrem à depredação de bens, ataques vergonhosos às forças da autoridade do Estado. Aqui, se excluirmos o bem conhecido e pequeno grupo de "facas de mato"  inevitavelmente bloquista que na cerimónia do Centenário do Regicídio cometeu as indecências do costume, tudo se passou na melhor das compusturas. É a dignidade de uma velha nação ofendida. Oxalá desperte. 
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De Nuno Castelo-Branco a 17.09.2012 às 18:37

Dizia, "poucos mencionaram"
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De Nuno Cardoso da Silva a 18.09.2012 às 12:49

Como muitos ainda sabem, sou monárquico e fui dirigente do PPM. Desde há uns anos que cheguei à conclusão que a melhor e mais honesta maneira de ser monárquico era afirmar, sem hesitação, a minha adesão a valores que muitos identificam como sendo de esquerda, e de uma esquerda radical. Hoje, para além de monárquico, classificar-me-ia de libertário de esquerda, até em coerência com o meu ideal de uma monarquia popular, em que o Rei é o advogado e o primeiro mandatário do povo e da sua vontade. Contra o poder das oligarquias, só o Rei pode dar ao povo a força de que ele necessita para se libertar e emancipar, sem cair nas mãos de novos autoritarismos.


Muitos dos meus amigos de sempre são de direita, mas eu hoje não encontro na direita nenhum valor, salvo o do respeito pela vida, que a esquerda tão estupidamente relativou de tal maneira que lhe tirou o sentido. De resto, é na esquerda que estão os valores civilizacionais com os quais podemos construir um futuro mais justo. O que não significa que todos os que se auto-intitulam de esquerda respeitem realmente esses valores.


Desde há um ano que colaboro em movimentos sociais, tenho estado na organização de manifestações, e estive, naturalmente na grande manifestação de 15 de Setembro. Num texto há pouco lido, sobre as Cortes Medievais, o autor (Armindo de Sousa) afirmava que as Cortes não tinham poder mas tinham autoridade, e essa autoridade derivava de serem verdadeiramente representativas, o que fazia com que, mesmo sem poder formal, os seus pareceres e exigências não podiam ser ignorados. Não pude deixar de pensar que estas enormes manifestações também não são detentoras de poder formal, mas a sua autoridade é de tal ordem que um governo não pode, impunemente, ignorar as suas exigências. Se o fizer corre o risco dessa multidão se apoderar do poder real, e impor aquilo que devia ser aceite por virtude apenas da sua autoridade.


Os meus amigos monárquicos não compreendem, e provavelmente nunca compreenderão, a minha opção pela esquerda radical. Não escrevo este texto para os convencer, mas porque me pareceu que uma justificação talvez fosse necessária. E talvez para encorajar outros monárquicos a serem de novo povo.

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