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O tal mar "português"

por Nuno Castelo-Branco, em 01.10.12

Como aqui já se disse, este assunto emerge em ocasiões de crise, ou para justificar a construção de um projecto betoneiro enche-bolsos, talvez sob a forma de uma Expo. No seguimento da competição internacional pela proeminência imperialista, há cem anos a desastrosa República garantia a construção de uma frota de três couraçados, outros tantos cruzadores e um enxame de escoltas e de submarinos. Mais ainda, o regime da demagogia já se gabava do prometido início da moderna construção naval militar em Portugal, trazendo das margens do Clyde para as do Tejo, todo o know-how que nos faria regressar à categoria de potência marítima. 

 

Hoje, a situação inverteu-se e a demagogia pratica-se no sentido oposto. A simples menção de qualquer tema relacionado com a Defesa, provoca uma imediata e estrondosa histeria, coagindo fortemente qualquer político que queira prosseguir a sua promissora carreira. Deixa-se o mar como recurso discursivo em ocasiões duvidosamente solenes e delimita-se a sua fronteira, à pesquisa científica que dará renome aos investigadores portugueses e chorudos proventos materiais a quem fora dos ainda nossos domínios territoriais, souber ou conseguir aproveitar os seus ensinamentos.

 

Que o Estado tome boa nota de uma evidência que apenas é desconhecida para cá do Caia: sem uma ocupação efectiva, sem os famigerados números que estabelecem a almejada soberania oferecida pela anexação e o desejavelmente despótico controlo da circulação e do aproveitamento alheio dos recursos que teoricamente possuímos, estaremos uma vez mais perante um potencial Mapa Cor de Rosa, desta vez num tom mais azulado.  A indústria naval militar e civil, uma Marinha moderna e capaz de defender a superfície reclamada à ONU e também habilitada a patrulhar intensamente as águas por onde circula uma parte vital do comércio mundial, são quimeras que a caótica realidade política portuguesa não conseguirá ultrapassar. Pior ainda, arriscamo-nos ao esbulho puro e simples, ditado pelos emprestadores do dinheiro da nossa submissão e por uma Comissão Europeia bastante ansiosa por "mutualizar" recursos. Por outras palavras, um autêntico saque a ser consagrado por uma cerimónia a celebrar pomposamente lá para as bandas da Torre de Belém. 

 

Se o tema Ilhas Selvagens ainda permanece numa incerteza aviltante, divulgar bem ou mal fundamentadas esperanças num barril de ouro submerso, apenas despoletará a cobiça dos outros. 

 

publicado às 16:11


2 comentários

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De Lionheart a 01.10.2012 às 17:20

Não ainda aí agora uma grande "comoção" por causa de uma tal revista "Monocle" dedicada à lusofonia, em que uma das reportagens diz que Portugal não sabe o que há-de fazer aos Açores? Mas outros sabem muito bem o que fariam com os Açores... Tem por isso toda a razão quando diz que este é um potencial "Mapa Cor-de-Rosa", desta vez no oceano Atlântico. Em primeiro lugar porque o país não tem recursos financeiros nem tecnologia para explorar aquela riqueza. Se o fizesse numa parceria vantajosa, era óptimo. O risco é mesmo a cobiça da "Europa", da Espanha, da Inglaterra e dos EUA, ou seja, de todos quantos estão mais perto da área.

E depois a nossa fragilidade estratégica, por termos deixado depauperar a Marinha, é evidente para todos. Mas a ignorante opinião publicada não tem consciência nenhuma das coisas. Os submarinos "não" são precisos, mas depois o "tuga" tem sonhos grandiosos de controlar a maior área do Atlântico Norte. Só se for a olho. 
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De Nuno Castelo-Branco a 01.10.2012 às 20:22

O que quer que acrescente ao que aqui deixou?  Está tudo dito e é evidente a existência de potências parcerias para o domínio efectivo daquela área. Não me admiraria nada se subitamente voltasse a renascer o "separatismo" açoriano, teleguiado sabemos muito bem por quem e porquê. As Forças Armadas têm mesmo de agir. Basta de sim-sim, senhor!

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