Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A crise enquanto desígnio nacional

por Samuel de Paiva Pires, em 10.10.12

O Dragão, Naufrago, logo existo:

 

«No princípio dos anos oitenta, Portugal tinha acabado de fugir cobardemente de África e, após ensaios estonteantes de pardisíacos lestes, preparava a adesão desesperada à Eurapa. Resultado: bancarrota.
Trinta anos depois, amainada a cornucópia de fundos comunitários e várias orgias de crédito coalescente, Portugal está plenamente integrado na Europa... e novamente na bancarrota. 
Dir-se-ia, assim, que enquanto para os outros povos a bancarrota é uma calamidade, para os portugueses, em contrapartida, é uma mania. Pela via socialista, pela via capitalista, por outra via qualquer, inventada ou por inventar, hão-de lá ir sempre dar. Decorre alías, isto, dum facto muito evidente e fundamental: entre nós a crise não constitui precalço. Bem pelo contrário, constitui vício. Ou estamos nela ou a agenciar diligentemente pretextos para nela retouçarmos ou mergulharmos a pique. Tarda, pois, em se reconhecer o óbvio: ele há povos intrinsecamente masoquistas. Ou então é o que nos resta das Descobertas: a volúpia excitante do naufrágio. Como já não temos mais nada para descobrir, resta-nos naufragar a torto e a direito. Por tudo e mais alguma coisa.
Quiçá, aquilo que aos outros abate, a nós alimenta-nos.
PS: Mesmo a nossa já famosa e lambuzadíssima democracia, não se distingue a avantaja ela sobre todas as outras nesse primado  eloquente de ter por universal não o sufrágio, mas o naufrágio?...»

publicado às 21:43


3 comentários

Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 10.10.2012 às 23:36

Pois sim, mas como é que "eles" justificam 3 bancarrotas em 3 décadas? É a culpa do "fá-sismo"?
Sem imagem de perfil

De MIGUEL a 11.10.2012 às 20:57

EXACTAMENTE.
ESTES TEXTOS PARECEM MUITO DIZER QUE OS PORTUGUESES E SUA PATRIA SAO INSUSTENTÁVEIS PARA NAO DIZER INEXISTENTES. E ESTE PORTUGAL E SEU POVO SAO OS CULPADOS DE, EM 3 DECADAS, ESTAR CONSTANTEMENTE NA INSOLVÊNCIA. POIS CLARO QUE SOMOS TODOS RESPONSAVEIS POR TER ACREDITADO NA POLITICA MAS NAO CULPADOS PELA GESTAO DO PÓS 74.
OS CULPADOS TÊM NOMES, ESTAO TODOS OS DIAS NA TELEVISAO. É DELES QUE TEMOS DE TRATAR.
DEIXEM ESTE POVO EM PAZ, ELE MERECE ISSO!
Sem imagem de perfil

De Pedro Alves a 12.10.2012 às 12:56

A aldeia de Cortes de Alvares fica situada no concelho de Góis, distrito de Coimbra. Tem perto de 300 habitantes. Não é pouco face à realidade de muitas aldeias do nosso pais, mas são 300 habitantes. Tão só.

Periodicamente, especialmente no Verão, e como em muitas aldeias portuguesas, a população aumenta para cerca de 1000 pessoas, que lá vão passar uns dias de férias.

Até à poucos anos tinha uma estrada que ligava a aldeia à EN 2, estrada essa onde se cruzavam sem problema 2 veículos. Um pouco mais de cuidado era exigido quando a carreira Expresso ia à aldeia, o que deixou de acontecer há cerca de 10 anos.

Apesar disso, a população exigiu e conseguiu que a estrada fosse alargada, e corrigidas algumas curvas. Continuou a ser uma estrada com uma via para cada lado, apenas mais larga. E melhor alcatroada. Uma estrada que serve apenas a aldeia e o seu Pólo Indústrial, localizado a meio da ligação entre a aldeia e a EN2. Sim, a aldeia tem um Pólo Indústrial.

Mas a população não estava satisfeita. Nos últimos anos lutou para que a aldeia tivesse uma Circular Exterior. C-I-R-C-U-L-A-R E-X-T-E-R-I-O-R.

Sim, uma nova estrada, que desta vez circunda a aldeia. Para quê ? Não sei. Confesso que não sei. Juro. Tento encontrar uma explicação e não encontro.

Esta é uma história verídica, passada em Cortes de Alvares, mas que se calhar repete-se em vários pontos do pais. É também uma história da crise. Da crise por nós em parte provocada.


Com os melhores cumprimentos

Pedro Alves
Lisboa

Comentar post







Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas