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Pouco interessa quem esteja no poder, desde que os dirigentes sejam honestos e competentes. Assim sendo, a esperada vitória do PS nos Açores apenas consagra este princípio, para mais ajudado pelo natural voto de protesto contra o governo central. Importante será sempre governar o país segundo os imperativos nacionais, relegando os interesses partidários para um plano secundário. Embora o actual governo tenha cometido erros imperdoáveis - total desprezo pela comunicação devida aos portugueses, atabalhoamento na apresentação das medidas que surgem sempre erráticas, opções desastradas quanto à privatização de activos nacionais -, o Primeiro Ministro declarou como ponto de honra, o exercício de uma governação que ..."não atendesse aos calendários eleitorais". Esmagado, o país espera ansiosamente os resultados, embora este seja um processo longo e de flagelação da paciência mais franciscana.
Verificamos vários pontos de interesse na análise das eleições regionais.
1. Venceu a censura a quem exerce o poder central e venceu a continuidade, confirmando o cesarismo bem instalado e reconhecidamente dependente das decisões e boa vontade de Lisboa. Homem extremamente jovem para os parâmetros estabelecidos pelas direcções políticas nacionais, ao eleito Presidente do executivo açoriano caberá uma tarefa ingrata e necessariamente prudente, sendo geral o desejo do maior sucesso. Fez um bom discurso, apaziguando ânimos e sendo magnânimo na hora da sua vitória. Quanto à sua rival, a boca aberta da Sra. Dª Berta foi punida pela sua ligação ao PSD governamental e também, há que dizê-lo, à vergonhosa deslealdade demonstrada para com o PSD nacional, chegando ao ponto de grosseiramente emitir declarações sem nexo e por si capazes de afastar qualquer eleitor atento. Um escandaloso contraste com as palavras de consolo que ontem Passos Coelho lhe dirigiu. Aberta à saída pela porta traseira, a Sra. Dª Berta bem mereceu a derrota.
2. Registaram-se alguns comentários jocosos a respeito da eleição de um deputado do PPM. Pois, a democracia directa e o pleno conhecimento dos eleitores acerca de quem estão a eleger, ditaram este resultado. De facto, Paulo Estêvão é localmente conhecido e o PSD decidiu não arriscar, abstendo-se de participar numa contenda já perdida. Esta será uma chamada de atenção para todos aqueles que julgam imprudente a adopção de um novo sistema eleitoral, seja ele misto ou uninominal. A verdade é que bem ao contrário daquilo que pensam as sedes dos pequenos partidos - CDS, PC e BE -, a contenda eleitoral poderia ser muito diferente se os candidatos fossem conhecidos, beneficiando da confiança das populações.
Um círculo eleitoral mais pequeno, um candidato e uma eleição. Resultado? O pequeno PPM conseguiu aquilo a que se propôs. É isto, a democracia.