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Franciscanamente Louçã

por Nuno Castelo-Branco, em 26.10.12

 

Num Bloco em claro declínio, olhou para o relógio no momento exacto. O meu vizinho Francisco Louçã saiu do Parlamento, regressando aos seus afazeres profissionais. Fica então o BE reduzido a uns tantos desconhecidos e pouco cativantes patuscos. Muito aqui se criticou o ainda chefe oculto do BE e tal se deve à persistência com que defende um modelo caduco e claramente opressivo que flagelou povos mundo fora. Esteve sempre do lado errado, procurando dourar a prepotência com palavras de uma pretensa igualdade que sem qualquer dúvida, sempre significou um tabelar por muito baixo, obrigando milhões ao livre arbítrio de uns tantos lunáticos.

 

Teve e ainda tem uma agenda oculta que todos conheciam? Decerto e sabendo bem os portugueses o que significaria uma sociedade organizada segundo os moldes exigidos pelo BE, a resposta chegou sempre através daquele exercício que assusta aqueles que muito falam de democracia, mas que odeiam a sua forma basilar de exercício: o voto.

 

Ao contrário dos ditirambos que hoje podemos ler online, Louçã nem sequer foi um Acácio Barreiros ou um grande orador comparável àqueles que durante o século XIX povoaram S. Bento, limitando-se O Coordenador a fazer a gestão ou contabilidade dos dizeres da mais clara propaganda, a panóplia facilitista do bota-abaixo populista. Nunca apresentou uma proposta credível para a resolução dos principais do país e consequentemente, daqueles que vegetam sem emprego e sem futuro. As frases há muito feitas e noutras gerações escutadas como promessa de apetitosos manás, a crítica pelo eterno convencimento da baixeza de outrem, o infalível apontar do dedo aos outros que arcam com as responsabilidades do exercício do poder - o famigerado arco governamental -, a farsa do amor à liberdade - enquanto na sede partidária se dependuram cartazes de facínoras internacionais -, a fria e ostensiva recusa do cumprimento das mais corriqueiras normas da cortesia institucional - até para com Chefes de Estado estrangeiros, tal como sucedeu com um grande amigo de Portugal, o rei de Espanha -, eis a verdadeira soma, o saldo da sua actividade parlamentar. Homem conhecedor das matérias em que profissionalmente se especializou, poderia ter oferecido um contributo positivo, definitivamente alijando a quimera de um sonho totalitário sem nexo e que roça a psicopatia. Em suma, o Louçã do cilício vermelho  sempre pareceu garantir de existência de um inesgotável pote de ouro, deliberadamente escondido no outro lado do arco-íris pelo péfido "sistema liberal" que rouba por mero exercício da maldade, da avidez. Nada mais simples, nada mais fácil para convencer uns tantos. 

 

No entanto..., habituados como estamos à miséria franciscana dos nossos debates parlamentares desta 3ª república praticamente morta, o retintamente burguês Louçã prendia-nos a atenção, obrigava-nos ao por vezes irritado comentário e à adivinha daquilo que pretendia. Não era difícil imaginarmos o que verdadeiramente queria impingir, há muito todos o sabemos, mas insistíamos em lobrigar algo de diferente na sua ora sempre recheada de ditos espirituosos e fatalmente achincalhantes do adversário do momento, semeando a suspeita pessoal que mina as instituições. A "desonestidade dos outros" era a sua probidade quase ascética do "homem do autocarro" e essa mensagem foi incansavelmente difundida com o sucesso que se conhece. Um típico modelo decalcado da conhecida caixinha de exemplos dos anos vinte e trinta.

 

Num universo político de pataratas eleitos por lista, os círculos uninominais poderiam trazer-nos uma dúzia de Louçãs de vários cambiantes de esquerda e de direita. Um risco? Sim, mas demasiadamente valioso para ser desperdiçado.

publicado às 08:58


6 comentários

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De Duarte Meira a 26.10.2012 às 11:04


Gastou muita cera com mui ruim defunto.
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De Nuno Castelo-Branco a 26.10.2012 às 13:46

Caramba, Duarte.... Durante anos a fio andei "em cima dele" e agora, precisamente quando o tal bloquinho vai mirrando, o homem farejou a oportunidade e chegou o auspicioso momento da despedida. Apenas isso.
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De Ricardo Mochila a 26.10.2012 às 13:37


Irritado e irritante, este Louçã pouco tinha de loução. Um demagogo esperto como Beria ou Jdanov, com um cheirinho de Goebbels. O parlamento fica mais pobre? É possível...Mas o país político fica mais aliviado...deste traga-balas.
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De Anónimo a 27.10.2012 às 02:10

Tenha santa paciência Nuno, mas este homem é execrável. Ele destila ódio por todos os poros. Todos os longos e demasiados anos em que ele se fez ouvir mediàticamente através dos discursos fora e dentro da A. da R., tiveram,  sem excepção, o condão de revoltar o estômago do espectador ou do ouvinte mais insensível.
Uma criatura inominável, esta, cujo temperamento irrascível e odiento, que aliás nem sequer tenta disfarçar (honra lhe seja, assim todos sabemos ao que vamos) cuja retórica política se por absurdo fosse traduzida em obra feita seria igual ou pior do que as acções cataclísmicas que os tresloucados mundialistas (bilderbergers e as milhentas seitas  espalhadas pelo Globo que lhes estão associadas e lhes prestam vassalagem) andam há décadas a semear pelo Globo. Seita que se reune impreterìvelmente a cada ano com o fim específico de destruir o pouquíssimo - porque ainda inatingível - que resta deste desgovernado mundo totalmente à sua mercê.  Este homem podia perfeitamente pertencer a tão maquiavélico clube e ser um dos seus membros mais proeminentes. Se é que já não o é.

Contràriamente à criatura Louçã - ele próprio igualmente a sofrer de uma grave psicopatia de que nem se digna disfarçar tendo em vista o modo como discursava em público ou respondia a entrevistas  onde só se via ódio a sair-lhe da boca pra fora e chispas venenosas a saltarem-lhe dos olhos,  sinónimo de uma inveja mórbida das classes média e média-alta, quanto à classe alta nem é bom falar, como era perfeitamente detectável pelo tom discursivo e bem visível na sua diabólica fácies, sendo afinal ele próprio, hipocrisia máxima, um produto do mesmíssimo extracto social!, realmente mais ódio a Portugal e aos portugueses, país em que nasceu por mero acaso e nacionalidade a que pertence por engano quando devia tê-lo feito na ex-U.S. ou mais precisamente na China onde se movimentaria como peixe na água, não é humanamente possível existir - eles, os donos do mundo, hipócritas e cínicos ao mais alto grau, vestem a pele de lobos domesticados mas permanecem desde que nascem até que morrem animais ferocíssimos e temíveis, uma vez que o único objectivo que lhes ocupa a mente de dia e de noite é, numa primeira fase, a destruição de metade da população mundial e numa segunda, a sua aniquilação total. É claro que eles  estão convencidíssimos de que sobreviverão à espécie. Pura ilusão. Esquecem-se de que por desígnio de Deus aqueles que com ferros matam, com ferros morrem.

No que diz respeito a esta personagem intragável cuja alma deve ser tão negra como o carvão, visto que só um espírito carregado de maldade é capaz de expelir tanto veneno e ódio sobre o seu próximo, concordo em absoluto com as palavras do comentador que me antecedeu*.
Maria

* Dada a hora a que estou a enviar o comentário, terá sido o primeiro comentador.
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De Anónimo a 27.10.2012 às 02:19

Afinal sempre estava certa. Referia-me às  palavras, com as quais concordava, do comentador que me antecedeu.
Maria
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De Miguel a 01.11.2012 às 06:06

Que palhaçada.

Então ele "odeia a classe alta" mas é um dos "donos do mundo"!??

E você não odeia essa "classe alta" que é "dona do mundo"?

Que diarreia sem sentido. Ainda mais num blogue de monárquicos elitistas, classe alta por excelência que ainda tem elementos reinantes em por essa Europa fora

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