por João Pinto Bastos, em 20.11.12
A liberdade neste país é uma coisa de somenos. Sempre foi, e, por mais que digam o contrário, sempre será. É esta a nossa sina. O anuário da Fundação Francisco Manuel dos Santos bem que tentou abordar o tema, mas para um povo de brutos qualquer limitação à sua liberdade é e será sempre algo de irrelevante. Mesmo que essa limitação toque nos interstícios da nossa existência quotidiana. Vejamos um exemplo, perfeito e paradigmático, que tem andado na berra nos últimos dias. O presidente do município mais importante do país determinou a proibição, a partir de Abril de 2013, da circulação de veículos anteriores ao ano 2000 no centro da cidade e no pasa nada. Ninguém reclama, ninguém grita, ninguém protesta. Nada vezes nada. Um silêncio sepulcral. O protesto neste país resume-se a pedir mais e mais do estadão falido, uma espécie de babá que tem a obrigação de alimentar os cidadãos-bebés da barriga da mãe até ao túmulo, porém, quando o nervo das nossas liberdades é atingido sorrateira e sub-repticiamente, reina o silêncio das cavernas. Rodrigo da Fonseca tinha razão, isto de "nascer entre brutos, viver entre brutos e morrer entre brutos é triste".