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Zorba, o Grego

por Fernando Melro dos Santos, em 29.11.12
Portugal não é a Grécia, é pior.

No filme que dá a este post o título em epígrafe, Zorba e o seu companheiro de aventura, chegados à almejada mina, descobrem que só mediante um empreendimento verdadeiramente lunático poderão lograr um desfecho viável para o seu périplo. Até aqui, as histórias confluem: também cá no burgo se quis cavalgar o que não existia (o unicórnio do dinheiro fácil, e depois a quimera do euro) numa espécie de roleta russa - mesmo russa, senão volte-se a essa autêntica hemeroteca do PREC que são os media de hoje - a expensas das gerações nascituras.

As semelhanças, porém, terminam neste mesmo ponto. É certo que os problemas gregos na origem do défice que assola o berço de Protágoras, ele que foi o primeiro a prever o advento do socialismo (para cujos próceres não existe nada nem ninguém mais alto que a Humanidade) são muito semelhantes aos de Portugal: fuga dos campos e das minas rumo ao deslumbramento citadino, envelhecimento e esterilidade por causa do hedonismo subsidiado, bolhas de consumo em torno da apetência pela futilidade e pelo acessório, e nepotismo ramificado numa orgia horizontal de compadrio.

Mas dirão, temos cá isso tudo. Okay. Então, em que é que Portugal está pior?

Os gregos, que conheço bem e com intimidade tendo amigos de longa data oriundos das mais diversas classes sociais naquele país, não esperam nada do Estado. São desenrascas profissionais, e não estão habituados a olhar para cima em busca da Voz do Dono. O que têm do Estado, é porque o sacam, em bom português, e sabem bem que se o saque não for feito com arte, amanhã acabou. Até nisto estamos na cauda da Europa. Ora por cá ainda ontem ouvi um indignado sindicalista encolher os ombros e dizer "eu ando aqui [na manifestação] mas eles é que mandam".

Eu vergo-me. Isto é obra maior. Fazer engenharia genética em todo um povo removendo-lhe por completo a coluna vertebral e as gónadas, não é pequena coisa.

O que Portugal tem a menos do que a Grécia são "cojones" e rapidez de raciocínio, que os menos embotados de entre o eleitorado tentam compensar procurando esclarecimento e alternativas. Contudo, a máquina partidária e a sua rede tentacular, alicerçada na desinformação e na intimidação fisco-judicial, depressa fazem gorar qualquer arremedo de dissonância. Fascismo! Violência! Egoísmo! Interesses! De gabinetes ubíquos irrompe a sombra de todos os medos, capaz de engelhar até o mais galhardo entre os tugas.

Alie-se isto ao fantasma da sardinha para três, que pode ser sempre pior, e eis o legado dos últimos quarenta anos.

Se não surgir, rápida e certeiramente, um movimento ou partido impoluto, à direita do CDS, com valores, com ética, com deontologia, e que se afirme destacado do lodaçal vergonhoso e medíocre - não, nojento e reles em que a Babilónia Parlamentar nos tornou, então bem podem vedar janelas e encher despensas. O que virá não vai ser bonito.

publicado às 19:48


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