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A Árvore da Vida

por Fernando Melro dos Santos, em 30.11.12
É fim-de-semana, yipee-ay-ey. Não vos tomo muito tempo.

A Câmara Municipal de Lisboa mandou vir uma árvore interactiva, adjudicada parte a parte por ajuste directo. Salda-se o moderno arbusto em 230 mil euros, mais T.O.D. (taxa oficial de derrapagem) perfazendo 479 mil do erário.

Os pedaços mais suculentos do lanche são estes: a concepção do electrónico mastodonte ficou a cargo de Leonel Moura.

E que diz este? Cito: "Leonel Moura baseia-se na ideia de que "as pessoas são a árvore" ... A imagem dos visitantes vai ser projectada na árvore, construída em forma de pirâmide com três lados".

Tal ode à urbanidade só pode emanar de um autêntico arúspice social.

Vejamos, senão, como para este ser já se vaticinava um auspicioso futuro ao serviço da sociedade: "já em 2009 a Câmara de Lisboa lhe tinha entregue 74 mil euros igualmente por ajuste directo, para pagar 45 oliveiras plantadas em estruturas de fibra e com rodas. O "jardim portátil", como lhe chamaram, começou por estar no Terreiro do Paço e foi transferido mais tarde para o Cais do Sodré. Há muito que as rodas encravaram, tornando a mobilidade das oliveiras praticamente impossível", e continuo a citar a peça de hoje no Público, que não é conhecido por qualquer afinidade às convicções pessoais que já nestas páginas verti, portanto insuspeito.

Pergunta #1: será constitucional, logo impune, coarctar a mobilidade das oliveiras?

Pergunta #2: a qualidade do ar no Terreiro do Paço não estará agora em desigualdade face ao Cais do Sodré? O que diz a ASAE?

Pergunta #3: as fibras usadas na árvore falante serão certificadas, homologadas, ecológicas, igualitárias, e representativas de todas as pessoas? Ou a comunidade de Cantautores Transgender Nepaleses terá ficado de fora, abrindo um perigoso precedente?

Vocês todos sabem que neste dia saíu, no mesmo jornal que cito, uma outra notícia que dá conta de haver centenas de miúdos que já não têm comida no bucho quando vão para a escola. Mesmo que admitamos haver metade desses casos em que os pais poderiam, vá, ter gerido ou gerir melhor o seu dinheiro, ainda assim todos vocês, da esquerda à direita, sabem que já deixou de valer a pena apontar o dedo aos casos de incúria, perante a maré de miséria que se agiganta. Não sabem?

Pergunta #4: vocês lêem as duas notícias lado a lado e não mandam o edil de Lisboa para o raio que o parta?

Então eu acrescento, para irem todos descansados para o pára-arranca até casa: "totalizam mais de dois milhões de euros os 118 ajustes directos efectuados nos últimos seis meses pela Egeac. Uma das firmas contratadas para fazer a árvore de Natal, a Megarim, à qual vão ser pagos 4226 euros pela montagem e desmontagem da iluminação, está numa situação financeira complicada: fechou as últimas contas com capitais próprios negativos e foi declarada pelo tribunal a insolvência da empresa que a controla, cujos corpos gerentes incluem gestores da Megarim".

Da mesma fonte.

Eu na vossa pele, enquanto não emendasse o resultado destes 38 anos a votar com os pés, não era capaz de olhar-me ao espelho.

publicado às 16:43


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