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Brazil (1985, Terry Gilliam)

por Fernando Melro dos Santos, em 04.12.12

Compro o "i", edição de fim-de-semana. Ao alto, entrevista de Maria Luísa Qualquer Coisa, que diz não irmos lá sem erotismo. Logo por baixo, em destaque, fisco e segurança social esmagam empresas. Nos corredores do moinho estatal é mais puro e duro. 

 

Passo na oficina a cujos cuidados tenho entregue o meu carro nos últimos dois anos. Competentes, expeditos e genuínos, não me passa pela cabeça deixar de lá ir. Estão abertos há 11 anos e nunca cederam à cicuta das marcas, dos franchisings, da estridência Popota-meets-Marylin Manson com que ainda há gente a esperar seduzir um povo falido. A responsável da casa diz-me que anda há meses a tentar fazer com que o SAF-T funcione. O quem? O saftê.

 

Do mail enviado pela àtê, extrai-se que "Sendo um projeto em que pela primeira vez empresas, cidadãos e AT se juntam para melhorar a eficiência fiscal e combater os vários efeitos negativos da evasão fiscal, estamos empenhados em tornar o sistema mais amigável para o utilizador, evitando custos ou dúvidas na sua utilização." Faço votos de que a "minha" oficina consiga laborar, hoje e sempre, sem facturas, sem receios, sem perdas, sem ganhos cessantes, e sobretudo sem que sejam massacrados quotidianamente pelos mesmos de sempre. 


O medo deve apertar a valer, nestes dias, dentro da máquina coerciva que se deixou engordar e agora não sabe onde ir saciar as ganas. Mas sai-lhes pela culatra, assim haja ainda pessoas normais e lúcidas entre aqueles a quem sobre algum dinheiro ao final do mês. 


Um destes dias presenciei um sketch engraçado, um portuga desses que votam, iludido pelo jogo de luzes ou acossado pela sombra do IRS, exigia uma factura de 50 centimos, num dos poucos restaurantes à beira da estrada que ainda operam em condições, e cujo dono não tendo mãos a medir com a clientela, o tentava dissuadir daquela intenção. E bradava o outro que não, que estava escrito que agora eles eram ambos obrigados a pedir factura, que podia haver ali algum fiscal e que não havia de ser ele a abdicar dos cêntimos de reembolso que o Passos tinha prometido a quem exigisse factura. 


A náusea e o vómito, esta gente de merda. 


Querem ainda os Gárgulas da Fazenda Pública que todas (fetiche) as empresas comuniquem de imediato (tara furiosa) e por via certificada (delirium tremens) os dados relativos ao trajecto, conteúdo, destino final, colaborador e veículo com que se preparam (antecipadamente, portanto, sevícia sado-masoquista) para efectuar um transporte de mercadorias. Pode ser um pacote de pregos, podem ser duas toneladas de pneus. Importa é manter os entachados bem nutridos e para isso crie-se mais um sistema, mais um ónus recorrente.

 

Nunca gostei tanto de aritmética elementar. Até o meu sobrinho de 6 meses está mais perto de compreender a realidade do que estes sevandijas empoleirados em gabinetes vetustos e bafientos onde nem uma alface conseguiria respirar com saúde. Parece-me que não chegamos a 2013. Chegar, chegamos, mas é com um segundo resgate, na casa dos 50 mil milhões, que à imagem do primeiro vai ser sugado em menos de um ai.

 

Nessa altura, não se esqueçam: se todos pagarmos, pagamos todos muito menos. Peça factura. É um direito. É um dever cívico. É isso e o Estado Social.

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publicado às 10:20







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