Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
É "apenas" por motivos de teimosia ou casmurrice da dupla Passos/Gaspar que Portugal não tem as mesmas condições do que a Grécia. De casmurrice e, diga-se, pelo facto de Passos ter sido convencido de uma balela, a de que se Portugal beneficiasse das condições cedidas à Grécia arriscaria piorar a imagem nos mercados. Uma balela que nos sai muito cara em termos de juros e de sacrifícios pedidos aos portugueses.
A verdade é que, de acordo com o jornal i,"a extensão automática a Portugal dos benefícios cedidos pelos credores europeus à Grécia seria bem recebida nos mercados de dívida, afirmam ao i vários analistas de bancos de investimento internacionais. O problema na extensão não é de recepção dos investidores, como sugeriram os ministros das Finanças da Alemanha e de França, mas sim de recepção nos parlamentos e nos eleitorados dos países credores numa altura em que o caso de Portugal não é considerado “urgente” como o da Grécia, consideram os mesmos especialistas.
“Não penso que Portugal corresse o risco de resvalar para a má imagem da Grécia se beneficiasse de condições semelhantes no empréstimo”, afirma James Nixon, economista-chefe para a Europa no banco Société Générale (SG). “A percepção do mercado sobre Portugal depende das projecções sobre a dinâmica da dívida e as medidas de alívio para a Grécia, mesmo que não totalmente replicáveis, tenderiam a ser vistas de forma positiva pelos mercados”.
Axel Lange, analista do banco Credit Suisse, concorda e acrescenta – quer o comportamento diferente de Portugal face à Grécia, quer as dificuldades específicas das contas portuguesas são bem conhecidas dos investidores. “Os mercados vêem os dois países de forma separada, mas estão bem conscientes das dificuldades de Portugal – tudo o que possa apoiar o país será genericamente percebido de forma positiva”, explica.
Ou seja, uma vez mais, Passos e Gaspar fizeram asneira da grossa, com custos incalculáveis para Portugal. É o que dá ter um Primeiro-Ministro fraco com os fortes. Porque com os fracos sabe ele falar.