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Publique o seu ego por 75%

por John Wolf, em 12.12.12

Os editores são uma via em extinção. Os outros, que se servem do título "quase póstumo" de editor, não correm por essa estrada. Mas não são editores. Chamem-lhes o que quiserem, mas não manchem a arte cada vez mais rara da prospecção, de corrida ao risco - o rascunho de algo incerto. Esses profissionais que almejam o lucro à custa da capa não são editores. São revendedores. Deslocam-se ao mercado abastecedor, fazem marcha atrás com a furgoneta e carregam paletes de best-sellers. Os editores fazem algo diverso. Procuram a agulha no palheiro, dias a fio, vidas a fio, porventura sem o aval de um destino certo. São garimpeiros em busca de uma torrente que ainda não tem nome, de um brilhante que ofusque os escaparates e estilhace o revisto em imprensa. O lido na calle e largado sem pudor. E o que dizer dos fornecedores de fábulas, os eternos aspirantes a escritores? Têm de aprender a viver com a rejeição. Se tiverem a sorte de encontrar um editor, regressarão a casa equipados com o ego arremessado e pouco mais. E pouco mais interessa, porque é nesse ranger da negação  que se escuta o apelo interior, se assim tiver de ser. Mas está tudo virado ao avesso. Chegou a hora pequena para a magnificência. O que era uma impossibilidade deixou de o ser repentinamente. De repente somos todos escritores, sem sermos pensadores ou poetas amargurados pela acidez de uma vida tornada dispensável, pouco lírica. O negócio fala mais alto. O dinheiro faz correr tinta para além do quintal literal. O critério editorial morreu em definitivo e foi substituído pelo balancete de corporações apenas interessadas no bottom line - uma linha de números que nunca será uma frase. "São os tempos difíceis que nos obrigam a isto" - será o argumento apresentado. Miséria é o que eu respondo. Mas convém lembrar que são os regimes totalitários que promovem mensagens simples que uma massa de idiotas há de elevar a instância "superior" e que acabará por esmagá-la, por completo. Triste mundo este em que vivemos.

publicado às 10:13


3 comentários

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De Faust Von Goethe a 12.12.2012 às 12:34

A edição de um livro deve ter em atenção dois aspectos: Forma e conteúdo.
Daquilo que tenho visto, as editoras apenas tomam em linha de conta o primeiro aspecto. Mas claro, ambas são importantes.
Livro com forma e sem conteúdo é como se ter vinagre-vinho estragado/azedo numa garrafa de vidro; Livro sem forma e com conteúdo é como servir um bom vinho numa garrafa de plástico.
Concorde-se ou não, um "escritor" terá de ser, por natureza, um ser egocentrista, com ideias próprias e que não tem pudor em por em causa as ideias dos outros.
Qualquer autor que não preencha estes requisitos, recuso-me literalmente a contribuir para o seu peditório.  
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De Duarte Meira a 12.12.2012 às 22:43

« Mas convém lembrar que são os regimes totalitários que promovem ... »

Tal e qual. E que o caro John nunca se canse de o clamar, porque já estamos dentro de um deles.

Falei em "cansar" porque uma das estratégias é precisamente essa: levar a abdicar e a calar pelo cansaço.
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De John Wolf a 13.12.2012 às 09:43

Caro Duarte Meira,
Obrigado pelo comentário.
Esta história de "edição-bricolage" assemelha-se às "facilidades de crédito" promovidas por instituições bancárias. Uma televisão para cada cidadão...um livro de cada "cidadão-escritor". Esse apelo de simplificação é como juntar água à sopa. Vai diluindo os nutrientes até ao ponto de fervura. Qualquer dia a filosofia deixa de existir e é substituída por um outdoor...
Um abraço,
John

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