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A União Europeia (UE) assemelha-se a um couraçado que não consegue largar o estaleiro. De reparação em reparação, a UE vai tentando tapar os furos com medidas que acabam por proteger mais a capitania do que os marinheiros fustigados pela tempestade. A Europa começa quase sempre pelo fim. A Europa é uma súmula de consequências. Um logo se vê transformado em disciplina burocrática. Faz hoje o que deveria fazer mais tarde e esquece-se do que deveria ter feito ontem. Isto a propósito da União Bancária Europeia. De acordo com o enunciado pelos ministros das finanças da Zona Euro, o Banco Central Europeu será a entidade responsável pela supervisão de perto de 200 instituições financeiras a partir de 2014. O sentido de timing dos Europeus não se assemelha nada ao sentido de urgência imposto pelo Fiscal Cliff em Washington. O cidadão-comum-europeu-e-desempregado sentir-se-ia mais grato, se a UE tivesse inventado uma União de Emprego, uma extensão desse brilhante neologismo - livre circulação de trabalhadores no espaço Europeu. Uma vez que o flagelo do desemprego é a patologia-mor, talvez fosse boa ideia congeminar um sistema de transacções laborais, através do qual a emigração de "mala de cartão" passaria a obedecer a uma outra forma de ordenamento e equilíbrio. Se para o sistema bancário facilmente criam um fundo de garantia com avultados milhares de milhões, para o sistema de emprego deveriam equacionar uma bolsa de competências que permitisse facilmente dirimir as dificuldades do mercado de trabalho, e acabar com o conceito de imigração/emigração. É deste modo que eu vejo as coisas. A falta de ideias e soluções que tenham um impacto imediato na vida das pessoas e que gerem crescimento e procura, sustentabilidade. Porque raio começam pelo fim? Não era suposto as pessoas estarem em primeiro lugar? E não é "a Europa das Nações e dos Cidadãos" o lema instigador do projecto. Já não tenho dúvidas sobre onde isto vai parar.