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Este senhor faz aqui duas coisas (entre outras) que eu detesto. A primeira é ridicularizar os conselhos que alguém pode recomendar, a par do auxílio material que entende dar a quem está em necessidade. Quando se recorre pejorativamente à frase "leve lá uma esmola, mas não gaste em vinho", em textos como o de Pacheco Pereira, está-se a querer passar a ideia de que a relação entre quem dá e quem recebe tem de ser o mais impessoal possível; quem recebe não tem de dar contas a ninguém e, portanto, dizer "dou-te isto de coração e agora vai e faz-te um homem digno!" é algo ofensivo.
Depois, a segunda coisa é perpetuar a ideia de que recorrer à caridade é sempre humilhante e inibe muita gente. Conforme fica evidente no texto, o autor não se importa que esta dependência se torne uma rotina suportada pelo Estado, por meio de "contribuições" forçadas, meios humanos que não interfiram nem conheçam as particularidades de cada caso, não se chame ninguém a prestar contas (terrível paternalismo), cultivando uma contínua infantilização da sociedade que perde as próprias imunidades perante as normas sociais que tem de enfrentar. Ainda bem que a nossa segurança social e o seu esquema em pirâmide são infalíveis e estão aí para as curvas.
Se uma criança de 4 ou 5 anos quiser continuar a usar fralda e sentir vergonha por isso...eu posso engendrar uma forma do comportamento ser visto como normal. Posso obrigar todas as crianças, da mesma idade, a usarem fralda mesmo que não precisem. Contudo, para evitar que aquela criança enfrente o mundo como ele é, estarei a inculcar maus hábitos e disfuncionalidades a todos, em nome de uma suposta dignidade.
. Mas há três espécies de gente que minha alma detesta, e cuja vida me é insuportável:
. um pobre orgulhoso, um rico mentiroso e um ancião louco e insensato.