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Portugal em venda

por John Wolf, em 20.12.12

As privatizações que estão a delapidar o património económico nacional, revelam uma certa coerência programática. Fazem sentido numa lógica de anulação, típica de regimes autoritários que têm de garantir a sua sobrevivência numa base quotidiana. O imobilismo do "inimigo interno" é condição necessária para não se tombar da cadeira do poder. A restrição da mobilidade de pessoas e o condicionar de ideias contestatárias são requisítos mínimos de qualquer força decidida a levar por diante os seus intentos de redistribuição de privilégios.  Quando o Governo recomendou a emigração enquanto panaceia para os males  dos desempregados, talvez o tenha feito numa lógica de sentido único, de bilhete de ida sem retorno. Nesse contexto, faz sentido impedir o regresso desses trabalhadores equipados com força anímica para deitar abaixo os fortes da casa. Nessa lógica perversa, faz sentido destroçar a TAP, torná-la irrelevante e inconsequente. Por analogia, a RTP também é um veículo perigoso. A antena serve para chamadas urgentes, para o envio de códigos morse para colaboradores dispostos a derrubar emissões, difusões unilaterais enviadas de São Bento. O sector energético, que já lá vai, é outra variante da mesma força de controlo. A qualquer instante é possível puxar a tomada e deixar às escuras largos espectros da população. O que está a acontecer é mais elaborado do que se possa pensar. Em nome das privatizações é possível transferir o ónus moral da destruição para terceiros enquanto o governo, que ainda se mantém no poder, pode lavar as mãos de eventuais danos e eximir-se de responsabilidades pelo extermínio da malha económica nacional. Convém relembrar que nesta dança de privatizações, avultadas somas são requeridas para formular os contratos de cessação, de transferência. O regime jurídico nacional está à mão de semear de ambas as partes envolvidas nas transacções. As demissões a que iremos assistir irão acontecer para abrir caminho para novas nomeações por forma a dar a aparência de limpeza ética, quando no fundo tudo permaneçerá igual nas panelinhas e na lógica de favores e compensações. O interesse nacional, apregoado por Cavaco Silva como a Santa Trindade, está a ser devassado de um modo particularmente doloroso. As joias da coroa não o são. São empresas com valor intrínseco assinalável, sobretudo por terem sobrevivido a processos políticos nefastos. Depois do adeus, do acenar na Portela, não sei o que restará a Portugal  que possa ser defendido de um modo visceral. Uma vez quebrado o tabu, aberta a caixa de Pandora, não haverá limites para o que possa ser vendido ao desbarato. O governo não passa de um reles agente imobiliário. Compre a casa e já agora leve o recheio.

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publicado às 11:08


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