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Annus horribilis

por Nuno Castelo-Branco, em 27.12.12

Há precisamente vinte anos, a Rainha Isabel II anunciava ao mundo o seu pesar por aquilo que considerava ter sido um annus horribilis. Há apenas uns meses, dissipadas as sombras que momentaneamente minaram a imagem da Monarquia, ei-la novamente no balcão de Buckingham, com milhões aguardando o momento para saudar a passagem dos sessenta anos do seu reinado.

 

Em 2012, João Carlos I teve a sua versão do annus horribilis. Uma patética caçada fora de qualquer cogitação, um infantil affaire com uma vadia sem um mínimo de presença ou dignidade - até nisso o Rei é um típico majo espanhol - a não ser pelas piores razões possíveis e imaginárias, acompanhadas pelos dislates de um indigno genro que está à mercê da justiça - na Monarquia espanhola foram lestos quanto a este assunto, evitando-se a republicanamente normal praxis portuguesa -, lançaram umas tantas nódoas sobre um reinado impecável. João Carlos I pode ser considerado como um dos grandes da História de Espanha, um país que tendo apenas metade da já muito longeva existência do Estado português, soube permanecer fiel ao seu legado de séculos. Sem desatar a rir a bandeiras despregadas, alguém se atreverá a comparar João Carlos I com Soares, Sampaio ou Cavaco Silva?

 

A verdade é que João Carlos cometeu grandes erros privados, quando institucionalmente apenas lhe podem ser apontadas públicas virtudes. Teve o seu annus horribilis? Teve. Mereceu-o? Certamente.

 

Como ultrapassá-lo? Simplesmente praticando aquilo que há trinta anos afirmou ao príncipe Filipe: "a Coroa ganha-se todos os dias!" Dentro de um ou dois anos saberemos a resposta.

 

Pois cremos que é precisamente o que fará. Se para o Rei de Espanha foi o ano de 2012 terrível, dez milhões de portugueses poderão lamentar-se da mesma coisa, alargando a contagem temporal a um século. Factos são factos.

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publicado às 17:38


4 comentários

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De ht a 28.12.2012 às 04:45

Ela vadia, ele majo latino. 


Sim, senhor.
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De Nuno Castelo-Branco a 28.12.2012 às 11:24

Bem majo " era um termo muito usado há uns duzentos anos, o latino é um acrescento seu. Goya pintou-os em maravilhosas telas e se o termo pode ser confundido com aquilo que disse ou queria dizer - "macho latino" -, não é a mesma coisa. Não é.
Quanto à Corinne do nome assaltado ao ex-marido, sabe bem que não passa de uma pistoleira, para não escrever outra coisa. Vadia foi o mais suave que consegui e é passível de muitas interpretações. 
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De ht a 28.12.2012 às 12:15

Salientei a diferença óbvias nos eufemismos. Eu diria para se preocupar menos com a vida privada dos demais.
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De Nuno Castelo-Branco a 28.12.2012 às 15:45

Não deve ter lido atentamente o que escrevi. "A verdade é que João Carlos cometeu grandes erros privados, quando institucionalmente apenas lhe podem ser apontadas públicas virtudes."


Num post anterior, de há poucos dias (http://estadosentido.blogs.sapo.pt/2421410.html, também tive ocasião de dizer, em rsposta a um comentário de um leitor:
"Quanto à figura do Rei João Carlos, há que distinguir dois aspectos: a sua vida privada e aquilo que tem sido como Chefe de Estado. Se é criticado pelas suas muito típicamente espanholas aventuras - e quem somos nós para nos imiscuirmos nos assuntos estritamente privados? - nas savanas - sem que o Estado tenha gasto um tostão, note-se - ou na cama, a sua acção política é totalmente inatacável."



Assim exposto, deve compreender que a vida privada do Rei só a ele lhe diz respeito, desde que não colida com as obrigações institucionais da Monarquia. Foi preisamente isso o que lhe fizeram ver em Espanha, pois a posição de D. Sofia também é institucional e nem o Rei tem o direito de esquecer o facto. Agora, se ele dorme com A,B ou C - se nos visita frequentemente, jamais leu uma única linha por mim escrita, imiscuindo-me nas preferências de fulano(a) ou sicrano(a) -, isso é totalmente indiferente. O que interessa é a sua acção como monarca e nisto D. João Carlos já demonstrou o que vale. Em suma, vale muito. 



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