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Cavaco Silva à hora do Vitinho

por John Wolf, em 01.01.13

 

Aguardo ansiosamente pelas 21h deste primeiro dia de 2013. Não prego olho há várias noites. Faço directas para esse directo. À hora do Vitinho, o Presidente da República dirige-se-á à nação com a sua mensagem de ano novo. De acordo com a RTP, Cavaco Silva "traz-nos o seu tradicional voto de bom Ano Novo". O que querem dizer com tradicional voto? Sinto um registo mordaz nesse anúncio. Um certo cinismo bélico proveniente da Av. Marechal Gomes da Costa, lá para os lados da RTP. Mais do mesmo? Será isso que transforma o entediante em tradição, ano após ano, mandato após mandato? E voto? Será uma eleição de boletim único, individual. Este tipo de singularidades faz-me lembrar uma afirmação deliciosa proferida pelo Prof. Ernâni Lopes no exercício de funções não governativas, e que tive a oportunidade de registar para meu bel-prazer semântico e filosófico - "concordei em tomar a seguinte decisão". Mas parece que estamos sujeitos a um outro género de inconsequência, uma coisa impensável que dá azo a especulações. Por vezes as "não decisões" são mais danosas que as convicções planas. De uma forma ou outra, o país não será reembolsado com o achocalhar das hostes políticas de um país sujeito a uma trela. Uma corda de enforcado ainda mais apertada pelo tabu da imobilidade. A essa hora escutaremos uma homília que não mexe em nada, que não vai dar de vaia, que não vai agitar as almas sequer. Cavaco Silva, no exercício das suas prerrogativas, muito raramente fez algo que pudesse ter um efeito instigador de novas soluções. Seja qual fôr a tonalidade do quadro que se quiser pintar, parece que estamos na presença de uma natureza morta. O revólver da roleta que nos amedronta tem balas de pólvora seca. Uma bala preventiva, e uma outra disparada primeiro para se perguntar depois. Pelo andar da carruagem, e à luz da tradição, o futuro será relativamente benigno no entender do Presidente da República. Imagino, caso haja um pouco de consciência ética ou política, que o Presidente da República se recorde que esteve no outro lado da emissão e que também contribuiu para afundar o país. A mensagem de ano novo, a ser proferida em abstinência e respeito, deveria acontecer diante de um espelho, no bairro de enganos virado ao avesso, onde agora residimos.

publicado às 15:21


5 comentários

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De Tamborim Zim a 01.01.2013 às 15:38

Pena afiada e pluma em riste... Um estado opíparo p 2013;)
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De John Wolf a 01.01.2013 às 15:39

Viva Tamborim,
Não podemos conceder muito espaço!
Obrigado.
Um abraço,
John
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De dfg a 01.01.2013 às 16:30

ouvir o cavaco? Bem ou mal, sempre o considerei um medíocre pusilânime, muito ignorante e de vistas curtas.
O tipo de pessoa que no governo de um país do 1º mundo seria um sub-sub qualquer coisa de anódino.
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De Anónimo a 01.01.2013 às 21:13

Concordo em absoluto com o seu escrito.

Ouvir Cavaco Silva? Deus me livre! Não posso com o homem. Só de ouvir a voz dele e ver a sua pessoa, sinto uma espécie de alergia difícil de suportar. Quando o vejo aparecer nalguma das TV's, mudo logo de canal. Sou insuspeita, sempre votei PSD e nele próprio aquando das primeira e segunda eleições legislativas que o elegeram primeiro ministro e uma para Presidente. Mas acabou. Tudo o que é demais cheira mal. Não voto mais nesta máfia de situacionistas-ladrões que não larga o poder desde 1974, apenas se reveza na cadeira, a mesma máfia que roubou escandalosamente o país enquanto ele foi 1º ministro e o consentiu e continua a permiti-lo vergonhosamente desde que assumiu a presidência... e já vai na segunda volta... Tudo o que se tem passado polìticamente desde então até hoje e que levou o país a três bancarrotas e à quase  ruína, ele (por medo ou chantageado),  um dos protagonistas e um dos seus grandes responsáveis, em conivência com a maçonaria que manda no país, não mexeu uma única palha. Outra coisa não seria de esperar de um primeiro ministro e depois de um presidente, que foi 'fraternizar', pelo menos duas vezes, a Newport, com os criminosos Bush-pai e Bush-filho.  Os traidores à Pátria, os políticos cobardes e os polìticamente vendidos, são mais desprezíveis do que o mais repugnante dos répteis venenosos.
Maria
 
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De John Wolf a 01.01.2013 às 21:18

Boa noite Maria,
Obrigado pelo seu comentário.
Muito fraca a prestação do Presidente. 
Um excelente 2013 para si.
Cordialmente,
John

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