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Portugal não tem alternativa

por John Wolf, em 12.01.13

 

Portugal encontra-se entre a espada e a parede. Não me refiro aos constrangimentos resultantes da aplicação à letra do imposto pela Troika - a tragédia que representa a austeridade cega. Uma convicção psicótica, irredutível e indisponível para um debate construtivo que levante a economia e as gentes deste país. Refiro-me à inexistência de uma alternativa ao governo de Passos Coelho. Se um chumbo do Tribunal Constitucional determinasse na cabeça iluminada do Presidente da Républica, a dissolução do Governo e convocação de eleições, seriam os mesmos actores ou alguns aspirantes a procurar as cadeiras do poder. As carinhas larocas nascidas no PS, são infantis e encontram-se em estágio para jogarem pelo Seguro. O PSD não precisa de explicações adicionais. Está à vista de todos a distância verificada entre a promessa e a realidade - os actos governativos falam por si e estão inscritos num cadastro lembrado diariamente pelo povo. Não irei mencionar as outras forças políticas, porque padecem dos mesmos males e comportamentos. E há um aspecto curioso, a negação categórica do positivismo, das leis da ciência, da matemática. A negação do actual governo significaria a cedência do seu lugar a uma farsa, um pregador que fará exactamente o mesmo que o seu antecessor havia feito. O Seguro, se lá chegar, fará precisamente o mesmo que Passos Coelho. Não tenham ilusões. Não há nada que ele possa inventar que possa contrariar o rumo dos acontecimentos à luz das premissas do memorando e das receitas do FMI. Deste modo, trata-se de uma negação que dará azo a outra negação. Contudo, esta dupla negação não serve de alquimia para algo positivo. Por isso, reafirmo - não há alternativa na presente configuração do panorama político nacional. Por quem esperam? Que um Zorrinho seja um bom Relvas. Basta imaginarmos as possibilidades. Os putativos membros de uma nova equipa governativa são farinha do mesmo saco. Não são nem nunca foram estadistas. Foram passageiros de um serviço ocasional. Embarcaram no Estado e na função política, mas poderiam ter ingressado noutra camioneta. Portugal, lamentavelmente, vive sob o espectro de uma força única, de um cetro pouco soberano. O partido da Troika eleito pelo Governo do PS, e cujo programa está a ser implementado pelo PSD/CDS é a prova que a alternativa foi assaltada com a ajuda de colaboradores internos. A haver um entendimento firme do que está em causa, estariamos na presença de duas forças políticas. Um Partido de Portugal para se digladiar com o Partido da Troika, proveniente de um magistério externo, eleito por outros constituintes. E isto remete-me para a linha final desta equação. Se houvesse genuíno interesse em defender as causas nacionais, assistiríamos a uma fusão entre todas forças políticas nacionais. Não teriamos guerrinhas e fait-divers a distrair-nos. Seriamos contemplados com gente em busca de soluções desprovidas de carga ideológica ou partidária. Contudo, assistimos ao culto da diferença e da identidade própria, e no meio dessa veleidade quem perde é Portugal. 

publicado às 15:36


13 comentários

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De Pedro Quartin Graça a 12.01.2013 às 15:54

Caro John, visto de uma forma "tradicional" face à actual arquitectura partidária, concordo consigo. Já não estou de acordo em termos absolutos, fundamentalmente, no que diz respeito à essência da democracia, regime este que se caracteriza, precisamente, pela eterna existência de alternativas. abraço.
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De John Wolf a 12.01.2013 às 17:50

Caro Pedro,
Viva!
Mais do que pensar em termos de formatos tradicionais, refiro-me ao quadro mental de abordagem aos desafios. Como se, à luz da emergência, houvesse um interregno na disputa entre partidos pelo poder e se percebesse que estamos na presença de uma fractura que opõe Portugal no seu todo a forças que não nascem na matriz nacional e que têm de ser derrotadas pela superação, pela excelência, pela união...
Não sei se fui claro na medida em que não existe alternativa senão combater, em conjunto, o adversário corporizado numa Troika.
Obrigado.
Venha mais.
Um abraço,
John
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De Jorge a 12.01.2013 às 18:02

Aqui já concordo. E há iniciativas nesse sentido. Várias, até. Só que esbarram no sectarismo de alguns, sempre mais prontos a sair acusando os outros de manipulação do que a ficar evitando pela sua simples presença que essa manipulação exista, e no maior problema que tem a oposição à troika: a indefinição do PS. O PS está a tentar equilibrar-se onde é impossível equilibrar-se, sendo ao mesmo tempo a favor e contra o memorando. E assim não só é impossível fazer uma oposição realmente forte à troika (pelo menos até que haja eleições), como é impossível confiar naquele partido. Não dá para confiar em quem tenta ao mesmo tempo ser uma coisa e o seu contrário.
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De John Wolf a 12.01.2013 às 18:08

Viva Jorge,
Fala de um momento e uma questão muito importante. A haver eleições, será nesse quadro que uma revolução tem acontecer. Na formação de um governo que vai buscar "intérpretes dos interesses do país" dentro e fora do espectro convencional.
Obrigado.
Cordialmente,
John
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De Pedro Quartin Graça a 12.01.2013 às 15:57

Mas esse mesmo facto não nos deve impedir, a meu ver, de, sem vacilação:
1. Não nos resignarmos, como muitos fazem
2. Procurarmos alternativas
3. Denunciarmos comportamentos e práticas lesivas do interesse Pátrio
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De Jorge a 12.01.2013 às 16:07

Não concordo. As alternativas existem. E só não existem com mais força precisamente por causa deste tipo de pensamento derrotista à partida que resume a política portuguesa a dois partidos. Não só há mais que dois, como nem é assim muito difícil criar outros.

Quanto a fusões, também não concordo. Não quero que Portugal se transforme num bipartidarismo à americana. Se o sistema político português está bloqueado com cinco partidos dotados de voz, e em grande medida está, muito pior ficaria se esses cinco se resumissem a dois.

O que nos falta é a capacidade de fazer campanhas assumindo à partida a hipótese de coligações e explicando aos eleitores que quanto mais força derem ao partido X, mais daquilo que se propõe fazer poderá realmente fazer. E, neste momento de urgência absoluta, falta-nos também um partido de centro-esquerda. O PS já há muito que não o é.
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De John Wolf a 12.01.2013 às 17:59

Caro Jorge,
Peço perdão por não ter sido mais claro. Refiro-me a dois partidos no sentido figurado. O Partido Portugal e o Partido da Troika. Falo da urgência em unir os Portugueses de um modo que transcende o partidarismo, seja bipartidarismo seja multipartidarismo. Este é o momento para fazer convergir os Portugueses para uma atitude atípica de promoção e mobilização da sociedade civil e política, no sentido de repensarem a importância do posicionamento ideológico.
Em termos práticos, Portugal tem sido caracterizado essencialmente pela alternância entre o PS e o PSD. Por isso, mesmo que não seja chamado de bipartidarismo à Americana, são essas duas forças que têm ocupado o estrado principal do poder.
Muito obrigado pelo comentário que enriquece este debate infiníto...
Cordialmente,
John
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De Jorge a 12.01.2013 às 18:07

Pois, eu percebi que a ideia era essa com a resposta ao Pedro. E, como disse na resposta a essa resposta, assim já concordo.

Há alguns sinais de convergência. O Bloco e o PCP, com uma relação que tem sido desde sempre marcada pela desconfiança mútua, têm desenvolvido bastantes iniciativas conjuntas nos últimos tempos, por vezes contando com alguns setores do PS e mais vezes com gente sem partido. É por aí, acho eu.

De momento, deposito a maior parte das minhas esperanças no Congresso das Alternativas. Continua ativo e a fazer coisas, apesar de haver quem tente sabotá-lo. O que, de resto, seria de esperar.
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De John Wolf a 12.01.2013 às 18:11

Sem dúvida que o Congresso de Alternativas faz parte desse processo de busca da alternativas. Importante que haja cada vez mais intensidade e critério na selecção de soluções e menos a elevação de "representantes", aliás que não o são....
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De Jorge a 12.01.2013 às 19:20

A questão dos "representantes" é em grande medida culpa da imprensa, e principalmente da televisão. Isso viu-se, precisamente, na cobertura do Congresso das Alternativas, quando as TVs foram a correr entrevistar pessoas que tiveram muito pouco a ver com a organização daquilo e com o trabalho que preparatório dos documentos, e que portanto muito pouco tinham a dizer sobre o Congresso.

Ah, mas eram figuras públicas. Representantes da política tradicional. Pfff...
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De Fernando Melro dos Santos a 12.01.2013 às 20:09

Eu juro que não percebo porque é que não incorres na ira dos Anónimos ;)
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De John Wolf a 12.01.2013 às 20:46

Caro Fernando,
Há também a gentileza dos anónimos!Image


Abraço,


John
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De Anónimo a 13.01.2013 às 03:30

Eu respondo-lhe Fernando: há uma diferença abismal entre os posts do John, que sāo inteligentes e não insultam tudo e todos e que contêm ideias válidas, com as quais podemos estar ou não de acordo. Ao contrário dos seus, que são muitas vezes ofensivos e só transmitem ódio e falta de respeito pelos outros. Por exemplo..achar que o trabalho A ou B não tem valor, que só você trabalha e tem direito a usufruir de XXX (o que é anedóditico), etc., etc., etc. ...poderia ficar aqui horas a avivar-lhe a memória. 

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