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Dela o primeiro livro que li, « Mariazinha em África ».
Gostei, muitos anos depois, de ler-lhe as Memórias - « Ao Fim da Memória » - e encontro agora este livro, que, parece, terá escrito já doente, todo ele preenchido por epístolas que têm por destinatários alguns daqueles que a rodearam desde pequena, como a mãe ou as tias, e outras pessoas que a marcaram ao longo de uma vida cheia, como o marido - António Ferro -, Cecília Meireles ou Carlos Drummond de Andrade...
É também o caso de Mircea Eliade, escritor grandemente amigo de Portugal, ao tempo Adido Cultural da Roménia. Da carta que lhe destina retiro este excerto, revelador de uma vida rica, preenchida, daquelas que nos fazem murmurar - assim, sim!...

" Recuo algumas décadas no tempo, até chegarmos àqueles anos distantes, tão distantes, ai de nós, que com a completa inocência da nossa relativa juventude, afirmávamos tudo, sabíamos tudo. A vida era para nós, então, uma coisa simples. ( ... ) Uma coisa é certa: nenhum de nós era tolo,éramos todos intelectualmente ambiciosos e todos sabíamos já que os valores espirituais eram os únicos que verdadeiramente tinham importância ".

Era uma época em que o romeno organizava tertúlias em sua casa, para " trocar impressões: você, Eliade, escolhia um assunto, que seria estudado e discutido na semana seguinte Os assuntos eram variados, de importância desigual, mas que nos pareciam a todos essenciais. "

Vidas que não souberam nunca o significado de « vazio ».

publicado às 20:55


4 comentários

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De Duarte Meira a 14.01.2013 às 22:51

Mais uma bela e justiceira lembrança sua, Cristina.

Permita eu me associe à merecidíssima homenagem a esta grande figura de Mulher portuguesa, com o poema que ela escolheu para encerrar o 2º e último volume das suas Memórias (1987, aos 87 anos de idade):


Os anos passam... Já vai sendo tempo
de pensar na Viagem.
Irei bem ou enganei-me ? Este caminho
é verdade ou miragem?

Procuro em vão sinais. Em vão persigo
as horas silenciosas.
De olhos abertos, cega, vou andando
sobre espinhos e rosas.

Errada ou certa é longa a caminhada,
longo o deserto em brasa.
Oh, não fora, Senhor, esta esperança
duma fonte, duma asa!

Fonte, Senhor, que mata a longa sede
desta longa subida.
Asa que ampare o derradeiro passo
no limite da vida.

Ah, Senhor, que mesquinhas as palavras!
Vida ou Morte que importa?
Para entrar e sair a porta é a mesma:
Senhor, abre-me a Porta!
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De Cristina Ribeiro a 14.01.2013 às 23:00

Sempre com a palavra certa, Duarte. Uma recordação que me 
é muito grata, enriquecida por favor seu.
Obrigada.
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De Rita Ferro a 15.01.2013 às 18:18



Bonita evocação, comoveu-me. (Rita Ferro, neta)
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De Cristina Ribeiro a 15.01.2013 às 22:32

Uma grande Avó, Rita. Parabéns.

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