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Não sei se o ajuntamento de estudantes reunido em torno da Escola Secundária Alberto Sampaio investiu ou não contra o dispositivo policial presente no local. Não sei e, como qualquer cidadão atento e cuidadoso, aguardo por ulteriores esclarecimentos, devidamente elaborados, investigados e diligenciados por quem de direito. O que não posso aceitar, e não me venham com argumentos dissimulados, é que se utilize gás pimenta para a dispersão de um grupo de menores que se manifestava, com razão ou sem ela, em frente de uma escola. Mais: afirmar que a utilização deste meio visou obstar ao "uso de formas mais musculadas de intervenção” é uma zombaria da pior espécie. Entendamo-nos, o uso da violência, sobretudo quando é comandado pelo expoente máximo da violência politicamente organizada que é, como se sabe, o Estado, demanda princípios, padrões e limites éticos bem delineados. Sem eles, e ao arrepio deles, a arbitrariedade domina e, nessas circunstâncias, nem velhos nem jovens, nem grandes nem pequenos escapam à fúria dos medíocres inchados pelo poder da bastonada. Em suma, investiguem, averiguem, busquem o porquê, mas saibam de antemão que usar gás pimenta contra menores é um acto moral e politicamente reprovável. Como disse o Samuel, vivemos, de facto, tempos muito perigosos. A liberdade joga-se também aqui.