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Finalmente! "Depois do adeus", na RTP

por Nuno Castelo-Branco, em 20.01.13

 

Começou muito bem. Estava muito desconfiado, pois o assunto Ultramar e "descolonização exemplar" sempre foram temas pouco apetecíveis à pandilha firmemente instalada nas fabriquetas do pensamento oficial. 

 

Conheço os diálogos de cor e salteado, os temores pelo futuro mais que incerto. Conheço o espanto pelo deparar com uma caótica Lisboa à mercê de bandidos armados que controlavam as ruas, escolas, fábricas, oficinas e escritórios. Conheci bem a gandulagem pecepeira que se atrevia a vestir os uniformes do outrora valoroso Exército Português, reduzido então a um ignominioso rebotalho de pategos. Conheci ainda melhor as prepotências de toda a ordem, os roubos, mentiras, campanhas de difamação organizada pelo PC e seus miseráveis travestis do MDP-CDE e dependências, os ódios destilados pela rádio que berrava música ladrada por gargantas ranhosas e pela televisão dos capitãezecos da caspa. Lembrar-me-ei sempre do atraso mental dos "professores" da António Arroio e da crapulosa ignorância, total ausência de uma réstia de humanidade e cobardia militante que até 1976 orgulhosamente exibiram. Existiu uma Lisboa ignominiosamente borrada de lixo até aos terceiros andares das fachadas de prédio sim, prédio sim. Recordo-me bem de escroques como o camarada de aço Gonçalves da baba - um case study de várias patologias - , do alvar jagunço Rosa Coutinho, do ministro-ladrão do dia de trabalho "para a nação", da escória capitão ou "cornel" - sei lá eu o que ele era - Je-Suíno, tal e qual como normalmente era chamado pelos próprios bandalhos baptizados de camaradas d'armas, do crespo Vítor "Copos" do Palácio da Ponta Vermelha, dos Corvachos, Costas Gomes de Feces de Abaixo, dos burraldos Dinizes d'Almeida, dos besugos analfabetos que queriam alfabetizar outrém, do arquitolo Otelo e de tantos, tantos outros sacanóides da pior espécie, bandoleiragem que jamais deveria ter sido parida. 

 

A série começou ontem à noite na RTP 1. Espantoso, não contava com tanto realismo e veracidade desassombrada, decerto seguindo à risca os preciosos testemunhos da gente a quem a realização, em boa hora soube interrogar e fez participar. Muito, muito, muitíssimo bem. A única nota falsa, quase uma fífia num coro bem ensaiado, foi a obsessão 5 à sec PS, aquela patética tentativa em lixiviar o doutor Soares do "atirem-nos aos tubarões!" e as suas idas a uma Alameda onde a organização fazia gritar aquela sonora e risível mentira do "aqui só há um, o PS e mais nenhum!" Aceita-se, se este este for o preço pela transmissão dos factos até hoje escondidos. Desde que não nos lixiviem o Almeida "Tantos" na estória, condescenderemos.

 

No entanto continuo desconfiado e espero pelos próximos episódios. Irão mesmo prosseguir no há décadas esperado roteiro da verdade? Oxalá não venha uma infeliz alma tentar impingir-nos o traidor, bestial, decrépito e acanalhado gospodin Álvaro. Não ficaria nada admirado, mas, sabem, já passámos à fase do  ashes to ashes.  Finalmente, já não era sem tempo e por enquanto, até mais ver, parabéns à RTP.

publicado às 16:26


9 comentários

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De luradogrilo a 20.01.2013 às 19:00

Uma merda virem de novo lembrar esta porcaria da descolonização. Em Angola a soldadesca abrilista já convivia com uns bandalhos armados que por ali andavam.


É penoso ... e não espero nada da série apesar de prometer no 1ª episódio.
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De Anónimo a 20.01.2013 às 22:04

Oh, que pena não ter visto! Não costumo ver a RTP porque não apresenta nada de jeito. E jamais em tempo algum as notícias, porque caso o fizesse por distracção, só de ver a nódoa do José Rodrigues dos Santos com aquela dicção vergonhosa e a cara cheia de trejeitos e caretas ridículas e insuportáveis, tirar-me-ia o apetite para um mês. Normalmente só vejo notícias e quase sempre na TVI.
Será que se está a verificar uma substancial melhoria  na programação da RTP (de que, segundo o Nuno, estamos perante uma série que retrata com realismo e verdade o que realmente se passou com a trágica e criminosa descolonização) é o resultado das directivas do novo presidente do conselho d'administração da RTP?!? Se for o caso e parece..., então ele está mais do que de parabéns. Honra lhe seja feita.
Espero que o canal repita o 1º. episódio rapidinho, se fizer o favor:)
Maria
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De Isabel Metello a 20.01.2013 às 22:29


Não vi, Nuno, mas, ainda bem que começou a emergir a Verdade- o "atirem-nos aos tubarões" ou "ponham-nos no Campo Pequeno para serem fuzilados" deveriam constar deveriam, para toda a gente se aperceber do autêntico carácter das personae!!! Só tenho pena que 3 Pessoas de Carácter que conheci em debates sobre a descolonização, quando era eu ainda uma garota, já não Estejam cá, mas, Lá, A Sua Alma Rejubilará e Começará a Descansar, assim como a de Tantos Inocentes! Obrigada, RTP, apesar desse branqueamento, mas talvez tenha sido para não terem de não passar a dita série!
Já se prenuncia que a Brigada do Reumático (alguns já idos, como o bárbaro psycho do Rosa Coutinho...), que andou a modelar  gerações com micro-narrativas vergonhosas e muito proveitosas  tb, pelos vistos, está quase a patinar e, Lá, lá se vão as backups- irão conhecer Quem renegaram e ofenderam, por palavras, actos, omissões e inacções Quem negaram toda a vida e vão aprender, ad aeternum, que Lá não há rebanhos de pensamento para os sacralizar! Ohhhhhhhhhhhh! Snifff, snifff, snifff!Image
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De Nuno Castelo-Branco a 20.01.2013 às 22:46

Caro luladogrilo, terá de compreender a absoluta necessidade desta série. Consiste numa reparação mínima, num acto de justiça. 


O regime tudo tem feito para obliterar uma parte da nossa história, e neste caso, um longo e penoso período em que as vítimas se contam por multidões. Não estou a falar daqueles que tiveram a felicidade do refúgio nesta parte da Europa. Falo sobretudo daqueles que foram assassinados, dos que acabaram estropiados pela brutalidade permitida - quando não activamente participada - pelo exército português e pelos seus novos aliados de futuros negócios e cumplicidades em todo o tipo de vergonhas, os ex-turras de serviço. Falo de milhões de vidas para sempre destruiídas, de famílias para sempre dispersadas mundo fora e do passado de centenas de milhar de pessoas que lá nasceram e que jamais tinham visitado a Pátria mãe. Este é o meu caso, como foi o caso dos meus irmãos, mãe - o meu pai veio de visita ao "Continente" em 1942 - , tios, avós, bisavós, vizinhos, amigos, conhecidos e colegas de escola. E as tropelias açuladas pelas autoridades do PREC? E o abandono de dezenas de milhar de soldados portugueses, deixados à sua triste sorte às mãos de facínoras da pior espécie? O que aconteceu às populações negras da Guiné, Angola e Moçambique, ceifadas durante anos por guerras civis, massacres selectivos e esmagadas pela fome e incúria de governos ineptos e brutais? 
E a deliberada destruição de um precurso histórico que apesar das seus momentos menos felizes, fez de Portugal um país diferente dos demais, o criador de novas nações?


A fome, a falta de tecto que durou meses quando não anos, os velhos ténis Sanjo rotos e ensopados pela chuva de meia dúzia de invernos, os trapos que tivemos  de usar até ao fio? Nada disso teve qualquer importância, pois a  maior parte dos povos deste mundo assim vivem como se essa fosse uma situação normal.  Pouco importaram os bens deixados na África ou na Ásia, bens esses já sem qualquer sentido quando o essencial, a terra que também era a nossa dona, para sempre se perdeu. Nunca mais lá pude voltar e a saiba que a minha família lá estava desde 1885, precisamente antes da fase final das chamadas "campanhas de pacificação" de Moçambique. O meu bisavô em Lourenço Marques para sempre ficou e apenas regressaria a Portugal em 1977, cuidadosamente fechado numa caixinha de cinzas. No cemitério de S. José de Lhanguene estão enterrados os meus trisavós paternos, como enterrado está o meu avô materno, tios avós, primos e outros parentes.


O que mais custou, nem sequer foi o medo que na "Metrópole" por vezes nos assolou e que envergonhados logo rejeitávamos, precisamente por não querermos sentir o temor da fraqueza de um momento.  Não imagina o que a gente de Cunhal - tropa e governo incluídos - propalava aos quatro ventos, ameaçando, acicatando os seus nhurros sequiosos não sabe bem de quê. 
O pior de tudo não foram as humilhações nas escolas, nas conversas de café ou de rua, na arrogância e despautério das inenarráveis gajas e gajos que atendiam ao balcão dos departamentos do Estado. Pouca relevância damos hoje à logorreia televisiva dos senhores do regime daquele tempo. Nada disso foi importante e passadas quase duas gerações, fica apenas o que mais interessava reparar: a verdade  acerca do que aconteceu. Apenas nos interessa a derrota da mentira e esta série da RTP, pelo menos no seu primeiro episódio, foi muito necessária. Aguardemos pelos outros capítulos, pois a desconfiança ainda paira. Devo confessar-lhe que a meio do episódio de ontem, quase "quebrei", mas de imediato me recompus tal como outrora sempre o fiz perante outras adversidades. 


O luladogrilo nem imagina o peso que nos sai de cima. 
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De Nuno Castelo-Branco a 20.01.2013 às 22:48

Isabel Metello e Maria, compreendem perfeitamente o que quis dizer: finalmente!
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De Anónimo a 21.01.2013 às 03:21

A mentira não prescreve.
Parabéns Nuno, pelo desassombro do seu testemunho, que aliás já lhe tinha lido anteriormente, mas nunca é demais repeti-lo, mil vezes que fossem.
O que escreveu é a pura verdade, aquela que lhe vai no coração e no de todos nós,  portugueses, aqueles que o são de corpo e alma.
Maria
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De Antonio a 22.01.2013 às 04:18


Para quem perdeu, pode ver aqui: http://www.rtp.pt/play/p1035/e105524/depois-do-adeus-2013 (http://www.rtp.pt/play/p1035/e105524/depois-do-adeus-2013)
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De Sara Silva a 06.02.2013 às 05:56

Estou a  ADORAR a série. Recentemente li um livro bastante interessante sobre o assunto, «Os que vieram de África» e despertou-me muita curiosidade. Parabéns RTP pela iniciativa e espero sinceramente que seja um sucesso da televisão.
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De Anónimo a 27.06.2017 às 18:05

LOL fachos ressabiados

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