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Começou muito bem. Estava muito desconfiado, pois o assunto Ultramar e "descolonização exemplar" sempre foram temas pouco apetecíveis à pandilha firmemente instalada nas fabriquetas do pensamento oficial.
Conheço os diálogos de cor e salteado, os temores pelo futuro mais que incerto. Conheço o espanto pelo deparar com uma caótica Lisboa à mercê de bandidos armados que controlavam as ruas, escolas, fábricas, oficinas e escritórios. Conheci bem a gandulagem pecepeira que se atrevia a vestir os uniformes do outrora valoroso Exército Português, reduzido então a um ignominioso rebotalho de pategos. Conheci ainda melhor as prepotências de toda a ordem, os roubos, mentiras, campanhas de difamação organizada pelo PC e seus miseráveis travestis do MDP-CDE e dependências, os ódios destilados pela rádio que berrava música ladrada por gargantas ranhosas e pela televisão dos capitãezecos da caspa. Lembrar-me-ei sempre do atraso mental dos "professores" da António Arroio e da crapulosa ignorância, total ausência de uma réstia de humanidade e cobardia militante que até 1976 orgulhosamente exibiram. Existiu uma Lisboa ignominiosamente borrada de lixo até aos terceiros andares das fachadas de prédio sim, prédio sim. Recordo-me bem de escroques como o camarada de aço Gonçalves da baba - um case study de várias patologias - , do alvar jagunço Rosa Coutinho, do ministro-ladrão do dia de trabalho "para a nação", da escória capitão ou "cornel" - sei lá eu o que ele era - Je-Suíno, tal e qual como normalmente era chamado pelos próprios bandalhos baptizados de camaradas d'armas, do crespo Vítor "Copos" do Palácio da Ponta Vermelha, dos Corvachos, Costas Gomes de Feces de Abaixo, dos burraldos Dinizes d'Almeida, dos besugos analfabetos que queriam alfabetizar outrém, do arquitolo Otelo e de tantos, tantos outros sacanóides da pior espécie, bandoleiragem que jamais deveria ter sido parida.
A série começou ontem à noite na RTP 1. Espantoso, não contava com tanto realismo e veracidade desassombrada, decerto seguindo à risca os preciosos testemunhos da gente a quem a realização, em boa hora soube interrogar e fez participar. Muito, muito, muitíssimo bem. A única nota falsa, quase uma fífia num coro bem ensaiado, foi a obsessão 5 à sec PS, aquela patética tentativa em lixiviar o doutor Soares do "atirem-nos aos tubarões!" e as suas idas a uma Alameda onde a organização fazia gritar aquela sonora e risível mentira do "aqui só há um, o PS e mais nenhum!" Aceita-se, se este este for o preço pela transmissão dos factos até hoje escondidos. Desde que não nos lixiviem o Almeida "Tantos" na estória, condescenderemos.
No entanto continuo desconfiado e espero pelos próximos episódios. Irão mesmo prosseguir no há décadas esperado roteiro da verdade? Oxalá não venha uma infeliz alma tentar impingir-nos o traidor, bestial, decrépito e acanalhado gospodin Álvaro. Não ficaria nada admirado, mas, sabem, já passámos à fase do ashes to ashes. Finalmente, já não era sem tempo e por enquanto, até mais ver, parabéns à RTP.