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publicado às 14:16


7 comentários

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De John Wolf a 21.01.2013 às 19:32

Boa tarde Sérgio Pinto,


O Peter Schiff, o Jim Rogers, o Marc Faber, o Mohamed El-Erian, entre outros como o Nouriel Roubini, há muito que avisam sobre os perigos da impressão de divisas e o eventual efeito que terá na inflação. A questão dos timings é delicada e traiçoeira, mas não impede que eventos extremos possam ser perspectivados. (Nassim Nicholas Taleb explica os fenómenos no seu livro "O Cisne Negro". Estamos já em ambiente inflacionário - aumento da base monetária, embora erradamente os media não entendam o seu significado. Inflação de Preços seguir-se-à Inflação de modo assimétrico. Há dez anos que me "posicionei" para o que está agora a acontecer. É curioso que o mainstream que ignorou e excomungou estes senhores, agora lhes conceda tempo de antena prime.
Na minha humilde opinião nenhuma visão deve ser descartada.
Obrigado.
Cordialmente,
John


PS 
Peter Schiff não se enganou na previsão que fez do descalabro do mercado imobiliário nos EUA...
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De Sérgio Pinto a 21.01.2013 às 20:58

Boa tarde John,

Deixe-me começar pelo final: nenhuma opinião deve ser descartada, até esbarrar de frente com a realidade. É óbvio que não vamos concordar, mas foi precisamente isso que aconteceu com o Peter Schiff e as opiniões por ele veiculadas. Uma das que eu mais gosto (http://peterschiffblog.blogspot.com/2012/02/us-will-experience-inflationary.html (http://peterschiffblog.blogspot.com/2012/02/us-will-experience-inflationary.html)):
"Regardless of what the triumphant Keynesians would have you believe, my analysis continues to be that the current combination of monetary and fiscal stimulus is driving us toward disaster. Instead of a real recovery, the US will experience an inflationary depression. Europe, on the other hand, will suffer much less, precisely because it was not seduced by the short-term appeal of stimulus." - Note que esta passagem é de Fev-2012, mas é basicamente o que ele anda a dizer há vários anos (e que também repete no vídeo que você postou) . Como é que avalia o acerto da previsão dele?

Em relação ao mercado imobiliário: vários outros economistas também acertaram, sendo exemplo disso o Shiller ou o Krugman (para mencionar apenas economistas dentro do mainstream). Mas isso, como saberá, não os impediu de ter opiniões muito diferentes das do Schiff em relação às políticas que deveriam ser seguidas em consequência da crise, nem os impediu de fazer previsões opostas às dele relativamente às implicações do estímulo orçamental e da política monetária expansionista (e, em certos períodos, não convencional). Novamente, a mim, parece-me claro que quem acertou nas previsões efectuadas foram os keynesianos como Krugman, DeLong, Stiglitz, etc.

Quanto ao início do seu post, acho que mistura muitas pessoas (e perspectivas) diferentes. O Roubini (tanto quanto sei, embora possa estar enganado), nunca fez o mesmo género de afirmações relativamente à "necessidade" de subir as taxas de juro para que a retoma seja possível (como tem sido o caso do Schiff ou do El-Arian).

Quanto ao que você (e o Peter Schiff) afirmam taxativamente, i.e., o aumento da base monetária terá efeitos hiper-inflacionários, simplesmente não é verdade. Como quase tudo em economia, depende sempre das circunstâncias. E, num contexto de armadilha de liquidez, como o actual, o aumento da base monetária não tem efeitos sobre a inflação. Aliás, prova bem simples disso é o caso do Japão, como o gráfico contido neste post indica: http://krugman.blogs.nytimes.com/2009/05/04/a-history-lesson-for-alan-meltzer/ (krugman.blogs.nytimes.com/2009/05/04/a-history-lesson-for-alan-meltzer/).

Em relação à afirmação/inisinuação (efectuada pelo Schiff, não sei se corroborada por si) de que os dados relativos à inflação estariam a ser manipulados pelo governo, é igualmente falsa. Não só não há qualquer evidência de manipulação seja do que for por parte do governo, como medidas de inflação estimadas por organizações independentes (por exemplo, o Billion Proce Index do MIT) aponta para taxas de inflação essencialmente idênticas (krugman.blogs.nytimes.com/2012/08/25/inflation-lessons/ (krugman.blogs.nytimes.com/2012/08/25/inflation-lessons/)).

Cordialmente,
Sérgio
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De John Wolf a 21.01.2013 às 21:08

Caro Sérgio,
Viva!
Este video do Schiff trata de questões estruturais e a relação de Washington com a dívida.
Chegou a ver o filme?
Cordialmente,
John 
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De Sérgio Pinto a 21.01.2013 às 21:36

John,

Ouvi o vídeo, sim! Mas parece-me que ele repete o que já diz há anos, apesar de a teimosa realidade continuar a não querer dar-lhe razão.

No início, ele volta a insistir com a afirmação de que a Europa até não está mal, tendo em conta o que vai acontecer aos EUA; lá para o meio, por volta dos 5 minutos, vem a tal conversa sobre a inflação. Foi em parte em resposta a isto que escrevi o comentário anterior, tendo o restante sido referente a afirmações feitas por si.

Em todo o caso, John, acho que você passou por cima do importante, que é o facto de, neste contexto, o aumento da base monetária não é gerador de inflação, como o Japão bem ilustra. Em que é que o você (ou o Schiff) se baseiam para desmentir isto? E qual é, afinal, o horizonte temporal das vossas previsões? Ou, posto de outra forma, o que é que você considera que tem de ocorrer para provar que você(s) têm de repensar o vosso modelo, por falta de aderência à realidade?
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De Sérgio Pinto a 21.01.2013 às 21:40

Escrito à pressa, a primeira frase do último parágrafo saiu em português macarrónico. Correcção rápida: "Em todo o caso, John, acho que você passou por cima do importante, que é o facto de, neste contexto, o aumento da base monetária não ser gerador de inflação, como o caso do Japão, no final dos anos 90 e no início da década passada, bem ilustra."
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De John Wolf a 22.01.2013 às 09:48

Caro Sérgio,
Bom dia!
Penso que estamos de acordo em relação a quase tudo. Mais do que defender um dogma intransigente, gosto de partilhar todas as visões que se me apresentam. Há coisas que escutam e outras que se descartam, na formação do nosso racional. O Gerald Celente é outro da mesma fornada de pensadores.
Tem razão no que afirma sobre a Híper-Inflação não ser um dado adquirido em função da expansão da base monetária. Os Japoneses anunciaram ontem que em 2014 deverão iniciar as políticas monetárias semelhantes às realizadas pela Reserva Federal...20 anos de experiência deflacionista não é agradável. Por causa desse exemplo a tendência dos outros é para evitar Deflação a todo o custo. Agradeço muito este debate consigo. Por favor "keep it coming". Vamos trocando ideias. 
Cordialmente,
John

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