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Portugal e a cadeira do poder

por John Wolf, em 01.02.13

 

Não tenhamos dúvidas. O que está a acontecer, da Esquerda à Direita, não passa de manobras de diversão, números de circo. Não se discute em parte alguma a única questão que envolve um esforço hercúleo; o salvamento de Portugal com soluções substantivas que possam gerar emprego e conduzir o país ao crescimento económico. Em vez da salvação nacional, assistimos ao salvar do coiro individual. No PS a festa gira em torno de quem vai para onde e quando, se vai ou fica, se é melhor aqui ou ali. No Governo, o mesmo processo ocorre. Saem dali para entrarem suplentes. Dispensam-se titulares para entrarem estreantes. Tudo isto dá ares de grande agitação, de trabalho, de dinamismo. Mas desenganem-se, nada tem a ver com o desígnio nacional. O espectador não se pode deixar levar nesta novela transmitida de um modo estéril pelos meios de comunicação nacional. Não sou capaz de pescar nada deste marasmo, uma ideia sequer relacionada com uma visão de fundo. Um conceito estratégico que defina o perfil de um país, rico em talento avulso mas carente de homens de Estado. Um conceito abrangente que nos faça esquecer quem assina o guião, quem são os autores, porque as soluções expostas valem por si, e não necessitam de bengalas. Temos os ingredientes que um drama televisivo exige.  Mais episódio menos episódio, assistiremos a arrufos entre patriarcas partidários e traições à má fila. Ocorrências que gritam na calada da noite. Uma comissão interminável de afirmações e nomeações, que dá lugar a mais do mesmo - mais atrasos de Portugal no seu caminho em busca da prosperidade e justiça social. O fenómeno criticado por outras facções ideológicas que também tiveram as suas próprias altercações, a transformação de um bicho solitário em algo bicéfalo. Não vale a pena poupar nenhum deles. O comportamento é idêntico. Não há modo de realizar a destrinça entre uns e outros. Podem avançar com o entusiasmo que entenderem, mas a realidade não se altera a toque de caixa. Qualquer que sejam os eleitos ou os proscritos, os desafios não se alteram. Esta dança de cadeiras é Portugal igual a si, focada nos títulos e nos cabecilhas, mas que ignora o mérito alheio, anónimo. Daqueles que não necessitam de tachos para brilhar. Vira o disco e toca o mesmo. Já vimos isto vezes sem conta. Os Portugueses já não têm margem de confiança para oferecer àqueles que parecem estar a brincar com as suas vidas.

publicado às 14:23


5 comentários

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De Pedro Quartin Graça a 01.02.2013 às 20:18

Muito bem!Image
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De Anónimo a 02.02.2013 às 18:21

Magnífico retrato do estado dos partidos que fingem que nos representam. Uma radiografia perfeita da situação degradante em que nos encontramos como país. Um punhado de políticos falsos como Judas - que se revezam no poder fingindo serem polìticamente o oposto uns dos outros, mas trata-se tão sòmente de confundir o povo votante porque todos eles fazem parte da mesma seita protegendo-se mùtuamente em todos os crimes e traficâncias que praticam, sem o que jamais sobreviveríam na política - escudados numa legitimidade fictícia sàbiamente montada à revelia dos portugueses, produziram o sistema pútrido em que nos obrigam a vegetar. Para o arquitectar os seus maquiavélicos obreiros produziram o mais fraudulento regime de que Portugal e todas as democracias do mundo são o seu mais acabado, fidedigno e aterrador exemplo.
Maria
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De John Wolf a 02.02.2013 às 19:15

Viva Maria,
Como respondi a outro comentário, a minha arma política em Portugal são as ideias e a promoção da discussão profunda em torno das soluções.
Muito obrigado pelas suas palavras. Há dias em que consigo exprimir-me de um modo aceitável. Há outros em que mais vale ficar calado.
Cordialmente,
John
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De Candido a 02.02.2013 às 18:55

Quando é que o Wolf se deixa de posts num blogue e funda um partido diferente de todos os outros? Se calhar é tempo de passar de treinador de bancada para a coerência prática daquilo que escreve, não?
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De John Wolf a 02.02.2013 às 19:12

Caro De Candido,
Obrigado pela sugestão! Terei de travar a minha luta como membro da sociedade civil. Na qualidade de norte-americano não posso vislumbrar uma carreira política em Portugal. Contudo, em defesa da excepcionalidade Portuguesa tudo farei intelectualmente e materialmente para defender um país e a sua gente que me vai na alma. Estou há décadas em Portugal para perceber como as coisas se processam e sofro com a traição do grande valor que Portugal tem. 
Em relação aos EUA sou igualmente crítico. Cada país tem as suas questões por resolver. Há que batalhar de um modo universal em nome de princípios que são comuns à humanidade.
Nos EUA tenho um primo que é político profissional - Senador Dan Wolf que lida com questões graves que assolam os EUA. Também há obra a fazer por lá, como bem sabe!
Muito obrigado.
Cordialmente,
John

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