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Acusada!

por Nuno Castelo-Branco, em 01.02.13

 

A república é acusada de assassínio do Chefe do Estado, de terrorismo bombista, de total desrespeito e subversão da ordem constitucional. É acusada da clamorosa derrota militar na I Guerra Mundial. É acusada da fuga de centenas de milhar de portugueses temerosos da violência, prepotência e inépcia da gente do regime do Costa. É acusada do ataque ao corpo eleitoral nacional, é acusada de coacção física e moral sobre a população, é acusada de falsificação de eleições, da repressão dos sindicatos, da imprensa e da Igreja. É acusada da ruína económica e financeira. É acusada da mais longa ditadura da nossa história, da polícia política, da censura. É acusada da vergonhosa, criminosa e pretensa descolonização, é acusada de causadora do genocídio de populações em África e em Timor. É acusada do abandono de milhares de soldados portugueses em três dos antigos territorios ultramarinos, é acusada das ruinosas cedências feitas para o seu apressado ingresso político na CEE. É acusada do desbaratar dos recursos da economia portuguesa. É acusada de ceder perante a organização de uma infrene cleptocracia institucional que esbulha o país em proveito de uma ínfima minoria de sátrapas. É acusada de fazer desaparecer o que nos resta da independência nacional conseguida através dos sacrifícios de mais de trinta gerações. 

 

Este regime não é legítimo

publicado às 23:00


46 comentários

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De Duarte Meira a 02.02.2013 às 00:05

Esta republica, 3ª - e Última -, não é regime nenhum. É uma Desordem gerida e precipitada degrau a degrau numa Degradação abissal e  indefinidamente prolongada.

Num certo e secreto sentido, já não existe; é NADA.
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De Anónimo a 02.02.2013 às 02:14

Acusação certeira, Nuno. É exactíssimamente como escreveu. Parabéns.
Maria
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De Anónimo a 02.02.2013 às 15:07

Todas as suas acusações contra a república são facilmente rebatíveis com exemplos análogos na história da monarquia portuguesa.

Apenas alguns exemplos:

"A república é acusada de assassínio"
D. João II apunhalou com as suas próprias mãos D. Diogo de Viseu, Infante de Portugal, 4º Duque de Viseu.

"total desrespeito e subversão da ordem constitucional"
D joão VI aprovou a constituição de 1822 em cortes constituintes para em 3 de Junho de 1823 suspende-la. Prometeu dar uma nova  constituição, o que só acontenceu em 1826, já com D. Pedro IV. Constituição essa, outorgada e não aprovada por Cortes 
Constituintes.

"é acusada de doacção física e moral sobre a população"
Não houve maior coacção na história sobre a população portuguesa do que a instauração da Santíssima Inquisição com a conivência  da monarquia durante 3 séculos.

"É acusada da derrota militar na I Guerra Mundial"
A derrota militar em Alcaçer Quibir é de longe a mais grave na história de Portugal.

"É acusada das ruinosas cedências feitas para o seu apressado ingresso político na CEE"
O reino de Espanha, também não teve que fazer cedências? Todos os estados monárquicos ou republicanos tiveram que fazer as suas cedências.

Mas uma acusação que não pode fazer à republica está bem expressa no seguinte excerto do artigo de PABLO CASTELLANO, no jornal O

Mundo:

"La monarquía es evidente que parte del principio de la natural desigualdad humana, en lo político, lo social, lo ideológico, y
hasta en lo genético. Unos nacen para regir y otros para ser regidos. Los escogidos del Señor para el mando y conducción de su pueblo han de ser rectos, piadosos, firmes, bondadosos y duros, justos y clementes. Los no predestinados a tal tarea se deben mostrar obedientes, respetuosos, sumisos y sobre todo conformes con su inferior naturaleza, fieles y leales a quien es ni más ni menos que expresión de la voluntad divina."
http://www.elmundo.es/cronica/2001/CR284/CR284-12.html
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De Anónimo a 03.02.2013 às 16:40

Só para reforçar o meu comentário anterior. Alterando em pequenos detalhes o comentário de Nuno Castelo-Branco, e seria este o resultado:

"Acusada!
A monarquia é acusada de assassínio, terrorismo, total desrespeito e subversão da ordem constitucional. É acusada da derrota militar na batalha de Alcaçer Quibir. É acusada da fuga de centenas de milhar de portugueses temerosos da violência, prepotência e inépcia da gente do regime. É acusada do ataque ao corpo eleitoral nacional, é acusada de doacção física e moral sobre a população, é acusada de falsificação de eleções, da repressão dos sindicatos, da imprensa e da Igreja. É acusada da ruína económica e financeira. É acusada da mais longa ditadura da nossa história. É acusada da vergonhosa, criminosa e pretensa colonização, é acusada de genocídio das populações em África e em Timor. É acusada das ruinosas cedências feitas para o seu apressado ingresso político a espanha em 1580-1640. É acusada do desbaratar dos recursos da economia portuguesa. É acusada de organização de uma infrene cleptocracia institucional que esbulha o país em proveito de uma ínfima minoria de sátrapas. É acusada de fazer desaparecer o que nos resta da independência nacional conseguida através dos sacrifícios de mais de trinta gerações.
Este regime não é legítimo."

Apresentei no meu comentário anterior alguns exemplos históricos para corroborar a ideia de que de tudo o que acusam sistematicamente a republica encontram abundantemente na história monárquica portuguesa.
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De Octávio dos Santos a 04.02.2013 às 00:10

Todos os supostos «contra-exemplos» que referiu - demagógicos, e que eu sou capaz de desmontar de uma forma breve e simples -  são inúteis, valem ZERO, se não tiver a coragem básica para se identificar. Até lá, você não passa de um reles e cobarde anónimo.  
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De Anónimo a 04.02.2013 às 10:51

Neste blog SÃO PERMITIDOS comentários anónimos. Ponto. São gravados os meus IP. Ponto. Seja educado e respeite as REGRAS deste blog e as pessoas que participam neste blog, sejam anónimas ou identificadas. Discuta argumentos. Não fulanize.
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De Octávio dos Santos a 04.02.2013 às 19:37

«Não fulanize»?! Como é que eu posso «fulanizar» se nem sequer sei com quem estou a lidar? E não aceito «lições» de «educação» e de «respeito» por parte de quem, precisamente, não mostra ter a educação e o respeito mínimos. Discuto e discutirei argumentos em posição de igualdade - isto é, com quem se identificar, quem der a cara e/ou o nome. Enquanto isso não acontecer você é um(a) medricas, e os seus «argumentos» valem, repito, ZERO; você, enquanto anónimo, não existe, pelo que o que afirma e/ou escreve também não existe. Ponto.
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De Anónimo a 04.02.2013 às 22:43

"«Não fulanize»?! Como é que eu posso «fulanizar» se nem sequer sei com quem estou a lidar?"
Aconselho-o a ler a definição de fulanizar no dicionário:
Fulanizar: Atribuir nome ou identificação a pessoas à partida indeterminadas ou cuja identificação não interessa para discutir
uma questão. http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx?pal=fulanizar
Ao identificar uma pessoa anónima, indeterminada como um "um reles e cobarde anónimo" o Sr. Octávio dos Santos FULANIZOU!

"E não aceito «lições» de «educação» e de «respeito» por parte de quem, precisamente, não mostra ter a educação e o respeito
mínimos."
O Sr. Octávio dos Santos tem que aceitar lições de educação e respeito porque identificou-me como "um reles e cobarde anónimo" e um(a) "medricas".

"Discuto e discutirei argumentos em posição de igualdade - isto é, com quem se identificar, quem der a cara e/ou o nome."
Repito uma segunda vez: Neste blog SÃO PERMITIDOS comentários ANÓNIMOS. São gravados os meus IP. Respeite as REGRAS deste blog e as pessoas que participam neste blog, quer sejam anónimas quer estejam identificadas. Considero-me por isso numa posição de igualdade para discutir argumentos com quem quer que seja. Se não está contente com estas REGRAS, faça a sua queixa ao responsável deste blog. Aqui não é Sr. Octávio dos Santos que estabelece as REGRAS de discussão.

"enquanto anónimo, não existe, pelo que o que afirma e/ou escreve também não existe"
Adorei desta tirada... Está a escrever para pessoas que não existem...
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De Octávio dos Santos a 05.02.2013 às 01:10

BláBláBláBláBláBláFULANIZOUBláBláBláBláBláPERMITIDOSBláBláBláBláBláANÓNIMOSBlábláBláBláBláREGRASBláBláBláBláBláBláBláBlá...


Em resumo, e mais uma vez:


Cobarde.


Medricas.


Zero.


Ponto.
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De Anónimo a 05.02.2013 às 08:43

AH, AH, Ah,
Eu apercebi-me logo de qual seria a sua atitude e aproveitei para me divertir um pouco. Quem frequenta habitualmente foruns e blogs apercebe-se logo que ao quarto ou quinto comentário aparece sempre o individuo que está aparentemente interessado no tópico, mas que isso é apenas um truque para começar a insultar, lançar lama. O truque de estar contra o anonimato como desculpa para insultar é super batido.

Para finalizar. Esqueci-me deste seu tópico:

"quem der a cara e/ou o nome. Enquanto isso não acontecer os seus «argumentos» valem, repito, ZERO"
Veja o absurdo da sua argumentação. Quem escreveu a Bíblia? 90% da Bíblia é de fonte anónima. Logo, os argumentos, as ideias, as histórias da Bíblia valem ZERO. Só quando DEUS der a cara é que o Sr. Octávio dos Santos começa a discutir com um cristão, ou um judeu.

E pronto, também coloco um PONTO FINAL neste tópico.
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De Octávio dos Santos a 05.02.2013 às 17:08

Agora até se compara a quem escreveu a Bíblia! Presunção e água-benta...


... e, sim, volte para o seu buraco. Quem veio para aqui insultar a inteligência com «argumentos» de lama foi você. A minha argumentação será «absurda»? Talvez sim, talvez não. Mas, pelo menos, é assumida... 


... e você continua a ser um cobarde.
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De Anónimo a 06.02.2013 às 08:58

Caro Sr. Octávio dos Santos

Descobri o que sempre suspeitei: a coerência não é uma das suas virtudes. E por toda a sua atitude de confronto, constante insulto baixo, de não respeito das regras de um blog, que é um homem sem qualidades como diria Robert Musil. Senão veja neste link:
http://estadosentido.blogs.sapo.pt/1915393.html

Então não é que troca argumentos que valem ZERO, repito ZERO, repito outra vez ZERO com alguém "Que oculta o apelido e não disponibiliza uma ligação que confirme a sua identidade? Eu, «fechado numa concha»? Saia você do «armário»... do anonimato!"
Então troca argumentos que valem ZERO, repito ZERO, repito outra vez ZERO, uma outra vez ZERO, com alguém no "armário" do anonimato ?!?!

"Assuma-se" como um incoerente.
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De Octávio dos Santos a 07.02.2013 às 00:30

Caramba! Há alguém tão preocupado, tão assustado, que chegou ao cúmulo de pesquisar todo (?) o Estado Sentido para encontrar um (alegado) exemplo da minha «incoerência»...


...  Mas, provavelmente, não o «descobriu»... provavelmente, «lembrou-se». É você outra vez, «Tiago C»?


Seja quem for, as suas insuficiências - de coragem, e não só - são evidentes. Tão cansado que você deve estar de, consecutivamente, «justificar» o seu anonimato. «Coitadinho»! Chega ao cúmulo de tentar (mas não consegue) inverter os papéis, de fazer de mim o «acusado», ou o «culpado». Patético!


A verdade é que, se estivesse plenamente confiante nos seus «argumentos», se tivesse a certeza quanto à justeza daqueles, não teria vergonha - pelo contrário, teria orgulho - em assumir a respectiva autoria com a sua identidade. Não o fazendo, você é o primeiro a reconhecer... que eles são uma treta. Uma trampa. E por mais voltas que dê, qual cão à cata da cauda, isso não deixará de ser verdade.
 
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De Anónimo a 07.02.2013 às 10:21

“«justificar» o seu anonimato”

Pela última vez, veja se entende. Neste blog são PERMITIDOS comentários anónimos. Entende!!?? LEGITIMAMENTE utilizei esse recurso. O que é que eu fiz de mal para ser INSULTADO por si?!?! Se não concorda com esta REGRA INSULTE os responsáveis deste blog por aceitarem comentários anónimos.

“A verdade é que, se estivesse plenamente confiante nos seus «argumentos», se tivesse a certeza quanto à justeza daqueles, não teria vergonha - pelo contrário, teria orgulho - em assumir a respectiva autoria com a sua identidade.“

Extraordinário. Esta é uma nova máxima: Os argumentos de um texto só são “justos” se conhecermos a identidade do autor. Octávio dos Santos dixit. Com esta máxima já garantiu o seu lugar na posteridade.

Como lhe demonstrei no comentário anterior, antes de andar a farejar pela net à caça de anónimos para os insultar tente ser “coerente”.
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De Octávio dos Santos a 08.02.2013 às 01:34

Não fui eu que andei a «farejar pela Net à caça de»... alegadas provas da minha «incoerência».


Limitei-me a fazer o que faço quase todos os dias: aceder ao Estado Sentido e ler os textos mais recentes, incluindo os do Nuno Castelo-Branco. Como este, em que me deparei, nos comentários, com um republicano... que não assume a sua identidade. Pelos que defendem a república mas que não se refugiam no anonimato ainda posso ter algum (pouco) respeito. Pelos outros, não.  
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De Anónimo a 08.02.2013 às 08:09

"Não fui eu que andei a «farejar pela Net à caça de»... alegadas provas da minha «incoerência»."



"Quem não se sente não é filho de boa gente". Não fui eu quem atirou a pedra. Defendi-me.
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De Octávio dos Santos a 09.02.2013 às 00:50

«Filho de boa gente», se bem educado, e se não está em causa a própria vida (creio que o Nuno Castelo-Branco, e todo o Estado Sentido, não ameaçariam a integridade física de qualquer comentador), assina, com o seu próprio nome, as suas opiniões.


Sim, foi você quem atirou a «pedra», ao colocar em causa, de uma forma intelectualmente desonesta e demagógica, o texto do Nuno. Não defendeu; atacou.
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De Anónimo a 09.02.2013 às 10:16

«Sim, foi você quem atirou a «pedra», ao colocar em causa, de uma forma intelectualmente desonesta e demagógica, o texto do Nuno. Não defendeu; atacou.»

Desonestinade intelectual é o que está fazer agora. Eu defendi-me dos seus insultos, "das suas pedras", e da sua ultima referência sobre o "farejar". Eu defendi-me de si.

E se reparou, e para o desmascarar de uma forma, total e absoluta e definitiva em relação à a sua acusação inicial e constantemente repetida sobre a "forma intelectualmente desonesta e demagógica" em que me dirigi a Nuno Castelo-Branco. E da treta dos argumentos ZERO, etc.
Ontem, 08.02.2013, Nuno Castelo-Branco às 19:32 participou neste debate, e com uma muito boa exposição. Falou explicitamente de um tópico que eu introduzi "Alcácer Quibir".
Vai continuar a atirar pedras?
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De Octávio dos Santos a 10.02.2013 às 00:31

«Desmascarar-me»?! Acaso sou eu que uso «máscara»? Acaso sou eu que oculto a minha identidade? Ninguém me «desmascara»... porque eu não me escondo. Não há dúvidas sobre quem eu sou e o que eu afirmo...


... Mas como também posso ser «compreensivo», vou partir do pressuposto de que, porque estamos na época do Carnaval, você decidiu «disfarçar-se»... e dizer (escrever) uns quantos disparates; contar umas anedotas; pregar umas partidas.


Em resposta à pergunta: vou continuar a atirar as «pedras» que quiser, quando quiser; não tenho «telhados de vidro».
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De Anónimo a 10.02.2013 às 09:16

"«Desmascarar-me»?! Acaso sou eu que uso «máscara»?"

Não jogue com as palavras. Você tem uma dificuldade intelectual em entender as metáforas. Eu usei o sentido figurado da palavra:
Desmascarar: Descobrir, mostrar a realidade que se esconde: desmascarar a hipocrisia; desmascarar um mentiroso.
http://www.dicio.com.br/desmascarar/
Queria que eu o chama-se hipócrita, mentiroso?!

Já o desmascarei com a questão do anonimato (é permitido neste blog). A sua obsessão com a revelação da identidade levaria-o a
pôr em questão os Direitos de Autor. No Brasil e em Portugal, uma obra de autor anónimo está sob o direito de autor até 31 de 
Dezembro do ano em que completa 70 anos da sua publicação.
Já o desmascarei com a questão de que não troca argumentos com anónimos (incoerência). Se levasse esta questão ainda mais a fundo questionaria-o sobre como aceita discutir com pseudónimos.
Já o desmascarei sobre os argumentos ZERO (Nuno Castelo-Branco participou nesta discussão).
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De Anónimo a 10.02.2013 às 09:53

"Queria que eu o chama-se hipócrita, mentiroso?!
Rectifico o que disse. O correcto seria: Queria que o acusasse de hipocrisia e de mentira?!
Peço desculpa por este lapso.
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De Anónimo a 10.02.2013 às 10:35

Para não se extrapolar nenhuma má interpretação, resolvi eliminar a frase em causa, e publico o meu comentário como o considero correcto:

"«Desmascarar-me»?! Acaso sou eu que uso «máscara»?"
Não jogue com as palavras. Você tem uma dificuldade intelectual em entender as metáforas. Eu usei o sentido figurado da palavra:
Desmascarar: Descobrir, mostrar a realidade que se esconde: desmascarar a hipocrisia; desmascarar um mentiroso.
http://www.dicio.com.br/desmascarar/

- Já o desmascarei com a questão do anonimato (é permitido neste blog). A sua obsessão com a revelação da identidade levaria-o a pôr em questão os Direitos de Autor. No Brasil e em Portugal, uma obra de autor anónimo está sob o direito de  autor até 31 de Dezembro do ano em que completa 70 anos da sua publicação.
- Já o desmascarei com a questão de que não troca argumentos com anónimos (incoerência). Se levasse esta questão ainda mais a fundo questionaria-o sobre como aceita discutir com pseudónimos.
- Já o desmascarei sobre os argumentos ZERO (Nuno Castelo-Branco participou nesta discussão).
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De Octávio dos Santos a 11.02.2013 às 00:19

A confusão que para aqui vai... que atabalhoamento!..


... Ou, por outras palavras, a incompetência misturada com o atrevimento. E a desfaçatez, o descaramento, de querer dar «lições» - recorrendo-se até a dicionários e a «código de direitos de autor» - mas, ao mesmo tempo, mostrando que não sabe escrever: «chama-se» em vez de «chamasse»! 


Patético, simplesmente patético. E, claro, cobarde. 
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De Anónimo a 11.02.2013 às 09:20

Confirma-se que é uma pessoa intelectualmente desonesta. Que é um homem sem qualidades. Quando se aproveita de um texto não editado que publiquei por erro. Quando se agarra a um "«chama-se» em vez de «chamasse»!" para contra-argumentar está tudo dito. 
Quem seguiu este tópico já se apercebeu que desmontei ponto por ponto todas as acusações que me dirigiu:

- Já o desmascarei com a questão do anonimato (é permitido neste blog). A sua obsessão com a revelação da identidade levaria-o a  pôr em questão os Direitos de Autor. No Brasil e em Portugal, uma obra de autor anónimo está sob o direito de autor até 31 de Dezembro do ano em que completa 70 anos da sua publicação.
- Já o desmascarei com a questão de que não troca argumentos com anónimos (incoerência). Se levasse esta questão ainda mais a
fundo questionaria-o sobre como aceita discutir com pseudónimos.
- Já o desmascarei sobre os argumentos ZERO (Nuno Castelo-Branco participou nesta discussão).

A partir de agora fica a falar sozinho.
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De Octávio dos Santos a 12.02.2013 às 02:00

Fazemos o seguinte: numa próxima ocasião em que eu faça uma aparição pública, por exemplo, uma apresentação de um livro ou uma intervenção num colóquio (que, aliás, costumo anunciar antecipadamente no meu blog Octanas), você aparece e diz-me, frente a frente, cara a cara, que eu sou uma «pessoa intelectualmente desonesta» e um «homem sem qualidades». Então, aí sim, você deixará de ser um cobarde... e eu deixo de lhe chamar cobarde. 


É claro que, nessa eventualidade, muito provavelmente algo mais acontecerá... eu direi - ou farei - alguma coisa em resposta. Mas com certeza que isso não seria um problema para si, tão confiante que parece estar nas suas «posições»... 


Estamos combinados?  
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De Anónimo a 12.02.2013 às 09:33

Como sou coerente não tencionava responder-lhe mais. Mas como me fez uma pergunta abrirei uma excepção.
Eu apelidei de desonesta a sua atitude de se aproveitar de um erro meu. Eu explicitamente referi qual a versão do texto que considerava a correcta, e você abertamente ignorou esse facto. Mas o mais grave, é que acabou de fazer uma ameaça velada à minha integridade física: "muito provavelmente algo mais acontecerá... eu direi - ou farei - alguma coisa em resposta.".
Recordo-lhe as suas próprias palavras: "«Filho de boa gente», se bem educado, e se não está em causa a própria vida (creio que o Nuno Castelo-Branco, e todo o Estado Sentido, não ameaçariam a integridade física de qualquer comentador), assina, com o seu próprio nome, as suas opiniões."

Como desde o seu primeiro comentário me apercebi do tipo de pessoa que estava em "frente", e pela sua última atitude de ameaça física velada, a minha "posição" de manter o anonimato ficou DEFINITIVAMENTE justificada, até para si.

Como já sei que vai continuar com as suas "lições" de ódio, mantenho a minha "posição" de o deixar a falar sozinho.
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De Anónimo a 12.02.2013 às 12:20

Resolvi alterar o ligeiramente o meu comentário anterior. A situação já está a ficar demasiado perigosa, e um comentário mais impulsivo pode gerar mais problemas. Publico o meu comentário como o considero correcto:

Como sou coerente não tencionava responder-lhe mais. Mas como me fez uma pergunta abrirei uma excepção.
Eu apelidei de desonesta a sua atitude de se aproveitar de um erro meu. Eu explicitamente referi qual a versão do texto que considerava a correcta, e você abertamente ignorou esse facto. Mas o mais grave, é que acabou de fazer uma insinuação, uma alegada ameaça velada: "muito provavelmente algo mais acontecerá... eu direi - ou farei - alguma coisa em resposta."

Como desde o seu primeiro comentário me apercebi do tipo de pessoa que estava em "frente", e pela sua última insinuação, uma alegada ameaça velada, a minha "posição" de manter o anonimato ficou DEFINITIVAMENTE justificada, até para si.

E pronto, esta situação já está um pouco fora de controlo e pode acabar mal. Por mim isto acabou.
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De Anónimo a 12.02.2013 às 17:25

É verdade, esta é terceira versão e a final. A partir do seu último comentário TUDO MUDA e terei de ter cuidados triplicados por questões legais. Por isso resolvi alterar os meus comentário anteriores. Publico o meu comentário como o considero correcto:

Como sou coerente não tencionava responder-lhe mais. Mas como me fez uma pergunta abrirei uma excepção.
Eu apelidei de desonesta a sua atitude de se aproveitar de um erro meu. Eu explicitamente referi qual a versão do texto que considerava a correcta, e você abertamente ignorou esse facto. 
Mas o mais grave, é que a sua frase "muito provavelmente algo mais acontecerá... eu direi - ou farei - alguma coisa em resposta." pode ser interpretada como uma insinuação, uma alegada ameaça velada. Considero pois, que a minha "posição" de manter o anonimato ficou DEFINITIVAMENTE justificada.

E pronto. Como já estamos a entrar num caminho que me desagrada profundamente, em que uma simples palavra escrita, mesmo numa discussão responsável pode implicar, por exemplo, uma ameaça ou um processo judicial, para mim isto acabou. 
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De Octávio dos Santos a 13.02.2013 às 01:40

Mais uma resposta em «triplicado», ou seja, mais uma dose tripla de disparates e de delírios...


... Incluindo o de eu estar, imagine-se, a ameaçar a «integridade física» de alguém. Pode isto tornar-se mais ridículo? Muito provavelmente, sim. Aguardemos pela próxima «réplica» para rir mais um pouco... muito me tenho divertido nos últimos dias. 






  
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De Duarte Meira a 04.02.2013 às 21:10

Caro Nuno Castelo Branco:

Não reparou ou desdenhou responder a um Anónimo que, a pretexto do seu justificadíssimo desabafo no dia aniversário do atentado terrorista, veio aqui colar no dia seguinte um pretenso “argumento” contra a Monarquia.

O argumento pretende fazer comparações entre o regime monárquico e a situação republicana, como se fossem regimes políticos comparáveis, e fosse possível julgar da mesma maneira acontecimentos que se dão sob um regime que é o arquétipo da Ordem, com o que temos tido desde a degeneração dela, tipicamente e mais cruamente desde 5 de Outubro de 1910.

Serve-se o Anónimo de uns tantos itens convenientes seleccionados na História portuguesa, e alega que cada um dos republicanos tem a sua contraparte na História monárquica. Depois, para não se concluir que, assim sendo, não havia razão suficiente nenhuma para se mudar de um regime para outro, - ajuda-se de um castelhano para nos dar a pretensa razão decisiva para preferir a República. É o estafado argumento das “desigualdades”, que em poucas palavras ainda achou espaço para intrometer a obcecação anti-religiosa. Deixando de parte esta fixação maníaca (aliás significativa), permita-me, caro Nuno responda eu brevemente ao Anónimo espanholista, e reponha alguma ordem onde falta manifestamente o bom senso dela.
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De Anónimo a 05.02.2013 às 00:27

Caro Anónimo Duarte Meira,

Permita que o trate assim porque para além do nome Duarte Meira, não tenho mais dados que me permitam comprovar a sua verdadeira identidade.

"O argumento pretende fazer comparações entre o regime monárquico e a situação republicana, como se fossem regimes políticos  comparáveis"
Se o anónimo Duarte Meira tivesse lido com atenção eu apenas apresentei alguns exemplos históricos para corroborar a ideia de que  de tudo o que acusam sistematicamente a republica podem encontrar abundantemente na história monárquica portuguesa. Independentemente do regime político, os factos repetem-se na história.

"ajuda-se de um castelhano para nos dar a pretensa razão decisiva para preferir a República"
Poderia ter recorrido a um francês, a um holandês, a um chinês. Foi apenas uma questão de ter a citação à mão.

"intrometer a obcecação anti-religiosa. Deixando de parte esta fixação maníaca (aliás significativa)"
Não há fixação anti-religiosa nenhuma. Os nossos reis quase sempre invocaram Deus para a sua legitimação. Apenas como exemplo, D. Afonso V na sua investidura: Foi o Mestre Guedelha, um astrólogo, que determinou a hora da obediência. Decidida a hora, o infante D. Pedro dirigiu-se então ao Principe D. Afonso nos seguintes termos: "(...) em que vós por graça de Deus legitimamente recebeis o real ceptro (...)."

"Anónimo espanholista"
Leia a minha explicação anterior. Quer saber a minha posição sobre os espanhóis? São bons na fronteira. Nunca cairei em cantos de sereia de políticos, intelectuais ou reis espanhois, por muito homens bons que sejam e até saibam falar portugues.

P.S. Hoje já não tenho tempo para responder à sua segunda parte. Amanhã farei o meu comentário.
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De Duarte Meira a 04.02.2013 às 21:14

"La monarquía es evidente que parte del principio de la natural desigualdad humana ... »


Anónimo:

Nem dois gémeos verdadeiros, ainda menos os clones, são entidades “iguais”, e se não há dois indivíduos vivos que sejam “iguais”, começando pelo genótipo – então qual é o problema ? O problema é de quem não gosta da Natureza e quer trazer – necessariamente pela Força – a “igualdade” onde ela não existe nem cabe. Não faz desaparecer a desiguldade natural, que não pode, mas faz aparecer a Uniformidade, que vamos sofrendo mais e mais. O problema do anonimato na Uniformidade não é só do Anónimo, é o de todos nós: aquela Força que pretendia assassinar toda a Família Real, veio também para atentar contra a família humana natural.

Mas não é “evidente” que tal desigualdade seja “el principio” pertinente ao caso, porque também o poderia ser da Aristocracia ou da Democracia. A Monarquia é o lugar conjuntamente natural e simbólico da Autoridade política originária: – a autoridade paternal dos pais sobre os filhos; a de Deus sobre os homens (pois que há também uma política divina, cujo nome é Providência). E é um lugar simbólico a dois níveis: na pessoa singular do rei, como símbolo mais distinto da pessoa humana enquanto entidade distinta, singular, única; na pessoa colectiva da Família Real, como símbolo vivo da pessoa colectiva nacional, da unidade viva das famílias que formam a sociedade nacional. Assim da unidade, como da identidade e da vontade de estar e prosseguir assim como é no tempo, de estar como... – Estado. (E se nesse estar no tempo o grupo tem estado autónomo e independente de outros grupos, assim também o monarca é o símbolo da soberania e propriamente chamado Soberano.)

Esta é a Ordenação natural das coisas; e tão natural que, à reflexão, quando a consciência moderna procura saber das origens e pede à “ciência” da História os correspondentes factos “objectivos”... não encontra nenhuns. Ou só encontra “lendas” e “mitos”, que menospreza porque os não sabe ler nem entender.
Portanto, que haja uma poucas pessoas – os nascidos na Família Real – que nasçam com uma natural autoridade sobre outros, é tão escandaloso como haver pais com autoridade sobre os filhos; ou haver pessoas (ou famílias) socialmente mais distintas do que outras (é a a origem da Aristocracia).

Se há uma desigualdade natural – isto é, fundada na natureza biossocial da desigualdade entre pais e filhos – entre governantes e governados, convém que o poder político esteja organizado o mais em harmonia possível com essa Natureza, – e tal é o que sucede com a autoridade do poder paternal do Rei, assim reconhecido e tratado espontaneamente, popularmente, como “Pai”, como foi de facto (ainda no séc. XIX).

Repare o Anónimo que falei de Autoridade do poder, não do poder em exercício ou efectivamente exercido, que o pode ser mais ou menos e de vários modos. (Por isso dizem, erradamente, de algumas monarquias e monarcas que são meramente “decorativos”!...)

Não é difícil inferir que esta autoridade paternal de um privilegiado símbolo vivo da unidade nacional, não é de modo nenhum incompatível com a “república”, entendida como significando ointeresse comum e a primazia da da sua gestão honesta; antes pelo contrário, fácil é mostrar que só uma autoriade superior, independente – e preparada desde cedo por uma especial educação para isso – , pode dar garantias de velar pela não usurpação do comum em benefício dos interesses privados ou das facções. (Assim os nossos tratadistas monárquicos de seiscentos usaram do termo “república”.)

Muito mais haveria a dizer, evidentemente. Mas se o Anónimo leu e entendeu estes lineamentos, já passará o teste de entendimento do seguinte. Que não se pode – politicamente – pôr em linha de comparação os homicídios cometidos por D. João II com os homicídios cometidos pelos regicidas.

Se passou o teste, tenho muito gosto em vir aos outros factos históricos a que aludiu.
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De Anónimo a 05.02.2013 às 17:23

Caro anónimo Duarte Meira,

No essencial o seu texto desenvolve-se à volta da legitimação da autoridade do poder do rei através da metáfora da desigualdade natural entre pai/filho e transporta essa desigualdade natural para a organização do poder político.

Em relação à desigualdade natural entre pai/filho convém lembrar que esta sofre uma evolução ao longo do crescimento do filho. Nos primeiros anos a relação é totalmente desigual, pela dependência do filho em relação ao pai, mas com o passar dos anos essa desigualdade diminui e até se extingue quando o filho adulto se torna-se independente do pai e decide sobre o seu próprio destino. É essa independência em relação ao poder paternal, que utilizando a sua metáfora é a ordem natural da republica. É o sair de um estado infantil para um estado adulto. É o de uma relação entre adultos que acordam um pacto social entre si, com direitos e deveres.

Quanto à aplicação deste principio do poder paternal, num sentido literal, nas monarquias, lembro-lhe que vários filhos dos monarcas se revoltaram contra os pais: D. Afonso Henriques revoltou-se contra a própria mãe. Se D. Afonso Henriques se submete-se ao poder paternal seriamos hoje Galelos-Espanhóis. Como vê, por vezes, não é o poder paternal, o respeito pela ordem natural que rege a monarquia mas sim apenas a conquista do poder.

Quanto ao facto do poder político estar organizado numa relação desigual entre governados e governantes, não se trata de uma desigualdade humana ou “fundada na natureza biossocial da desigualdade entre pais e filhos”, como acontece na monarquia, mas sim de uma desigualdade resultante do exercício da autoridade imprescindível a qualquer governação, caso contrário seria a anarquia. O que acontece na republica, é que qualquer cidadão se pode colocar na situação de governado ou representado, mas também na situação temporária e não hereditária de governante ou representante, ou seja, de exercício de autoridade, bastando para isso ser sufragado.

“Que não se pode – politicamente – pôr em linha de comparação os homicídios cometidos por D. João II com os homicídios cometidos pelos regicidas.”
Se percebeu o que foi dito até agora o anónimo Duarte Meira perceberá o que direi a seguir:
D. João II não utilizou a justiça para julgar os conspiradores que o queriam depor. Planeou uma cilada e apunhalou com as suas próprias mãos D. Diogo de Viseu, Infante de Portugal, 4º Duque de Viseu. Comportou-se assim como um assassino dos seus adversários políticos, tal como os regicidas.

Fico a aguardar então a sua resposta aos outros factos históricos a que aludi.

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De Duarte Meira a 05.02.2013 às 21:15

Anónimo:

Entendamo-nos ao menos neste pormenor: com respeito ao meu nome, errou ao confundir um indivíduo anónimo com um (hipotético) peseudónimo.

Passemos ao que importa. – “Os factos repetem-se na História”. Como, se lhe dei a entender que não há na Natureza duas coisas iguais ?... É impossível sabê-lo. Consideremos a forma mais literal de repetição: a teoria do “eterno retorno do mesmo”. Consideremo-la verdadeira de facto (acerta e é assertiva da realidade). Quando eu escrevo esta frase, tenha ou não consciência disso, já a escrevi e escreverei a mesma, no mesmo contexto, um número infinito de vezes. Mas, em cada um dos momentos, tenho uma consciência e uma ciência limitadas, finitas (e já me esqueceu algum hipotético momento em que as tivesse infinias). Logo, não posso saber se é verdadeira; e não tenho razão nenhuma para pensar que o Anónimo português ou o alemão Nietzsche tenham essa capacidade infinita. Mas também, se não posso saber, a teoria pode não ser verdadeira de facto; e não se vê como posso saber se é ou não é verdadeira.

De maneira que ficamos reduzidos a formas mais atenuadas ou metonímicas de “repetição”: semelhanças relevantes e pertinentes. Possível que sim, e concedo que mesmo até à indiscernibilidade. Mas semelhança e identidade relativa (a um número finito de itens observáveis e comparáveis) não são a mesma coisa que igualdade. Aplicando já ao nosso assunto. –
Se eu digo que os republicanos foram regicidas, diz o Anónimo que também os monárquicos o foram (no caso frustrado de D. José ou no consumado de D. João VI, segundo as mais recentes investigações periciais). Temos uma identidade relativa: num caso e noutro um regicídio. Mas, mesmo que os assassinos del-rei João fossem alguns cripto-republicanos (uma semelhança relevante e pertinente), tudo o mais é diferente. (Desde logo não esquecer que os republicanos parece que intencionavam assassinar toda a Família Real.) Mais claramente. –

Diria o Anónimo, na sua lógica, que se os republicanos assassinaram o Presidente da República, também os monárquicos (os “buissidentes”) assassinaram o Chefe de Estado. E digo eu que – politicamente – são situações completamente diferentes porque são pessoas e situações políticas incomparáveis. É justamente este o cerne do meu argumento: a Monarquia é o arquétipo da Ordem política, e o que se chama “República” uma típica desordenação daquela, isto é, essencialmente Desordem. E era esta essencial desordem do Estado, ameaçadora de decomposição do corpo nacional que o nosso Nuno Castelo Branco lamentava e justamente acusava no desabafo emocionado.

Veremos como responde a este argumento. Mas eis agora, ó Anónimo, como “os factos se repetem” : “Hoje já não tenho tempo para responder à sua segunda parte. Amanhã farei o meu comentário”... Entendidos nisto e no mesmo gosto de vermos os espanhóis na fronteira, não perderá pela demora.
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De Anónimo a 06.02.2013 às 16:43

Caro pseudónimo Duarte Meira,

Não deixo de reconhecer que é um anónimo que utiliza um pseudónimo.

“Passemos ao que importa. – “Os factos repetem-se na História”. Como, se lhe dei a entender que não há na Natureza duas coisas
iguais ?”
No essencial, o pseudónimo Duarte Meira reconhece que coisas “semelhantes e identidade relativas” (que não são a mesma coisa que  igualdade) se podem repetir. Ora, se reler o que eu escrevi no meu comentário inicial a Nuno Castelo-Branco, aludi a “exemplos análogos”, ou seja, relações de semelhança entre objectos diferentes que são a monarquia e a republica. Estava a referir-me num  sentido amplo, generalista, de senso comum, aos assassínios, às ruínas económicas, às derrotas militares, etc. recorrentes na história da monarquia e da republica portuguesas. Utilizando os seus termos, escrevia numa perspectiva de “semelhança e  identidade relativa”. Agora interpretar que eu queria demonstrar que os protagonistas eram os mesmos e/ou que se repetiam ipsis  verbis as mesmas circunstâncias e/ou as situações eram exactamente iguais ao nível do mais ínfimo pormenor é um absurdo.

Quanto a regicídios finalmente um monárquico reconhece que também os houve na monarquia portuguesa. E eu acrescentaria um outro  exemplo com as fortes suspeitas de envenamento de D. João II (e não havia na altura cripto-republicanos). É um facto que o século  xv não foi alheio à utilização de formas várias de envenenamento nas principais cortes europeias.

“o cerne do meu argumento: a Monarquia é o arquétipo da Ordem política, e o que se chama “República” uma típica desordenação daquela, isto é, essencialmente Desordem.”
Como é que é explica que o arquétipo da ordem politica tenha caído em 1910? Onde reina a ordem o sistema funciona. Os  actos terroristas nunca podem abalar um estado onde a ordem impera, ex IRA, ETA. Se reparar a monarquia caiu em 1910 exactamente  pela desordem politica, social e economica que reinava, situação sobejamente reconhecida. 
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De Duarte Meira a 06.02.2013 às 21:42

«No essencial o seu texto desenvolve-se ... »

Anónimo:

No essencial, o meu texto delineava alguns (apenas alguns) princípios metafísicos do regime da Monarquia, sem cuidar do que não estava em causa: questões de “legitimidade” jurídico-política deste ou daquele sistema de governo. Tais lineamentos configuram uma concepção natural (até naturalista, se quiser) do poder político: as relações intra-familiares e interfamiliares como o locus originário do político ( em sentido schmittiano), progressivamente estendidas, com o tempo, até à “polis”. (Não é por acaso que são Monarquias os sistemas políticos mais antigos, assim também na Grécia como em Roma.)

Eu visava o plano dos arquétipos da Ordem política no mundo natural humano. O Anónimo responde-me dizendo que neste mundo os “filhos se vão tornando independentes dos pais”... Eu ainda não tinha dado por isso! Mas já terá o Anónimo reparado que os filhos se vão tornando independentes dos pais para (naturalmente)... serem pais?! (Não se dá, portanto, a tal “extinção” que referiu. A não ser que a Desordem esteja de tal modo adiantada em degradação que se queira extinguir até a família natural. É o que vamos vendo nas nossas moderníssimas repúblicas...)

Falava-lhe de uma tradição “clássica” de pensamento que vem de Aristóteles até ao nosso Gama e Castro, passando por Robert Filmer e muitos outros. Responde-me com Locke e Rousseau, no mais puro estilo iluminista: « É o sair de um estado infantil para o estado adulto. É o de uma relação entre adultos que acordam um pacto social entre si, com direitos e deveres.» Fique claro que, neste domínio, o único “contrato” originário que reconheço é o (natural) entre pais e filhos; o mais é do âmbito do Registo Civil. Reconheça o Anónimo a seguinte possibilidade: que as ficções contratualistas dos sécs. XVII-XVIII, sob capa de reflexões filosóficas sobre a origem do político, tinham a muito mais prosaica e imediata utilidade de estratagemas para limitar o poder político dos reis, em confronto com os parlamentos; isto é, inseriam-se e procuravam influir nas disputas políticas desse tempo. Repare também nisto: se o tal “contrato” é, como diz, feito só por adultos, abstrai imediatamente da Ordem natural social e política, em que temos sempre adultos e crianças, novos e velhos, os antepassados mortos e os vindouros por nascer. Tenha muito cuidado com as abstracções , que podem ser mortíferas. (Veja o caso do ser ou não “pessoa”, usado na debatida questão do abortamento.) Mas, sem as fantasias desnecessárias do “Contrato Social”, o que nos restaria para a compreensão do político? – Pois resta-nos precisamente o Contrato real e verdadeiro que é o que a Natureza estabelece entre pais que foram filhos e filhos que foram pais. Que “igualdade” mais concreta e vivida quer o Anónimo?

Contra o argumento do seu castelhano sobre as “desigualdades”, opus aqui no comentário anterior que as desigualdades entre governantes e governados são tão inevitáveis e naturais como as que existem entre pais e filhos; que, assim sendo, em benefício da organização política da vida social, convinha que esta fosse a mais conforme com a Ordem natural; e que o regime da Monarquia – o da unidade da Família Real com a família nacional – é o mais conforme com a ordem natural das coisas. Agora, ó Anónimo, se não lhe são inteligíveis estes lineamentos meta-empíricos, como é que nos havíamos de entender na consideração da fenomenologia empírica ? Não valeria a pena considerar os factos que alegou. Contudo, como me interpela em termos de quem cuida por se exprimir e redigir com relativa correcção (apesar daquela calinada do “se submete-se”, em vez de de “se D. Afonso Henriques se submetesse”), e mostra alguma informação histórica, tudo coisas raras e apreciáveis num jovem exposto ao sistema “educativo” do pós-74, aqui terá amanhã a minha resposta a alguns dos exemplos que deu.
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De Duarte Meira a 06.02.2013 às 21:44

Espero que ao menos fique muito claramente recortada a insuperável diferença e incompatibilidade dos nossos pontos de vista: o ponto de vista de quem lê os factos à luz de um arquétipo vivo da Ordem natural política, como é a Monarquia, e o de quem está condicionado pelo processo da degenerescência, desordenação e decomposição dessa viva unidade, como é o da “vida artificial” (a expressão aparece pela primeira vez em Hobbes...) que vimos sofrendo sob o poder deste Levitã chamado “República”. Portanto, que não há medida comum e não fazem sentido as pretensas “analogias” que alegou. ( “Assassínios, ruínas económicas, derrotas militares, etc.” são acontecimentos “recorrentes” da existência humana neste mundo, como tal, seja qual for o modo de organização do Estado.)

Mas responderei já, porque a propósito do que acabo de dizer, à sua questão de há pouco: “Como é que é explica que o arquétipo da ordem politica tenha caído em 1910? Onde reina a ordem o sistema funciona.” Está à vista como não perecebe: os arquétipos não morrem nem podem morrer; os povos e as figuras diversas de organização política que vão experimentando é que, a seu modo, aparecem e desaparecem do palco da História. Explico assim: quando as figuras reflectem melhor ou, numa linguagem platónica, participam mais do arquétipo da Ordem natural política conservam-se mais tempo; quando este arquétipo começa a eclipsar, começa a dissolução. E esta, porque não há no domínio da acção humana, determinismos fatais, pode ser travada se houver a restauração da Ordem. Mas, na vida dos povos, compreenderá que a morte do que era vivo não acontece de um dia para o outro, como pode acontecer com os indivíduos, de um momento para outro. Pode durar séculos. Acontece que, à retrospecção abstracta, nos encontramos em dado momento com “Lusitanos”; noutro momento, com “Portugueses”; noutro, com... “Eurolandeses”... ou com “Lusíadas”...)
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De Anónimo a 07.02.2013 às 17:59

 O pseudónimo Duarte Meira insiste mais uma vez na relação desigual pai/filho. Apesar de ficar, como afirma, «muito claramente recortada a insuperável diferença e incompatibilidade dos nossos pontos de vista», deixe-me dizer-lhe o seguinte: como já lhe referi essa relação desigual ou de dependência é dinâmica, não estática e na verdade extingue-se quando o filho se torna adulto. “Mas já terá o Anónimo reparado que os filhos se vão tornando independentes dos pais para (naturalmente)... serem pais?! “ Como bem disse, o filho depois pode tornar-se um novo pai, mas o pseudónimo Duarte Meira não pode garantir em que idade é que isso ocorrerá. Tem então que se perguntar o que se passa nesse período em que ele é independente e ainda não é pai. A resposta é que nesse período não existem relações desiguais. Só num modelo perfeito, mecanicista, regulado, onde o filho ao chegar á idade adulta se torna imediatamente pai, o que é manifestamente irreal, essa extinção de relações desiguais não se verifica.

«Contra o argumento do seu castelhano sobre as “desigualdades”» «se não lhe são inteligíveis estes lineamentos meta-empíricos, como é que nos havíamos de entender na consideração da fenomenologia empírica ?»
O castelhano estava a referir-se a exemplos de desigualdade humana como o seguinte:
CARTA CONSTITUCIONAL DE 1826, TÍTULO V, DO REI , CAPÍTULO I , DO PODER MODERADOR.
ARTIGO 72 - A Pessoa do Rei é inviolável e sagrada; ele não está sujeito a Responsabilidade alguma.

«Como é que é explica que o arquétipo da ordem política tenha caído em 1910? Onde reina a ordem o sistema funciona.» Está à vista como não percebe:»
Se reparar na pergunta utilizo a expressão «arquétipo da ordem política» referindo-me naturalmente à sua expressão «o cerne do meu argumento: a Monarquia é o arquétipo da Ordem política». Estava a questioná-lo como é que foi possível que a monarquia sendo um arquétipo da Ordem política tenha caído em 1910. No entanto preferiu dissertar sobre o termo arquétipo. Está à vista que não percebeu. E repare que não afirmei que qualquer arquétipo tenha morrido, mas caído, ou seja, utilizando os seus termos, eclipsou-se ou dissolveu-se, mas pode restaurar-se.

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De Duarte Meira a 07.02.2013 às 21:25

Anónimo:

Vejamos então alguns casos-exemplos que citou.

(1) Disse eu, e mantenho, que – politicamente – eram incomparáveis os actos de D. João II e dos regicidas. Mas o Anónimo não leu o que tinha diante os olhos e vem dizer que o rei “não utilizou a justiça” (sic) ao defender-se dos presumíveis conspiradores contra ele. Bem, o rei não fez de facto queixa à Procuradoria Geral... e fez a justiça que se fazia na altura, à época em que o rei e a lei se confundiam; aliás a mesma natural justiça que, então como no século XX, fez levantar o príncipe D. Luís Filipe a disparar na carruagem sobre o regicida Alfredo Costa, no dia 1º de Fevereiro de 1908. Isto só escandaliza quem nunca ouviu falar do Direito natural de legítima defesa, ou se os duques quatrocentistas estivessem inocentes de conspiração. Mas isto é o plano moral. Sobre outras implicações, já as apontei no comentário de anteontem.

(2) Disse eu que a Ordem monárquica, enquanto organização política da vida social, naturalmente se conforma ao locus originário do político, que é o poder paternal. Uma consequência disto é que o centro político do regime monárquico é a Casa ou Família Real. Esta família, por mais destacada e distinta que seja das outras, não deixa de ser humana e sujeita às vicissitudes de todas as humanas. (Os reis não têm nenhum carisma religioso; e não há nenhum “direito divino” dos reis, apesar do citado Filmer e muitos outros; mas não faltaram motivos para iludir este erro.) Podem existir e não faltaram diferenças litigiosas insanáveis, resolúveis só com a separação. De aí a formação de novas Casas ou Dinastias. Foi o que se passou na fundação da Monarquia portuguesa, com as diferenças que a opuseram a condessa Teresa, e barões galegos, a seu filho Afonso com parte dos barões portucalenses. Estas diferenças – políticas – nada tiveram a ver (não há vestígios disso) com incompatibilidades psicológicas ou contestações do “poder paternal”. No plano político do Direito público da época, a contestação relevante é a relativa ao primo, chefe da Monarquia leonesa. Agradeça o Anónimo a D. Afonso I a contribuição que este deu, com a sua “rebeldia” anti-feudal, para termos hoje os espanhóis como gosta deles: na fronteira (a fugir). Temos aqui, portanto, a normal fundação de uma nova Casa Real, com oportuno aproveitamento do contexto político-eclesiástico da época, de harmonia com o interesse autonomista do povo de Entre Douro e Minho e com a caracteriologia etnocultural distinta dos povos da Beira (para onde se mudou logo a sede política do novo Reino: Coimbra). Compare com a fundação da República: uma nação ideologicamente dividida até à luta armada em Lisboa; e tão ideologicamente dividida que a luta armada prosseguiu no Norte e ainda a Monarquia se restaurou no Porto em 1919. Não compare o Anónimo o incomparável!

E agora aqui tem o comparável; a semelhança relevante e pertinente ao assunto e aparente para suportar as suas “analogias”. – Para não recuarmos mais no tempo: uma nação ideologicamente dividida até à luta armada, em 1383-85; até à batalha de Alfarrobeira, em 1449...

Não se fie das aparências. A Ordem monárquica de que tenho falado é uma ordem natural, não uma Utopia: dissídios, divórcios, violências, disputas de poder são... da natureza do homo sapiens. Então, quais as diferenças ? Duas, decisivas: (1ª) Entre as lutas que contribuíram para fortalecer a Casa Real e a sua união com a Casa Nacional, e lutas que contribuíram para o efeito contrário, até ao triunfo da República; (2ª) conflitos ideológicos e de classes que são da ordem natural das coisas, - e conflitos baseados em utopias (como as da trilogia revolucionária francesa) destruidoras dessa ordem natural, que nas nossas moderníssimas “Repúblicas” já hoje ameaçam a própria sobrevivência do sapiens.
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De Duarte Meira a 07.02.2013 às 21:26


(3) Diz o Anónimo: “A derrota militar em Alcácer Quibir é de longe a mais grave na História de Portugal”. Digo eu que a campanha de Alcácer tem de ser avalidada à luz da reformulação à época da estratégia nacional, retomando a ênfase na tradição da Cruzada para a Reconquista cristã do norte de África; uma reformulação oportuna, diante os incomportáveis gastos na Índia, os dissídios entre os chefes marroquinos (um deles nosso aliado) e a ameaça da expansão turca e do controlo do Estreito. Ora, o que fez D. Sebastião ? O mesmo que tinha feito D. João I, que vai com todos os filhos à conquista de Ceuta; o mesmo que D. Afonso V, levando o príncipe D. João à conquista de Arzila. São reis que, desde D. Afonso I, estão nas batalhas com o seu povo, a Casa Real e os seus filhos juntos com os filhos do povo. (E não consta que Afonso Henriques, depois de alevantado rei, até que teve o primeiro filho, se tivesse fechado num castelo durante oito anos, sem aparecer a arriscar a vida nos campos de batalha...) Como D. Duarte Pio em África, no século XX. Foi uma temeridade, da parte de D. Sebastião ? Foi a mesma dos outros, a mesma de el-rei D. Carlos a meter-se com toda a Família Real em carros abertos no longo trajecto do Tejo às Necessidades. O mesmo centramento monárquico na Família Real e a mesma confiança (consciente ou não-consciente) da unidade desta com a família nacional. Os reis não temem o seu povo. (A comparar com o sujeito que anda por cá agora a fazer de “presidente da República”: a meio do caminho para visitar uma escola secundária, volta para trás por... questões de segurança!...)

Nem o desaparecimento do rei em Alcácer implicava necessariamente a perda da independência: havia dois candidatos portugueses em condições legais de sucessão; nas cortes de Almeirim de 79-80 os duques de Bragança podiam ter inaugurado mais cedo a Dinastia brigantina; e, durante dois meses, o prior do Crato, D. António, aclamado rei em Santarém, reinou efectivamente...

Compare com a nossa intervenção republicana na 1ª Guerra: aparentemente, a mesma preocupação com o interesse nacional, e mandam-se tropas para África. Bem. Mas... que fazem elas atoladas nas lamas da Flandres, contra a vontade dos próprios ingleses? E temos aquela improvisada e precipitada campanha que terminou no desastre militar de La Lys. Temos os filhos do povo como carne para canhão em defesa das solidariedades maçónicas com a República francesa, e para comprometer mais os ingleses com os mandantes republicanos.

Quer agora o Anónimo saber qual foi “de longe”, como diz, o “mais grave” revés militar, social, político e moral da História portuguesa ? – Foi, em 1974-75, o abandono à guerra civil e ao genocídio de africanos e timorenses, que confiavam a sua segurança da administração portuguesa, traindo o prometido no Programa do MFA (eis o que valem os seus “contratos” políticos) e do 1º governo provisório desta 3ª República. Foi o que recomendo ao Anónimo leia no livro (de 1977) do erudito letrado e honesto republicano, Amorim de Carvalho, cujo título diz tudo: O Fim Histórico de Portugal.

Foi o termo abrupto, brutal e vergonhoso de uma tradição histórica de quinhentos e sessenta anos, que o Nuno Castelo Branco tem todos os motivos (até pessoais) para lamentar e acusar. Mas não só ele, também o Anónimo republicano: – com a perda dos recursos e mercados de África, perdeu-se a autonomia política do Estado português e finou-se a 3ª República, que em 1 de Janeiro de 1986 nos precipitou para onde vamos caindo até hoje. A sua “analogia”, aqui, equivale a comparar um corpo vivo com um cadáver. Repito, a ver se me faço entender: – a sua “República” já não existe. O que temos é o departamento ocidental de um Leviatão imperial e totalitário em gestação, que se afasta rapidamente da “Democracia”.
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De Nuno Castelo-Branco a 08.02.2013 às 19:32

Subscrevo e ainda acrescento duas ou três coisas. 
1. Muito se tem falado de Alcácer Quibir como um capricho de um doidivanas sem remédio, mas a realidade, vista á luz do tempo, é bem diversa. O declínio do trato na Índia - vista esta em sentido lato, desde Socotorá ao Extremo Oriente -, e a progressiva deslocalização do comércio europeu para o Atlântico, conduziu à reformulação da política portuguesa. O Brasil já era um território que visivelmente ofereceria recursos de vulto, ao mesmo tempo que ocupava uma situação geográfica absolutamente esencial á nossa navegação para a Ásia e costa oriental de África. O incremento da pirataria e o surgimento de batavos, ingleses e franceses no Atlântico Norte, exigia a tomada de posições que garantissem o poder naval português que bem ao contrário daquilo que alguns pretendem fazer crer, era ainda muito importante. Desta forma ficava segura a navegação nas imediações do território europeu português - Açores, Cabo Verde, Madeira e presídios norte-africanos -, assim como as rotas que ligavam Lisboa ao Novo Mundo e ao império no Oriente. Por outro lado também poderá ser apresentado o argumento económico - o tradicional défice nacional de cereais, as pescas, as rotas caravaneiras do hinterland centro africano, etc - e político. De facto, as cada vez mais apertadas relações com a Espanha - detentora da prata de Potosi, essencial ao comércio asiático - exigiam uma firme presença nacional no Estreito de Gibraltar, alargando a área onde já detinhamos Ceuta, Tânger e outras praças. Os espanhóis temiam a insegurança da navegação no Mediterrâneo Ocidental, aliás um "lago" da Monarquia dos Áustria - Espanha, praças norte africanas, a Sicília e o Reino de Nápoles -, uma via essencial para a ligação às possessões que a Monarquia detinha no norte da Itália, no Franco Condado e correndo para norte do Reno, nos Países Baixos. Esta complementaridade luso-espanhola quanto à manutenção da segurança das vias marítimas comerciais, tinha óbvias repercussões no balanço do poder na Europa. É este um tema interessante e bastante complexo, susceptível de um longo e profícuo debate. No entanto, no portugal de hoje é políticamente um tabu considerá-lo porque simplesmente não convém à historiografia oficiosa. O facto de expedição não ter sido muito competentemente organizada, em nada retira o verdadeiro alcance estratégico que poderia ter advido para os portugueses no caso da vitória militar. 
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De Nuno Castelo-Branco a 08.02.2013 às 19:47

2. Um aspecto bastante descurado sob o ponto de vista político, consiste na análise das consequências das chamadas Campanhas de Pacificação do Ultramar português. Esta é uma página inesquecível da nossa história e tão importante - e ainda mais perene para o mundo em que vivemos - que aquelas outras escritas na Ásia e hoje já amarelecidas pelo passar de cinco séculos. A transformação de frágeis tiras territoriais costeiras em alargados domínios imperiais na África austral, consistiu num feito assombroso, principalmente quando o país que tal realizou é Portugal. Acossado por todas as grandes potências desde muito antes do Congresso de Berlim, os nossos "direitos históricos" foram sendo obliterados pelos factos consumados da ocupação efectiva de terras por outros brancos, fossem eles aliados ou habituais adversários. Exploradores com intuitos científicos que verdadeiramente ocultavam a preparação da anexação do interior de vastas regiões africanas, missões militares de "segurança" das ainda incipientes colónias alemãs, francesas e inglesas, todos estes movimentos claramente ameaçavam a permanência portuguesa naquelas paragens. Se o Congresso de Berlim formalmente liquidou a questão dos "direitos históricos", por outro lado serviu perfeitamente para Portugal tentar uma efectiva ocupação territorial que fosse reconhecida pelas demais potências concorrentes. Neste caso, era essencial a manutenção dos bons laços com a potência marítima hegemónica - o Reino Unido - e  quanto a este aspecto da diplomacia - existia a formal, aquela que era praticada entre governos e uma outra, tão importante como a precedente e que dependia dos laços familiares e das boas relações entre os soberanos -, Portugal pôde efectivamente tirar proveito da profunda animosidade recíproca entre alemães, franceses e britânicos. Numa primeira fase teve de se acomodar à incontorável preponderância inglesas, mas houve um momento em que o ministro Barros Gomes tentou a sorte, afastando-se da Inglaterra e aproximando-se da França e da Alemanha, sempre na esperança do auxílio de soluções arbitrais que fossem a nosso contento, tal como já acontecera em Lourenço Marques. A aventura saíu-nos cara - o Ultimatum - e apenas não fomos totalmente despojados da maior parte de Moçambique, devido à clara intervenção do Rei D. Carlos e às pressões contemporizadoras que a Rainha Vitória exerceu sobre o seu governo. para mais, a queda da Monarquia portuguesa significaria uma grande perturbação na Europa, precisamente devido à corrida pela conquista de colónias em África. Um regime saído da subservação, ditaria o fim da presença portuguesa fora da Europa, disso não pode hoje existir a mais pequena dúvida. pelo menos, seria garantida a partilha de Moçambique e de Angola, os actuais núcleos duros dos PALOP. 

A preparação das expedições, a perfeita execução das operações num terreno difícil e de difícil logística; o surgimento de um escol de grandes militares que a não se ter dado o descalabro de 1910 muito úteis teriam sido na I GM; a mobilização da vontade nacional, ébria de orgulho pelos feitos que espantaram a Europa das grandes potências - a Itália tinha sido derrotada pelos abexins, os ingleses sofriam enormes revezes no Sudão, a pacificação de marrocos era um permanente buraco negro em França e em Espanha -, fez crescer o prestígio nacional, normalizou a presença de SM o Rei nos contactos da grande diplomacia e sobretudo, consolidou a soberania sobre um domínio colonial desproporcionado ás capacidades económicas e militares de Portugal. A verdade é para alguns dura, mas nem por isso menos verdadeira: a existência dos actuais PALOP deve-se totalmente ao decidido e supremo esforço conduzido pela Monarquia Portuguesa e há que afirmá-lo sem hesitações, pelo feliz trabalho de D. Carlos nas principais capitais europeias.





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De Nuno Castelo-Branco a 08.02.2013 às 20:07

3. A "descolonização".


Jamais existiu! Descolonizar não significa debandar em fuga desordenada e pior ainda, espezinhar o direito das gentes. Muito há para dizer acerca do derradeiro ano da presença soberana portuguesa em África. O aspecto militar é decerto o mais relevante e não podemos tentar ocultá-lo devido a conveniências políticas ou àquele bem conhecido hábito tão enraizado entre nós e que consiste no dizer "não vale a pena, já passou". Não, não passou. Morreram enormes contingentes populacionais - fome generalizada, genocídio descarado, guerras civis intermináveis, inépcia governamental dos regimes saídos das independências - devido à total irresponsabilidade das autoridades militares e seus aliados civis radicados em Lisboa. Em 1974 a guerra estava praticamente extinta em Angola e Moçambique encontrava-se numa situação crítica, sem dúvida, mas oferecendo sérias possibilidades de consolidação do poder nacional: Cabora Bassa - um manancial de potencialidades económicas e estratégicas - , o enorme incremento de infra-estruturas, a pujança da economia, o perfeito funcionamento do ensino e serviços de assitência da saúde - por exemplo - já demonstravam a existência de um Estado infinitamente mais capaz do que qualquer outro da chamada "África negra". Na Frelimo altos quadros seriamente pensaram num dilatado período de transição e de partilha do poder, preparando efectivamente o território que afinal chegou à "independência" da pior maneira, obrigando a abrir portas a aventureiros ineptos e meros artífices dos interesses da esfera soviética. O resultado está à vista e nem remotamente, decorridos quase 40 anos desde 1974 -, o país pode equiparar-se àquilo que era quando dos Acordos de Lusaca. Está ainda longe disso. 
Para Portugal, a desresponsabilização pela sorte de populações e sobretudo, por aquilo que aconteceu a muitas dezenas de soldados negros portugeses, ditou uma indelével nódoa na nossa reputação.  Os massacres foram efectivos e muitos deles assumidos pelas novas autoridades locais, num clássico processo de retintos contornos tribalistas. 
Para a nossa economia, a fuga militar - e consequentemente, de toda ou quase toda a população branca, os quadros - consistiu noutro irreparável desastre, diminuindo a nossa presença física e influência naquela parte do mundo, permitindo a chegada de esfaimados concorrentes europeus - holandeses, suecos, outros nórdicos e gente do leste - que tudo fizeram para desprestigiar Portugal. O nosso país arruinou-se rapidamente, perdeu preciosos destinos de escoamento dos nossos produtos, liquidou-se o já longo e visivelmente processo de modernização industrial - com espantosas taxas de crescimento que fizeram a Time apresentar Portugal como "The next European miracle" -  e para culminar, prostrou-nos perante uma Europa que nos aabriu o ingresso na CEE, ao mesmo tempo que tal coisa serviu para de uma vez esmagar a produção nacional.
É esta, a pesada e indesmentível responsabilidade de militares e civis da 3ª república. Ficamos por aqui, pois muito ficará por dizer. 
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De Duarte Meira a 07.02.2013 às 21:34

É o bastante. Não tenho aqui espaço para tanto que havia a dizer sobre os outros casos que citou: a “Inquisição” (que foi abolida ainda em Monarquia) e o juramento que el-rei D. João VI fez – coacto – da “Constituição” de 1822. Teria de entrar pelos aspectos religiosos na fundação e evolução da Monarquia portuguesa, e na questão judaica; teria de entrar em considerações sobre o que pode ser uma Constituição histórica em comparação com um papel congeminado por uns quantos indivíduos saídos dos quartéis, dos cafés e das lojas a fazerem revoluções armadas e a “regenerar” Portugal a partir das suas cabeças ilumindas por utopias, no contexto político do “Reino Unido” que a nossa Monarquia era à época.

Termino com um cordial incitamento ao Anónimo arguente. – Que não deixe de cuidar da nossa Língua e de estudar a nossa maravilhosa e dramática História. É a de um povo complexo feito de um complexo de povos que desde há milhares de anos aqui têm chegado e partido deste cais da Europa; que, durante alguns séculos, com o nome de “português”, foi um pequeno povos que fez grandes coisas; e que, com este mesmo nome, o de “brasileiro” ou outro nome, ainda pode ter no futuro uma palavra importante a dizer ao mundo.

Fico à sua disposição só para responder a alguma pergunta directa e concreta que tenha sobre os assuntos abordados. As que pôs aqui hoje, ou já estão respondidas (se ler com mais calma quanto escrevi), ou, se não lhes distorcer o sentido, facilmente pode deduzir por si as respostas.
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De Anónimo a 08.02.2013 às 17:42

«“Mas o Anónimo não leu o que tinha diante os olhos e vem dizer que o rei “não utilizou a justiça” (sic) ao defender-se dos presumíveis conspiradores contra ele. Bem, o rei não fez de facto queixa à Procuradoria Geral... e fez a justiça que se fazia na altura, à época em que o rei e a lei se confundiam;»
Quanto a este ponto também não leu o que tinha diante dos olhos. Quando usei a palavra “utilizou” obviamente me referia a “não recorreu à justiça”. O que condenei foi este facto: perante a conspiração de D. Fernando II, o rei chamou vários juízes (a Procuradoria Geral da altura) e abriu um processo contra D. Fernando II, com a acusação de traição de lesa-majestade. O Duque foi considerado culpado e condenado à morte. Foi degolado a 21 de Junho de 1483. No caso em questão, D. João II planeou uma cilada e apunhalou com as suas próprias mãos D. Diogo de Viseu. D. João II não actuou em legítima defesa, como bem fez o príncipe D. Luís Filipe, comportou-se sim como um assassino dos seus adversários políticos, tal como os regicidas.

«Foi o que se passou na fundação da Monarquia portuguesa, com as diferenças que a opuseram a condessa Teresa, e barões galegos, a seu filho Afonso com parte dos barões portucalenses. Estas diferenças – políticas – nada tiveram a ver (não
há vestígios disso) com incompatibilidades psicológicas ou contestações do “poder paternal”.» 
Releia bem o que eu disse: «Como vê, por vezes, não é o poder paternal, o respeito pela ordem natural que rege a monarquia, mas sim apenas a conquista do poder.» . Ou seja, na prática são diferenças políticas, por vezes, aquilo que rege a monarquia e não o poder paternal. Poder esse no sentido do conceito da ordem natural das coisas, como temos vindo a debater, e não no sentido do foro freudiano, lacaniano. A sua citação acima vem assim ao encontro do que eu disse, e repito, de que D. Afonso I é um caso flagrante da quebra do poder paternal. Por conseguinte, a monarquia não se rege sempre pela ordem natural das coisas.

«Os reis não temem o seu povo. (A comparar com o sujeito que anda por cá agora a fazer de “presidente da República”: a meio do caminho para visitar uma escola secundária, volta para trás por... questões de segurança!...)»
O rei de Espanha não teme o seu povo ao ponto de aceitar ser apupado nos estádios de futebol nas finais da taça do Rei. Mas não é tolo ao ponto de prescindir da sua segurança pessoal ou de se deslocar a eventos ou em circunstâncias onde os serviços secretos identificaram como séria ameaça à sua integridade física.

«Nem o desaparecimento do rei em Alcácer implicava necessariamente a perda da independência »
A perda da independência deu-se e não entremos no terreno das hipóteses.
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De Anónimo a 08.02.2013 às 17:43

«Compare com a nossa intervenção republicana na 1ª Guerra (…) Mas... que fazem elas atoladas nas lamas da Flandres, contra a vontade dos próprios ingleses?»
Foram os ingleses que hipocritamente nos empurraram para as lamas da Flandres. Apesar de defender que Portugal não se envolvesse no conflito, em 1916, 'pediram' o apresamento dos mais de oitenta navios alemães que estavam acostados nos portos portugueses. A consequência inevitável foi a entrada de Portugal na guerra contra a Alemanha ao lado dos aliados. Foram depois os mesmos ingleses quem forneceu todo o fardamento, armamento, treino, sistema táctico, abastecimento em viveres. Dizer que foi « contra a vontade dos próprios ingleses» é uma profunda ironia.

«Temos os filhos do povo como carne para canhão»
Falemos no número de baixas. Na batalha de Alcácer Quibir morreram mais de 9000 homens num só dia. No total da primeira guerra mundial morreram 10 mil compatriotas.

«Quer agora o Anónimo saber qual foi “de longe”, como diz, o “mais grave” revés militar, social, político e moral da História portuguesa ? – Foi, em 1974-75»
Todos os impérios caem. Desde os tempos bíblicos que isso sucede. O império colonial português não foi excepção. Esse império colonial já no fim da monarquia não estava em condições, de nas suas palavras, confiar segurança aos africanos e timorenses. O caso mais significativo é o do ultimato britânico de 1890, onde não tivemos força militar, nem negocial, para nos impor-mos aos ingleses. O que aconteceu em 1974-75, foi também uma perda do território colonial, mas nem o território de Portugal continental e ilhas, nem a nossa independência, se perderam. Assim 1974-75 o “mais grave” porquê ? Com Alcácer Quibir perdeu-se a independência. Qual o interesse de ter um vasto território, se você perde a independência e não é o dono desse território?

«com a perda dos recursos e mercados de África, perdeu-se a autonomia política do Estado português e finou-se a 3ª República, »
Com a independência do Brasil, esses recursos e mercados também se perderam. Mas sobretudo significou o princípio do fim do império colonial português. O impacto económico da perda do Brasil foi incomparavelmente mais devastador do que com a perda das colónias africanas. Apesar disso, a passagem de 200 anos sobre a independência do Brasil contribuiu certamente para que dizeres como o “Brasil é nosso” tenham desaparecido.

Esta discussão já vai longa, e se estiver de acordo comigo colocaríamos nela um ponto final. Se entender fazer um último comentário estarei disponível para o ler.
Até uma próxima oportunidade.

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