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Acusada!

por Nuno Castelo-Branco, em 01.02.13

 

A república é acusada de assassínio do Chefe do Estado, de terrorismo bombista, de total desrespeito e subversão da ordem constitucional. É acusada da clamorosa derrota militar na I Guerra Mundial. É acusada da fuga de centenas de milhar de portugueses temerosos da violência, prepotência e inépcia da gente do regime do Costa. É acusada do ataque ao corpo eleitoral nacional, é acusada de coacção física e moral sobre a população, é acusada de falsificação de eleições, da repressão dos sindicatos, da imprensa e da Igreja. É acusada da ruína económica e financeira. É acusada da mais longa ditadura da nossa história, da polícia política, da censura. É acusada da vergonhosa, criminosa e pretensa descolonização, é acusada de causadora do genocídio de populações em África e em Timor. É acusada do abandono de milhares de soldados portugueses em três dos antigos territorios ultramarinos, é acusada das ruinosas cedências feitas para o seu apressado ingresso político na CEE. É acusada do desbaratar dos recursos da economia portuguesa. É acusada de ceder perante a organização de uma infrene cleptocracia institucional que esbulha o país em proveito de uma ínfima minoria de sátrapas. É acusada de fazer desaparecer o que nos resta da independência nacional conseguida através dos sacrifícios de mais de trinta gerações. 

 

Este regime não é legítimo

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publicado às 23:00


3 comentários

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De Duarte Meira a 04.02.2013 às 21:14

"La monarquía es evidente que parte del principio de la natural desigualdad humana ... »


Anónimo:

Nem dois gémeos verdadeiros, ainda menos os clones, são entidades “iguais”, e se não há dois indivíduos vivos que sejam “iguais”, começando pelo genótipo – então qual é o problema ? O problema é de quem não gosta da Natureza e quer trazer – necessariamente pela Força – a “igualdade” onde ela não existe nem cabe. Não faz desaparecer a desiguldade natural, que não pode, mas faz aparecer a Uniformidade, que vamos sofrendo mais e mais. O problema do anonimato na Uniformidade não é só do Anónimo, é o de todos nós: aquela Força que pretendia assassinar toda a Família Real, veio também para atentar contra a família humana natural.

Mas não é “evidente” que tal desigualdade seja “el principio” pertinente ao caso, porque também o poderia ser da Aristocracia ou da Democracia. A Monarquia é o lugar conjuntamente natural e simbólico da Autoridade política originária: – a autoridade paternal dos pais sobre os filhos; a de Deus sobre os homens (pois que há também uma política divina, cujo nome é Providência). E é um lugar simbólico a dois níveis: na pessoa singular do rei, como símbolo mais distinto da pessoa humana enquanto entidade distinta, singular, única; na pessoa colectiva da Família Real, como símbolo vivo da pessoa colectiva nacional, da unidade viva das famílias que formam a sociedade nacional. Assim da unidade, como da identidade e da vontade de estar e prosseguir assim como é no tempo, de estar como... – Estado. (E se nesse estar no tempo o grupo tem estado autónomo e independente de outros grupos, assim também o monarca é o símbolo da soberania e propriamente chamado Soberano.)

Esta é a Ordenação natural das coisas; e tão natural que, à reflexão, quando a consciência moderna procura saber das origens e pede à “ciência” da História os correspondentes factos “objectivos”... não encontra nenhuns. Ou só encontra “lendas” e “mitos”, que menospreza porque os não sabe ler nem entender.
Portanto, que haja uma poucas pessoas – os nascidos na Família Real – que nasçam com uma natural autoridade sobre outros, é tão escandaloso como haver pais com autoridade sobre os filhos; ou haver pessoas (ou famílias) socialmente mais distintas do que outras (é a a origem da Aristocracia).

Se há uma desigualdade natural – isto é, fundada na natureza biossocial da desigualdade entre pais e filhos – entre governantes e governados, convém que o poder político esteja organizado o mais em harmonia possível com essa Natureza, – e tal é o que sucede com a autoridade do poder paternal do Rei, assim reconhecido e tratado espontaneamente, popularmente, como “Pai”, como foi de facto (ainda no séc. XIX).

Repare o Anónimo que falei de Autoridade do poder, não do poder em exercício ou efectivamente exercido, que o pode ser mais ou menos e de vários modos. (Por isso dizem, erradamente, de algumas monarquias e monarcas que são meramente “decorativos”!...)

Não é difícil inferir que esta autoridade paternal de um privilegiado símbolo vivo da unidade nacional, não é de modo nenhum incompatível com a “república”, entendida como significando ointeresse comum e a primazia da da sua gestão honesta; antes pelo contrário, fácil é mostrar que só uma autoriade superior, independente – e preparada desde cedo por uma especial educação para isso – , pode dar garantias de velar pela não usurpação do comum em benefício dos interesses privados ou das facções. (Assim os nossos tratadistas monárquicos de seiscentos usaram do termo “república”.)

Muito mais haveria a dizer, evidentemente. Mas se o Anónimo leu e entendeu estes lineamentos, já passará o teste de entendimento do seguinte. Que não se pode – politicamente – pôr em linha de comparação os homicídios cometidos por D. João II com os homicídios cometidos pelos regicidas.

Se passou o teste, tenho muito gosto em vir aos outros factos históricos a que aludiu.
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De Anónimo a 05.02.2013 às 17:23

Caro anónimo Duarte Meira,

No essencial o seu texto desenvolve-se à volta da legitimação da autoridade do poder do rei através da metáfora da desigualdade natural entre pai/filho e transporta essa desigualdade natural para a organização do poder político.

Em relação à desigualdade natural entre pai/filho convém lembrar que esta sofre uma evolução ao longo do crescimento do filho. Nos primeiros anos a relação é totalmente desigual, pela dependência do filho em relação ao pai, mas com o passar dos anos essa desigualdade diminui e até se extingue quando o filho adulto se torna-se independente do pai e decide sobre o seu próprio destino. É essa independência em relação ao poder paternal, que utilizando a sua metáfora é a ordem natural da republica. É o sair de um estado infantil para um estado adulto. É o de uma relação entre adultos que acordam um pacto social entre si, com direitos e deveres.

Quanto à aplicação deste principio do poder paternal, num sentido literal, nas monarquias, lembro-lhe que vários filhos dos monarcas se revoltaram contra os pais: D. Afonso Henriques revoltou-se contra a própria mãe. Se D. Afonso Henriques se submete-se ao poder paternal seriamos hoje Galelos-Espanhóis. Como vê, por vezes, não é o poder paternal, o respeito pela ordem natural que rege a monarquia mas sim apenas a conquista do poder.

Quanto ao facto do poder político estar organizado numa relação desigual entre governados e governantes, não se trata de uma desigualdade humana ou “fundada na natureza biossocial da desigualdade entre pais e filhos”, como acontece na monarquia, mas sim de uma desigualdade resultante do exercício da autoridade imprescindível a qualquer governação, caso contrário seria a anarquia. O que acontece na republica, é que qualquer cidadão se pode colocar na situação de governado ou representado, mas também na situação temporária e não hereditária de governante ou representante, ou seja, de exercício de autoridade, bastando para isso ser sufragado.

“Que não se pode – politicamente – pôr em linha de comparação os homicídios cometidos por D. João II com os homicídios cometidos pelos regicidas.”
Se percebeu o que foi dito até agora o anónimo Duarte Meira perceberá o que direi a seguir:
D. João II não utilizou a justiça para julgar os conspiradores que o queriam depor. Planeou uma cilada e apunhalou com as suas próprias mãos D. Diogo de Viseu, Infante de Portugal, 4º Duque de Viseu. Comportou-se assim como um assassino dos seus adversários políticos, tal como os regicidas.

Fico a aguardar então a sua resposta aos outros factos históricos a que aludi.

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De Duarte Meira a 05.02.2013 às 21:15

Anónimo:

Entendamo-nos ao menos neste pormenor: com respeito ao meu nome, errou ao confundir um indivíduo anónimo com um (hipotético) peseudónimo.

Passemos ao que importa. – “Os factos repetem-se na História”. Como, se lhe dei a entender que não há na Natureza duas coisas iguais ?... É impossível sabê-lo. Consideremos a forma mais literal de repetição: a teoria do “eterno retorno do mesmo”. Consideremo-la verdadeira de facto (acerta e é assertiva da realidade). Quando eu escrevo esta frase, tenha ou não consciência disso, já a escrevi e escreverei a mesma, no mesmo contexto, um número infinito de vezes. Mas, em cada um dos momentos, tenho uma consciência e uma ciência limitadas, finitas (e já me esqueceu algum hipotético momento em que as tivesse infinias). Logo, não posso saber se é verdadeira; e não tenho razão nenhuma para pensar que o Anónimo português ou o alemão Nietzsche tenham essa capacidade infinita. Mas também, se não posso saber, a teoria pode não ser verdadeira de facto; e não se vê como posso saber se é ou não é verdadeira.

De maneira que ficamos reduzidos a formas mais atenuadas ou metonímicas de “repetição”: semelhanças relevantes e pertinentes. Possível que sim, e concedo que mesmo até à indiscernibilidade. Mas semelhança e identidade relativa (a um número finito de itens observáveis e comparáveis) não são a mesma coisa que igualdade. Aplicando já ao nosso assunto. –
Se eu digo que os republicanos foram regicidas, diz o Anónimo que também os monárquicos o foram (no caso frustrado de D. José ou no consumado de D. João VI, segundo as mais recentes investigações periciais). Temos uma identidade relativa: num caso e noutro um regicídio. Mas, mesmo que os assassinos del-rei João fossem alguns cripto-republicanos (uma semelhança relevante e pertinente), tudo o mais é diferente. (Desde logo não esquecer que os republicanos parece que intencionavam assassinar toda a Família Real.) Mais claramente. –

Diria o Anónimo, na sua lógica, que se os republicanos assassinaram o Presidente da República, também os monárquicos (os “buissidentes”) assassinaram o Chefe de Estado. E digo eu que – politicamente – são situações completamente diferentes porque são pessoas e situações políticas incomparáveis. É justamente este o cerne do meu argumento: a Monarquia é o arquétipo da Ordem política, e o que se chama “República” uma típica desordenação daquela, isto é, essencialmente Desordem. E era esta essencial desordem do Estado, ameaçadora de decomposição do corpo nacional que o nosso Nuno Castelo Branco lamentava e justamente acusava no desabafo emocionado.

Veremos como responde a este argumento. Mas eis agora, ó Anónimo, como “os factos se repetem” : “Hoje já não tenho tempo para responder à sua segunda parte. Amanhã farei o meu comentário”... Entendidos nisto e no mesmo gosto de vermos os espanhóis na fronteira, não perderá pela demora.

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